17/04/2017

Liberdade no Mundo 2017

Tal como se tem verificado nos últimos anos, a democracia e liberdade no mundo tem vindo a diminuir de ano para ano (para não dizer de mês para mês), colocando em causa muitos dos valores básicos dos Direitos do Homem. 
A ascensão do populismo e nacionalismo fizeram com que 2016 se tornasse o 11º ano consecutivo da queda da democracia.

O mapa abaixo (devido à sua simplificação) não mostra a realidade completa, pois houve importantes recuos nos direitos políticos, nas liberdades civis (ou em ambos), em diversos países assinalados como "Livres", incluindo o Brasil, a República Checa, a Dinamarca, a França, a Hungria, a Polónia, a Sérvia, A África do Sul, a Coreia do Sul, a Espanha, a Tunisia e os Estados Unidos.

O Médio Oriente e o Norte de África foram as regiões que mostraram as piores classificações em 2016, seguidas de perto da Euroásia.
 

https://freedomhouse.org/report/freedom-world/freedom-world-2017


Já no mapa abaixo é possível obter uma melhor visualização, no entanto recomenda-se que se dê uma passagem pelo mapa interativo em https://freedomhouse.org/report/freedom-world/freedom-world-2017.


Abaixo estão indicadas as pontuações relativas aos países da União Europeia (por ordem alfabética) para o ano de 2017:
  • Alemanha - 95
  • Áustria - 95
  • Bélgica- 95 
  • Bulgária - 80
  • Chipre - 94
  • Croácia - 87
  • Dinamarca - 97
  • Eslováquia - 89
  • Eslovénia - 92
  • Espanha - 94
  • Estónia - 94
  • Finlândia - 100
  • França - 90
  • Grécia - 84
  • Hungria - 76
  • Irlanda - 96
  • Itália - 89
  • Letónia - 87
  • Lituânia - 91
  • Luxemburgo - 98
  • Malta - 96
  • Países Baixos - 99
  • Polónia - 89
  • Portugal - 97
  • Reino Unido - 95
  • República Checa - 94
  • Roménia - 84
  • Suécia - 100
A pontuação para Portugal manteve-se inalterada nos dois últimos anos, em 97.


Fonte: https://freedomhouse.org/
 

29/03/2017

Qual o motivo?


«Estaline era ateu e Hitler provavelmente não, mas mesmo que fosse, o essencial do debate Estaline/Hitler é muito simples. Os ateus poderão, individualmente, fazer coisas más, mas não as fazem em nome do ateísmo. Estaline e Hitler fizeram coisas tremendamente más em nome, respetivamente, do marxismo dogmático e doutrinário e de uma insana e nada científica teoria da eugenia, eivada de delírios subwagnerianos. As guerras religiosas são realmente travadas em nome da religião e ocorrem com uma frequência terrível ao longo da História. Não me lembro de nenhuma que tenha sido travada em nome do ateísmo. E porque haveria de o ser? Uma guerra pode ter como motivação a ganância económica, a ambição política, o preconceito étnico ou racial, uma grande ofensa ou uma vingança, ou ainda a crença patriótica no destino de uma nação. Um motivo ainda mais plausível para se travar uma guerra é a fé inabalável em que a nossa religião é a única verdadeira, corroborada por um livro sagrado que condena explicitamente à morte todos os hereges e seguidores de religiões rivais, e que promete explicitamente que os soldados de Deus irão diretamente para um céu de mártires. Em The End of Faith, Sam Harris vai, como de costume, ao cerne da questão:

O perigo da fé religiosa reside no facto de ela permitir que seres humanos que são normais em tudo o resto, colham os frutos da demência e os considerem sagrados. Porque a cada nova geração se ensina às crianças que as proposições religiosas não precisam de ser justificadas como o são as outras, a civilização ainda se encontra sitiada pelos exércitos da desrazão. Ainda hoje, passado este tempo todo, nos matamos por causa de literatura antiga. Quem imaginaria que algo tão tragicamente absurdo seria possível?

Em contraste com isto, porque razão haveria alguém de ir para a guerra por causa de uma ausência de crença?»

Richard Dawkins, in A Desilusão de Deus, Casa das Letras, 6ª edição, de 2011


Foto: Gaza, destruida pela guerra entre palestinianos e israelitas. Fonte: https://www.nytimes.com/2015/08/23/world/middleeast/one-year-after-war-people-of-gaza-still-sit-among-the-ruins.html?_r=0


Facetas


«A religião é vista pela gente comum como verdadeira, pelos sábios como falsa e pelos governantes como útil.»

