11/09/2016

Sistemas de crenças do mundo (I)


Alquimia
A alquimia, originária do Egito e da Grécia da Antiguidade, alia a química e a astrologia não só ao maravilhoso meio físico que transforma os metais-base em ouro, mas também do seu equivalente metafísico que, segundo se crê, revelará os segredos do universo.

Budismo Zen
O Zen é uma tradição monástica do Budismo, que entrou no Japão, oriundo da China, no século XII. Enfatiza a experiência pessoal da iluminação através da meditação e uma vida simples, próxima da natureza. No Japão, existem duas correntes Zen primordiais: o Rinzai Zen, que busca uma iluminação súbita e espontânea (muitas vezes através de uma koan, ou enigma, posto pelo professor); e o Soto Zen, no qual a aquisição da iluminação constitui um processo mais gradual, através do zazen, ou "sessão de meditação".

Budismo
O objetivo do budismo é a iluminação - libertação das amarras físicas e mentais do mundo e do ciclo reencarnatório, através do qual um espírito nasce numa sucessão de corpos diferentes, de modo a, num futuro mais ou menos longínquo, se poder fundir com a entidade infinita que é o Ser Supremo. A primeira pessoa a atingir a iluminação foi Sidhartha Gautama, conhecido por Buda, facto ocorrido na Índia há 2500 anos, tendo sido ele quem estabeleceu os meios pelos quais se poderá atingir a iluminação: as Quatro Verdades Nobres e o Caminho Octogonal. A forma original da religião é conhecido pelo nome de Theravada; a feição mais evoluída e liberal , que recebeu o nome de Mahayana e inclui a noção de bodhisattva, pode atrasar o alcance do estágio final da iluminação, de modo a inspirar outros. No Tibete e no Japão são normais outras formas de Budismo. Este requer uma considerável autodisciplina e ascetismo e, até certo ponto, tem tanto de filosofia ou norma de vida como de religião.

Confucionismo
O Confucionismo é uma filosofia de altruísmo, pela qual se exige às pessoas detentoras de autoridade que lutem pela felicidade e bem estar daqueles que estão sob a sua responsabilidade, sendo o resultado final a aspiração à perfeição "celestial". Deste modo, após a sua instituição por Confúcio (Kong Fu Zi), século VI a.C. e ao longo de alguns milénios, o Confucionismo contribuiu inquestionavelmente para a ordem social e política da China.

Crenças Aborígenes Australianas
O fundamento de todos os povos aborígenes é o conceito do Sonho ou do Momento do Sonho - a ocasião em que os Heróis do Céu, ou espíritos ancestrais, formaram o mundo e tudo o que nele existe. Os pontos em que estes espíritos deixaram as suas marcas, em aspetos inusitados do terreno local, constituem as pistas do Sonho ou "linhas canoras". É nas localizações destas linhas canoras, ou através da ligação espiritual  com elas, que os aborígenes podem participar ritualmente no Momento do Sonho, especialmente em relação ao espírito ou animal que constitui o totem tribal. Presta-se grande reverência a estes lugares sagrados, dos quais o mais conhecido é, provavelmente, Uluru (Ayers Rocks), na região ocidental. O uso que os aborígenes fazem da simbologia religiosa pode ser verificado através dos seus complexos trabalhos de arte e das pinturas corporais.

Crenças Celtas
Nunca existiu uma única crença celta: os grupos celtas (a partir de 3000 a.C.) reverenciavam as suas várias divindades numa base estritamente local e ancestral, com rituais apropriados. Contudo, existiam determinados elementos que eram constantes. Por exemplo, todos os celtas acreditavam na vida após a morte; muitos dos deuses e deusas celtas tinham uma natureza tríplice ou trina e verificava-se uma invulgarmente elevada proporção de divindades femininas. Muitas delas detinham uma ligação intima com as forças da natureza ou com a violência da guerra. Outro  elemento era o fascínio pelo mágico, especialmente em associação com localizações lendárias.

Crenças da Polinésia
Grande parte da mitologia da Polinésia (incluídas as lendas da Nova Zelândia e do Havai) concentra-se num relato da criação  efectuada pelo Céu e pela Terra que, entre produziram os deuses que, por sua vez, criaram a primeira mulher e o primeiro homem. Este poder criador é conhecido por mana, termo igualmente aplicável ao poder social e à influência, que põe em confronto a condição, na sociedade humana - um conceito que ainda tem importância, uma vez que se espera que os de alta estirpe permaneçam ritualmente puros e evitem tudo o que seja tapu (tabu).

Crenças do Período Neolítico 
As culturas neolíticas (8000 a 3000 a.C) assistiram ao advento da agricultura e estabeleceram comunidades. No início desta época, a sociedade seria provavelmente matriarcal e as principais divindades eram, consequentemente, femininas - a deusa mãe, a deusa do Sol e a deusa do fogo - com referência particular à fertilidade sazonal da natureza e da regularidade dos ciclos do corpo humano feminino. Quando se tornou necessária a defesa armada da comunidade estabelecida, observou-se, na maioria das sociedades, a mudança de polaridade do sexo dominante, tanto nos chefes da comunidade como nas divindades.

