06/04/2016

Ritos da Antiga Grécia


Todos os anos, em setembro, na antiga cidade grega de Elêusis, desde a época micénica até à destruição do seu templo, em 396 d.C., terão sido iniciadas nos ritos secretos, ou mistérios, 30.000 pessoas. Durante vários dias, realizavam-se festas e procissões em honra da deusa Deméter, ou Demétria, e da sua filha Perséfone.
Não se sabe o que encerravam os ritos. Contrariamente às cerimónias da religião pública e estatal, as quais eram abertas a todos, uma religião de "mistérios" só era praticada pelos mystae, os iniciados, que juravam guardar silêncio. Os segredos mais defendidos nunca foram revelados, mas sabe-se que os mistérios estavam ao alcance de todos aqueles que falassem grego e não tivessem cometido assassínio e que os participantes se sentiam abençoados por certos conheciments de uma ditosa vida além-túmulo. As celebrações tinham início com um banho no mar em Atenas e uma procissão até Elêusis. À noite, num vasto espaço iluminado por archotes, havia recitações e uma representação.
Talvez fosse encenada a tentativa empreendida pela deusa das colheitas Demétria para encontrar a filha Perséfone, seduzida por Hades, senhor dos Infernos. Ao encontrar a filha, Deméter aceitou que Perséfone  à luz durante parte do ano, simbolizando a sua chegada  a renovação da vida na Primavera.
Aquando da busca pela filha, a deusa, disfarçada de velha, parara em Elêusis, onde se tornara ama do filho do rei, a quem tentara tornar imortal colocando-o numa fogueira todas as noites. Descoberta, deu-se a conhecer aos habitantes, que lhe erigiram um templo. Era nesse local que os mistérios eram celebrados todos os anos.
Quando a região à volta de Atenas e Elêusis foi evacuada numa dada altura das Guerras Pérsicas ( entre 500 e 479 a.C.), terão sido os deuses a celebrar os mistérios. Segundo Heródoto, espiões persas viram uma nuvem de poeira e ouviram o clamor do exército divino quando se dirigiam para Elêusis. Nesse mesmo dia, os Persas foram derrotados em Salamina.



Fonte:
Viagem ao Desconhecido, Selecções do reader's Digest

Imagem:
Frinéia em Elêusis de Henryk Siemiradzki (1889)




05/04/2016

As etapas do homem na Pré-História - Paleolítico

O estudo das fases iniciais do homem é complexo e deve ter-se em conta que é necessário interpretar culturas que remontam a mais de um milhão de anos e meio e cuja evolução e cronologia não são coincidentes nos diversos locais da Terra.
De forma a que se pudesse ordenar o estudo destas primeiras etapas na história do homem, estabeleceu-se uma série de períodos, que correspondem  às culturas básicas estudadas principalmente na Europa Ocidental. 
Desta forma, o Paleolítico ficou dividido em três fases:

  • Paleolítico Inferior
  • Paleolítico Médio
  • Paleolítico Superior

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Paleolítico Inferior

Este período vai desde o final da glaciação de Gunz até ao interglaciar Riss-Würm, isto é, de cerca de 1.000.000 a 150.000 anos a.C. Esta altura foi marcada por um clima frio, com intervalos de períodos quentes.
É a esta etapa que estão associados os primeiros utensílios associados ao homem - calhaus rolados grosseiramente talhados numa ou em ambas as faces, a que se deu o nome de cultura dos seixos ou olduvaiense.
Estes utensílios, com uma excelente representação nos locais de Olduvai, no Quénia, em Aïn-Hanech, na Argélia, em Sidi-Aderramán, em Marrocos, entre outras jazidas, não se encontram na Europa, pelo menos de uma forma clara. Desta forma, as primeiras indústrias  do Paleolítico Inferior europeu correspondem a bifaces ou machados de mão, peças talhadas em ambas as faces, representadas pelo abbevillense (anteriormente designado de chelense) e pelo acheulense, e por uma indústria de leascas  representads pelo clactonense e pelo tayacense. As jazidas com estas indústrias encontram-se localizadas  no norte e no sul de França (Micoque, Cagny), em Inglaterra (Clacton-on-Sea), em espanha (Torralba, terrazas del Manzanares), entre outros. A maior parte das jazidas destes período encontram-se estabelecidas ao ar live, em depósitos fluviais, mesetas e, posteriormente, em grutas.