Séneca

28/03/2017

Recordes



 
«Deus e a Pátria formam uma equipa imbatível, superando todos os recordes no que respeita à opressão e ao derramamento de sangue.»

Luis Buñuel

22/03/2017

É mais fácil...


«Na dimensão pessoal, poucas pessoas desenvolvem um ponto de vista sobre o que poderiam fazer para libertarem o seu potencial, poucas tomam as "posições" que farão a diferença e poucas seguem as vias que criam autoconhecimento e mestria. É mais fácil deixar que a vida nos conduza do que conduzi-la.

Na dimensão corporativa, poucos presidentes executivos desenvolvem um ponto de vista sobre o que tornará as suas instituições verdadeiramente distintivas, poucos tomam posições originais que farão alguma diferença e poucos fazem o suficiente para influenciar o resultado. É mais deixar que o ambiente de negócios, os mercados ou os reguladores nos conduzam do que sermos nós a conduzi-los.

Na dimensão da política nacional, poucos presidentes e primeiros-ministros possuem uma visão clara do potencial dos seus países, poucos tomam posições que libertem o potencial do seu povo ou criem mudanças positivas e poucos influenciam os seus países suficientemente de modo a provocar uma diferença significativa na prosperidade e desenvolvimento do seu povo. É mais fácil passar o tempo a lidar com as políticas da governação do que a liderar.

Na questão da guerra e dos assuntos internacionais, poucos líderes desenvolvem um ponto de vista sobre a relação ideal entre eles próprios e os seus inimigos, poucos tomam posições que conduzam à melhoria das relações internacionais e poucos influenciam o curso que conduzirá à paz, prosperidade e liberdade acrescentadas. É mais fácil defender a própria ideologia e bem-estar e evitar o conflito ou desencadear uma guerra.»


O Mestre em Estratégia - Poder, Objetivos e Princípios, Ketan J. Patel, maio 2006, Editorial Presença

17/01/2017

Renascimento e Reforma

Entende-se por Renascimento um período histórico de grande prosperidade cultural que teve iníco por volta do final do século XIV. Começou em Itália mas difundiu-se rapidamente para norte. Aquilo que devia renascer eram a arte e a cultura da Antiguidade. Também se fala frequentemente de humanismo renascentista, porque o homem voltou a ser o centro de tudo, após a longa Idade Média, em que todos os aspectos da vida tinham sido interpretados à luz de Deus. O mote era: «Regresso às fontes!», e a fonte mais importante era o humanismo da Antiguidade.Tornou-se quase um desporto popular desenterrar esculturas e manuscritos da Antiguidade. Também se tornou moda aprender grego, o que levou a um interesse renovado pela cultura grega. O interesse pelo humanismo grego tinha também uma finalidade pedagógica: o estudo das disciplinas humanísticas proporcionava uma «formação clássica» que fomentava o desenvolvimento das «qualidades humanas». «Os cavalos nascem», dizia-se, «mas os homens não nascem, formam-se».

Houve três inventos de extrema importância para a época e para a evolução que se deu, no Renascimento - a bússola, a pólvora e a tipografia.
A primeira, a bússola, facilitava a navegação. Sendo, desta forma, uma importante condição para as grandes viagens de descobrimento. o que também era válido para a pólvora. As novas armas trouxeram aos europeus superioridade em relação às culturas americanas e asiática, mas a pólvora também teve uma grande importância na Europa. E a tipografia era importante para difundir as novas ideias do Renascimento. Ela contribuiu inclusivamente para que a Igreja perdesse o seu antigo monopólio como propaganda do saber. Posteriormente, seguiram-se novos instrumentos e novos recursos. Um importante instrumento, era, por exemplo, o telescópio. Criou condições completamente diferentes para a astronomia.
No Renascimento houve uma série de transformações no domínio cultural e económico. Um pressuposto fundamental foi a passagem de uma economia de subsistência para uma economia monetária. No final da Idade Média, desenvolveu-se nas cidades uma sólida manufactura e um comércio ativo de novas mercadorias que levaram a uma notável circulação de dinheiro e à criação de um sistema bancário. Deste modo, surgiu uma burguesia que alcançara pelo trabalho uma certa independência das condições impostas pela natureza. Aquilo que era necessário para viver comprava-se com dinheiro. Este desenvolvimento fomentou a iniciativa, a fantasia e a criatividade do indivíduo, ao qual foram colocadas exigências novas.