Crenças Nórdicas
O panteão nórdico dos Vikings (século IX-X) é constituído por figuras de carácter robusto, adequadas às suas histórias, e não por entidades religiosas. Representam deificações das forças naturais, dos lendários fundadores das capacidades e artes humanas e dos supostos inauguradores dos festivais. Porém, os últimos deuses da guerra que habitaram Asgard, conhecida por Aesir, foram precedidos pelos Vanir, mais pacíficos. Estavam presentes elementos de magia, refletidos no desempenho dos seus rituais. Os Vikings acreditavam na vida após a morte, conhecida por Valhalla. Quando morriam, os reis e os guerreiros importantes eram levados pelas Valquírias (deusas da guerra). Conceberam, também, uma visão apocalíptica do cataclismo final do mundo - Ragnarok.

Cristianismo
Os cristãos crêem que a salvação espiritual é possível para todos aqueles que acreditem sinceramente que Jesus Cristo se submeteu à execução formal pela Crucificação para remir os pecados do mundo, que dois dias depois ressuscitou fisicamente dos mortos e que era o Filho de Deus. O facto de também poder ter sido o Messias anunciado pelos profetas do Judaísmo permanece envolto em mistério, seguindo-se , quatro séculos mais tarde, a aceitação formal por parte das autoridades cristãs, da doutrina propagada pelo maior seguidor de Jesus, Paulo.
A doutrina de Paulo desenvolveu o conceito místico da Trindade: a convicção de que um Deus único existe em três "Pessoas", sendo Jesus uma delas e o Espírito Santo, outra. Os ensinamentos de Jesus foram inspiradores tanto em termos espirituais como sociais, mas a prejudicial abundância de interpretações ao longo dos séculos conduziu a uma considerável diversidade de Igrejas Cristãs e denominações. Muitas observam diferentes formas de ritual.

Cultos de Mistério
Este é um título generalizado, atribuído às práticas religiosas esotéricas durante o período grego-romano, que envolviam cerimónias de grande secretismo, às quais só os iniciados eram admitidos. Incluiam os mistérios eleusianos (dedicados a Deméter e a Perséfone), o Mitraísmo (que incluía o sacrifício de um boi a Mitra, originalmente uma divindade persa) e vários ritos consagrados a Dioníso. A maioria incorporava alguma forma de "viagem" mística de ida e volta ao mundo inferior, caracterizado por uma imersão total na água ou por um ritual no interior de uma caverna escura; o regresso tinha conotação com a limpeza ritual ou com o começo de uma nova vida. Alguns proporcionavam ainda a promessa de uma vida abençoada no além. Muitos desses cultos eram específicos de uma localidade ou região.

Gnosticismo
Esta forma de fé esotérica e filosófica desenvolveu-se no mundo grego-romano no século II. Exerceu grande influência sobre a jovem religião cristã e salientou o poder redentor do conhecimento esotérico alcançado através da revelação divina. O mundo material era entendido como essencialmente mau e corrupto. A revelação da origem humana, da sua essência e destino podiam ser alcançadas pela intuição do mistério do ser e não através do estudo intelectual ou das referências das escrituras.

Hinduísmo
Interligado com a história e a sociedade organizada por castas da Índia ao longo de milénios, o Hinduísmo diz que o objectivo da espiritualidade é a fusão final da alma individual na Derradeira Realidade, após muitas reencarnações sucessivas da alma individual. Para esta libertação (moksha) do ciclo de renascimento, a conduta correcta (dharma) e a renúncia às prisões do mundo são os objectivos primordiais. O panteão hindu dispõe de uma verdadeira hoste de divindades. A maioria dos hindus venera uma de três entidades: Vishnu, o criador e protetor da humanidade; Shiva, o destruidor, o dançarino cósmico e símbolo da energia masculina; ou Shakti, a grande deusa e oposto feminino de Shiva. Os rituais e as práticas variam profundamente. A peregrinação é comum e dispõem de muitos festivais.

Islamismo
Os muçulmanos acreditam que o texto do seu livro sagrado, o Corão, é constituído pelas palavras do próprio Deus, como foram reveladas pelo profeta Maomé - o último e maior dos santos profetas, do qual Abraão e Jesus foram antecessores - no decorrer do século VII. Consideradas palavras imutáveis de Deus, é necessário obedecer-lhe submissamente, observando profundamente o ritual e a sua pureza. Uma vida correcta ou a morte pelo martírio conduzem  ao paraíso que muitas vezes, é visto como um jardim.

