18/04/2016

Padrões


É só uma questão de tempo, todos estamos mais ou menos tempo cá. Estamos cá e deixamos de estar cá. Portanto o que se faz no entretanto, como nos sentimos, como os outros nos sentem, como agraciamos a própria vida por a termos é que é importante. Há que não a desperdiçar, há que a tornar harmoniosa, celebrá-la, por assim dizer. Pois é só um bocadinho, um instante. Não importa o padrão que utilizamos para essa vida. Até podemos ter pensado num padrão, e depois termos mudado de ideias, viver outro. Seja porque aquele já não corresponde às nossas vontades, seja porque por alguma razão não conseguimos obter aquele padrão. A vida é cheia de padrões, de imagens, de formas. nada é definido, nada é absoluto. Diria mesmo que deveríamos olhar para diversos padrões, não nos prendermos a uma só possibilidade (ou a um número restrito).
Guardam-se fotografias do passado, contam-se histórias acontecidas (sempre com uma alteração aqui ou ali, umas vezes consciente outras inconscientemente), o que se foi (ou que se pensa que foi), fazem-se planos, o que se vai ser, o que é preciso acontecer, o que irá ser a fonte da harmonização... mas raras vezes se vê que tudo isso não tem importância, o presente é a única coisa que existe, a única coisa que se tem. Se não se vive o presente, que é onde a Vida existe, como se pode viver?
Celebremos a vida, celebremos o presente, celebremo-nos a nós, agora, aqui, neste preciso momento existimos, somos. E não somos algo de fixo, somos mutáveis, dentro de nós temos vários padrões, várias cores, somos um arco-íris, não uma luz monocromática.
Aceitemos os padrões, procuremo-los e atiremo-nos a eles. Eles existem, agora, não antes, nem depois.


11/04/2016

Kenyanthropus rudolfensis

O Kenyanthropus rudolfensis, mais frequentemente designado de Homo rudolfensis, mas também de Australopithecus rudolfensis (ainda não há um consenso científico quanto ao género a que pertence).
Até à descoberta do Kenyanthropus rudolfensis (neste artigo será escolhido o género Kenyanthopus por razões que ficarão mais claras adiante) em 1972 por Bernard Ngeneo, membro da equipa do antropólogo Richard Leakey, em Koobi Fora, a leste do Lago Rudolf (atual Lago Turkana) só havia um único ancestral para os humanos modernos no Plioceno Inferior, nomeadamente o Australopithecus afarensis. As características distintas e únicas do Kenyanthropus platyops veio  a obrigar a fazer nascer um novo género, o Kenyanthropus. E com isso, a rever a classificação de alguns fósseis, designadamente o do Homo rudolfensis, que não se encaixava bem no grupo Homo, mas que também era demasiado diferente para ser classificado como Australopithecus.
Os fósseis deste novo género trazem uma nova diversidade à árvore genealógica humana.
O Kenyanthropus aparenta ter entre 2,5 e 1,9 milhões de anos, coexistindo durante bastante tempo com o Homo habilis

As arcadas supraorbitais eram menos proeminentes do que no género Australopithecus. A face é mais prognática e a parte do nariz menos saliente. Não tem crista sagital, os grandes ossos zigomáticos, como no Paranthropus robustus e no Paranthropus boisei desapareceram. O Kenyanthropus tinha molares maiores e mais largos comparativamente ao Homo habilis, enquanto eram ligeiramente menores do que os vistos no género Australopithecus, e o K. rudolfensis também não tinha a mandíbula densamente construída e com fortes ligações musculares na mandíbula, o que era visto nos primeiros seres humanos robustos. Esta diferença anatómica é, muito provavelmente, indicadora de diferenças nas dietas do Kenyanthropus rudolfensis e nas espécies mais antigas de australopitecíneos, que eram capazes de mastigar alimentos mais duros. Os ossos do crânio eram mais finos e, na sua generalidade, mais delicados. A capacidade craniana média é de cerca de 750 cc (centímetros cúbicos). Pesaria aproximadamente 50 kg, e a espécie apresentaria, muito provavelmente, dimorfismo sexual.
Embora nenhum dos ossos se encontre associado a ferramentas de pedra, o seu crânio grande indica que possivelmente as terá fabricado durante o período de indústria de ferramentas do Olduvaiense inferior. Mas, uma vez que houve diversas espécies de hominídeos a habitar a mesma região, não é possível determinar qual (quais) delas fabricou as ferramentas e se as outras apenas as usaram.