O Renascimento trouxe consigo uma nova concepção do homem. Os humanistas renascentistas tinham uma confiança totalmente nova no homem e no seu valor, o que estava em nítido contraste com a Idade Média, na qual se realçara apenas a natureza pecaminosa do homem. O homem foi então visto como um ser infinitamente grande e precioso. Uma das figuras principais do Renascimento foi Mirsilio Ficino. Ele afirmou: «Conhece-te a ti mesmo, ó estirpe divina em vestes humanas!». Outro, Giovanni Pico della Mirandola, escreveu uma oraçõa sobre a «dignidade do homem». O que vai contra a visão da Idade Média, em que tudo girava em torno de Deus. Já para os humanistas do Renascimento o ponto de partida foi o próprio homem.
No entanto, o humanismo do Renascentismo estava mais marcado pelo individualismo do que o humanismo da Antiguidade. Não somos apenas homens, somos também indivíduos únicos. Esta ideia deu origem a uma veneração do génio. O ideal tornou-se aquilo a que chamamos o homem renascentista, ou seja, um homem que se ocupa com todos os domínios da vida, da arte e da ciência. A nova concepção do homem também estava patente no interesse pela anatomia do corpo humano. Tal como na Antiguidade, começou-se a dissecar cadáveres para se descobrir como o corpo é constituído. O que foi importante tanto para a medicina como para a arte. Na arte, tornou-se novamente habitual representar o homem nu.
A nova imagem do homem levou a uma concepção de vida totalmente nova. O homem já não existia apenas para Deus. Deus também criara o homem em função do homem. Por isso, o homem podia alegrar-se com a vida presente. E uma vez que o homem se podia desenvolver livremente, tinha possibilidades ilimitadas. O seu objectivo era ultrapassar todos os limites, o que também diferia do humanismo da Antiguidade, estes haviam insistido na serenidade, temperança e auto-domínio. Os homens Renascentistas tinham a sensação de que o mundo despertara de novo. Surgiu então a consciência da época contemporânea e foi introduzida a designação «Idade Média» para o período entre a Antiguidade e a sua própria época. Iniciou-se uma época única de desenvolvimento em todos os domínios, na arte e na arquitectura, na literatura e na música, na filosofia e na ciência. Por exemplo, a Roma da Antiguidade, considerada «a cidade das cidades», passou de mais de um milhão de habitantes no seu auge, para cerca de dezassete mil em 1417. Para os humanistas, reconstruir Roma, tornou-se um objectivo cultural e político. A grande Basílica de S. Pedro foi erigida então sobre o túmulo do apóstolo Pedro. Não se podendo falar de moderação no caso da Basílica de S. Pedro. Vários nomes importantes do Renascimento empenharam-se na sua grandiosidade. Os trabalhos começaram em 1506 e só ficaram terminados cento e vinte anos, e só após outros cinquenta é que ficou terminada a Praça de S. Pedro.
Igualmente de sublinhar, foi o facto de o Renascimento ter levado a uma nova concepção da natureza, e de o homem sentir alegria em viver - e de não ver a vida na Terra apenas como preparação para a vida no céu. Isso deu origem a uma posição totalmente nova em relação ao mundo físico. A natureza já era tida como positiva. Muitos acreditavam também que Deus estava presente na Criação. Ele é infinito e, nesse caso, também tem de estar em toda a parte. Esta concepção é designada por panteísmo. Os filósofos da Idade Média tinham apontado reiteradamente para o abismo insuperável entre Deus e a Criação. Agora, a natureza podia ser caracterizada como divina. No entanto, estas novas ideias nem sempre foram aceites com simpatia, como mostra o caso trágico de Giordano Bruno. Bruno não afirmava que Deus estava presente na natureza, o que ele afirmava era que o universo era infinito, e por isso veio a morrer na fogueira no ano de 1600. Mas durante o Renascimento também se desenvolveu aquilo que poderá ser designado como o «anti-humanismo», isto é, um poder autoritário da Igreja e do Estado. Durante o Renascimento, também houve processos contra bruxas e autos de fé, magia e superstição, guerras de religião sangrentas - e ainda a conquista brutal da América.

