11/11/2017

Globalização do homem


«Num planeta em que as tribos humanas, em movimento constante, entram em colisão umas com as outras, a pressão torna-se opressiva. A rede aperta-se, suscitando uma sensação de claustrofobia e até de rejeição. A globalização traduz este momento histórico em que a Terra toma consciência dos seus limites e os homens da sua interdependência. O universo deixa de ser o espaço comum dos seus intercâmbios para se tornar no lugar dos seus tormentos recíprocos. Os povos ficam privados do afastamento necessário a qualquer relação, uma vez que nada mais os separa a não ser algumas horas de avião ou de comboio. Intolerável proximidade da aldeia global, a mesma onde seria necessária restabelecer afastamentos, intervalos, para que cada um tornasse a encontrar o seu lugar. A abertura prometida pela modernidade, a possibilidade maravilhosa de sair do local, da terra natal, do tribal, converte-se num novo confinamento à escala global. Não tanto alargamento dos horizontes como percepção do horizonte como uma nova clausura. Uma vez que há um só mundo, o das explosões demográficas, das catástrofes naturais e das migrações em massa, é mais do que nunca necessária uma inteligência de multidão. As tensões aumentam porque os indivíduos se aproximam, estão lado a lado, são obrigados a compartilhar o quarto. Para restabelecer pontes entre os homens, é preciso começar por restabelecer portas que delimitem os territórios de cada um.»


Em Um Racismo Imaginário, de Pascal Bruckner

19/06/2017

Aquecimento


O aquecimento global é uma realidade que todos deveríamos aceitar de uma vez por todas. Há quem defenda que este aquecimento não se deve à ação do Homem, mas sim a causas naturais. Ninguém diz que não haja causas naturais, simplesmente que há uma contribuição real, e muito significativa, do Homem para este aumento de temperatura média no nosso planeta, e que se vem a sentir de uma forma concreta de ano para ano, de mês para mês.
É dificil para o planeta absorver toda esta actividade que temos apenas para nosso benefício e lazer, toda esta ação não natural do Homem.
Se é verdade que as grandes industrias são grandes contribuidoras, também é verdade que cada um de nós, a uma escala menor, também contribui individualmente para o aquecimento global. E deveriamos começar a pensar (e a agir) o que podemos fazer para não contribuir (tanto) para essa contribuição individual - todos temos o dever (e obrigação) de diminuir a nossa pegada ecológica. 

17/04/2017

Liberdade no Mundo 2017

Tal como se tem verificado nos últimos anos, a democracia e liberdade no mundo tem vindo a diminuir de ano para ano (para não dizer de mês para mês), colocando em causa muitos dos valores básicos dos Direitos do Homem. 
A ascensão do populismo e nacionalismo fizeram com que 2016 se tornasse o 11º ano consecutivo da queda da democracia.

O mapa abaixo (devido à sua simplificação) não mostra a realidade completa, pois houve importantes recuos nos direitos políticos, nas liberdades civis (ou em ambos), em diversos países assinalados como "Livres", incluindo o Brasil, a República Checa, a Dinamarca, a França, a Hungria, a Polónia, a Sérvia, A África do Sul, a Coreia do Sul, a Espanha, a Tunisia e os Estados Unidos.

O Médio Oriente e o Norte de África foram as regiões que mostraram as piores classificações em 2016, seguidas de perto da Euroásia.
 

https://freedomhouse.org/report/freedom-world/freedom-world-2017


Já no mapa abaixo é possível obter uma melhor visualização, no entanto recomenda-se que se dê uma passagem pelo mapa interativo em https://freedomhouse.org/report/freedom-world/freedom-world-2017.


Abaixo estão indicadas as pontuações relativas aos países da União Europeia (por ordem alfabética) para o ano de 2017:
  • Alemanha - 95
  • Áustria - 95
  • Bélgica- 95 
  • Bulgária - 80
  • Chipre - 94
  • Croácia - 87
  • Dinamarca - 97
  • Eslováquia - 89
  • Eslovénia - 92
  • Espanha - 94
  • Estónia - 94
  • Finlândia - 100
  • França - 90
  • Grécia - 84
  • Hungria - 76
  • Irlanda - 96
  • Itália - 89
  • Letónia - 87
  • Lituânia - 91
  • Luxemburgo - 98
  • Malta - 96
  • Países Baixos - 99
  • Polónia - 89
  • Portugal - 97
  • Reino Unido - 95
  • República Checa - 94
  • Roménia - 84
  • Suécia - 100
A pontuação para Portugal manteve-se inalterada nos dois últimos anos, em 97.


