13/05/2016

As etapas do Homem na pré-história - O Neolítico


Face à economia própria do Mesolítico, essencialmente depredadora, nalgumas zonas surgiu uma relação homem-meio certamente distinta. O homem tornou-se produtor e explorou activamente novos recursos, como a criação de gado e a agricultura. Pôde, assim, controlar a sua subsistência  e ampliou as possibilidades de que dispunha anteriormente, a caça e a recoleção que passaram a ocupar um papel muito menos importante na economia do homem.
As primeiras espécies agrícolas cultivadas pelo homem foram o trigo e a cevada. Já na pecuária, assistiu-se à criação de ovelhas, cabras, e posteriormente, do porco e do boi. Estas inovações implicaram novas técnicas para trabalhar os campos, novos instrumentos, como foices, moinhos, etc. Surgiram povoações mais ou menos estáveis e indústrias como a tecelagem, o polimento da pedra, a cestaria e a cerâmica. No entanto, há que ter em conta que a presença deste último elemento não é determinante de uma economia neolítica, pois verifica-se em populações que não são propriamente agrícolas e pecuárias. Os centros originários da economia neolítica são dois:

  • o Próximo Oriente (Irão ocidental, Iraque, Turquia, e possivelmente, as regiões da Trácia e da Macedónia), entre 8.000 e 7.000 a.C.;
  • a América Central, entre 3.000 e 2.000 a.C.
A partir do primeiro foco, a cultura difundir-se-á para ocidente, dando origem a dois tipos de Neolítico conforme o seu grau de adaptação: primário e secundário. O primário dá-se numa zona de condições favoráveis, com um substrato mesolítico pouco importante: será o caso da Europa central e dos Balcãs. O Neolítico secundário desenvolve-se quando a cultura mesolítica toma importância, dando-se um fenómeno de aculturação. É o caso da Europa Ocidental.

Os Balcãs
Em Chipre surge  a cultura de "Kirokitia" (5.800 a 5.200 a.C.); a presença de foices e moinhos de mão parece indicar a existência de de agricultura. Aparecem, igualmente, restos ósseos de ovelhas, cabras e talvez porcos. Na Grécia, o Neolítico encontra-se representado nas suas diferentes fases pelas jazidas de "Nea-Nikomedia" e "Sesklo" ambas por volta de 6.000 a.C., e "Dimini" (3.700 a.C).
Nas regiões a que hoje correspondem à antiga Jugoslávia, Bulgária e Hungria estende-se a cultura "Starcevo", entre 5.000 e 4.000 a.C.

Europa Central
Nesta zona o Neolítico aparece totalmente constituído no início do 5º milénio a.C. Nesse momento as terras que se estendem da Hungria até à foz do Óder e da Bélgica até ao Vístula estavam ocupadas por grupos possuidores de uma cultura neolítica, a cultura da "cerâmica de barras"que se torna a sua cerâmica mais representativa, decorada com motivos em forma de barras lineares, espirais, etc. A cultura de "Rössen" estende-se da Alemanha central ao sudoeste e à Alsácia, por volta da segunda metade do 4º milénio. A cultura de "Michelberg" localiza-se na Suiça oriental, no sudoeste e no centro da Alemanha, de meados do 4º milénio a meados do 3º milénio. A cerâmica não é decorada, com excepção de algumas linhas ponteadas e impressões de dedos. Alguns recipientes apresentam um fundo pontiagudo.

Europa Setentrional
Por volta de 4.000 a.C. introduziu-se a economia Neolítica e a cerâmica, surgindo a cultura dos "jarros com gargalo em funil". Durante este período cultivou-se trigo e cevada. Aparecem ossos de cabras, ovelhas e gado vacum.
O Neolítico Médio é caracterizado pelos túmulos em forma de corredor. O Neolítico final começa em meados do 3º milénio a.C.