Foi no Renascimento que surgiu o novo método cientifico, que era, sobretudo, de investigar a natureza com os sentido. Já deste o século XIV , cada vez mais pessoas criticavam a confiança cega nas autoridades antigas. Essas autoridades eram tanto os dogmas da Igreja como a filosofia natural de Aristóteles. Também se negou que um problema se pudesse resolver apenas por reflexão. Esta confiança na importância da razão predominara durante toda a Idade Média. Dizia-se que a investigação da natureza tinha de se basear na observação, na experiência e na experimentação - método empírico. Na Antiguidade, também se fez ciência empírica , e Aristóteles fez muitas experiências importantes para o conhecimento da natureza. Mas experimentação sistemática era algo de novo. Foi particularmente realçada a importância de exprimir as observações científicas numa linguagem matemática exacta. «Deve medir-se aquilo que pode ser medido, e tornar mensurável o que não pode ser medido», segundo Galileu Galilei, um dos cientistas mais importantes do século XVII. Afirmou também que o livro da natureza estava escrito em caracteres matemáticos.
A primeira fase do novo método cientifico, que possibilitou a revolução técnica, e o desenvolvimento técnico possibilitou todas as invenções que se realizaram desde então. Pode-se dizer que os homens começaram a libertar-se das imposições da natureza. O homem já não era apenas uma parte da natureza. A natureza era uma coisa que podia ser usada e explorada. «Saber é poder», afirmou o filósofo inglês Francis Bacon, com que tentava chamar a atenção para a utilidade prática do saber, o que era algo de novo. Os homens começaram a intervir na natureza e a dominá-la.

Também durante o Renascimento surgiu uma nova concepção do mundo. Durante toda a Idade Média, os homens olharam para o sol e para a lua, estrelas e planetas, mas ninguém duvidara de que a Terra fosse o centro do universo. Nenhuma observação introduzira a dúvida de que a Terra estava imóvel e os «corpos celestes» circulavam em seu redor. Esta concepção tem a designação de teoria geocêntrica do universo. A ideia cristã de que Deus governa todos os corpos celestes também contribuiu para que esta concepção do universo se mantivesse por um período tão prolongado. Mas, em 1543, foi publicada uma obra intitulada Seis livros sobre as revoluções das esferas celestes, escrita pelo astrónomo polaco Copérnico que morreu no próprio dia em que a obra foi publicada. Copérnico afirmava que não era o sol que girava à volta da Terra, mas oposto. Achava-o possível com base nas observações dos corpos celestes que havia até então. Se os homens tinham acreditado que o sol girava à volta da terra, era, segundo ele, apenas porque a terra girava sobre o seu próprio eixo. Apontou para o facto de todas as observações dos corpos celestes serem muito mais fáceis de compreender se se pressupuser que a terra e os outros planetas se movem em trajetórias circulares à volta do sol. Esta concepção designa-se de teoria heliocêntrica do universo, que significava que tudo girava em torno do sol.
Já deste o tempo de Platão, que a esfera e o círculo eram as esferas geométricas mais perfeitas. Mas no início do século XVII, o astrónomo alemão Johannes Kepler conseguiu apresentar os resultados de observações pormenorizadas que provavam que os planetas se moviam em trajetórias elípticas à volta do sol. Provou também que os planetas se movem tanto mais rapidamente quanto mais próximos estão do sol. Galileu Galilei, que viveu aproximadamente na mesma altura que Kepler, observava os corpos celestes com o telescópio. Estudou as crateras na lua, verificando que existiam aí montes e vales, tal como na Terra. Descobriu igualmente que Júpiter tem quatro luas. E, mais importante, foi a descoberta de Galileu, da lei da inércia. Posteriormente, o físico inglês Isaac Newton, que viveu entre 1642 e 1727, deu a descrição definitiva do sistema solar e dos movimentos dos planetas. Não descreveu apenas o como os planetas se movem à volta do sol, mas também explicou o porque é que o fazem. Newton também formulou a chamada lei da Gravitação Universal.

E, finalmente, o Renascimento trouxe consigo também uma nova concepção de Deus. À medida que que a filosofia e a ciência se separavam da teologia, surgiu uma nova religiosidade cristã. Começou então o Renascimento com a sua nova concepção do homem, e isso também foi importante para a prática religiosa. Mais importante do que a relação com a Igreja como instituição, tornou-se a relação pessoal do individuo com Deus. Na Igreja Católica da Idade Média, a liturgia latina da Igreja e as suas orações tinham formado a verdadeira coluna vertebral do culto religioso. Apenas os sacerdotes e os monges liam a Bíblia, porque esta só existia em latim. Mas durante o Renascimento a Bíblia foi traduzida do hebraicao e do grego para as línguas populares para a Reforma, onde Martinho Lutero teve um importante papel, mas não foi o único reformador. Também havia reformadores na Igreja que, apesar de pertencerem à Igreja Católica Romana, queriam agir. Um deles era Erasmo de Roterdão. Para Lutero, o homem não precisava de fazer o desvio pela Igreja ou pelos seus sacerdotes para obter o perdão de Deus. E o perdão de Deus não estava dependente de uma quantia para a indulgência paga à Igreja. O chamado tráfico de indulgências também foi proibido na Igreja Católica em meados do século XVI. Lutero distanciou-se de um modo geral de muitos costumes religiosos e dogmas que a Igreja desenvolvera na Idade Média. Ele queria voltar ao cristianismo original tal como se encontra no Novo Testamento. Traduziu a Bíblia para o alemão, criando as bases para a língua escrita do alemão padrão.
Uma característica típica do Renascimento era a importância que se dava ao individuo e à sua relação pessoal com Deus. O facto de a língua popular substituir o latim também era típico do renascimento. Mas Lutero não era um humanista como Ficino ou Leonardo da Vinci. Alguns humanistas como Erasmo de Roterdão, criticaram-no devido à sua concepção demasiado negativa do homem. Lutero sublinhou nomeadamente que o homem estava completamente corrompido pelo pecado original e a humanidade só podia ser salva através da graça divina.