Paleolítico Médio

Esta etapa tem início no final da glaciação de Riss até ao período glaciário de Würm. Compreende um período que chega aproximadamente até 40.000 a.C.  As duas indústrias mais representativas são o musteriense e o levalloisense, embora esta última se deva considerar como uma técnica de talha. Sob o nome geral de musteriense agrupa-se na realidade um complexo de indústrias (musteriense de tradição acheulense, tipo La Quina-La Ferrassie, Musteriense típico, etc.). Os utensílios mais representativos são as pontas e os raspadores, aos quais se devem juntar os denticulados. As jazidas destas indústrias são, entre outras: Le Moustière, La Ferrassie, La Micoque (França); Spy (Bélgica); El Castillo, Terrazas del Manzanares, Abric Romaní (Espanha). Encontram-se também no sul de Inglaterra, na Rússia, na Crimeia, etc.
Durante os períodos frios, o homem refugiou-se em grutas, enquanto nas fases mais quentes, fazia-o em cabanas sobre os terraços fluviais. Deste período conhecem-se inumações, que parecem indicar a prática de rituais.


Paleolítico Superior

Uma fixação aproximada deste período vai desde o final do período anterior, (glaciação de Würm) até cerca de 9.000 a.C., sendo o seu protagonista um novo tipo de humano: o homem de cro-magnon.
Esta fase da pré-história do homem caracteriza-se pelo desenvolvimento das estruturas do habitat e dos utensílios de osso, o aperfeiçoamento do trabalho do sílex e o aparecimento das primeiras amostras de arte. As facies culturais mais características são: o perigordense, o aurinhacense, com
rapadores carenados, folhas cuidadosamente retocadas num ou dois bordos e o aumento dos utensílios ósseos com pontas de base fendida, punções, etc. Na indústria seguinte, a solutrense, destaca-se a utilização da técnica de pressão no trabalho do sílex, dando lugar a pontas ligeiras em forma de folha de louro e de salgueiro que, pelo seu tamanho, fazem supor a sua fixação num cabo ou estarem destinadas ao disparo de um arco. Embora os homens da cultura seguinte, a magdalenense, mantivessem utensílios líticos, as peças mais representativas são as executadas em chifre ou osso, como a azagaias e os arpões com uma ou duas filas de dentes.
As grutas continuaram a ser o seu habitat, embora em algumas zonas onde o clima o permitia se estabelecessem nas margens dos rios. Construíram também cabanas, parcialmente cavadas no solo, tendo sido localizada uma lareira central nalgumas delas.
São conhecidos um grande número desta fase, alguns individuais outros coletivos, muitas vezes no mesmo local de habitação, onde o cadáver aparece acompanhado de um utensílio ósseo e lítico, para além de adornos corporais. Dois enterros interessantes são os de Grimaldi onde o esqueleto aparecia com vários bastões magdalenenses nas costas e o de Kostienki, cuja sepultura foi encontrada no interior de uma cabana, próxima da lareira, e o cadáver havia sido sentado e rodeado de ossos de mamute.


