O estudo das fases iniciais do homem é complexo e deve ter-se em conta que é necessário interpretar culturas que remontam a mais de um milhão de anos e meio e cuja evolução e cronologia não são coincidentes nos diversos locais da Terra.
De forma a que se pudesse ordenar o estudo destas primeiras etapas na história do homem, estabeleceu-se uma série de períodos, que correspondem às culturas básicas estudadas principalmente na Europa Ocidental.
Desta forma, o Paleolítico ficou dividido em três fases:
- Paleolítico Inferior
- Paleolítico Médio
- Paleolítico Superior
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Paleolítico Inferior
Este período vai desde o final da glaciação de Gunz até ao interglaciar Riss-Würm, isto é, de cerca de 1.000.000 a 150.000 anos a.C. Esta altura foi marcada por um clima frio, com intervalos de períodos quentes.
É a esta etapa que estão associados os primeiros utensílios associados ao homem - calhaus rolados grosseiramente talhados numa ou em ambas as faces, a que se deu o nome de cultura dos seixos ou olduvaiense.
Estes utensílios, com uma excelente representação nos locais de Olduvai, no Quénia, em Aïn-Hanech, na Argélia, em Sidi-Aderramán, em Marrocos, entre outras jazidas, não se encontram na Europa, pelo menos de uma forma clara. Desta forma, as primeiras indústrias do Paleolítico Inferior europeu correspondem a bifaces ou machados de mão, peças talhadas em ambas as faces, representadas pelo abbevillense (anteriormente designado de chelense) e pelo acheulense, e por uma indústria de leascas representads pelo clactonense e pelo tayacense. As jazidas com estas indústrias encontram-se localizadas no norte e no sul de França (Micoque, Cagny), em Inglaterra (Clacton-on-Sea), em espanha (Torralba, terrazas del Manzanares), entre outros. A maior parte das jazidas destes período encontram-se estabelecidas ao ar live, em depósitos fluviais, mesetas e, posteriormente, em grutas.
Paleolítico Médio
Esta etapa tem início no final da glaciação de Riss até ao período glaciário de Würm. Compreende um período que chega aproximadamente até 40.000 a.C. As duas indústrias mais representativas são o musteriense e o levalloisense, embora esta última se deva considerar como uma técnica de talha. Sob o nome geral de musteriense agrupa-se na realidade um complexo de indústrias (musteriense de tradição acheulense, tipo La Quina-La Ferrassie, Musteriense típico, etc.). Os utensílios mais representativos são as pontas e os raspadores, aos quais se devem juntar os denticulados. As jazidas destas indústrias são, entre outras: Le Moustière, La Ferrassie, La Micoque (França); Spy (Bélgica); El Castillo, Terrazas del Manzanares, Abric Romaní (Espanha). Encontram-se também no sul de Inglaterra, na Rússia, na Crimeia, etc.
Durante os períodos frios, o homem refugiou-se em grutas, enquanto nas fases mais quentes, fazia-o em cabanas sobre os terraços fluviais. Deste período conhecem-se inumações, que parecem indicar a prática de rituais.
Paleolítico Superior
Uma fixação aproximada deste período vai desde o final do período anterior, (glaciação de Würm) até cerca de 9.000 a.C., sendo o seu protagonista um novo tipo de humano: o homem de cro-magnon.
Esta fase da pré-história do homem caracteriza-se pelo desenvolvimento das estruturas do habitat e dos utensílios de osso, o aperfeiçoamento do trabalho do sílex e o aparecimento das primeiras amostras de arte. As
facies culturais mais características são: o
perigordense, o
aurinhacense, com
rapadores carenados, folhas cuidadosamente retocadas num ou dois bordos e o aumento dos utensílios ósseos com pontas de base fendida, punções, etc. Na indústria seguinte, a solutrense, destaca-se a utilização da técnica de pressão no trabalho do sílex, dando lugar a pontas ligeiras em forma de folha de louro e de salgueiro que, pelo seu tamanho, fazem supor a sua fixação num cabo ou estarem destinadas ao disparo de um arco. Embora os homens da cultura seguinte, a magdalenense, mantivessem utensílios líticos, as peças mais representativas são as executadas em chifre ou osso, como a azagaias e os arpões com uma ou duas filas de dentes.
As grutas continuaram a ser o seu habitat, embora em algumas zonas onde o clima o permitia se estabelecessem nas margens dos rios. Construíram também cabanas, parcialmente cavadas no solo, tendo sido localizada uma lareira central nalgumas delas.
São conhecidos um grande número desta fase, alguns individuais outros coletivos, muitas vezes no mesmo local de habitação, onde o cadáver aparece acompanhado de um utensílio ósseo e lítico, para além de adornos corporais. Dois enterros interessantes são os de Grimaldi onde o esqueleto aparecia com vários bastões magdalenenses nas costas e o de Kostienki, cuja sepultura foi encontrada no interior de uma cabana, próxima da lareira, e o cadáver havia sido sentado e rodeado de ossos de mamute.
Paleolítico - Arte e Crenças
Apesar de se ter conhecimento daquela que é designada "arte mobiliar", a descoberta da gruta de Altamira em 1879, por Marcelino da Sautuola, foi o factor que veio a revelar um novo e sugestivo aspecto do homem do Paleolítico Superior - o das suas manifestações artísticas. O tema principal é o animal, que aparece junto de uma série de representações abstratas e simbólicas, que não se conhece o significado.
Dispersão geográfica - Este tipo de arte agrupa-se principalmente em duas zonas: no sudeste francês, do Languedoc à Dordonhae na zona cantábrica. No entanto, existem manifestações artísticas em pontos muito diversos da Península Ibérica (Levante, Andaluzia, Extremadura). Encontram-se também em Portugal, Itália, Sicília, Europa Central e Oriental.
Quando se considera a produção artística do Paleolítico Superior, há que fazer a diferenciação entre dois tipos: