22/03/2017

É mais fácil...


«Na dimensão pessoal, poucas pessoas desenvolvem um ponto de vista sobre o que poderiam fazer para libertarem o seu potencial, poucas tomam as "posições" que farão a diferença e poucas seguem as vias que criam autoconhecimento e mestria. É mais fácil deixar que a vida nos conduza do que conduzi-la.

Na dimensão corporativa, poucos presidentes executivos desenvolvem um ponto de vista sobre o que tornará as suas instituições verdadeiramente distintivas, poucos tomam posições originais que farão alguma diferença e poucos fazem o suficiente para influenciar o resultado. É mais deixar que o ambiente de negócios, os mercados ou os reguladores nos conduzam do que sermos nós a conduzi-los.

Na dimensão da política nacional, poucos presidentes e primeiros-ministros possuem uma visão clara do potencial dos seus países, poucos tomam posições que libertem o potencial do seu povo ou criem mudanças positivas e poucos influenciam os seus países suficientemente de modo a provocar uma diferença significativa na prosperidade e desenvolvimento do seu povo. É mais fácil passar o tempo a lidar com as políticas da governação do que a liderar.

Na questão da guerra e dos assuntos internacionais, poucos líderes desenvolvem um ponto de vista sobre a relação ideal entre eles próprios e os seus inimigos, poucos tomam posições que conduzam à melhoria das relações internacionais e poucos influenciam o curso que conduzirá à paz, prosperidade e liberdade acrescentadas. É mais fácil defender a própria ideologia e bem-estar e evitar o conflito ou desencadear uma guerra.»


O Mestre em Estratégia - Poder, Objetivos e Princípios, Ketan J. Patel, maio 2006, Editorial Presença

17/01/2017

Renascimento e Reforma

Entende-se por Renascimento um período histórico de grande prosperidade cultural que teve iníco por volta do final do século XIV. Começou em Itália mas difundiu-se rapidamente para norte. Aquilo que devia renascer eram a arte e a cultura da Antiguidade. Também se fala frequentemente de humanismo renascentista, porque o homem voltou a ser o centro de tudo, após a longa Idade Média, em que todos os aspectos da vida tinham sido interpretados à luz de Deus. O mote era: «Regresso às fontes!», e a fonte mais importante era o humanismo da Antiguidade.Tornou-se quase um desporto popular desenterrar esculturas e manuscritos da Antiguidade. Também se tornou moda aprender grego, o que levou a um interesse renovado pela cultura grega. O interesse pelo humanismo grego tinha também uma finalidade pedagógica: o estudo das disciplinas humanísticas proporcionava uma «formação clássica» que fomentava o desenvolvimento das «qualidades humanas». «Os cavalos nascem», dizia-se, «mas os homens não nascem, formam-se».

Houve três inventos de extrema importância para a época e para a evolução que se deu, no Renascimento - a bússola, a pólvora e a tipografia.
A primeira, a bússola, facilitava a navegação. Sendo, desta forma, uma importante condição para as grandes viagens de descobrimento. o que também era válido para a pólvora. As novas armas trouxeram aos europeus superioridade em relação às culturas americanas e asiática, mas a pólvora também teve uma grande importância na Europa. E a tipografia era importante para difundir as novas ideias do Renascimento. Ela contribuiu inclusivamente para que a Igreja perdesse o seu antigo monopólio como propaganda do saber. Posteriormente, seguiram-se novos instrumentos e novos recursos. Um importante instrumento, era, por exemplo, o telescópio. Criou condições completamente diferentes para a astronomia.
No Renascimento houve uma série de transformações no domínio cultural e económico. Um pressuposto fundamental foi a passagem de uma economia de subsistência para uma economia monetária. No final da Idade Média, desenvolveu-se nas cidades uma sólida manufactura e um comércio ativo de novas mercadorias que levaram a uma notável circulação de dinheiro e à criação de um sistema bancário. Deste modo, surgiu uma burguesia que alcançara pelo trabalho uma certa independência das condições impostas pela natureza. Aquilo que era necessário para viver comprava-se com dinheiro. Este desenvolvimento fomentou a iniciativa, a fantasia e a criatividade do indivíduo, ao qual foram colocadas exigências novas.