Jainismo
O Jaínismo nasceu na Índia, no século VI a.C., quase na mesma época que o Budismo. Para os jaínistas, todos os seres vivos possuem um espírito ou alma e podem, com o passar do tempo e através de reencarnações sucessivas e progredir para além do estágio humano e acabarem por se libertar do ciclo de renascimento, atingindo o nirvana. Este tipo de capacidade significa que a vida deve ser considerada sacrossanta e que nos devemos abster de todas as formas de violência. De acordo com isto, alguns ascetas e monges jainistas andam nus, usando apenas uma máscara (com a qual evitam absorver os ácaros do pó) e usam uma vassoura, com a qual varrem o chão diante dos seus passos.

Judaísmo
Religião antiga, datada do segundo milénio antes de Cristo, o Judaísmo foi algo inusitado para a sua época, pelo facto de ser estritamente monoteísta. Desde o começo, os seus adeptos, conhecidos por hebreus ou israelitas, consideravam-se a si próprios o Povo Escolhido de um Deus  único que, por contacto direto e através dos patriarcas e dos profetas, revelou leis de conduta (Principalmente os Dez Mandamentos) através das quais, e em devido tempo, toda a humanidade - dependendo do julgamento de Deus no Dia do Juízo Final - encontra a salvação espiritual. A Bíblia hebraica contribuiu muito para as tradições do Cristianismo e, em menor grau, para as do Islão; documentos e comentários posteriores foram acrescentados ao significativo corpo do ensinamento religioso. Os judeus ortodoxos seguem um calendário anual de festas e jejuns; os rituais podem ser desempenhados em casa e na sinagoga.

Maniqueísmo
Mani, fundador do Maniqueísmo (c. ano 240), postulava que o mundo fora invadido pelo princípio do mal. Dentro de um quadro mitológico esotérico - onde se incluem elementos do Gnosticismo cristão - declarou que a libertação da bondade no mundo não se repercutiria apenas sobre o estado original de separação entre o bem e o mal mas também sobre a salvação para todos, no Reino de Luz resultante. Exigia-se aos adeptos que aceitassem um regime ascético, de profunda autodisciplina.

Religião Asteca
Os antepassados dos astecas são oriundos de várias tribos da América Central e todas estas parecem comungar de uma história de implacáveis desastres naturais. Daí resultou a sua forte crença religiosa de que o sacrifício humano era a única forma de prevenir, no futuro, a ocorrência de desastres semelhantes. Assim, dentro do vasto número de divindades de que dispunham, muitas exigiam o sacrifício humano regular e em grande escala. Os sacerdotes detinham um poder considerável e possuíam um calendário extraordinariamente preciso que, em si mesmo, estava imbuído de significado religioso.

Religião da Babilónia
A Babilónia era uma cidade-estado submetida, ao longo de muitos séculos, ao domínio de vários povos (inclusivamente dos Sumérios, dos Assírios e dos Persas) que importaram as suas ideologias e sistemas religiosos - todos eles sombriamente incorporados a um panteão extraordinariamente variado. O sentimento religioso mais consistente era a reverencia pelas divindades agrícolas, particularmente Tamuz O grande zigurate, ou pirâmide de degraus, na Babilónia, fazia parte de um complexo religioso dedicado a Marduk, a divindade principal, deus do Sol da Primavera.

Religião da Grécia Antiga
A principal função da religião grega consistia na observação do ritual, que era mais reverenciado do que os muitos deuses e deusas do panteão, cujo comportamento e intervenção nos assuntos humanos tinha tinha por motivação o ciúme, a vingança e a luxúria, O panteão grego, já bem estabelecido por volta do ano 570 a.C., compreendia divindades mais elevadas, como Apolo, deus da cura e da música, e Ártemisa, a casta deusa da Lua e da caça, cujas origens não eram gregas. Rituais orientados por sacerdotes e sacerdotisas, onde se incluíam desempenhos dramáticos nos festivais religiosos, induziam o propósito da comunidade, especialmente em momentos difíceis. O vasto campo mitológico abrangia heróis folclóricos remanescentes do período pré-Helénico, como Herácles (Hércules).


08/09/2016

Paranthropus boisei

O Paranthropus boisei foi um hominídeo primitivo, descrito como o mais largo do género dos Paranthropus (australopítecíneos robustos). Viveu na África Oriental durante o Pleistoceno, entre há cerca de 2,3 a 1,2 milhões de anos atrás.

Descoberto inicialmente pela antropologista Mary Leakey a 17 de Julho de 1959, em Olduvai Gorge, na Tanzânia, o bem conservado crânio, denominado de Nutcracker Man, foi datado de há 1,75 milhões de anos atrás e mostrava ter características pertencentes aos australopitecíneos robustos. E tal como outros membros pertencentes ao género Parantrhopus, o P. boisei caracterizava-se por apresentar um crânio especializado com adaptações a uma mastigação dura. Uma crista sagital fortemente pronunciada no meio do topo craniano, suportava os músculos temporais (grandes músculos de mastigação) a partir do topo  e laterais da caixa craniana até à mandíbula inferior, e então para a mandíbula superior, maior, e de volta para esta. A força concentrava-se nos molares e pré-molares. Grandes ossos das maçãs do rosto fizeram com que o P. boisei tivesse um rosto bastante alargado e achatado, criando uma abertura maior para a passagem dos grandes músculos mandibulares e suportar grandes dentes de mordente, quatro vezes maiores do que os do Paranthropus robustus, e um crânio achatado. Também apresentava uma caixa craniana maior do que a do Paranthropus aethiopicus, e o esmalte dentário mais espesso de todos os humanos primitivos conhecidos. A capacidade craniana nesta espécie também sugere o aparecimento de um ligeiro aumento no tamanho cerebral (cerca de 100 centímetros cúbicos num milhão de anos) independente do próprio  aumento do cérebro no género Homo, tendo cerca de 500 a 550 centímetros cúbicos.
As proporções dos membros, o tamanho relativo do membro superior e inferior, eram semelhantes aos dos Australopithecus afarensis que, somado a outras características os habilitam ao bipedismo.

