27/04/2016

Consultas ao oráculo

Quando, em 546 a.C, o rei Cresso, da Lídia, consultou o Oráculo de Apolo, em Delfos, obteve a seguinte resposta: "Se fizeres guerra contra os Persas, destruirás um grande reino." Encorajado pela sua interpretação destas palavras, atacou o Império Persa, mas as suas forças foram desbaratadas. O "grande reino" destruído, afinal, fora o seu. O deus falara a verdade, mas os homens não tinham conseguido interpretar corretamente a sua resposta.
Para os antigos gregos, os deuses eram omniconscientes, e da descoberta e execução da sua vontade decorriam benefícios religiosos e práticos. Não se empreendia uma ação política importante sem uma consulta dos deuses através dos oráculos. As pessoas vulgares procuravam também obter conselhos para questões pessoais.
Dos oráculos d mundo antigo, o de Delfos foi o mais célebre, e Apolo, o principal deus da profecia. Delfos tornou-se sagrado a partir de cerca de 1400 a.C., provavelmente como sede de um oráculo de uma deusa terrena, representada por um pitão. As serpentes foram símbolos délficos até cerca de 800 a.C., quando passou a prevalecer a crença de que Apolo matara a serpente que guardava o santuário e renovara o oráculo.

De início o oráculo só podia ser consultado um dia por ano e, mais tarde, um dia por mês. Eram tantas as consultas que, no auge da sua fama, duas sacerdotisas revezavam-se, ficando uma terceira de reserva. As consultas acerca de negócios custavam dez vezes mais do que responder a perguntas do foro privado. Apesar disso, a procura era tão grande que se recorria a um segundo oráculo, que deitava sortes no caso de perguntas que apenas precisassem de respostas simples.

A consulta do oráculo
São vagos os pormenores relativos a elfos. De início, as sacerdotisas, ou pitonisas, eram jovens virgens, mas depois de um cliente ébrio ter raptado uma delas, optou-se por mulheres com mais de cinquenta anos. Sentada numa cadeira, a pitonisa ouvia a pergunta e proferia uma resposta, que os sacerdotes transcreviam em hexâmeros. Ninguém sabe se ela entrava em transe por beber de uma nascente sagrada, mascar folhas de louro ou respirar "vapores" libertados de uma fenda situada sob o assento. Pluarco (c. 46-120 d.C), que serviu como sacerdote em Delfos durante 30 anos, afirma que Apolo fazia aparecer visões na mente da pitonisa.
Fossem quais fossem os métodos usados pela pitonisa, algumas histórias parecem mais que mera coincidência. Parmenisco de Metaponto consultou o Oráculo de Trofónio. Não se sabe que pergunta terá feito, mas quando partiu, já não conseguia rir. Mais tarde, o Oráculo de Delfos disse-lhe que "a mãe" lhe devolveria o riso em casa, pelo que ele regressou a Metaponto. Ainda sem conseguir rir, Parmenisco pensou que fora enganado, tendo de seguida voltado a Delfos. Aí, no Templo de Leto, mãe de Apolo, onde esperava encontrar uma grande estátua, viu que a deusa era representada por um feio bloco de madeira e riu-se. Foi em casa de Apolo, e não da sua, que recuperou o riso.
Alguns cépticos procuraram testar o rigor dos Oráculos. Dessa forma, Creso fez a mesma pergunta a sete oráculos: "Que está a fazer neste momento o rei da Lídia?" Só o de Delfos respondeu corretamente: "Está a cozer um cordeiro e uma tartaruga numa panela de bronze." No século V a.C., Macróbio relata que o imperador Trajano enviou um conjunto selado de tabuinhas em branco para testar o Oráculo de Júpiter Heliopolitano, em Baalbek, no atual Líbano. O conjunto foi devolvido com o selo intacto, acompanhado da resposta do deus, uma folha de papiro em branco.