Paleolítico - Arte e Crenças


Apesar de se ter conhecimento daquela que é designada "arte mobiliar", a descoberta da gruta de Altamira em 1879, por Marcelino da Sautuola, foi o factor que veio a revelar um novo e sugestivo aspecto do homem do Paleolítico Superior - o das suas manifestações artísticas. O tema principal é o animal, que aparece junto de uma série de representações abstratas e simbólicas, que não se conhece o significado.
Dispersão geográfica - Este tipo de arte agrupa-se principalmente em duas zonas: no sudeste francês, do Languedoc à Dordonhae na zona cantábrica. No entanto, existem manifestações artísticas em pontos muito diversos da Península Ibérica (Levante, Andaluzia, Extremadura). Encontram-se também em Portugal, Itália, Sicília, Europa Central e Oriental.
Quando se considera a produção artística do Paleolítico Superior, há que fazer a diferenciação entre dois tipos:

04/04/2016

Mistérios da Doutrina Secreta

No seu livro Doutrina Secreta Helena Blavatsky expõe os fundamentos da Doutrina Esotérica das Religiões antigas, remontando a sua origem ao surgimento do homem na Terra, segundo a mesma, quando os deuses dirigiam os homens e em «cuja fonte beberam os Instrutores da Humanidade a essência do conhecimento humano».
Blavatsky tenta esclarecer de que se trata a filosofia esotérica. Segundo a autora, esta filosofia tenta reconciliar todas as religiões ao provar a sua origem comum. A filosofia esotérica prova a existência (e necessidade) de um Princípio Absoluto na Natureza. Não nega a Deidade, embora rejeite os deuses criados pelos homens à sua própria imagem. Blavatsky cita trechos secretos do dan ou janna ou dhyana, a reforma do homem pela meditação, e a metafísica de Gautama; as verdades ocultas, as coisas visíveis e invisíveis, o mistério do Ser fora da esfera terrestre, que Buda reservava apenas para os seus discípulos ou Arhats.

A doutrina de Buda é a dos Iniciados brâmanes, conservada em santuários secretos.
O Livro de Dzyan,  está escrito em folhas de palma, e tratadas por um processo que as impermeabilizou às ações da água e fogo, não se conhecendo a sua antiguidade. A Doutrina Secreta baseia-se neste livro e nas explicações dadas por sábios orientais, a quem a autora designou de Mestres.
Os membros de diversas escolas esotéricas cujo centro se encontra além dos Himalaias, e cujas ramificações encontram-se na China, no Japão, na Índia e Tibete, assim como na América do Sul, formam entre si um conjunto que totaliza as obras sagradas e filosóficas que se escreveram nas diversas línguas e caracteres, desde o começo da arte da escrita, que vão desde os hieróglifos até aos alfabetos de Cadmo e Devanagari. 

Desde a destruição na Biblioteca de Alexandria de todas as obras que pudessem conduzir o profano à descoberta final e compreensão de alguns dos Mistérios da ciência oculta, que estes ensinamentos foram procurados com diligência por membros, em esforços combinados, de Fraternidades ocultas. Uma vez encontradas estas obras, foram destruídas, com exceção de três exemplares de cada uma, que foram ciosamente guardados em locais secretos. Na Índia, os últimos desses manuscritos foram guardados num local secreto durante o reinado do Imperador Akbar, o qual não conseguiu, nem através do suborno, nem através de ameaças, que os brâmanes lhe fornecessem o texto original dos Vedas. Diz-se que os livros sagrados desta espécie, cujos textos não se encontravam suficientemente velados pelo simbolismo e que continham referências diretas aos antigos mistérios, foram copiados em carácter criptológico e depois destruídos até ao último exemplar.
Segundo Helena Blavatsky a Doutrina Secreta foi a religião universalmente difundida no mundo antigo e pré-histórico, como provam os autênticos anais da sua história, os documentos existentes em todos os países e que se conservam nas bibliotecas secretas das Fraternidades ocultas.
Factos que ainda conservam a tradição desta religião:
  1. Milhares de fragmentos antigos, salvos da destruição da Biblioteca de Alexandria;
  2. As obras sânscritas desaparecidas da Índia durante o reinado de Akbar;
  3. A tradição universal na China e no Japão, de que os verdadeiros textos antigos, e comentários que os tornam decifráveis (há milhares de volumes), encontrando-se fora ds mãos profanas;
  4. a desaparição da vasta literatura sagrada da Babilónia;
  5. a tradição na Índia de que os verdadeiros comentários dos vedas, ainda que invisíveis para os profanos, estão à disposição dos Iniciados em locais secretos para os demais.
Todos os fundadores de Religiões foram os transmissores, não Mestres originais, mas autores de novas formas e interpretações da ciência sagrada, chamada Gupta Vidya. cada nação recebeu, por sua vez, algumas das verdades debaixo do véu de um simbolismo próprio, o qual, com o tempo, veio a desenvolver um culto mais ou menos filosófico.