Na realidade os primeiros fósseis pertencentes ao P.boisei foram encontrados em 1955, mas foi só aquando da descoberta do crânio "Zinj" (OH5) de Mary Leakey em 1959 que os cientistas repararam que tinham em mãos uma nova espécie. "Zinj" tornou-se o especimen-tipo para o P. boisei e, pouco depois, sem dúvida, o fóssil de um humano primitivo mais antigo da Olduvai Gorge, no norte da Tânzania.
Os machos pesavam uma média de 49 quilogramas e mediam 137 centímetros e as fêmeas 34 quilogramas e 124 centímetros.


Não se sabe tudo acerca desta espécie, permanecendo ainda muitas dúvidas por responder:
  1. O que, especificamente, comia o Paranthropus boisei? A morfologia e o estudo microscópico revelam coisas diferentes.
  2. Terá o Paranthropus boisei usado ferramentas de pedra? Apesar de se achar que não, os indivíduos do P. boisei têm sido encontrados em camadas estratigráficas com ferramentas, e também com espécies de Homo que frequentemente fabricam ferramentas, existindo então sempre a possibilidade que essas ferramentas pertençam invés a estas espécies.
  3. Qual era a vantagem das grandes mandíbulas e dentes do Paranthropus boisei?
  4. Estes humanos ancestrais floresceram durante um milhão de anos, mais de quatro vezes do que a nossa própria espécie, o Homo sapiens, tem de existência, e então extinguiram-se... Porquê? Os cientistas têm uma hipótese prevalecente: o P. boisei foi incapaz de se adaptar a uma mudança rápida no ambiente. Quando o clima da Terra sofreu fortes flutuações, variando entre o frio e o quente, pode ter havido mudanças nas proporções dos recursos alimentares disponíveis ao P. boisei. Certas plantas podem ter diminuído ou desaparecido. A habilidade de uma espécie de se adaptar à mudança de recursos, como a comida, é fundamental para a sua sobrevivência. Seria o altamente especializado P. boisei incapaz de se adaptar se algumas das suas plantas favoritas desaparecessem devido a mudanças climáticas?

Esta espécie foi apelidada de Nutcracker Man devido aos seus dentes grandes e músculos de mastigação fortes que estavam ligados à larga crista sagital do crânio. Estas características mostram que o Paranthropus boisei provavelmente ingeriam alimentos duros como nozes e raízes. Mas o resultado do estudo microscópio dentário visto no P. boisei é mais semelhante aos comedores de frutos com estrias finas, em vez de covas fundas e largas vistas nos dentes das espécies vivas que comem erva, folhas duras e caules ou outros alimentos duros. O contraste entre a morfologia do crânio e dentes e estudo microscópico poderão demonstrar que o Paranthropus boisei teria,, provavelmente, uma dieta diversificada e alargada. É possível que esta espécie só tenha consumido alimentos mais duros nas alturas em que os seus recursos favoritos eram escassos.
Esta espécie viveu em ambientes dominados por pastagens, mas que também incluíam habitats mais fechados e húmidos associados a rios e lagos.

Pensa-se geralmente que o Paranthropus boisei é descendente do anterior Paranthropus aethiopicus (que habitou precisamente a mesma área geográfica umas centenas de milhar de anos antes) e viveram ao mesmo tempo que outras espécies de hominídeos durante os seus 1,1 milhões de anos de existência. O P. boisei pertence a apenas um dos muitos ramos da evolução humana, o qual, segundo muitos cientistas, inclui todas as espécies de Paranthropus e não levaram ao Homo sapiens.

A descoberta de 1975 do especimen P. boisei KNM-ER 406 e o Homo erectus KNM-ER 3755 na mesma camada estratigráfica foi  a primeira evidência do facto de que viveram em conjunto. Esta descoberta veio a trazer luz a uma controvérsia de longa data e confirmou que mais do que uma espécie de humanos ancestrais coabitaram na mesma área geográfica ao mesmo tempo. Mais descobertas vieram a confirmar que esta foi uma das espécies mais prevalecentes na África Oriental durante o período temporal em que os primeiros Homo também se encontram presentes na região, igualmente. Isto substituiu a visão tradicional de uma única linhagem humana pela noção de uma árvore familiar humana com muitos ramos (tal como a maior parte das outras árvores familiares). Tem-se acrescentado ramos de novas espécies desde então.