Europa Ocidental
A cultura de Cortaillod ocupa a Suiça meridional e ocidental e o leste da França. A sua cronologia estende-se entre a segunda metade do 4º milénio e a primeira metade do 3º milénio. O elemento mais característico é a construção das suas habitações, as palafitas. No início, pensava-se que eram construídas sobre água. Ataulmente, a ideia mais aceite é que foram erigidas sobre terrenos secos ou pantanosos.
Em França surge a cultura de Chassey, cuja indústria lítica deriva da mesolítica. A cerâmica é de tons escuros e polida. A sua economia baseia-se na agricultura e na pecuária. Criavam porcos, cabras e grandes ruminantes. Por volta de 2.500 a.C. estende-se pelo nordeste da França a cultura de Seine-Oise-Marne.
A cultura mais representativa de Inglaterra é a de Windmill-Hill, em Wessex e Sussex, que depois se estendeu por todo o sul da ilha.
Na Península Ibérica o Neolítico começa por volta do 5º milénio. O Neolítico inicial é representado pela cultura da "cerâmica cardial", que se estende pelas áreas litorais mediterrânicas. O Neolítico Médio tem o seu expoente na cultura dos "sepulcros de cova" na Catalunha, a dos "vasos de boca quadrada" na Catalunha, Valência, Granada, el Argar e Estremadura, e a chamada "cerâmica de almagra".  No Neolítico final sobrevivem as culturas proprias da fase anterior, que nalguns lugares se misturaram com culturas metalúrgicas e noutros evoluiram paralelamente ao início do Calcolítico e do Magalítico.



11/05/2016

A coluna de água


Se as profundidades estivessem verdadeiramente estagnadas, como durante muito tempo se acreditou, encher-se-iam de morte e decadência; é que os remanescentes de tudo o que vive no mar caem para o fundo como se de uma lenta e perpétua chuva. Sem correntes fundas para agitar as coisas, gases nocivos atingiriam o fundo e matariam todas as criaturas que aí habitassem. Lentamente, o próprio calor da Terra aqueceria esta repelente água preta até que ficasse mais quente que a água à superfície. Então, como o oceanógrafo Tjeerd van Andel escreveu, "o instável oceano inverter-se-ia eventualmente, lançando toda essa porcaria para a superfície, com efeitos catastróficos na fauna e na flora das águas superficiais e talvez com algum envenenamento da atmosfera". Desta forma, é preferível que os mares profundos não se encontrem tão sossegados quanto se pensava anteriormente. As profundidades, estão, de facto, em intensa e majestosa agitação. A água está sempre a descer a partir da superfície para a profundidade, elevando-se novamente, de forma lenta, para a superfície.
Esta circulação é um exemplo da convecção. Os cientistas acreditam que é a mesma espécie de processo que acontece numa panela de sopa colocada no fogão e também o que agita o próprio manto da Terra. Mas nos mares,diferentemente do que acontece na panela ou no manto da Terra, a força impulsionadora não está nas profundidades, mas no cimo. A água gelada à superficie dos mares polares é mais densa e mais pesada  que a água das profundidades. À medida que desce, desloca a água mais funda, que é forçada a vir ao de cima, para a superfície (a viagem da superfície para o fundo e deste para a superfície chega a levar mais de um milhar de anos).
Junto dos pólos a água é densa, não só por ser fria mas também porque transporta uma invulgarmente pesada carga de sal dissolvido. Com efeito, ela fixa o sal que os icebergues deixaram para trás - uma vez que a água, ao gelar, expele a sua parte de sal, sendo que a água, ao gelar, expele a sua parte de sal, sendo a água à volta do gelo obrigada a absorvê-lo (todos os icebergues são constituídos por água doce pura. O ar de Weddel , na Antáctida, é a maior fábrica de água fria e salgada. Outrora "afundamentos"de água de superfície aconteceram perto da Gronelândia: o mar da Noruega e o mar do Labrador.
Quando esta água densa atinge o fundo, avança lentamente até ao equador, numa viagem que dura séculos. A sua presença nos trópicos parece ter sido inicialmente notada por um capitão de um navio de escravos. Em 1751, o capitão Henry Ellis, do Earl of Halifax, viajando da Inglaterra para a África Ocidental, descobriu que um balde de água içado da profundidade de uma milha tinha uma temperatura muito refrescante no calor tropical. O capitão usava a água para arrefecer o vinho e o banho.
Os cientistas do século XVIII pensavam que a água fria junto ao equador só poderia ter vindo dos pólos; e acreditavam que a água polar devia ter-se espalhado até cobrir todo o fundo do oceano na sua longa e lenta caminhada em direção ao equador.
No entanto, em meados dos anos 50, Henry Stommel, de Woods Hole, trabalhou no desenvolvimento de modelos matemáticos mais sofisticados da circulação do mar, concluindo que o avanço da água fria do fundo em direcção ao equador não podia ser tão lento e regular como os cientistas tinham suposto. Segundo Stommel, as correntes do fundo - como as correntes à superfície - devem ser canalizadas contra as margens ocidentais dos continentes devido à rotação da Terra.  Assim, no Atlântico, Stommel imaginou uma espécie de negativo ou antítese da corrente do Golfo - uma contracorrente de água gelada movendo-se para sul através da escuridão, no fundo do planalto continental.
No ano de 1955, um oceanógrafo britânico, John Swallow, imaginou um simples ma engenhoso dispositivo que tornou possível verificar a hipótese de Stmmel. Swallow preparou algumas secções de 3,05 m (10 pés) de tubos de alumínio com o lastro suficiente para se afundarem, sem, no entanto, atingirem o fundo. Instalou transmissores acústicos nos tubos que emitiam um agudo ping de tantos em tantos segundos. Desta maneira, os tubos de alumínio podiam ser facilmente seguidos por um navio à superfície.
Em 1957, Swallow navegou para as Bermudas no navio de pesquisa britânico Discovery II. Stommel foi ao seu encontro no Atlantis, de Woods Hole. Juntos, os cientistas lançaram ao mar vários flutuadores Swallow. Alguns destes tubos estavam lastrados para flutuar a profundidades relativamente baixas e outros para flutuar a mais de 2700 metros. 
Os fluadores que se encontravam junto à superfície, foram arrastados para norte na corrente do Golfo. Já os flutuadores das profundidades derivaram para sul, emitindo os seus ping à medida que iam sendo arrastados. Stommel tinha razão.
De facto existe não só uma corrente abissal na fronteira ocidental, mas um giro completo; este roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, por baixo do giro quente de superfície, que roda no sentido dos ponteiros do relógio. Os modelos matemáticos de Stommel predisseram a existência de um giro abissal em cada bacia oceânica e também outras correntes horizontais a vários níveis do mar. Quanto mais elaborados eram estes modelos, mais intricados pareciam os oceanos do mundo. O mar está acamado como as páginas de um livro. Cada uma das camadas do mar difere apenas ligeiramente das suas vizinhas no que respeita à temperatura e à salinidade. No entanto, há muito pouca mistura nos extremos. A água pode "viajar" dentro da sua camada, sem se diluir, ao longo de milhares de quilómetros.