Outros deuses, outros costumes
Vários oráculos serviam outros deuses e adoptavam processos distintos dos de Delfos. Em Baiae, no sul de Itália, o consulente entrava num complexo de templos subterrâneos para consultar os espíritos dos mortos. Nos templos gregos de Asclépio e Anfiarau, os suplicantes dormiam no local para terem sonhos proféticos. Os consulentes do Oráculo de Zeus, em Dodona, na Grécia, escreviam perguntas em finas tiras de chumbo, dobrando-as depois ao meio e colocando-as num recipiente. À medida que ia retirando as perguntas sem as ver, a sacerdotisa respondia "sim" ou "não". As tiras de chumbo que chegaram até à atualidade contêm perguntas sobre a saúde, negócios e assuntos da vida privada.
Com o passar dos séculos, a importância dos oráculos diminuiu, e muitos filósofos negaram o seu valor. A astrologia introduziu outra forma de predizer o futuro, e novos cultos misteriosos, como os da deusa egípcia Ísis, desviaram a atenção dos deuses proféticos. Quando o cristianismo substituiu as religiões pagãs, os oráculos já se encontravam praticamente reduzidos ao silêncio.



Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest


22/04/2016

Camarões


Os Camarões são um país situado na África Ocidental, fazendo fronteira com a Nigéria a oeste, com o Chade a nordeste, República da África Central a este, e com a Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo a sul. A linha costeira dos Camarões encontra-se no Golfo do Biafra e no Oceano Atlântico. O país é frequentemente denominado de África em miniatura pela sua diversidade geológica e cultural. As características naturais incluem praias, desertos, montanhas, florestas tropicais e savanas. O ponto mais elevado é o Monte Camarões a sudoeste, e as maiores cidades são Douala, Yaoundé e Garoua. Os Camarões são a casa de mais de 200 grupos linguísticos. O país é bastante conhecido pelo seu estilo de música tradicional, particularmente pela makossa e a bikutsi, assim como pela sua equipa de futebol de sucesso. As línguas oficiais são o francês e o inglês.


Os primeiros habitantes do território incluíram a civilização Sao ao longo do Lago Chade e os caçadores recolectores Baka no sudeste da floresta tropical. Os exploradores portugueses chegaram à costa dos Camarões no século XV e nomearam a área de Rio dos Camarões. Os soldados Fulani fundaram o Emirato Adamawa no norte no século XIX, e diversos grupos étnicos estabeleceram grupos poderosos no norte e noroeste. Os Camarões tornaram-se uma colónia alemã em 1884, conhecida como "Kamerun".
Após a Primeira Guerra Mundial, o território foi dividido entre a França e a Grã-Bretanha como Mandato da Liga das Nações. O partido político Union des Populations du Cameroun (UPC) defendeu a independência, mas foi ilegalizado pela França durante a década de 1950. As forças militares travaram uma guerra contra a França até 1971. Em 1960, a zona de administração francesa dos Camarões tornou-se independente como República dos Camarões com o Presidente Ahmadou Ahidjo. A zona sul dos Camarões Britânicos juntou-se com a República dos Camarões em 1961, formando a república Federal dos Camarões. O país foi renomeado para República Unida dos Camarões em 1972 e para República dos Camarões em 1984.
Comparativamente a outros países africanos, os Camarões são política e socialmente estáveis. Este facto tem permitido o desenvolvimento da agricultura, das estradas, caminhos de ferro e grandes indústrias de petróleo e madeira. Em todo o caso, um grande número de camaroneses vive na pobreza como agricultores de subsistência. O poder está nas mãos do presidente Paul Biya, desde 1982, e do seu partido Movimento Democrático do Povo Camaronese. Os territórios que falam inglês dos Camarões têm aumentado mais alienados do governo, e os políticos destas regiões têm pedido para uma maior descentralização e até mesmo para a separação (por exemplo o Conselho Nacional dos Camarões do Sul) dos antigos territórios governados pelos britânicos. 

19/04/2016

Cabo Verde


A República do Cabo Verde é um arquipélago constituído por 10 ilhas vulcânicas no centro do Oceano Atlântico. Localizado a 570 km da costa da África Ocidental, as ilhas combinadas cobrem uma área de pouco mais de 4.000 km2. Três delas (Sal, Boa Vista e Maio) são praticamente planas, arenosas e secas; as outras, na sua generalidade apresentam mais vegetação.
Os exploradores portugueses descobriram e colonizaram as ilhas, inabitadas, no século XV. Com uma localização ideal para o comércio de escravos do Atlântico, as ilhas obtiveram prosperidade e atraíram muitas vezes corsários e piratas, entre os quais Sir Francis Drake, um corsário a agir com uma carta de corso dada pela Coroa Britânica, e que saqueou por duas vezes a capital da altura, Ribeira Grande, em 1580. As ilhas foram também visitadas pela expedição na qual fazia parte Charles Darwin, em 1832.