24/08/2016

Aguardo


Em que canto fico?
Em que canto espero?
Pelo quê? Por quem?
Não sei.
Não sei se de ti, se de mim...
Se de mim é por quem espero, então o sono tomarme-á.
Se for por mim, não vou.
Sei que quero,
Sei que o meu coração deseja,
Mas há aquele arrebatamento do ficar
Que suplanta o de ir.

Mas é disso mesmo que espero?
E espero?
Que faço? Não sei.
Estou entre estados,
Entre sentires,
Entre emoções
E desilusões.

Sim aguardo...
Deixo-me a sentir esta lassidão triste
Esta prisão do espírito
Da vida.
Quero ir, mas há uma corrente que me aprisiona
E essa corrente sou eu.
Mas talvez não...
Não, não sou eu...
É este maldito sentir,
Que me faz sentir o outro sentir...

E fico...
E aguardo...
E fico porque aguardo, porque espero...



05/08/2016

A formação do núcleo da Terra

O ferro encontra-se presente nos meteoritos sob todas as formas. Concentrado no mais profundo da Terra, formou, por uma alquimia complexa, o núcleo do planeta, líquido entre os 2900 e os 5200 km, depois sólido até ao centro da Terra, a 6370 km. Como, quando e com que rapidez se passou tudo isto? É difícil saber, pois a procura de indícios passa pelo estudo de raros meteoritos e rochas muito antigas.



O ferro é um metal que está presente e pode observar-se a todas as escalas na matéria extraterrestre: esta é sem dúvida uma das diferenças essenciais entre as rochas terrestres e as que o não são. Os meteoritos constituídos unicamente por metal, os meteoritos de ferro, representam apenas cerca de 1% das ocorrências observadas até hoje. Este facto poderá significar que serão raros na cintura de asteróides. Se se encontram bem representados nas vitrines dos museus, é sem dúvida porque são mais fáceis de reconhecer no conjunto das rochas terrestres do que os outros meteoritos.

Depois do silício e do oxigénio, o ferro é o elemento que se encontra em maior concentração nos meteoritos primitivos, cuja matéria mais se assemelha à que serviu para formar a Terra.
Uma parte do ferro encontra-se sob a forma metálica: a observação destes meteoritos ao microscópio  
meteorito ferroso
revela extensões de metal desde alguns micrones a alguns milímetros.
A outra parte do ferro encontra-se oculta no interior de minerais não metálicos, por vezes fazendo parte de minerais muito diversos, desde dos sulfuretos aos silicatos e aos óxidos (quimicamente oxidado). Os dois silicatos mais importantes na composição dos meteoritos primitivos e do manto da Terra são as olvinas e as piroxenas, que podem conter grandes quantidades de ferro nas suas redes cristalinas.

Na Natureza, o ferro encontra-se combinado, como componente dos silicatos, ou livre, sob a forma metálica. A observação das coleções de meteoritos mostra que existe uma gradação continua desde os mais ricos em metal aos mais pobres. Isto sugere que um processo comum terá afetado todos os corpos sólidos do Sistema Solar, provavelmente a redução dos silicatos, onde o ferro se encontrava sob a forma oxidada. Esta hipotese pode ser testada se se aquecer a alta temperatura um produto constituído por olivina de constituição próxima das olivinas dos meteoritos primitivos, ela funde parcialmente e perde uma grande parte do seu ferro. Aparecem então pequenas esferas de ferro metálico, os côndrulos, cujas dimensões variam desde as mais pequenas no interior das olivinas às maiores na periferia. O ferro extraído agrupa-se sob a forma de grandes esferas líquidas de várias dezenas de micrones.

Esta reação química de redução é semelhante à que se verifica na extração do ferro metálico do minério, uma reação pela qual a olivina original perde parte do ferro, que se transforma, após redução, em ferro metálico. É interessante verificar como um processo tão simples reproduz, pelo menos no seu princípio, a composição da Terra.
Mostra bem que, se «fabricarmos» a Terra partindo da composição de um meteorito primitivo, irão formar-se: um manto silicatado composto por olivinas e piroxenas, pobres em ferro, na proporção de dois terços de olivinas para um terço de piroxenas; um núcleo metálico constituído por ferro, com vestígios de certos elementos leves, como o sílicio, e, finalmente, uma atmosfera e uma hidrosfera (elemento líquido) por emissão de certos gases, nomeadamente oxigénio.