03/04/2016

Shambala - paraíso oculto

Os lamas do Tibete e da Mongólia falam de Shambala desde tempos imemoriais, da morada da sabedoria antiga, o ponto de contacto entre o céu e a terra, mas o local não se encontra assinalado em qualquer mapa.
Os investigadores modernos encontram-se divididos acerca da veracidade por detrás deste paraíso terrestre. Alguns vêem-no apenas como um local puramente mítico, enquanto outros pensam que corresponde a um dos antigos reinos historicamente documentados da Ásia Central. Tudo quanto se saber acerca da sua localização faz parte da mitologia tibetana, que apelida Shambala de «lugar nórdico da quietude», o que sugere que se encontra algures a norte do Tibete. Esta visão tem uma contrapartida na tradição indiana, que refere um local chamado Kalpa - a norte dos Himalaias - habitado por seres humanos perfeitos.
Segundo as lendas, Shambala seria o território recôndito onde Buda foi iniciado nos ensinamentos do Kalacakra, ou Roda do Tempo, que englobam astronomia, astrologia e vários outros conceitos cósmicos. Esse lugar situar-se-ia num vale cercado por enormes montanhas cobertas de neve. Um lago ou um leito de um lago seco dificultam o acesso, e a entrada só é possívelpor uma esreita passagem ou gruta. Os lamas são inflexíveis: os viajantes não podem ir a Shambala só porque lhes apetece, têm de sentir um chamamento.
A localização mais provável  do reino místico - se de facto existir - é a vasta extensão da China Ocidental conhecida atualmente como Xinjiang. Aqui, entre as cadeias de Kunlun Shan, Tian Shan e Altai, localizam-se várias bacias hidrográficas que há 3.000 anos serviram de base a florescentes civilizações cosmopolitas. Alguns investigadores sugeriram que a ideia de Shambala  pode ter-se desenvolvido a partir do conceito tradicional de que as montanhas do Altai eram o  local de habitação dos xamãs.
Segundo a tradição, as pessoas de Shambala podiam curar-se a si próprias de todas as doenças, ler os pensamentos dos outros, prever o futuro distante e viver cem anos. Suponha-se que o seu rei era detentor de uma tecnologia extraordinariamente avançada. Não só conseguia ver a uma distância considerável através de um espelho de vidro, como também estudaria a vida noutros planetas através de claraboias munidas de lentes especiais. Os seus «cavalos de pedra com o poder do vento» fazem lembrar os modernos aviões.
e acordo com a profecia tibetana, Shambala terá trinta e dois reis, cada um deles governando durante cem anos. O primeiro reinou durante a vida de Buda, no século VI a.C. Espera-se que o último esmague as forças do mal com um grande exército e inaugure uma época aurea em todo o Mundo. Só então serão revelados os grandes mistérios de Shambala.



Fonte
Viagem ao Desconhecido das Selecções do reader's Digest


02/04/2016

Kenyanthropus platyops

Sabe-se muito pouco acerca do Kenyanthropus platyops. Tratava-se de uma espécie de rosto achatado, com um cérebro pequeno e bípede, que viveu há cerca de 3,5 milhões de anos atrás, no Quénia. O Kenyanthropus habitou a África ao mesmo tempo que a espécie de Lucy, o Australopithecus afarensis, e pode representar um ramo mais próximo dos humanos modernos que Lucy na árvore evolucionaria. Antes da descoberta do único crânio conhecido em 1999, o fóssil mais recente caracterizado por uma face achatada, o que implica uma mudança significativa na estrutura do crânio, remontava há cerca de 2 milhões de anos atrás.

Ao trabalhar na região oeste do Lago Turkana, na região de Lomekwi no norte do Quénia, em 1998 e 1999, Justus Erus, um assistente de investigação da equipa conduzida pela cientistas Meave Leaky, encontrou o crânio e outros restos fósseis de um hominídeo, cujos sedimentos vulcânicos onde os fósseis foram encontrados, foram datados entre 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás, durante o Plioceno, que apresentava uma mistura de características ainda não vistas noutros fósseis de humanos primitivos. Ao notar a combinação de traços pouco comuns, Leaky e a sua equipa nomearam um novo género e espécie, Kenyanthropus Platyops, que significa «homem de rosto plano do Quénia».

A espécie é apenas conhecida através  do crânio KNM-WT40000 encontrava-se separado em duas
partes, com a caixa craniana separada da face, em condições pouco favoráveis, pois o crânio apresentava-se esmagado e distorcido,  e de uma maxila parcial (maxilar superior e a maior parte da face), incluindo dentes. Já os outros fósseis encontrados em Lomekwi não foram atribuídos oficialmente ao Kenyanthropus platyops. O volume cerebral era de cerca de 350 cm cúbicos.
Os cientistas propuseram a definição do género Kenyanthropus, pois o crânio encontrado mostra uma mistura equilibrada de traços do Australopithecus afarensis e do Homo rudolfensis.
A densidade do esmalte dentário é semelhante ao do Australopithecus afarensis, apesar de mais grosso do que nos macacos atuais, no entanto mais fino que o do Paranthropus robustus; os tamanhos dos cérebros entre o Kenyanthropus e o Australopithecus afarensis também são muito semelhantes; os molares superiores, primeiro e segundo são mais pequenos do que em qualquer espécie do que em qualquer espécie do género Australopithecus, sendo as suas dimensões semelhantes às do Ardipithecus ramidus; o orifício auditivo externo dos Kenyanthropus platyops também eram menores do que os do Aust. afarensis, com dimensões semelhantes aos do Australopithecus anamensis, ao Ard. ramidus e aos chimpanzés. A morfologia facial do KNM-WT40000, os ossos da maxila, a bochecha, os locais de fixação do músculo masseter (músculo que fecha a boca) encontram-se posicionados muito mais para a frente do rosto do que no Aust. afarensis ou em qualquer outra espécie dos géneros Australopithecus e Ardipithecus; a parte do maxilar abaixo do nariz é igualmente diferente da espécie de Lucy e das outras anteriores, sendo plana de um lado para o outro e de cima para baixo. 
A face achatada do crânio é considerado o holotipo da espécie em questão, com os ossos das bochechas elevados, os pequenos dentes densamente esmaltados, que são traços encontrados em fósseis humanos posteriores como o Homo rudolfensis ou mesmo o Homo habilis, mas no entanto a distorção do KNM-WT40000 leva a que alguns paleoantropólogos acreditem que, na realidade, o crânio pertence a um individuo Australopithecus afarensis.
Uma vez que o fóssil KNM-WT40000 é o único individuo Kenyanthropus conhecido, isto faz com que seja difícil conhecer as características desta espécie.

Pouco se sabe acerca desta espécie, subsistindo ainda muitas questões:
  1. Quais seriam as dimensões do Kenyanthopus platyops? haveria uma grande diferença de tamanho entre os machos e fêmeas (dimorfismo sexual)?
  2. Encontra-se o Ken. Platyops mais próximo do homem moderno que os Aust. afarensis?
  3. Representará realmente o fóssil  KNM-WT40000 um novo género e uma nova espécie, ou são as características faciais o resultado de uma distorção causada por um processo de deposição?
  4. Qual seria o género do KNM-WT40000? os seus pequenos dentes são semelhantes aos de uma fêmea, mas as linhas temporal do crânio mostram uns músculos de mastigação mais largos, semelhantes aos de muitos dos machos de humanos primitivos.
  5. O KNM-WT 40000 é parecido com o KNM-ER 1470, outro crânio com um rosto achatado geralmente atribuído ao Homo rudolfensis. Será o Kenyanthropus platyops o ancestral do Homo rudolfensis?
Apesar de o Kenyanthropus platyops ter vivido ao mesmo tempo que o Australopithecus afarensis, os molares do primeiro são mais pequenos, o que sugere que as duas espécies tinham dietas muito diferentes e logo, não entrariam em competição pelos mesmos tipos de alimentos, embora ambos fossem, provavelmente, grandes consumidores de plantas.