O declínio do tráfego de escravos no século XIX levou a uma crise económica. Com poucos recursos naturais e um investimento inadequado por parte dos portugueses, o ressentimento dos cidadãos em relação aos senhores coloniais continuou a crescer, que apesar de tudo continuaram a recusar dar mais autonomia às autoridades locais.Um crescente movimento de independência (originalmente liderado por Amílcar Cabral, assassinado a 20 de Janeiro de 1973) passou para o meio irmão Luís Cabral, acabando na independência do arquipélago em 1975.
A população cabo-verdiano é maioritariamente crioula. A capital do país, Praia, contém cerca de um quarto da população de Cabo Verde, com 500.000 habitantes. Mais de 65% da população das ilhas vive em centros urbanos, e a taxa de alfabetismo ronda os 87% (91% nos homens com mais de 15 anos e 83% das mulheres também a partir dos 15 anos) segundo o censo de Cabo Verde de 2013.
Politicamente o país vive sob um regime democrático estável. O seu crescimento económico notável e melhoramento nas condições de vida apesar da falta de recursos ganhou o reconhecimento internacional, com outros países e organizações internacionais muitas vezes a providenciarem a ajuda ao desenvolvimento. Desde 2007 que o Cabo Verde foi classificado como um país em desenvolvimento.
Condições económicas difíceis durante as últimas décadas da sua colonização e nos primeiros anos da independência fizeram com que muitos cabo-verdianos emigrassem para a Europa, Américas e para outros países africanos. Atualmente estes émigrés e os seus descendentes são em maior número que a população em Cabo Verde. Historicamente, as remessas efetuadas por estes émigrés às suas famílias em Cabo Verde tem providenciado uma substancial contribuição à economia do país. No entanto, é mais improvável que as gerações mais tardias continuem a enviar dinheiro e, consequentemente, a economia atual de Cabo Verde está centrada principalmente para o turismo e investimento estrangeiro, que beneficiam do clima quente durante todo o ano, da paisagem diversificada e da riqueza cultural, especialmente na música.

18/04/2016

As etapas do homem na pré-história - O Mesolítico

O Mesolítico, cuja datação se estende aproximadamente de 9.000 a.C a 4.000 a.C é caracterizado por intensas alterações climatéricas, cuja origem remontou ao último período do Paleolítico. O clima suavizou-se, os gelos recuaram fazendo com que diversas espécies de animais - por exemplo mamutes e ursos das cavernas - se extinguissem, e a translação de outras, como a rena, que foi substituída pelo veado. Nas zonas anteriormente cobertas pelo gelo surgiram grandes extensões de bosques. Todas estas mudanças determinaram a adaptação do homem a novas condições de vida e aproveitamento dos novos recursos naturais. Assim, embora o homem continuasse a caçar e a pescar, houve grupos humanos que basearam uma parte importante da sua economia na apanha de marisco e de moluscos, como evidenciam os "concheiros" de Muge, em Portugal, e a cultura "Asturense" no norte da Espanha.
Os utensílios encontrados compõem-se de arcos, setas, azagaias, arpões, canoas e redes. Há também uma indústria lítica formada por peças de pequenas proporções - microlitos - e muito especializada. O habitat destas  populações esteve ao ar livre, quer em cabanas cobertas com ramagens quer em abrigos rochosos próximos das fontes de matérias-primas. As ocupações de grutas efectuaram-se em menor número. Os enterros, embora escassos, mostram a prática de um ritual de inumação. Umas vezes o cadáver aparece encolhido, outras, estendido com a boca para cima.


Norte da Europa

A "Maglemoisense" é a cultura com maior representação no norte da Europa, estendendo-se da Grã-Bretanha até à Estónia e a Finlândia Meridional. Caracteriza-se por numerosos microlitos e pela presença de instrumentos ósseos, como os arpões. Existem numerosas culturas locais, por exemplo:

  • a de Fosna-Komsa
  • a de Vale do Oka e Kunda
  • a de Lyngby
  • a fase da etapa mesolítica encontra-se representada pela cultura Ertebölle
A ocupação das costas foi considerável, formando-se os "Kjoek-kenmoeddings", grandes montes de desperdícios. Pode considerar-se esta cultura como o precedente imediato das fases neolíticas destas regiões.

Europa Centro-Oriental
Nesta região a cultura "Hamburguense" ainda mantém uma indústria lítica com traços paleolíticos. Por sua
Swideriense
vez, a cultura "Swiderense" é caracterizada pela abundãncia dos microlitos e peças de tamanho médio. É de referir, igualmente, a cultura de "Ahrensburg-Lavensted".

Europa Ocidental
Já na Europa Ocidental o Azilense estende-se pela zona franco-cantábrica. As peças mais características desta zona são o arpão e os calhaus rolados, pintados com motivos geométricos. O "Tardenoisense" apresenta uma grande variedade de microlitos. A última fase mesolítica encontra-se representada, na França e no sul da Bélgica, pelo "Campinhense". Embora mantivessem contactos com populações de economia neolítica, os homens deste período continuaram a praticar, basicamente, a caça.
No norte de Espanha e de Portugal existem culturas locais como o "Asturense" e a cultura dos "concheiros" de Muge, respetivamente. Sendo que a primeira localiza-se nas Astúrias e nalgumas zonas cantábricas. O habitat destas populações era nas grutas, à entrada das quais se acumularam os depósitos de conchas. O instrumento mais representativo é o "pico".

Concheiros de Muge

Nas margens do rio Muge, afluente do Tejo, localiza-se a chamada cultura dos "concheiros", que se destacou também pela apanha de moluscos. Nesta época assiste-se a uma sobrevivência das formas de vida e dos utensílios do Paleolítico Superior na área mediterrânica ocidental. Por esta razão dnomina-se mais corretamente Epipaleolítico. A esta fase correspondem o "Sauveterrense", em França, e o "Epigrimaldense", na Itália. Na Península Ibérica denomina-se "Epigravetense". Perdura a técnica do bordo rebaixado e as formas microlíticas e geométricas.
Na Península Ibérica existe a arte parietal designada de "arte rupestre levantina", a qual é considerada pela maior parte dos autores como tendo origem pós-paleolítica. A distribuição geográfica desta abrange de Lleida até à Andaluzia, passando pelas províncias de Tarragona, Castellón, Cuenca, Teruel, Valência e Albacete, entre outros locais. Nas paredes e tectos  de abrigos ou covas, situados nas zonas interiores das províncias levantinas, e nos barrancos de altitude média, aparecem pinturas que representam a figura humana e animais como veados, touros, cabras e cavalos, que formam grupos, reconhecendo-se em alguns casos cenas de caça, de guerra, de colheitas de mel, etc. O estilo destas representações compreende desde o naturalismo à estilização, e algumas figuras, preferentemente as humanas, estão representadas com um dinamismo extraordinário.
As técnicas mais utilizadas são o contorno, a tinta lisa e o riscado. As cores são o preto, o vermelho e em menor número, o branco. É muito difícil estabelecer a cronologia destes conjuntos, dada a sua falta de utensílios ou de peças móveis datáveis. Embora a maioria dos autores lhe atribua uma idade pós-paleolítica, alguns tendem a situá-los na idade do Bronze.

Racó de Nando, Benassal - Mesolítico



Fonte
Atlas Temático - O Homem, Marina Editores


Padrões


É só uma questão de tempo, todos estamos mais ou menos tempo cá. Estamos cá e deixamos de estar cá. Portanto o que se faz no entretanto, como nos sentimos, como os outros nos sentem, como agraciamos a própria vida por a termos é que é importante. Há que não a desperdiçar, há que a tornar harmoniosa, celebrá-la, por assim dizer. Pois é só um bocadinho, um instante. Não importa o padrão que utilizamos para essa vida. Até podemos ter pensado num padrão, e depois termos mudado de ideias, viver outro. Seja porque aquele já não corresponde às nossas vontades, seja porque por alguma razão não conseguimos obter aquele padrão. A vida é cheia de padrões, de imagens, de formas. nada é definido, nada é absoluto. Diria mesmo que deveríamos olhar para diversos padrões, não nos prendermos a uma só possibilidade (ou a um número restrito).
Guardam-se fotografias do passado, contam-se histórias acontecidas (sempre com uma alteração aqui ou ali, umas vezes consciente outras inconscientemente), o que se foi (ou que se pensa que foi), fazem-se planos, o que se vai ser, o que é preciso acontecer, o que irá ser a fonte da harmonização... mas raras vezes se vê que tudo isso não tem importância, o presente é a única coisa que existe, a única coisa que se tem. Se não se vive o presente, que é onde a Vida existe, como se pode viver?
Celebremos a vida, celebremos o presente, celebremo-nos a nós, agora, aqui, neste preciso momento existimos, somos. E não somos algo de fixo, somos mutáveis, dentro de nós temos vários padrões, várias cores, somos um arco-íris, não uma luz monocromática.
Aceitemos os padrões, procuremo-los e atiremo-nos a eles. Eles existem, agora, não antes, nem depois.