O Renascimento trouxe consigo uma nova concepção do homem. Os humanistas renascentistas tinham uma confiança totalmente nova no homem e no seu valor, o que estava em nítido contraste com a Idade Média, na qual se realçara apenas a natureza pecaminosa do homem. O homem foi então visto como um ser infinitamente grande e precioso. Uma das figuras principais do Renascimento foi Mirsilio Ficino. Ele afirmou: «Conhece-te a ti mesmo, ó estirpe divina em vestes humanas!». Outro, Giovanni Pico della Mirandola, escreveu uma oraçõa sobre a «dignidade do homem». O que vai contra a visão da Idade Média, em que tudo girava em torno de Deus. Já para os humanistas do Renascimento o ponto de partida foi o próprio homem.
No entanto, o humanismo do Renascentismo estava mais marcado pelo individualismo do que o humanismo da Antiguidade. Não somos apenas homens, somos também indivíduos únicos. Esta ideia deu origem a uma veneração do génio. O ideal tornou-se aquilo a que chamamos o homem renascentista, ou seja, um homem que se ocupa com todos os domínios da vida, da arte e da ciência. A nova concepção do homem também estava patente no interesse pela anatomia do corpo humano. Tal como na Antiguidade, começou-se a dissecar cadáveres para se descobrir como o corpo é constituído. O que foi importante tanto para a medicina como para a arte. Na arte, tornou-se novamente habitual representar o homem nu.
A nova imagem do homem levou a uma concepção de vida totalmente nova. O homem já não existia apenas para Deus. Deus também criara o homem em função do homem. Por isso, o homem podia alegrar-se com a vida presente. E uma vez que o homem se podia desenvolver livremente, tinha possibilidades ilimitadas. O seu objectivo era ultrapassar todos os limites, o que também diferia do humanismo da Antiguidade, estes haviam insistido na serenidade, temperança e auto-domínio. Os homens Renascentistas tinham a sensação de que o mundo despertara de novo. Surgiu então a consciência da época contemporânea e foi introduzida a designação «Idade Média» para o período entre a Antiguidade e a sua própria época. Iniciou-se uma época única de desenvolvimento em todos os domínios, na arte e na arquitectura, na literatura e na música, na filosofia e na ciência. Por exemplo, a Roma da Antiguidade, considerada «a cidade das cidades», passou de mais de um milhão de habitantes no seu auge, para cerca de dezassete mil em 1417. Para os humanistas, reconstruir Roma, tornou-se um objectivo cultural e político. A grande Basílica de S. Pedro foi erigida então sobre o túmulo do apóstolo Pedro. Não se podendo falar de moderação no caso da Basílica de S. Pedro. Vários nomes importantes do Renascimento empenharam-se na sua grandiosidade. Os trabalhos começaram em 1506 e só ficaram terminados cento e vinte anos, e só após outros cinquenta é que ficou terminada a Praça de S. Pedro.
Igualmente de sublinhar, foi o facto de o Renascimento ter levado a uma nova concepção da natureza, e de o homem sentir alegria em viver - e de não ver a vida na Terra apenas como preparação para a vida no céu. Isso deu origem a uma posição totalmente nova em relação ao mundo físico. A natureza já era tida como positiva. Muitos acreditavam também que Deus estava presente na Criação. Ele é infinito e, nesse caso, também tem de estar em toda a parte. Esta concepção é designada por panteísmo. Os filósofos da Idade Média tinham apontado reiteradamente para o abismo insuperável entre Deus e a Criação. Agora, a natureza podia ser caracterizada como divina. No entanto, estas novas ideias nem sempre foram aceites com simpatia, como mostra o caso trágico de Giordano Bruno. Bruno não afirmava que Deus estava presente na natureza, o que ele afirmava era que o universo era infinito, e por isso veio a morrer na fogueira no ano de 1600. Mas durante o Renascimento também se desenvolveu aquilo que poderá ser designado como o «anti-humanismo», isto é, um poder autoritário da Igreja e do Estado. Durante o Renascimento, também houve processos contra bruxas e autos de fé, magia e superstição, guerras de religião sangrentas - e ainda a conquista brutal da América.