Fonte:
O Planeta Terra de Jonathan Weiner, Editora Gradiva

09/05/2016

Australopithecus sediba

Os esqueletos fósseis do Australopithecus sediba da caverna de Malapa, encontram-se tão completos que os cientistas conseguem ver como é que eram os esqueletos inteiros na altura em que o género Homo evoluiu. Os detalhes nos dentes, o comprimento dos braços e pernas, e a parte estreita do tórax inferior largo são semelhantes aos humanos. Estes traços indicam que o Au. sediba pode revelar informações sobre as origens e ancestrais do género Homo.
Mudanças funcionais na pélvis do Au. sediba apontam para uma marcha bípede, enquanto que outras partes partes do esqueleto retêm características encontradas noutros australopitecíneos. Medições da força do úmero e do fémur mostram que o Au. sediba apresentava um padrão de locomoção mais do tipo humano do que o mostrado pelos fósseis atribuídos ao Homo habilis. Estas características sugerem que o Au. sediba caminhava erecto de forma regular e que as alterações na pélvis deram-se antes das outras alterações no corpo que são encontradas mais tardiamente nas espécies Homo.
O crânio do Au. sediba tem diversas características derivadas, tais como premolares e molares relativamente pequenos e traços faciais que são mais semelhantes aos do Homo. No entanto, destas mudanças na pélvis e crânio, outras partes do esqueleto do Au sediba mostram um corpo semelhante ao dos outros australopitecíneos, como os membros superiores longos e uma capacidade craniana pequena. O fóssil também mostra que as alterações na pélvis e na dentição deram-se antes das mudanças nos membros ou da capacidade craniana.
A combinação de traços primitivos e derivados no Austrapithecus sediba mostra-se como sendo parte da transição a partir de uma forma adaptada a uma arborealidade parcial para o bipedismo. Mas as pernas e os pés apontam para uma anterior marcha erecta desconhecida. A cada passo, o Au. sediba virava o pé para dentro com um peso focado na extremidade exterior do pé. Esta estranha forma de caminhar pode significar que a marcha bípede pode ter evoluído diferentemente em mais do que uma espécie de hominídeo.