A hematita (Fe2O3) é um dos minérios 
dos quais se extrai o ferro
 O homem precisou de várias dezenas de séculos para conseguir fabricar ferro metálico a partir das rochas que o rodeavam. Mas estas eram pobres em ferro, e só em condições muito especificas permitem o sucesso de tal operação.
A experiência à escala da Natureza teve realmente lugar no princípio da história da Terra. O material de partida, de que são testemunhos os meteoritos primitivos, continham cerca de 32% de ferro (em peso). Uma vez que a crustra terrestre não contém mais de 7,5% em média, isso significa que grande parte do ferro inicial se concentrou no centro da Terra, no núcleo. Para se chegar a este resultado, foi necessário, por um lado, que fosse transferido para o núcleo o ferro metálico presente nos planetesimais a partir dos quais a Terra se formou e, por outro, que o ferro disponível, sob forma oxidada, nos meteoritos, reduzido a ferro metálico.

Estas operações só puderam realizar-se a temperaturas altíssimas: o ferro puro funde a 1359 ºC à pressão atmosférica, e seria necessário atingir perto de 4000ºC para conseguir fundi-lo às pressões elevadas que reinam no centro da terra. Para que a Terra fosse assim aquecida, foi necessário uma energia poderosa. Esta terá sido produzida aquando da acreção dos planetesimais que formaram a Terra. Os seus choques devem ter libertado uma energia que, teoricamente, teria permitido que a temperatura atingisse os 25000ºC.
Mesmo que uma parte importante desta energia se tenha perdido quase instantaneamente no espaço, a que restou parece suficiente para explicar a fusão da Terra, a separação de uma grande parte do metal e a sua migração para o núcleo. Com efeito, o ferro metálico é bastante mais denso que os silicatos de onde é extraído, pelo que escorre para o undo e forma o núcleo. Este líquido metálico «escoa-se» assim para o centro da Terra, recolhendo no caminho as pequenas bolsas de metal líquido que vai encontrando. Na parte mais interior do núcleo, o ferro está submetido a temperaturas e pressões altíssimas (cerca de 5000ºC e 3,5 milhões de bares); isto provoca, provavelmente, a cristalização de uma parte do ferro líquido, que assim se transforma em ferro sólido.

Não existe uma maneira direta de medir a idade do núcleo da Terra nem de conhecer a velocidade da sua formação, pois essas amostras estão para sempre fora do alcance do homem. No entanto, podem datar-se os meteoritos metálicos que existem nas coleções: formaram-se todos num intervalo de tempo de, no máximo, algumas dezenas de milhões de anos, depois da formação dos meteoritos primitivos. A formação do ferro metálico a partir dos silicatos deve ter sido muito rápida. Esta hipótese parece lógica, pois as únicas fontes de calor suficientemente potentes que conhecemos são as desintegrações radioativas dos elementos com períodos de vida muito curtos, que se esgotam em uma dezena de milhões de anos, e a libertação quase instantânea da energia gravitacional no decurso das fases de acreção. Parece, portanto, que o núcleo terrestre se formou em menos de 60 milhões de anos depois da formação dos meteoritos.

Há cerca de 4500 milhões de anos que a Terra vem arrefecendo, mas o núcleo mantém-se quente, provavelmente pela desintegração do potássio radioativo que contém e pela energia libertada pelos movimentos dos cristais de metal no metal líquido. Uma parte do calo produzido liberta-se em direção à superfície, e as interações que se verificam entre o núcleo exterior e a base do manto são provavelmente a causa de grandes movimentos de conveção no manto, traduzidos à superfície pelo vulcanismo de ilhas oceânicas como o Havai.


Fonte:
A fabulosa história da Terra, Selecções Reader's Digest, Agosto de 2002



04/08/2016

Contradição


Coisa contraditória esta... pede-se tanto para que o tempo passe, que o momento seja o outro a seguir e, no entanto, teme-se tanto a passagem do tempo, implora-se para que este páre.