Antes da descoberta do Kenyanthropus só se tinha encontrado uma única espécie humana primitiva, o Australopithecus afarensis, na África Oriental, no período de 4 a 3 milhões de anos atrás. A existência do Kenyanthropus reflete a diversidade das espécies humanas primitivas que viviam ao mesmo tempo.
Muitos cientistas pensam que o Australopithecus afarensis é o ancestral das espécies Homo e, consequentemente, dos humanos modernos, mas alguns cientistas sentem agora que o rosto achatado do Kenyanthropus platyops e arcadas supraorbitais menos pronunciadas, parecem estar mais próximas do Homo.



Fontes
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/kenyanthropus-platyops
http://www.avph.com.br/kenyanthropusplatyops.htm

Imagens: http://www.kenyanthropus.com/




01/04/2016

Os testemunhos do clima - Pequena Idade do Gelo

Os investigadores do clima desejariam ter arquivado os registos seculares do tempo. Mas apenas se guardam registos sistemáticos  pormenorizados desde há algumas décadas e apenas para algumas partes do globo. Trata-se de um período temporal demasiado curto para se discernir nestes registos alguma tendência. Para investigar a tendência do clima na Terra e fazer as previsões do clima no futuro, os cientistas tentam extrapolar os dados antigos através de um autêntico trabalho de detetives. Todos os restos de dados antigos sobre o clima do passado são reunidos pelos cientistas. estas estranhas pistas são testemunhos do clima na Antiguidade. São usados, em primeiro lugar, não para a previsão, mas para a história do clima.
Um exemplo da construção da história do clima é a forma como os arqueólogos modernos interpretam o cemitério nórdico perto do cabo Farewell. outro tipo de pistas são os lagos sedimentados de Bryson, próximo da Muralha dos Mortos.
A história do clima pode também ser uma ocupação mais animadora. Os críticos de arte acreditam, por exemplo, que no século XVII os mestres holandeses Rembradt van Rijn, Frans Hals e Jan Vermeer teriam utilizado uma certa liberdade artítica para pintar as famosas paisagens holandesas de Inverno, canais gelados cheios de patinadores. Mas Huug van den Dool, do Instituto de Meteorologia Real da Holanda, em De Bilt, estudou os antigos registos dos canais. Estes foram construídos no início do século XVII para ligar as maiores cidades da Holanda; desde 1633 que se guardam registos de viagens em lanchas. Parece que nessa altura, durante muitos Invernos, os canais estiveram congelados e intransitáveis de facto, às vezes por períodos que iam até aos três meses. Houve dezassete Invernos extremamente frios no século XVII. Os grandes pintores não mentiram.