O primeiro espécime de Au. sediba, foi descoberto a 15 de agosto de 2008 por Mathew Berger, filho do paleoantropólogo Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, em Malapa, na África do Sul. Foi anunciado na revista Science em abril de 2010.

06/05/2016

Amor



O amor é a tolice dos homens e o espírito de Deus.

Vitor Hugo 

02/05/2016

Chade

O Chade, oficialmente a República do Chade, é um país interior, na África Central. Faz fronteira com a Líbia a norte, com o Sudão a este, com a República Centro-Africana a sul, Camarões e Nigéria a sudoeste e com o Níger a oeste. 
É o quinto maior país de África em termos geográficos.
O Chade está dividido em múltiplas regiões: uma zona desértica no norte, uma faixa árida saheliana no centro e uma savana sudanesa mais fértil no sul. O lago Chade, a partir do qual provém o nome do país, é a maior zona húmida do país e a segunda maior do continente africano. N'Djamena, a capital, é a maior cidade. O Chade é o lar de mais de 200 grupos étnicos e linguísticos diferentes. o árabe e o francês são as línguas oficiais. O Islão e o cristianismo são as religiões com maior número de praticantes.
 No 7º milénio a. C. as populações humanas começaram a deslocar-se para a bacia do Chade em grande número. Pelo final do primeiro milénio a. C., surgiu uma série de Estados e Impérios na faixa saheliana do Chade, cada uma focalizada em tentar controlar as rotas comerciais trans-saharianas que passavam nesta região.
A França conquistou o território em 1920 e incorporou-o na África Equatorial Francesa. Em 1960 o Chade obteve a independência sob a liderança de François Tombalbaye. O ressentimento relativamente à política deste surgiu no norte muçulmano e culminou numa longa guerra civil em 1965. Em 1979 os rebeldes conquistaram a capital e puseram um fim na hegemonia do sul. No entanto, os comandantes rebeldes começaram a lutar entre si, até que Hissène Habré derrotou os seus rivais. Foi destituído em 1990 pelo seu general Idriss Déby. Desde 2003 que a crise de Darfur, que surgiu no Sudão, se alastrou para além de fronteiras e desestabilizou a nação, com centenas de milhar de refugiados sudaneses a viver nos, e à volta, campos no leste do Chade.
Apesar de haver vários partidos políticos ativos, o poder encontra-se firme nas mãos do presidente Déby e do seu partido político, o Movimento de Salvação Patriótico.
O Chade continua assolado pela violência política e recorrentes tentativas de golpes de Estado. É um dos países mais pobres do mundo; a maioria dos habitantes vive na pobreza como pastores e agricultores de subsistência. Desde 2003 que o petróleo se tornou a principal fonte de receitas de exportação do país, superando a tradicional indústria do algodão.

República Centro-Africana


A República Centro-Africana (RCA) é um país no interior do centro de África. Faz fronteira com o Chade a norte, com o Sudão a Nordeste, Sudão do Sul a este, República Democrática do Congo a República do Congo a sul e com os Camarões a oeste.
A RCA cobre uma área de cerca de 620.000 km2 e em 2014 estimava-se a população em 4,7 milhões de habitantes.
A maior parte do território da RCA consiste em savanas sudano-guineenses, mas o país também inclui uma zona sahelo-sudanesa no norte e outra de floresta equatorial a sul. Dois terços do país estão dentro da Bacia do Rio Ubangi (que flui para o Congo), enquanto que o outro terço encontra-se inserido na Bacia do Chari, que flui para o Lago Chade.
O que é a atual República Centro-Africana esteve habitada durante milhares de anos, no entanto, as fronteiras atuais do país foram estabelecidas por França, que governou o território como uma colónia desde o final do século XIX.
Após obter a independência da França em 1960, a RCA foi governada por uma série de líderes autocratas. Quando chegaram os anos de 1990, o desejo pela democracia levou a que as eleições de 1993 fossem multi-partidaristas. Ange-Félix Patassé tornou-se líder, mas foi destituído através de um golpe de estado em 2003, sendo substituído pelo General François Bozizé.