11/04/2016

Kenyanthropus rudolfensis

O Kenyanthropus rudolfensis, mais frequentemente designado de Homo rudolfensis, mas também de Australopithecus rudolfensis (ainda não há um consenso científico quanto ao género a que pertence).
Até à descoberta do Kenyanthropus rudolfensis (neste artigo será escolhido o género Kenyanthopus por razões que ficarão mais claras adiante) em 1972 por Bernard Ngeneo, membro da equipa do antropólogo Richard Leakey, em Koobi Fora, a leste do Lago Rudolf (atual Lago Turkana) só havia um único ancestral para os humanos modernos no Plioceno Inferior, nomeadamente o Australopithecus afarensis. As características distintas e únicas do Kenyanthropus platyops veio  a obrigar a fazer nascer um novo género, o Kenyanthropus. E com isso, a rever a classificação de alguns fósseis, designadamente o do Homo rudolfensis, que não se encaixava bem no grupo Homo, mas que também era demasiado diferente para ser classificado como Australopithecus.
Os fósseis deste novo género trazem uma nova diversidade à árvore genealógica humana.
O Kenyanthropus aparenta ter entre 2,5 e 1,9 milhões de anos, coexistindo durante bastante tempo com o Homo habilis

As arcadas supraorbitais eram menos proeminentes do que no género Australopithecus. A face é mais prognática e a parte do nariz menos saliente. Não tem crista sagital, os grandes ossos zigomáticos, como no Paranthropus robustus e no Paranthropus boisei desapareceram. O Kenyanthropus tinha molares maiores e mais largos comparativamente ao Homo habilis, enquanto eram ligeiramente menores do que os vistos no género Australopithecus, e o K. rudolfensis também não tinha a mandíbula densamente construída e com fortes ligações musculares na mandíbula, o que era visto nos primeiros seres humanos robustos. Esta diferença anatómica é, muito provavelmente, indicadora de diferenças nas dietas do Kenyanthropus rudolfensis e nas espécies mais antigas de australopitecíneos, que eram capazes de mastigar alimentos mais duros. Os ossos do crânio eram mais finos e, na sua generalidade, mais delicados. A capacidade craniana média é de cerca de 750 cc (centímetros cúbicos). Pesaria aproximadamente 50 kg, e a espécie apresentaria, muito provavelmente, dimorfismo sexual.
Embora nenhum dos ossos se encontre associado a ferramentas de pedra, o seu crânio grande indica que possivelmente as terá fabricado durante o período de indústria de ferramentas do Olduvaiense inferior. Mas, uma vez que houve diversas espécies de hominídeos a habitar a mesma região, não é possível determinar qual (quais) delas fabricou as ferramentas e se as outras apenas as usaram.


Em muitos aspectos o Kenyanthopus era um pouco mais avançado que o Homo habilis. Isto poderia sugerir que o Homo habilis foi um beco sem saída, enquanto que o Kenyanthropus rudolfensis deu origem ao Homo erectus e mais tarde à espécie humana.
O Kenyanthropus fez com que os paleoantropólagos alterassem a sua visão acerca das origens humanas. Existem muitas questões levantadas pela sua nomeação, que incluem a relação do Kenyanthropus rudolfensis com os australopitecíneos e com o Homo habilis, questões que não podem ser respondidas com base em tão poucos fósseis.  Ainda existem muitas questões em aberto relativamente ao Kenyanthopus rudolfensis, até porque até à atualidade, existe apenas um único fóssil em boas condições do Kenyanthropus rudolfensis, o KNM-ER 1470:
  • Terá sido o Kenyanthropus rudolfensis aquele que na árvore evolucionária humana evoluiu para as espécies posteriores de Homo e até à nossa espécie, Homo sapiens?
  • Serão o Kenyanthropus rudolfensis e o Homo habilis de facto espécies diferentes, ou serão apenas uma parte de uma única espécie, mas com variações diferentes? Ou terá um sido o ancestral do outro?
  • Serão os fósseis do Kenyanthropus rudolfensis mais parecidos com os australopítecíneos, do que com outros fósseis Homo, como alguns cientistas têm sugerido?
  • Quais seriam de facto as dimensões do Homo rudolfensis? Seria esta espécie sexualmente dimórfica como se julga?