Em muitos aspectos o Kenyanthopus era um pouco mais avançado que o Homo habilis. Isto poderia sugerir que o Homo habilis foi um beco sem saída, enquanto que o Kenyanthropus rudolfensis deu origem ao Homo erectus e mais tarde à espécie humana.
O Kenyanthropus fez com que os paleoantropólagos alterassem a sua visão acerca das origens humanas. Existem muitas questões levantadas pela sua nomeação, que incluem a relação do Kenyanthropus rudolfensis com os australopitecíneos e com o Homo habilis, questões que não podem ser respondidas com base em tão poucos fósseis.  Ainda existem muitas questões em aberto relativamente ao Kenyanthopus rudolfensis, até porque até à atualidade, existe apenas um único fóssil em boas condições do Kenyanthropus rudolfensis, o KNM-ER 1470:
  • Terá sido o Kenyanthropus rudolfensis aquele que na árvore evolucionária humana evoluiu para as espécies posteriores de Homo e até à nossa espécie, Homo sapiens?
  • Serão o Kenyanthropus rudolfensis e o Homo habilis de facto espécies diferentes, ou serão apenas uma parte de uma única espécie, mas com variações diferentes? Ou terá um sido o ancestral do outro?
  • Serão os fósseis do Kenyanthropus rudolfensis mais parecidos com os australopítecíneos, do que com outros fósseis Homo, como alguns cientistas têm sugerido?
  • Quais seriam de facto as dimensões do Homo rudolfensis? Seria esta espécie sexualmente dimórfica como se julga?


Atualmente a maior parte dos cientistas reconhece que viveram quatro espécies na Bacia Turkana, no norte do Quénia, algures entre 2 a 15, milhões de anos atrás: o Kenyanthropus (Homo) rudolfensis, o Homo habilis, o Homo erectus, e o Paranthropus boisei.





Fontes:
http://www.columbia.edu/itc/anthropology/v1007/2002projects/web/kenyanthropus/kenyanthro.html#rudolf
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/homo-rudolfensis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Homo_rudolfensis

08/04/2016

Burúndi


O Burundi é um país do interior na região dos Grandes Lagos Africanos no sudeste africano, fazendo fronteira com o Ruanda no norte, com a Tanzânia no este e sul e com a Republica Democrática do Congo a oeste. Muitas vezes é considerada igualmente como parte da África Central. A capital do Burundi é a cidade de Bujumbura. Embora o país se encontre no inerior, grande parte da fronteira sudoeste está adjacente ao Lago Tanganyika.

As populações Twa, Hutu e tusi têm vivido no Burundi Há pelo menos cinco séculos e, durante dois séculos, Burundi foi governado como um reino. No início do século XX, no entanto, a Alemanha e a Bélgica ocuparam a região e o Burundi e o Ruanda tornaram-se colónias europeias conhecidas como Ruanda-Urundi. As diferenças sociais entre os Tutsi e os Hutus têm, desde então, contribuído para a agitação polítca na região, levando a guerras civis em meados do século XX. Actualmente, o Burundi é governado como uma república democrática representativa presidencial.
O Burundi é um dos cinco países mais pobres do mundo. Tem um dos PIB per capita mais baixos a nível mundial. O país tem sofrido de guerra, corrupção e um pobre acesso à educação. É densamente povoado e sofre de uma emigração substancial. De acordo com o Índice de Conectividade Global DHL de 2012, é o país menos globalizado entre os 140 países inquiridos.
De acordo com o Índice Global da Fome de 2013, o Burundi tem um rácio de 38,8, fazendo com que a nação ganhe a distinção de ser o país com mais fome no mundo em termos de percentagem.