Bolas de Fogo e Pedras-Trovões


 Colidem diariamente com a terra pedaços dispersos de matéria proveniente do espaço. A maior parte destes pedaços de matéria nunca chega a atingir o solo, pois incendeia-se durante a sua descida através da atmosfera. Na sua passagem, eles deixam atrás de si um rasto brilhante e incandescente, os meteoros. Frequentemente, um único e grande meteorito despedaça-se, devido à violência da sua queda através da atmosfera, e os seus fragmentos ardem no ar, caindo para a Terra sob a forma de poeiras.
Esta chuva de poeira abate-se constantemente sobre as nossas cabeças. Centenas de toneladas caem diariamente na atmosfera terrestre. «Estas partículas encontram-se no ar que respiramos, nos alimentos que ingerimos e na água que bebemos», afirma o astrólogo Donald Brownlee. Chamam-se micrometeoritos e são tão pequenos que, de acordo com as estimativas de Brownlee, o homem comum é, sem que o saiba, «atingido» semanalmente por alguns.
Devido à raridade com que estes meteoritos caem junto a habitações humanas, até ao advento da idade moderna, as pessoas não estavam bem certas de que tal coisa alguma vez pudesse ter acontecido. Existiam relatos antigos que diziam repeito a bolas de fogo que, ao cruzar a noite como relâmpagos, se despedaçavam nos campos dos lavradores, acabando por ficar em brasa. 
Nos seus escritos do século I d.C., o naturalista romano Plínio, o Antigo, deu a estas pedras cedentes o nome de «pedras-trovões», pois, segundo afirmava, ao caírem do céu elas ribombavam. No entanto, Plínio escreveu igualmente que as pérolas são o fruto de conchas fecundadas pelo orvalho, que em certas épocas do ano o falcão se transforma em cuco e que os seres humanos têm mantido relações amorosas com os golfinhos e baleias. No século XVII, no alvorecer da ciência moderna, astrónomos franceses do Século das Luzes reviram os escritos de Plínio e todas as histórias que diziam respeito a «pedras-trovões», acabando por concluir que provavelmente tal coisa não existiria.
Em L'Aigle, a 112 km de Paris, deu-se uma chuva meteórica espetacular. Um astrónomo de Parins, enviado para investigar o fenómeno, encontrou os cidadãos  a vender essas pedras na rua. Depois disto, nunca mais ninguém duvidou de que as pedras pudessem cair no céu.
No virar do século XX, os cidadãos de Vanavara avistaram uma bola de fogo nas estepes da Sibéria. O povo de Vanavara afirou que a passagem da bola de fogo provocara um estampido e uma explosão tal que, na sua aldeia, os vidros quebraram-se e os jarros caído dos armários. Foi enviada então uma expedição científica soviética com o objetivo de investigar a floresta rochosa de Tunguska. Os membros da expedição descobriram que numa área de várias centenas de quilómetros quadrados todas as árvores tinham sido derrubadas e queimadas. Num local a 65 quilómetros de Vanavara, os troncos chamuscados das árvores irradiavam tal como o epicentro de uma explosão.
Durante décadas, o acontecimento de Tunguska esteve envolto em mistério e obscuridade. Atualmente pensasse que um meteorito tenha explodido em pleno ar acima deste ponto solitário na floresta da Sibéria
O despenhamento no Arizona poderia igualmente ter sido testemunhado por seres humanos, pois na Idade da Pedra os caçadores da Ásia já haviam descoberto o caminho via continente para o estreito de Bering e deslocavam-se para o sul através do sudoeste americano. Mesmo a uma distância de dezenas de quilómetros, os caçadores poderiam ter ficado atónitos perante a imagem de uma bola de fogo a atravessar o deserto, descrevendo um arco, por entre o rimbombar de trovões. Teriam avistado uma chama a muitos quilómetros de distância e uma nuvem em forma de cogumelo gigante a elevar-se no ar.
Muito tempo depois deste possível avistamento, Armstrong, Aldrin e Collins regressaram à Terra sãos e salvos, trazendo consigo 20 quilogramas de pedra lunar. Os três astronautas mantiveram-se de quarentena durante várias semanas. Durante esse período de tempo e para se verificar se a Apollo trouxera consigo alguma praga desconhecida, colocaram-se ratos brancos, batatas, algas, peixes e codornizes em contacto com os astronautas e com pedaços de rocha lunar. O restante tesouro lunar foi selado em cofres de alumínio e em câmaras de vácuo.
Durante esta quarentena, Terry N. Slezak, técnico de fotografia da NASA, numa sexta-feira à noite em que se encontrava a trabalhar até tarde, no Laboratório de Receção Lunar, desembrulhou um rolo fotográfico de 70 milímetros com as suas próprias mãos.
Subitamente, reparou num pó preto e fino que se agarrava aos dedos. Aparentemente, Armstrong deixara cair a carga da película fotográfica sobre o pó lunar, sem nunca se ter dado ao trablaho de a limpar. «Ao olhar para ela pensou: Meu Deus! É isso», afirmou Slezak mais tarde. «O pó era muito negro. À vista e ao tacto parecia ser muito solto, mas não era tão fino como o pó-de-talco.» Slezak e os outros cinco que se encontravam nessa sala despiram-se imediatamente e, selando todas as suas roupas em sacos de plástico, correram para o duche.
A quarentena terminou sem mais incidentes e as rochas cinzento-acobreadas e cor de cacau foram enviadas para análise em laboratórios especiais como o abrigo lunar em Pasadena, na Califórnia. A estas rochas lunares, juntaram-se outras vindas das posteriores missões à Lua.
Através das observações efetuadas pelos astronautas e da datação cuidadosa das pedras lunares que trouxeram consigo, existe atualmente uma ideia aproximada do que teriam sido os primeiros milhares de milhões de anos da Lua. Parece ter sido um período de bombardeamento furioso e quase inatingível, uma tempestade jamais vista, e teria durado milhões de anos. O pó negro no qual os astronautas haviam deixado as suas pegadas era regolito, ou seja, pedra pulverizada. Em alguns locais chega a atingir a profundidade de dezoito metros. Este regolito fora formado  a partir do impacto de sucessivos meteoritos; a lua assemelhar-se-ia a um almofariz sob a ação de um milhão de pilões.
Alguns fragmentos lunares dispersos conseguiram escapar ao bombardeamento, sendo estas rochas mais antigas do que a formação de Isua na Terra. Algumas podem ter qualquer coisa como 4,6 milhões e anos, datando aparentemente dos primeiros anos da Lua. No entanto, estas relíquias são muito raras. A maior parte do basalto de que os oceanos negros da Lua são compostos, possuem entre 3,1 a 3,8 milhares de milhões de anos, sendo quase tão antigos como o rochedo de Isua na Gronelândia.
É esta a leitura de muitos peritos lunares: a Lua formou-se provavelmente há 4,5 milhões de anos, por altura da formação da Terra. A sua superfície foi aquecida por fortes impactos, arrefecendo em seguida. 
Há cerca de quatro milhares de milhões de anos teve lugar o segundo e último grande bombardeamento. Enormes crateras de impacto, centenas de vezes maiores do que a Cratera do Meteoro do Arizona, destruíram a maior parte das rochas existentes à face da Lu, tornando o primeiro capítulo do sistema solar tão difícil de se ler na Lua tal como o é na Terra.
Durante centenas de milhões de anos, a lava brotou através do chão da cratera, inundando grandes extensões da superfície. Este mar de lava endureceu, dando origem a oceanos lunares.
Uma vez solidificada a lava, a Lua atingira o cume do seu desenvolvimento. Passaram-se três milhares de milhões de anos e a Lua, à exceção de uma ou outra cratera de impacto, mantém-se praticamente inalterada. Até à data, os meteoritos continuam, à semelhança do que acontece na Terra, a cair na Lua; no entanto, fazem-no a um ritmo dez milhares de vezes inferior ao inicial.