Atualmente a maior parte dos cientistas reconhece que viveram quatro espécies na Bacia Turkana, no norte do Quénia, algures entre 2 a 15, milhões de anos atrás: o Kenyanthropus (Homo) rudolfensis, o Homo habilis, o Homo erectus, e o Paranthropus boisei.





Fontes:
http://www.columbia.edu/itc/anthropology/v1007/2002projects/web/kenyanthropus/kenyanthro.html#rudolf
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/homo-rudolfensis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Homo_rudolfensis

08/04/2016

Burúndi


O Burundi é um país do interior na região dos Grandes Lagos Africanos no sudeste africano, fazendo fronteira com o Ruanda no norte, com a Tanzânia no este e sul e com a Republica Democrática do Congo a oeste. Muitas vezes é considerada igualmente como parte da África Central. A capital do Burundi é a cidade de Bujumbura. Embora o país se encontre no inerior, grande parte da fronteira sudoeste está adjacente ao Lago Tanganyika.

As populações Twa, Hutu e tusi têm vivido no Burundi Há pelo menos cinco séculos e, durante dois séculos, Burundi foi governado como um reino. No início do século XX, no entanto, a Alemanha e a Bélgica ocuparam a região e o Burundi e o Ruanda tornaram-se colónias europeias conhecidas como Ruanda-Urundi. As diferenças sociais entre os Tutsi e os Hutus têm, desde então, contribuído para a agitação polítca na região, levando a guerras civis em meados do século XX. Actualmente, o Burundi é governado como uma república democrática representativa presidencial.
O Burundi é um dos cinco países mais pobres do mundo. Tem um dos PIB per capita mais baixos a nível mundial. O país tem sofrido de guerra, corrupção e um pobre acesso à educação. É densamente povoado e sofre de uma emigração substancial. De acordo com o Índice de Conectividade Global DHL de 2012, é o país menos globalizado entre os 140 países inquiridos.
De acordo com o Índice Global da Fome de 2013, o Burundi tem um rácio de 38,8, fazendo com que a nação ganhe a distinção de ser o país com mais fome no mundo em termos de percentagem.


História
O Reino do Burundi
De acordo com a tradição o Reino do Burundo existiu do século XVI até 1966, mas actualmente pensa-se que o primeiro reino terá começado em 1680. Tal como a monarquia na vizinha Ruanda foi liderada por reis Tutsi. O último mwami (governante) de Burundi foi o Rei Ntare V, que ou foi assassinado no palácio real Ibwani em Gitega no ano de 1972, ou fugiu para o exílio na Alemanha Ocidental.
A maior pare dos membros da casa real vivem actualmente em exílio na França. Nas eleições de 2005, a Princesa Esther Kamatari candidatou-se às presidenciais pelo partido Abahuza ("Partido para a Restauração da Monarquia e Diálogo no Burúndi"). Os apoiantes argumentam que a restauração de uma monarquia constitucional poderia ajudar a acalmar as tensões entre os grupos étnicos e tornar-se um símbolo de unidade.
A bandeira do reino continha uma karyenda no centro como símbolo da autoridade real.

Colonização
Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha entregou o controle de uma parte da antiga África Alemã Oriental  à Bélgica. A 20 de Outubro de 1924, esta terra, que consiste no actual Ruanda e Burundi, tornou-se um território mandatado da Liga das Nações Belga, o que em termos práticos significava parte do Império Colonial Belga, conhecido como Ruanda-Urundi. No entanto, os belgas permitiram que o Ruanda-Urundi continuasse com a sua dinastia real.
Após a Segunda Guerra Mundial, o Ruanda-Urundi tornou-se um Território de Confinça das Nações Unidas sob administração belga. Durante a década de 1940, várias políticas prvocaram divisões ao longo do território. A 4 de Outubro de 1943, os poderes foram divididos nas divisões legislativas do Governo de Burundi entre as Chefias e as Baixas Chefias.
As Chefias estavam encarregues da terra, e foram estabelecidas sub-chefias mais baixas. As autoridades nativas também tinham poderes. Em 1948, a Bélgica permitiu à região formar partidos políticos. Estas facções viriam a ser uma das principais influencias para a independência de Burundi da Bélgica.

O Homens Fortes

Qual o fascinio pelos "homens fortes" (leia-se "ditadores"). Terá a história alguma influência na sua ascênsão? - pergun...