História
O Reino do Burundi
De acordo com a tradição o Reino do Burundo existiu do século XVI até 1966, mas actualmente pensa-se que o primeiro reino terá começado em 1680. Tal como a monarquia na vizinha Ruanda foi liderada por reis Tutsi. O último mwami (governante) de Burundi foi o Rei Ntare V, que ou foi assassinado no palácio real Ibwani em Gitega no ano de 1972, ou fugiu para o exílio na Alemanha Ocidental.
A maior pare dos membros da casa real vivem actualmente em exílio na França. Nas eleições de 2005, a Princesa Esther Kamatari candidatou-se às presidenciais pelo partido Abahuza ("Partido para a Restauração da Monarquia e Diálogo no Burúndi"). Os apoiantes argumentam que a restauração de uma monarquia constitucional poderia ajudar a acalmar as tensões entre os grupos étnicos e tornar-se um símbolo de unidade.
A bandeira do reino continha uma karyenda no centro como símbolo da autoridade real.

Colonização
Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha entregou o controle de uma parte da antiga África Alemã Oriental  à Bélgica. A 20 de Outubro de 1924, esta terra, que consiste no actual Ruanda e Burundi, tornou-se um território mandatado da Liga das Nações Belga, o que em termos práticos significava parte do Império Colonial Belga, conhecido como Ruanda-Urundi. No entanto, os belgas permitiram que o Ruanda-Urundi continuasse com a sua dinastia real.
Após a Segunda Guerra Mundial, o Ruanda-Urundi tornou-se um Território de Confinça das Nações Unidas sob administração belga. Durante a década de 1940, várias políticas prvocaram divisões ao longo do território. A 4 de Outubro de 1943, os poderes foram divididos nas divisões legislativas do Governo de Burundi entre as Chefias e as Baixas Chefias.
As Chefias estavam encarregues da terra, e foram estabelecidas sub-chefias mais baixas. As autoridades nativas também tinham poderes. Em 1948, a Bélgica permitiu à região formar partidos políticos. Estas facções viriam a ser uma das principais influencias para a independência de Burundi da Bélgica.

06/04/2016

Ritos da Antiga Grécia


Todos os anos, em setembro, na antiga cidade grega de Elêusis, desde a época micénica até à destruição do seu templo, em 396 d.C., terão sido iniciadas nos ritos secretos, ou mistérios, 30.000 pessoas. Durante vários dias, realizavam-se festas e procissões em honra da deusa Deméter, ou Demétria, e da sua filha Perséfone.
Não se sabe o que encerravam os ritos. Contrariamente às cerimónias da religião pública e estatal, as quais eram abertas a todos, uma religião de "mistérios" só era praticada pelos mystae, os iniciados, que juravam guardar silêncio. Os segredos mais defendidos nunca foram revelados, mas sabe-se que os mistérios estavam ao alcance de todos aqueles que falassem grego e não tivessem cometido assassínio e que os participantes se sentiam abençoados por certos conheciments de uma ditosa vida além-túmulo. As celebrações tinham início com um banho no mar em Atenas e uma procissão até Elêusis. À noite, num vasto espaço iluminado por archotes, havia recitações e uma representação.
Talvez fosse encenada a tentativa empreendida pela deusa das colheitas Demétria para encontrar a filha Perséfone, seduzida por Hades, senhor dos Infernos. Ao encontrar a filha, Deméter aceitou que Perséfone  à luz durante parte do ano, simbolizando a sua chegada  a renovação da vida na Primavera.
Aquando da busca pela filha, a deusa, disfarçada de velha, parara em Elêusis, onde se tornara ama do filho do rei, a quem tentara tornar imortal colocando-o numa fogueira todas as noites. Descoberta, deu-se a conhecer aos habitantes, que lhe erigiram um templo. Era nesse local que os mistérios eram celebrados todos os anos.
Quando a região à volta de Atenas e Elêusis foi evacuada numa dada altura das Guerras Pérsicas ( entre 500 e 479 a.C.), terão sido os deuses a celebrar os mistérios. Segundo Heródoto, espiões persas viram uma nuvem de poeira e ouviram o clamor do exército divino quando se dirigiam para Elêusis. Nesse mesmo dia, os Persas foram derrotados em Salamina.



Fonte:
Viagem ao Desconhecido, Selecções do reader's Digest

Imagem:
Frinéia em Elêusis de Henryk Siemiradzki (1889)




05/04/2016

As etapas do homem na Pré-História - Paleolítico

O estudo das fases iniciais do homem é complexo e deve ter-se em conta que é necessário interpretar culturas que remontam a mais de um milhão de anos e meio e cuja evolução e cronologia não são coincidentes nos diversos locais da Terra.
De forma a que se pudesse ordenar o estudo destas primeiras etapas na história do homem, estabeleceu-se uma série de períodos, que correspondem  às culturas básicas estudadas principalmente na Europa Ocidental. 
Desta forma, o Paleolítico ficou dividido em três fases:

  • Paleolítico Inferior
  • Paleolítico Médio
  • Paleolítico Superior

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Paleolítico Inferior

Este período vai desde o final da glaciação de Gunz até ao interglaciar Riss-Würm, isto é, de cerca de 1.000.000 a 150.000 anos a.C. Esta altura foi marcada por um clima frio, com intervalos de períodos quentes.
É a esta etapa que estão associados os primeiros utensílios associados ao homem - calhaus rolados grosseiramente talhados numa ou em ambas as faces, a que se deu o nome de cultura dos seixos ou olduvaiense.
Estes utensílios, com uma excelente representação nos locais de Olduvai, no Quénia, em Aïn-Hanech, na Argélia, em Sidi-Aderramán, em Marrocos, entre outras jazidas, não se encontram na Europa, pelo menos de uma forma clara. Desta forma, as primeiras indústrias  do Paleolítico Inferior europeu correspondem a bifaces ou machados de mão, peças talhadas em ambas as faces, representadas pelo abbevillense (anteriormente designado de chelense) e pelo acheulense, e por uma indústria de leascas  representads pelo clactonense e pelo tayacense. As jazidas com estas indústrias encontram-se localizadas  no norte e no sul de França (Micoque, Cagny), em Inglaterra (Clacton-on-Sea), em espanha (Torralba, terrazas del Manzanares), entre outros. A maior parte das jazidas destes período encontram-se estabelecidas ao ar live, em depósitos fluviais, mesetas e, posteriormente, em grutas.

Paleolítico Médio

Esta etapa tem início no final da glaciação de Riss até ao período glaciário de Würm. Compreende um período que chega aproximadamente até 40.000 a.C.  As duas indústrias mais representativas são o musteriense e o levalloisense, embora esta última se deva considerar como uma técnica de talha. Sob o nome geral de musteriense agrupa-se na realidade um complexo de indústrias (musteriense de tradição acheulense, tipo La Quina-La Ferrassie, Musteriense típico, etc.). Os utensílios mais representativos são as pontas e os raspadores, aos quais se devem juntar os denticulados. As jazidas destas indústrias são, entre outras: Le Moustière, La Ferrassie, La Micoque (França); Spy (Bélgica); El Castillo, Terrazas del Manzanares, Abric Romaní (Espanha). Encontram-se também no sul de Inglaterra, na Rússia, na Crimeia, etc.
Durante os períodos frios, o homem refugiou-se em grutas, enquanto nas fases mais quentes, fazia-o em cabanas sobre os terraços fluviais. Deste período conhecem-se inumações, que parecem indicar a prática de rituais.


Paleolítico Superior

Uma fixação aproximada deste período vai desde o final do período anterior, (glaciação de Würm) até cerca de 9.000 a.C., sendo o seu protagonista um novo tipo de humano: o homem de cro-magnon.
Esta fase da pré-história do homem caracteriza-se pelo desenvolvimento das estruturas do habitat e dos utensílios de osso, o aperfeiçoamento do trabalho do sílex e o aparecimento das primeiras amostras de arte. As facies culturais mais características são: o perigordense, o aurinhacense, com
rapadores carenados, folhas cuidadosamente retocadas num ou dois bordos e o aumento dos utensílios ósseos com pontas de base fendida, punções, etc. Na indústria seguinte, a solutrense, destaca-se a utilização da técnica de pressão no trabalho do sílex, dando lugar a pontas ligeiras em forma de folha de louro e de salgueiro que, pelo seu tamanho, fazem supor a sua fixação num cabo ou estarem destinadas ao disparo de um arco. Embora os homens da cultura seguinte, a magdalenense, mantivessem utensílios líticos, as peças mais representativas são as executadas em chifre ou osso, como a azagaias e os arpões com uma ou duas filas de dentes.
As grutas continuaram a ser o seu habitat, embora em algumas zonas onde o clima o permitia se estabelecessem nas margens dos rios. Construíram também cabanas, parcialmente cavadas no solo, tendo sido localizada uma lareira central nalgumas delas.
São conhecidos um grande número desta fase, alguns individuais outros coletivos, muitas vezes no mesmo local de habitação, onde o cadáver aparece acompanhado de um utensílio ósseo e lítico, para além de adornos corporais. Dois enterros interessantes são os de Grimaldi onde o esqueleto aparecia com vários bastões magdalenenses nas costas e o de Kostienki, cuja sepultura foi encontrada no interior de uma cabana, próxima da lareira, e o cadáver havia sido sentado e rodeado de ossos de mamute.