Foi no Renascimento que surgiu o novo método cientifico, que era, sobretudo, de investigar a natureza com os sentido. Já deste o século XIV , cada vez mais pessoas criticavam a confiança cega nas autoridades antigas. Essas autoridades eram tanto os dogmas da Igreja como a filosofia natural de Aristóteles. Também se negou que um problema se pudesse resolver apenas por reflexão. Esta confiança na importância da razão predominara durante toda a Idade Média. Dizia-se que a investigação da natureza tinha de se basear na observação, na experiência e na experimentação - método empírico. Na Antiguidade, também se fez ciência empírica , e Aristóteles fez muitas experiências importantes para o conhecimento da natureza. Mas experimentação sistemática era algo de novo. Foi particularmente realçada a importância de exprimir as observações científicas numa linguagem matemática exacta. «Deve medir-se aquilo que pode ser medido, e tornar mensurável o que não pode ser medido», segundo Galileu Galilei, um dos cientistas mais importantes do século XVII. Afirmou também que o livro da natureza estava escrito em caracteres matemáticos.
A primeira fase do novo método cientifico, que possibilitou a revolução técnica, e o desenvolvimento técnico possibilitou todas as invenções que se realizaram desde então. Pode-se dizer que os homens começaram a libertar-se das imposições da natureza. O homem já não era apenas uma parte da natureza. A natureza era uma coisa que podia ser usada e explorada. «Saber é poder», afirmou o filósofo inglês Francis Bacon, com que tentava chamar a atenção para a utilidade prática do saber, o que era algo de novo. Os homens começaram a intervir na natureza e a dominá-la.

Também durante o Renascimento surgiu uma nova concepção do mundo. Durante toda a Idade Média, os homens olharam para o sol e para a lua, estrelas e planetas, mas ninguém duvidara de que a Terra fosse o centro do universo. Nenhuma observação introduzira a dúvida de que a Terra estava imóvel e os «corpos celestes» circulavam em seu redor. Esta concepção tem a designação de teoria geocêntrica do universo. A ideia cristã de que Deus governa todos os corpos celestes também contribuiu para que esta concepção do universo se mantivesse por um período tão prolongado. Mas, em 1543, foi publicada uma obra intitulada Seis livros sobre as revoluções das esferas celestes, escrita pelo astrónomo polaco Copérnico que morreu no próprio dia em que a obra foi publicada. Copérnico afirmava que não era o sol que girava à volta da Terra, mas oposto. Achava-o possível com base nas observações dos corpos celestes que havia até então. Se os homens tinham acreditado que o sol girava à volta da terra, era, segundo ele, apenas porque a terra girava sobre o seu próprio eixo. Apontou para o facto de todas as observações dos corpos celestes serem muito mais fáceis de compreender se se pressupuser que a terra e os outros planetas se movem em trajetórias circulares à volta do sol. Esta concepção designa-se de teoria heliocêntrica do universo, que significava que tudo girava em torno do sol.
Já deste o tempo de Platão, que a esfera e o círculo eram as esferas geométricas mais perfeitas. Mas no início do século XVII, o astrónomo alemão Johannes Kepler conseguiu apresentar os resultados de observações pormenorizadas que provavam que os planetas se moviam em trajetórias elípticas à volta do sol. Provou também que os planetas se movem tanto mais rapidamente quanto mais próximos estão do sol. Galileu Galilei, que viveu aproximadamente na mesma altura que Kepler, observava os corpos celestes com o telescópio. Estudou as crateras na lua, verificando que existiam aí montes e vales, tal como na Terra. Descobriu igualmente que Júpiter tem quatro luas. E, mais importante, foi a descoberta de Galileu, da lei da inércia. Posteriormente, o físico inglês Isaac Newton, que viveu entre 1642 e 1727, deu a descrição definitiva do sistema solar e dos movimentos dos planetas. Não descreveu apenas o como os planetas se movem à volta do sol, mas também explicou o porque é que o fazem. Newton também formulou a chamada lei da Gravitação Universal.

E, finalmente, o Renascimento trouxe consigo também uma nova concepção de Deus. À medida que que a filosofia e a ciência se separavam da teologia, surgiu uma nova religiosidade cristã. Começou então o Renascimento com a sua nova concepção do homem, e isso também foi importante para a prática religiosa. Mais importante do que a relação com a Igreja como instituição, tornou-se a relação pessoal do individuo com Deus. Na Igreja Católica da Idade Média, a liturgia latina da Igreja e as suas orações tinham formado a verdadeira coluna vertebral do culto religioso. Apenas os sacerdotes e os monges liam a Bíblia, porque esta só existia em latim. Mas durante o Renascimento a Bíblia foi traduzida do hebraicao e do grego para as línguas populares para a Reforma, onde Martinho Lutero teve um importante papel, mas não foi o único reformador. Também havia reformadores na Igreja que, apesar de pertencerem à Igreja Católica Romana, queriam agir. Um deles era Erasmo de Roterdão. Para Lutero, o homem não precisava de fazer o desvio pela Igreja ou pelos seus sacerdotes para obter o perdão de Deus. E o perdão de Deus não estava dependente de uma quantia para a indulgência paga à Igreja. O chamado tráfico de indulgências também foi proibido na Igreja Católica em meados do século XVI. Lutero distanciou-se de um modo geral de muitos costumes religiosos e dogmas que a Igreja desenvolvera na Idade Média. Ele queria voltar ao cristianismo original tal como se encontra no Novo Testamento. Traduziu a Bíblia para o alemão, criando as bases para a língua escrita do alemão padrão.
Uma característica típica do Renascimento era a importância que se dava ao individuo e à sua relação pessoal com Deus. O facto de a língua popular substituir o latim também era típico do renascimento. Mas Lutero não era um humanista como Ficino ou Leonardo da Vinci. Alguns humanistas como Erasmo de Roterdão, criticaram-no devido à sua concepção demasiado negativa do homem. Lutero sublinhou nomeadamente que o homem estava completamente corrompido pelo pecado original e a humanidade só podia ser salva através da graça divina.