Fonte
Planeta Terra, Jonathan Weiner, editora Gradiva

Os milagres do Islão

Os seguidores do profeta Maomé, fundador do islamismo, estavam tão convencidos dos seus poderes divinos que recolhiam a água em que ele se lavava, o cabelo que caía da sua cabeça e até a sua saliva, acreditando que tais «relíquias» operariam maravilhas.
Embora o próprio Maomé (c. 570-632) não afirmasse ser capaz de operar milagres, diz-se que realizou muitos prodígios durante a sua vida. Depois da sua morte, os fiéis afluíam ao seu túmulo em Medina, e muitos ainda consideram este local fonte de poderes miraculosos ilimitados. Algumas das lenas - como, por exemplo, a história de que o profeta  alimentou 1000 homens com a carne de um único carneiro - parecem reproduzir os milagres de Jesus da Nazaré. Diz-se também que quando Maomé nasceu, em Medina, a sua mãe brilhava tão intensamente que o seu esplendor foi visto na distante Síria, à semelhança da estrela de Belém.
Outros milagres referidos são mais estereotipados - Maomé fazia profecias que se tornavam realidade, sabia da morte de certas pessoas antes de receber a notícia do acontecimento e lia na mente dos inimigos judeus que planeavam envenená-lo. Abi Jahl, outro inimigo, que atirou  pedras ao profeta, ficou com a mão mirrada e inutilizada. O profeta foi saudado por uma pedra, e uma coluna de madeira  chorou até quase se partir ao meio quando Maomé, que se ali se encostara, se afastou.
Muitos milagres são atribuídos, a alguns dos discípulos de Maomé, sobretudo aos líderes espirituais de várias comunidades espalhadas pelo mundo islâmico. Maomé ben Isá, que morreu por volta de 1523 d.C, fundador da ordem Isáwiyyah, foi exilado pelo xeque de Meca. Quando os seus discípulos, esfomeados, lhe pediram ajuda para encontrar alimentos, ele disse-lhes que comesse de tudo o que encontrassem na estrada. Revelando confiança absoluta no mestre, eles apanharam pedras, serpentes e escorpiões - e o poder de Maomé ben Isá protegeu-os de qualquer mal. Em 1868, o alemão H. von Maltzan descobriu uma comunidade marroquina que conservara essa tradição. Depois de executar danças rituais, o povo engolia serpentes e escorpiões vivos, vidro partido, agulhas e folhas de cacto com um entusiasmo desenfreado e sem qualquer efeitos nocivos.
Durante o século XVI, missionários muçulmanos na Índia procuravam ativamente converter hindus para a sua fé. Reza a lenda que vários milagres os ajudaram na sua missão. Quando o imã de Pirana viu um grupo de peregrinos hindus que se dirigiam para Benares, ofereceu-se para os ajudar. Eles aceitaram e imediatamente se viram transportados para Benares. Banharam-se no rio sagrado, o Ganges, cumpriram os seus deveres religiosos e depois acordaram, verificando que ainda se encontravam em Pirana. Impressionados, converteram-se imediatamente ao islão.






Fonte:Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest
Imagem: Ascensão mística de Maomé, numa miniatura turca do Sya-Al-Nabi (Vida do Profeta)

O Homens Fortes

Qual o fascinio pelos "homens fortes" (leia-se "ditadores"). Terá a história alguma influência na sua ascênsão? - pergun...