Paleolítico - Arte e Crenças


Apesar de se ter conhecimento daquela que é designada "arte mobiliar", a descoberta da gruta de Altamira em 1879, por Marcelino da Sautuola, foi o factor que veio a revelar um novo e sugestivo aspecto do homem do Paleolítico Superior - o das suas manifestações artísticas. O tema principal é o animal, que aparece junto de uma série de representações abstratas e simbólicas, que não se conhece o significado.
Dispersão geográfica - Este tipo de arte agrupa-se principalmente em duas zonas: no sudeste francês, do Languedoc à Dordonhae na zona cantábrica. No entanto, existem manifestações artísticas em pontos muito diversos da Península Ibérica (Levante, Andaluzia, Extremadura). Encontram-se também em Portugal, Itália, Sicília, Europa Central e Oriental.
Quando se considera a produção artística do Paleolítico Superior, há que fazer a diferenciação entre dois tipos:

04/04/2016

Mistérios da Doutrina Secreta

No seu livro Doutrina Secreta Helena Blavatsky expõe os fundamentos da Doutrina Esotérica das Religiões antigas, remontando a sua origem ao surgimento do homem na Terra, segundo a mesma, quando os deuses dirigiam os homens e em «cuja fonte beberam os Instrutores da Humanidade a essência do conhecimento humano».
Blavatsky tenta esclarecer de que se trata a filosofia esotérica. Segundo a autora, esta filosofia tenta reconciliar todas as religiões ao provar a sua origem comum. A filosofia esotérica prova a existência (e necessidade) de um Princípio Absoluto na Natureza. Não nega a Deidade, embora rejeite os deuses criados pelos homens à sua própria imagem. Blavatsky cita trechos secretos do dan ou janna ou dhyana, a reforma do homem pela meditação, e a metafísica de Gautama; as verdades ocultas, as coisas visíveis e invisíveis, o mistério do Ser fora da esfera terrestre, que Buda reservava apenas para os seus discípulos ou Arhats.

A doutrina de Buda é a dos Iniciados brâmanes, conservada em santuários secretos.
O Livro de Dzyan,  está escrito em folhas de palma, e tratadas por um processo que as impermeabilizou às ações da água e fogo, não se conhecendo a sua antiguidade. A Doutrina Secreta baseia-se neste livro e nas explicações dadas por sábios orientais, a quem a autora designou de Mestres.
Os membros de diversas escolas esotéricas cujo centro se encontra além dos Himalaias, e cujas ramificações encontram-se na China, no Japão, na Índia e Tibete, assim como na América do Sul, formam entre si um conjunto que totaliza as obras sagradas e filosóficas que se escreveram nas diversas línguas e caracteres, desde o começo da arte da escrita, que vão desde os hieróglifos até aos alfabetos de Cadmo e Devanagari. 