22/12/2016

Extinções e a Estrela da Morte


As análises iniciadas pelo paleontólogo J. John Sepkoski, Jr., da Universidade de Chicago,que mais tarde se veio a associar a David Raup, num enorme esforço enciclopédico acerca das espécies que se haviam extinguido, revelaram um número de extinções que tinham passado despercebidas. Embora certas extinções em massa fossem bastante mais devastadoras do que outras, revelavam um padrão inesperado e regular. A um período de lenta e constante proliferação das espécies, seguia-se um curto intervalo de tempo durante o qual desaparecia um extraordinário número de espécies, constituindo um processo cíclico. Lentamente, e após um período de milhões de anos, a vida no planeta voltava a estabelecer-se até à próxima grande extinção. Ao observarem os gráficos impressos, os dois paleontólogos notaram que as extinções em massa aconteciam em cada vinte e seis milhões de anos. Segundo Raup, a reação tida pelos dois investigadores foi de «horror». Pensava-se que as extinções se deviam à ocorrência simultânea de uma série de problemas que se agravavam com o passar dos tempos. Julgava-se que as grandes extinções eram o resultado de uma coincidência aleatória de sucessivos pequenos incidentes, o último dos quais constituiu levou à extinção dos dinossauros e consequente proliferação dos mamíferos. No entanto, se as grandes extinções se dão num determinado período regular, isso pressupõe a existência de uma única causa poderosa e recorrente.
«Dissemos para connosco: não pode ser regular, deve tratar-se de um erro estatístico.» Mas apesar de todos os esforços dos dois cientistas de tentarem obter uma explicação ou um erro para os dados obtidos, foi sem sucesso. Finalmente abandonaram-se às evidências.

Mas que mecanismos teriam dado origem a esta repetição cíclica? Tanto quanto se sabe, nenhum grande ciclo da rocha, mar e ar se prolonga durante um período de vinte e seis milhões de anos. Nem mesmo os ciclos das glaciações  se repetem a um intervalo de tal grandeza astronómica. Se for possível encontrar a causa deste efeito, tal deveria ser procurado não na Terra, mas para além desta.
Em Berkeley, Luis Alvarez desafiou o colega astrónomo-físico, Richard Muller, a encontrar uma explicação plausível para os ciclos. Muller teve muitas ideias, passando por explosões solares até supernovas, mas acabou por abandoná-las uma a uma. Por fim, trabalhando em conjunto com dois colegas, Marc Davis e Piet Hut, desenvolveu um modelo teórico.
A maior parte das estrelas existentes na nossa galáxia possuem um companheiro. Existem mais estrelas binárias do que astros solitários. Muller expôs a ideia ousada de que o nosso próprio sol poderia ter um companheiro de viagem, nunca antes detectado pelos astrónomos, devido à sua pequenez, negridão e distância. Suponha-se então que esta estrela-companheira descreve, em cada vinte seis a trinta milhões de anos, uma órbita em redor ao Sol. De cada vez que completa uma rotação, o astro aproxima-se o suficiente para despedação objectos mais longínquos, cuja órbita se efectua em torno do Sol - ou seja, a nuvem de cometas gelados denominada de nuvem de Oort, em honra do astrónomo holandês Jan Hendrik Oort que a descobriu, ajudando também a traçar a estrutura, em forma de braço de esperial, da Via Láctea.
Quando esta estrela se encontra mais afastada, pouco afeta o enxame de cometas, no entanto à medida que se aproxima do Sol, vai de encontro aos cometas, perturbando as suas órbitas e lançando uma grande parte deles em direção à Terra e ao Sol. Alguns colidem com a Terra, dando origem a extinções em massa, a cada vinte e seis a trinta milhões de anos, segundo o padrão regular descoberto por Raup e Sepkoski.


21/12/2016

Positrão

O positrão, ou anti eletrão, é a antipartícula, ou a contraparte de antimatéria, do eletrão. 
Tem uma carga eletrica de  +1 e (+1.602176565(35)×10−19 C), uma massa de 9.10938356(11)×10−31 kg, 5.485799090(16)×10−4 u, 0.5109989461(13) MeV/c e um spin de 1/2.
Quando um positrão de baixa-energia colide com um eletrão também de baixa energia, dá-se uma aniquilação, resultando na produção de um ou mais fotões de raios gama.
Os positrões podem ser gerados pelo decaimento radioativo de emissões de positrões (através das interações fracas) ou pela produção de par de um fotão suficientemente energético que se encontre em interação com um átomo de um material

Teoria
Em 1928, Paul Dirac fez  uma publicação em que propunha que os eletrões pudessem ter tanto uma carga positiva quanto negativa. Este documento introduziu a equação de Dirac, a unificação da mecânica quântica, a relatividade especial, e o então novo conceito de spin de eletrão, para explicar o efeito Zeeman. O estudo não predizia explicitamente uma nova partícula, mas permitia que os eletrões tivesse ou carga negativa ou carga positiva como solução. Então, Herman Weyl publicou "A Gravitação e o Eletrão" em que debatia as implicações matemáticas da solução de energia negativa. A solução de energia positiva era explicada por resultados experimentais, mas Dirac estava intrigado pela igualmente válida solução de energia negativa, que o modelo matemático permitia. A mecânica quântica não permitia que a solução de energia negativa fosse simplesmente ignorada, como a mecânica clássica fazia frequentemente em tais equações; a equação dupla implicava a possibilidade de um eletrão saltar espontaneamente entre estados de energia positiva e negativa. No entanto, tais transições ainda não tinham sido observadas experimentalmente. Dirac referiu-se aos assuntos levantados por este conflito entre a teoria e as observações como "dificuldades" que "não estavam resolvidas".
Por seu lado, Robert Oppenheimer argumentou contra o protão ser a solução de energia negativa eletrónica para a solução de Dirac. Afirmou que se assim fosse, o átomo de hidrogénio auto-destruir-se-ia rapidamente. Persuadido pelos argumentos de Oppenheimer, Dirac fez um publicação em 1931 em que predizia a existência de uma partícula ainda não observada que designou por "anti-eletrão", que teria a mesma massa de um eletrão e que se aniquilariam em contacto com um eletrão.
Feynman, e antes dele Stueckelberg, propuseram uma interpretação do positrão como um eletrão que  se desloca para trás no tempo, reinterpretando as soluções de energia negativa da equação de Dirac. Os eletrões que se deslocassem para trás no tempo iriam ter uma carga elétrica positiva. Wheeler invocou este conceito para identificar as propriedades idênticas partilhadas pelos eletrões, sugerindo que "eles são todos o mesmo eletrão". com uma linha do universo complexa, auto-intersectada. Yoichiro Nambu referiu-se, mais tarde, a todo este processo de produção e aniquilação de pares de partículas e antipartículas, afirmando "a eventual criação e aniquilação de pares que podem acontecer agora e depois, não é criação e aniquilação, mas apenas uma mudança de direção de partículas em movimento, do passado para o futuro, ou do futuro para o passado".


19/12/2016

Cosmologia

A cosmologia é o ramo da astronomia que envolve o estudo das origens e evolução do universo, desde o Big Bang, à atualidade e até ao futuro. De acordo com a NASA, a definição de cosmologia é "o estudo cientifico das propriedades em grande escala do universo como um todo".
Os cosmologistas debruçam-se sobre conceitos exóticos como a Teoria das Cordas, Matéria Negra e Energia negra. Enquanto que outros aspectos da astronomia lidam com objectos e fenómenos individuais, a cosmologia abrange o universo todo desde o seu nascimento à sua morte, com imensas questões sem resposta no meio.