A Guerra Civil da república Centro-Africana teve inicio em 2004 e, apesar de dois tratados de paz, um em 2007 e outro em 2011, os combates eclodiram entre o governo e facções muçulmanas e cristãs em Dezembro de 2012, levando a limpezas étnicas e religiosas e a um deslocamento maciço das populações em 2013 e 2014.
Apesar da riqueza dos depósitos minerais e outros recursos, como reservas de urânio, petróleo bruto, ouro, diamantes, madeira e energia hidroelétrica, assim como terra arável em abundância, a República Centro-Africana encontra-se entre os dez países mais pobres do mundo. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano de 2013, este encontrava-se na 185ª posição de 187 países.

01/05/2016

Em busca da imortalidade

Qin Shi Huangdi, primeiro imperador chinês e homem obcecado pela imortalidade.  foi surpreendido pela morte. Os magos haviam-lhe garantido que ervas "antimorte", as quais cresciam nas Ilhas dos Imortais, ao largo da costa nordeste, fariam com que o imperador vivesse para sempre. Qin enviou várias expedições para localizarem essas ilhas fabulosas, mas acabou por vir a falecer em 210 a.C., quando esperava o regresso da sua última frota, com 48 anos.
O imperador chines Qin Shi Huangdi não era o único obcecado pela imortalidade. A sepultura da Dama de Dai, falecida em 168 a.C., foi descoberta na província de Henan em 1972. Quando o túmulo foi aberto, verificou-se que o corpo estava perfeitamente conservado, embora o funeral tivesse ocorrido há mais de dois mil anos antes. A Dama não fora embalsamada, mas o túmulo encontrava-se selado de tal modo que se tornava completamente estanque ao oxigénio.
Na antiga China, as pessoas tinham boas razões para acreditar que a imortalidade era possível Enciclopédias e textos religiosos  oficiais registavam contos de homens e mulheres que se tornavam imortais subindo rapidamente ao céu à vista de aldeias inteiras. Falavam igualmente de eremitas de idade provecta com o aspecto de jovens e que viviam apenas do orvalho e do ar.
Quem aspirasse o caminho da imortalidade seguia o caminho do taoismo, uma das três grandes religiões da China. Para se conseguir atingir a longevidade era necessário aprender a dominar uma combinação de técnicas - respiratória, dietética, ginástica, meditativa e sexual. O praticante passava a ser considerado um xiã, semideus capaz de voar, alterar o tempo, assumir formas de animais, tornar-se invisível e talvez viver para sempre. Usavam-se amuletos mágicos com caracteres estilizados como proteção pessoal contra a morte. Os taoistas praticavam também uma forma de tai qi (ou t'ai chi) - exercícios físicos modelados sobre os movimentos de animais de vida longa, como tartarugas e garças.
No século III a.C., os magos afirmavam atingir a longevidade graças á utilização de plantas medicinais. Cem anos depois, os alquimistas trabalhavam com metais e minerais em busca da fórmula mágica para atingir a imortalidade. Contrariamente à alquimia ocidental, cujo objetivo era o de transmutar a base metálica em ouro, aquilo que os alquimicos chinês procuravam era o segredo da vida eterna.
No entanto, o inditoso imperador e a Dama de Dai tornaram-se imortais. A dama morreu, mas não envelheceu. O imperador, cujo mausoléu é guardado por guerreiros de pedra de tamanho natural, será recordado como o homem que deu início à construção da Grande Muralha.




Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest

O Homens Fortes

Qual o fascinio pelos "homens fortes" (leia-se "ditadores"). Terá a história alguma influência na sua ascênsão? - pergun...