Fonte: https://freedomhouse.org/
 

29/03/2017

Qual o motivo?


«Estaline era ateu e Hitler provavelmente não, mas mesmo que fosse, o essencial do debate Estaline/Hitler é muito simples. Os ateus poderão, individualmente, fazer coisas más, mas não as fazem em nome do ateísmo. Estaline e Hitler fizeram coisas tremendamente más em nome, respetivamente, do marxismo dogmático e doutrinário e de uma insana e nada científica teoria da eugenia, eivada de delírios subwagnerianos. As guerras religiosas são realmente travadas em nome da religião e ocorrem com uma frequência terrível ao longo da História. Não me lembro de nenhuma que tenha sido travada em nome do ateísmo. E porque haveria de o ser? Uma guerra pode ter como motivação a ganância económica, a ambição política, o preconceito étnico ou racial, uma grande ofensa ou uma vingança, ou ainda a crença patriótica no destino de uma nação. Um motivo ainda mais plausível para se travar uma guerra é a fé inabalável em que a nossa religião é a única verdadeira, corroborada por um livro sagrado que condena explicitamente à morte todos os hereges e seguidores de religiões rivais, e que promete explicitamente que os soldados de Deus irão diretamente para um céu de mártires. Em The End of Faith, Sam Harris vai, como de costume, ao cerne da questão:

O perigo da fé religiosa reside no facto de ela permitir que seres humanos que são normais em tudo o resto, colham os frutos da demência e os considerem sagrados. Porque a cada nova geração se ensina às crianças que as proposições religiosas não precisam de ser justificadas como o são as outras, a civilização ainda se encontra sitiada pelos exércitos da desrazão. Ainda hoje, passado este tempo todo, nos matamos por causa de literatura antiga. Quem imaginaria que algo tão tragicamente absurdo seria possível?

Em contraste com isto, porque razão haveria alguém de ir para a guerra por causa de uma ausência de crença?»

Richard Dawkins, in A Desilusão de Deus, Casa das Letras, 6ª edição, de 2011


Foto: Gaza, destruida pela guerra entre palestinianos e israelitas. Fonte: https://www.nytimes.com/2015/08/23/world/middleeast/one-year-after-war-people-of-gaza-still-sit-among-the-ruins.html?_r=0


Facetas


«A religião é vista pela gente comum como verdadeira, pelos sábios como falsa e pelos governantes como útil.»

Séneca

28/03/2017

Recordes



 
«Deus e a Pátria formam uma equipa imbatível, superando todos os recordes no que respeita à opressão e ao derramamento de sangue.»

Luis Buñuel

22/03/2017

É mais fácil...


«Na dimensão pessoal, poucas pessoas desenvolvem um ponto de vista sobre o que poderiam fazer para libertarem o seu potencial, poucas tomam as "posições" que farão a diferença e poucas seguem as vias que criam autoconhecimento e mestria. É mais fácil deixar que a vida nos conduza do que conduzi-la.

Na dimensão corporativa, poucos presidentes executivos desenvolvem um ponto de vista sobre o que tornará as suas instituições verdadeiramente distintivas, poucos tomam posições originais que farão alguma diferença e poucos fazem o suficiente para influenciar o resultado. É mais deixar que o ambiente de negócios, os mercados ou os reguladores nos conduzam do que sermos nós a conduzi-los.

Na dimensão da política nacional, poucos presidentes e primeiros-ministros possuem uma visão clara do potencial dos seus países, poucos tomam posições que libertem o potencial do seu povo ou criem mudanças positivas e poucos influenciam os seus países suficientemente de modo a provocar uma diferença significativa na prosperidade e desenvolvimento do seu povo. É mais fácil passar o tempo a lidar com as políticas da governação do que a liderar.

Na questão da guerra e dos assuntos internacionais, poucos líderes desenvolvem um ponto de vista sobre a relação ideal entre eles próprios e os seus inimigos, poucos tomam posições que conduzam à melhoria das relações internacionais e poucos influenciam o curso que conduzirá à paz, prosperidade e liberdade acrescentadas. É mais fácil defender a própria ideologia e bem-estar e evitar o conflito ou desencadear uma guerra.»


O Mestre em Estratégia - Poder, Objetivos e Princípios, Ketan J. Patel, maio 2006, Editorial Presença

O Homens Fortes

Qual o fascinio pelos "homens fortes" (leia-se "ditadores"). Terá a história alguma influência na sua ascênsão? - pergun...