O entendimento humano do universo tem sofrido uma evolução significativa ao longo dos tempos. No princípio do estudo da astronomia, pensava-se que a Terra era o centro de tudo, em que as estrelas e planetas orbitavam à volta desta. No século XVI, o cientista polaco Nicolaus Copérnicus sugeriu que a Terra e os outros planetas no Sistema Solar estariam, na verdade, a orbitar o Sol, o que veio a criar um grande aprofundamento e mudança no conhecimento do cosmos. No século seguinte, Isaac Newton calculou como as forças entre os planetas interagiam (forças gravíticas)
Já o início do século XX, veio a assistir a outras revoluções no conhecimento do universo, quando Albert Einstein propôs a unificação do tempo e do espaço com a sua Teoria Geral da Relatividade. No início do século passado os cientistas ainda se encontravam a debater se a Via Láctea constituía todo o universo, ou se seria apenas uma parte deste.
Edwin Hubble calculou a distância entre um objecto nebuloso difuso no céu e determinou que se encontrava fora da Via Láctea, o que mostrou que a nossa galáxia era apenas uma pequenina parte do universo. Ao usar a Relatividade Geral para estabelecer a estrutura do seu trabalho, Hubble mediu outras galáxias e viu que estas estavam a afastar-se umas das outras, o que fez com que chegasse à conclusão de que o universo não era estacionário, mas sim, que se encontrava em plena expansão.
Em décadas mais recentes, o cosmólogo Stephen Hawking determinou que o universo não era infinito mas, no entanto, falta-lhe uma fronteira definitiva. Isto é semelhante à Terra, embora o planeta seja finito, por mais que uma pessoa viaje à volta do mundo, nunca chega ao seu fim. Hawking também propôs que o universo não continuaria a expandir-se para sempre (para uma melhor compreensão, ver Forma do Universo).

Questões comuns na cosmologia
Devido à natureza fechada e finita do universo, não nos é possível ver para além do nosso próprio universo. O espaço e o temo tiveram início com o Big Bang. Embora hajam diversas especulações acerca da existência de outros universos, não existe nenhuma forma de os observar, o que faz com que nunca venha a haver provas da sua existência ou inexistência.

Aonde se deu o Big Bang?
O Big Bang não se deu num local específico, invés foi o aparecimento do espaço e do tempo através do universo de uma só vez.

Se outras galáxias parecem estar a afastar-se de nós, isso não nos coloca no centro do universo?
Não, pois se nós estivéssemos a viajar para uma galáxia distante, pareceria sempre que as galáxias que nos rodeavam afastavam-se de forma semelhante. Se se pensar num balão com diversas marcas, ao encher-se o balão, cada marca afasta-se da outra de igual forma, sem que alguma seja o centro. É assim que funciona a expansão do universo.

Que idade tem o universo?
O universos tem 13,7 mil milhões de anos, com mais, ou menos, cerca de 100 milhões de anos.

Irá o universo acabar? Se sim, como?
Se o universo vai acabar ou não depende da sua densidade. Os cientistas calcularam uma "densidade crítica" para o universo. Se a densidade for superior aos seus cálculos, a expansão do universo irá, eventualmente, abrandar e, por último, reverter o sentido e colapsar. No entanto, se a densidade for menor que a densidade crítica, o universo continuará a expandir-se para sempre.

O que apareceu primeiro, as galáxias ou as estrelas?
Logo a seguir ao Big Bang o universo era composto essencialmente por hidrogénio, com algum hélio. A gravidade fez com que o hidrogénio colapsasse para dentro e formasse estruturas. No entanto, os astrónomos não têm certeza se as primeiras bolhas criaram primeiramente estrelas individuais que mais tarde viriam a juntar-se através da gravidade, ou se a massa veio em dimensões das galáxias e que mais tarde se separaria para formar as estrelas





Fontes
www.space.com


16/12/2016

Os mil anos da Idade Média

Na altura em que o Cristianismo foi reconhecido como religião oficial do Império Romano, em 313, já este último se encontrava em decadência, o que se tornou uma das transformações culturais mais importantes da história. No século IV, Roma encontrava-se ameaçada tanto pelas tribos que se aproximavam, vindas do norte, como por conflitos internos. No ano de 330, o imperador Constantino transferiu a capital do Império Romano para Constantinopla, cidade que ele próprio fundara à entrada do Mar Negro. A nova cidade foi considerada a partir de então como a «segunda Roma». No ano de 395, o Império Romano foi dividido - passando então a haver o Império Romano do Ocidente, com Roma no centro, e o Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla. 
No ano de 410 Roma é saqueada por tribos bárbaras, e em 476 todo o Império Romano do Ocidente cai. Conserva-se o Império Romano do Oriente até 1455, ano em que os turcos conquistam Constantinopla (atual Istambul).

As mudanças também chegam ao próprio pensamento filosófico e teológico, com todas as suas repercussões inerentes ao facto, incluindo no modo como lidar com o próprio conhecimento. Em 529 é encerrada a Academia de Platão em Atenas, e nesse mesmo ano é fundada a Ordem Beneditina, a primeira grande ordem monástica. Assim, o ano de 529 tornou-se o ano em que a Igreja Cristã impediu a expansão da filosofia grega. A partir de então, os conventos passaram a deter o monopólio do ensino, da reflexão e da meditação.