Desde a destruição na Biblioteca de Alexandria de todas as obras que pudessem conduzir o profano à descoberta final e compreensão de alguns dos Mistérios da ciência oculta, que estes ensinamentos foram procurados com diligência por membros, em esforços combinados, de Fraternidades ocultas. Uma vez encontradas estas obras, foram destruídas, com exceção de três exemplares de cada uma, que foram ciosamente guardados em locais secretos. Na Índia, os últimos desses manuscritos foram guardados num local secreto durante o reinado do Imperador Akbar, o qual não conseguiu, nem através do suborno, nem através de ameaças, que os brâmanes lhe fornecessem o texto original dos Vedas. Diz-se que os livros sagrados desta espécie, cujos textos não se encontravam suficientemente velados pelo simbolismo e que continham referências diretas aos antigos mistérios, foram copiados em carácter criptológico e depois destruídos até ao último exemplar.
Segundo Helena Blavatsky a Doutrina Secreta foi a religião universalmente difundida no mundo antigo e pré-histórico, como provam os autênticos anais da sua história, os documentos existentes em todos os países e que se conservam nas bibliotecas secretas das Fraternidades ocultas.
Factos que ainda conservam a tradição desta religião:
  1. Milhares de fragmentos antigos, salvos da destruição da Biblioteca de Alexandria;
  2. As obras sânscritas desaparecidas da Índia durante o reinado de Akbar;
  3. A tradição universal na China e no Japão, de que os verdadeiros textos antigos, e comentários que os tornam decifráveis (há milhares de volumes), encontrando-se fora ds mãos profanas;
  4. a desaparição da vasta literatura sagrada da Babilónia;
  5. a tradição na Índia de que os verdadeiros comentários dos vedas, ainda que invisíveis para os profanos, estão à disposição dos Iniciados em locais secretos para os demais.
Todos os fundadores de Religiões foram os transmissores, não Mestres originais, mas autores de novas formas e interpretações da ciência sagrada, chamada Gupta Vidya. cada nação recebeu, por sua vez, algumas das verdades debaixo do véu de um simbolismo próprio, o qual, com o tempo, veio a desenvolver um culto mais ou menos filosófico.

03/04/2016

Shambala - paraíso oculto

Os lamas do Tibete e da Mongólia falam de Shambala desde tempos imemoriais, da morada da sabedoria antiga, o ponto de contacto entre o céu e a terra, mas o local não se encontra assinalado em qualquer mapa.
Os investigadores modernos encontram-se divididos acerca da veracidade por detrás deste paraíso terrestre. Alguns vêem-no apenas como um local puramente mítico, enquanto outros pensam que corresponde a um dos antigos reinos historicamente documentados da Ásia Central. Tudo quanto se saber acerca da sua localização faz parte da mitologia tibetana, que apelida Shambala de «lugar nórdico da quietude», o que sugere que se encontra algures a norte do Tibete. Esta visão tem uma contrapartida na tradição indiana, que refere um local chamado Kalpa - a norte dos Himalaias - habitado por seres humanos perfeitos.
Segundo as lendas, Shambala seria o território recôndito onde Buda foi iniciado nos ensinamentos do Kalacakra, ou Roda do Tempo, que englobam astronomia, astrologia e vários outros conceitos cósmicos. Esse lugar situar-se-ia num vale cercado por enormes montanhas cobertas de neve. Um lago ou um leito de um lago seco dificultam o acesso, e a entrada só é possívelpor uma esreita passagem ou gruta. Os lamas são inflexíveis: os viajantes não podem ir a Shambala só porque lhes apetece, têm de sentir um chamamento.
A localização mais provável  do reino místico - se de facto existir - é a vasta extensão da China Ocidental conhecida atualmente como Xinjiang. Aqui, entre as cadeias de Kunlun Shan, Tian Shan e Altai, localizam-se várias bacias hidrográficas que há 3.000 anos serviram de base a florescentes civilizações cosmopolitas. Alguns investigadores sugeriram que a ideia de Shambala  pode ter-se desenvolvido a partir do conceito tradicional de que as montanhas do Altai eram o  local de habitação dos xamãs.
Segundo a tradição, as pessoas de Shambala podiam curar-se a si próprias de todas as doenças, ler os pensamentos dos outros, prever o futuro distante e viver cem anos. Suponha-se que o seu rei era detentor de uma tecnologia extraordinariamente avançada. Não só conseguia ver a uma distância considerável através de um espelho de vidro, como também estudaria a vida noutros planetas através de claraboias munidas de lentes especiais. Os seus «cavalos de pedra com o poder do vento» fazem lembrar os modernos aviões.
e acordo com a profecia tibetana, Shambala terá trinta e dois reis, cada um deles governando durante cem anos. O primeiro reinou durante a vida de Buda, no século VI a.C. Espera-se que o último esmague as forças do mal com um grande exército e inaugure uma época aurea em todo o Mundo. Só então serão revelados os grandes mistérios de Shambala.



Fonte
Viagem ao Desconhecido das Selecções do reader's Digest


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...