22/12/2016

Extinções e a Estrela da Morte


As análises iniciadas pelo paleontólogo J. John Sepkoski, Jr., da Universidade de Chicago,que mais tarde se veio a associar a David Raup, num enorme esforço enciclopédico acerca das espécies que se haviam extinguido, revelaram um número de extinções que tinham passado despercebidas. Embora certas extinções em massa fossem bastante mais devastadoras do que outras, revelavam um padrão inesperado e regular. A um período de lenta e constante proliferação das espécies, seguia-se um curto intervalo de tempo durante o qual desaparecia um extraordinário número de espécies, constituindo um processo cíclico. Lentamente, e após um período de milhões de anos, a vida no planeta voltava a estabelecer-se até à próxima grande extinção. Ao observarem os gráficos impressos, os dois paleontólogos notaram que as extinções em massa aconteciam em cada vinte e seis milhões de anos. Segundo Raup, a reação tida pelos dois investigadores foi de «horror». Pensava-se que as extinções se deviam à ocorrência simultânea de uma série de problemas que se agravavam com o passar dos tempos. Julgava-se que as grandes extinções eram o resultado de uma coincidência aleatória de sucessivos pequenos incidentes, o último dos quais constituiu levou à extinção dos dinossauros e consequente proliferação dos mamíferos. No entanto, se as grandes extinções se dão num determinado período regular, isso pressupõe a existência de uma única causa poderosa e recorrente.
«Dissemos para connosco: não pode ser regular, deve tratar-se de um erro estatístico.» Mas apesar de todos os esforços dos dois cientistas de tentarem obter uma explicação ou um erro para os dados obtidos, foi sem sucesso. Finalmente abandonaram-se às evidências.

Mas que mecanismos teriam dado origem a esta repetição cíclica? Tanto quanto se sabe, nenhum grande ciclo da rocha, mar e ar se prolonga durante um período de vinte e seis milhões de anos. Nem mesmo os ciclos das glaciações  se repetem a um intervalo de tal grandeza astronómica. Se for possível encontrar a causa deste efeito, tal deveria ser procurado não na Terra, mas para além desta.
Em Berkeley, Luis Alvarez desafiou o colega astrónomo-físico, Richard Muller, a encontrar uma explicação plausível para os ciclos. Muller teve muitas ideias, passando por explosões solares até supernovas, mas acabou por abandoná-las uma a uma. Por fim, trabalhando em conjunto com dois colegas, Marc Davis e Piet Hut, desenvolveu um modelo teórico.
A maior parte das estrelas existentes na nossa galáxia possuem um companheiro. Existem mais estrelas binárias do que astros solitários. Muller expôs a ideia ousada de que o nosso próprio sol poderia ter um companheiro de viagem, nunca antes detectado pelos astrónomos, devido à sua pequenez, negridão e distância. Suponha-se então que esta estrela-companheira descreve, em cada vinte seis a trinta milhões de anos, uma órbita em redor ao Sol. De cada vez que completa uma rotação, o astro aproxima-se o suficiente para despedação objectos mais longínquos, cuja órbita se efectua em torno do Sol - ou seja, a nuvem de cometas gelados denominada de nuvem de Oort, em honra do astrónomo holandês Jan Hendrik Oort que a descobriu, ajudando também a traçar a estrutura, em forma de braço de esperial, da Via Láctea.
Quando esta estrela se encontra mais afastada, pouco afeta o enxame de cometas, no entanto à medida que se aproxima do Sol, vai de encontro aos cometas, perturbando as suas órbitas e lançando uma grande parte deles em direção à Terra e ao Sol. Alguns colidem com a Terra, dando origem a extinções em massa, a cada vinte e seis a trinta milhões de anos, segundo o padrão regular descoberto por Raup e Sepkoski.


O Homens Fortes

Qual o fascinio pelos "homens fortes" (leia-se "ditadores"). Terá a história alguma influência na sua ascênsão? - pergun...