Por «Idade Média», entende-se na realidade o tempo que medeia entre duas outras épocas. Esta expressão surgiu no Renascimento, altura em que a Idade Média era tida como uma longa «noite de mil anos» que tinha obscurecido a Europa entre a Antiguidade e o Renascimento. Mas também houve aqueles que viram esta época como o «crescimento milenar». Foi na Idade Média, por exemplo, que se formou o ensino público. Desde muito cedo que surgiram as escolas públicas nos mosteiros. No século XII, nasceram as escolas nas catedrais, e a partir do século XIII foram fundadas as primeiras universidades. Também foi na Idade Média que nasceram as diferentes nações - com cidades e castelos, a música, poesia e folclore popular.
Durante muito tempo as antigas concepções pagãs coexistiram com a doutrina cristã, e muitos destes elementos pré-cristãos vieram a misturar-se com os costumes cristãos. No entanto, o cristianismo torna-se, durante a Idade Média, a religião dominante.
Desta forma, a Idade Média não é o período obscuro e triste que durante muito tempo foi a imagem que a caracterizou. De facto, os primeiros cem anos a seguir ao ano 400 trouxeram uma decadência cultural. A época romana foi notável pelo seu alto grau de civilização, com grandes cidades que dispunham de redes públicas de esgotos, termas públicas e bibliotecas, assim como de uma arquitectura grandiosa. No entanto, toda esta cultura se desmoronou durante os primeiros séculos da Idade Média. O mesmo sucedeu com o comércio e a economia baseados na moeda. Na Idade Média, a economia de subsistência e o pagamento em géneros surgiram de novo. O feudalismo caracterizou a economia. Feudalismo significa que alguns grandes senhores possuíam a terra que os camponeses tinham de cultivar para ganhar o seu sustento. Durante o primeiro século, a densidade populacional também baixou fortemente. Roma fora na Antiguidade uma cidade com mais de um milhão de habitantes. Já no século VII, a população da antiga metrópole estava reduzida a quarenta mil habitantes. Quando os homens precisavam de materiais de construção, havia suficientes ruínas antigas de que se podiam servir.
A época de Roma como potência política terminara por volta de finais do século IV. Mas depressa o bispo de Roma se tornou o chefe de toda a igreja católica romana. Recebeu o nome de papa - ou «pai» - e, por fim, foi considerado o representante de Jesus na terra. Por isso, durante quase toda a Idade Média, Roma foi a capital da Igreja. E não havia muitas pessoas que ousassem discordar com a voz romana. Mas, gradualmente, alguns reis e príncipes das novas nações tornaram-se tão poderosos que tiveram coragem de se opor ao forte poderio da Igreja.

13/12/2016

Homo erectus

O Homo erectus viveu no norte, leste e sul de África, na Ásia Ocidental (Dmanasi, República da Geórgia) e  no leste  da Ásia (China e Indonésia), entre cerca de 1,89 milhões a 143.000 anos atrás.
Os primeiros fósseis do Homo erectus africano (algumas vezes designado de Homo ergaster) são os fósseis mais antigos de humanos primitivos detentores de um corpo com proporções tipo totalmente humanas, com pernas relativamente longas e braços mais curtos comparativamente ao tamanho do torso. Estas características são consideradas adaptações a uma vida passada no chão, indicando a perda das adaptações anteriores à trepação das árvores, com a habilidade de caminhar e, possivelmente, correr longas distâncias. Comparativamente aos fósseis anteriores, mais antigos, nota-se um aumento do tamanho da caixa craniana em relação às dimensões do rosto. Os fósseis conhecidos mais completos de um indivíduo desta espécie, são os do denominado Rapaz de Turkana - um esqueleto bem preservado (embora sem a maior parte dos ossos das mãos e dos pés), datado de há cerca de 1,6 milhões de anos.
O estudo microscópico dos dentes indicam que ele cresceu a um nível do chão idêntico ao dos grandes símios. Existem evidências fósseis de que esta espécie cuidou dos indivíduos mais fracos e velhos.
O aparecimento do Homo erectus no registo fóssil encontra-se, geralmente, associado aos primeiros machados de mão, a maior das inovações em tecnologia de pedra.

Os primeiros fósseis descobertos de Java (início da década de 1890) e na China (Homem de Pequim, com início na década de 1920), comprimem em si os exemplos clássicos desta espécie. Geralmente considerada como tendo sido a primeira espécie a expandir-se para além de África, o Homem erectus é considerado uma espécie altamente variada, espalhada ao longo de dois continentes (não existem certezas de que terá chegado à Europa) e, possivelmente, a espécie humana que viveu mais tempo - cerca de nove vezes mais do que a nossa própria espécie, Homo sapiens.



Eugene Dubois, um cirurgião holandês, encontrou o primeiro individuo Homo erectus na Indonésia, em 1891. Em 1894, Dubois nomeou esta espécie de Pithecanthropus erectus, ou "homem erecto". À altura, o Pithecanthropus (mais tarde alterado para Homo) era a espécie humana, conhecida, primitiva com o maior cérebro. Na altura ainda não havia sido encontrado nenhum fóssil de hominídeos primitivos em África.
Mediam entre 145 a 180 centímetros de altura e pesavam de 40 a 68 quilogramas.

Como viviam
Os corpos altos e cérebros grandes dos indivíduos Homo erectus requeriam um consumo regular de bastante energia, para funcionarem. Ao alimentavam-se de carne e de outros tipos de proteínas que pudessem digerir-se rapidamente, fez com que fosse possível absorver os nutrientes com um trato digestivo mais curto, tornando-se possível obter energia mais rapidamente. Também existe especulação se o mel e os tubérculos terão feito parte da sua dieta.
Ao mesmo tempo que se encontravam os primeiros registos fósseis dos primeiros  Homo erectus (com cerca de 1,9 milhões de anos), encontraram-se evidências de grandes inovações na tecnologia de pedra Acheuleana, consistindo na criação de grandes ferramentas de corte como os machados e cutelos.
O aumento de confiança num conjunto de ferramentas mais vasto pode ter ajudado o Homo erectus a sobreviver durante as épocas de alterações climáticas.
Os primeiros vestígios de fogueiras dão-se durante a época do Homo erectus. Embora estas primeiras fogueiras mostrem que foram usadas para cozinhar (e provavelmente para partilhar alimentos), também deveriam ser pontos de encontro para interacção social, assim como o seu uso teria como finalidade o aquecimento e para manter os predadores afastados.

Informações geneológicas
Alguns cientistas fazem distinção entre os fósseis taxonómicos africanos (H. ergaster) e o asiático (H. erectus sensu stricto), enquanto que outros incluem-nos a todos num só grupo (Homo erectus sensu lato). Em qualquer dos casos concorda-se, na sua generalidade, que descende do Homo habilis e representa uma das maiores dispersões de homens primitivos na história evolucionária do Homem. É provável que populações diferentes tenham dado origem a outras espécies de Homo, como o Homo heidelbergensis e, em último caso, à nossa própria espécie, Homo sapiens.
No início da sua existência, há cerca de 1,9 milhões de anos atrás, o Homo erectus coexistiu na África Oriental, com diversas outras espécies de hominídeos primitivos , como o Homo rudolfensis, o Homo habilis e o Paranthropus boisei. Em alguns casos, foram mesmo encontrados nos mesmos locais registos fósseis de várias espécies simultaneamente.
No final do seu intervalo temporal, há cerca de 143.000 anos atrás, coexistiu com o Homo sapiens e, possivelmente, com o Homo floresiensis, na indonésia.


Ainda existem muitas questões relativamente a esta espécie:
  1. Terá sido o Homo erectus o ancestral directo da nossa própria espécie, Homo sapiens?
  2. Os dados sugerem um aumento das dimensões do corpo, um maior suporte nas fontes alimentares animais e um aumento do alcance de uma rede de factores que facilitaram a dispersão inicial do Homo erectus de África. Terá sido algum destes factores mais importante do que os outros?
  3. Serão os fósseis dos períodos iniciais da África Oriental e da Geórgia, todos pertencentes a uma única espécie (Homo erectus), apenas com variações regionais no tamanho e forma? Ou existem de facto várias espécies de hominídeos representados pelo que é atualmente designado de Homo erectus?
  4.  Quão bem controlava o Homo erectus o fogo e quão espalhado estava o seu uso? O que isto significa quanto às mudanças na dieta desta espécie?
  5. Terá o Homo erectus crescido em padrões considerados mais humanos, ou apresentava um comportamento mais simiesco? Foi o Homo erectus a primeira espécie humana a experimentar um estado de crescimento de adolescência?

Fonte
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/homo-erectus 


O Homens Fortes

Qual o fascinio pelos "homens fortes" (leia-se "ditadores"). Terá a história alguma influência na sua ascênsão? - pergun...