O frio que se verificou nesse século é confirmado por outro tipo de testemunhos. Nos últimos 500 anos os produtores de vinho franceses têm escrito livros pormenorizados descrevendo a qualidade das suas colheitas. A estação de desenvolvimento da vinha estende-se desde o início da Primavera até ao começo do Outono. Se estiver calor e houver sol, as uvas amadurecerão depressa, mas se estiver frio e enevoado a colheita será tardia e pobre. Estas realidades são de extrema importancia tanto na climatologia quanto na gastronomia. O famoso historiador francês do clima, emmanuel Leroy Ladurie, passou anos a visitar as caves dos produtores vinícolas para obter dados para os seus velhos livros de registos. Ladurie verificou que os anos de 1617 a 1650 foram invulgarmente frios, tal como aconteceu na Holanda.
A partir destes e de outros factores é possível concluir que uma longa e irregular vaga de frio assolou durante algumas décadas grande parte do território europeu no século XVII. Este período ficou conhecido como Pequena Idade do Gelo, a qual também causou transtornos na América do Norte, onde se encontrou um registo de Invernos muito frios nos anéis de árvores antigas e também nos livros históricos (por exemplo, durante a guerra da revolução, em que se faziam rolar os canhões de ferro fundido pelos gelos da long Island Sound). Pode também ter sido o longo e lento estabelecimento da Pequena Idade do Gelo que impossibilitou a vida aos colonos nórdicos. Não são conhecidas as razões para esta vaga de frio, mas sabe-se que coincidiu com um período especial da vida do Sol, durante a qual os astrónomos detetaram uma escassez anormal de manchas solares. Dado que o aquecimento da atmosfera provém, em última análise, dos raios solares, alguns cientistas admitiram a existência de uma relação entre o século do gelo e o facto de o Sol praticamente não apresentar manchas. De acordo com algumas estimativas, há uma probabilidade de 10 a 30 por cento de que venha a ocorrer uma outra Pequena Idade do Gelo no próximo século.

Mas antes da espécie humana, apenas havia o testemunho da própria terra e de algumas impressões da vida primitiva no planeta. Até ao momento, os climatologistas têm encontrado alguns testemunhos importantes do género.
Na ilha norte da Nova Zelândia encontram-se bastantes cavernas de pedra calcária. Os geólogos, ao explorarem estas cavernas encontraram registos notáveis na pedra calcária. As estalactites, pendentes rochosos suspensos do tecto das cavernas, e as estalagmites, pequenas colunas que crescem a partir do chão, foram erigidas gota a gota pela água da chuva.Durante um longo tempo a água infiltra-se através dos tectos de pedra calcária da caverna pingando das estalactites, evaporando-se depois. Cada gota deixa um pequeníssimo resíduo de pedra calcária na extremidade inferior das estalactites, e na extremidade superior das estalagmites que estão por debaixo delas. Essas colunas de pedra crescem formando padrões tão bem proporcionados como os anéis de uma árvore ou os aluviões de um lago.
A água da chuva provém originalmente do mar; certas particularidades da composição da água dos mares são levemente alteradas ao longo do tempo. Por exemplo, a razão entre as quantidades de isótopos O18 e O19 varia de maneira tal que os especialistas conseguem inferir daí algo sobre o clima na altura da formaçao das estalagmites e das estalactites. Essa razão entre os isótopos é conservada na pedra calcária das cavernas, e a ordem da sua variação é preservada nas camadas ordenadas das colunas que ornamentam a caverna. Fazendo uma secção transversal de uma estalagmite e procedendo à análise dos isótopos nas camadas de pedra, é possível determinar aproximadamente a história do clima fora da caverna.
As estalagmites da Nova Zelândia sugeriram ao geólogo Chris Hendy que as temperaturas nesta zona do hemisfério sul teriam sido muito baixas no século XVII. A força dos dados é extraordinária, uma vez que a Europa e a Nova Zelândia encontram-se praticamente em lados opostos da Terra e os tipos de testemunho que levaram à mesma conclusão são muito diferentes. A descoberta de Hendy aumentou a curiosidade sobre a causa da Pequena Idade do gelo, dado que sugere que, se a vaga de frio não foi universal, foi bastante generalizada. 
Hendy procedeu à secção transversal de uma das mais antigas estalactites que descobriu numa caverna do litoral oeste da ilha norte. «Quando cortámos», disse ele, «verificámos que ela possuía um registo dos últimos 100.000 anos, 25.000 dos quais comprimidos nos últimos três centímetros. A estalactite estava ainda a crescer; as gots de água ainda estavam a cair dela; portanto, o registo estende-se diretamente até aos dias de hoje. este facto deu-nos uma excelente possibilidade de averiguar as grandes variações climáticas em toda a Nova Zelândia - e, na realidade, mesmo em todo o mundo.»
Estas longas histórias da natureza, sucessões de registos da história do clima, relatam acontecimentos que fazem a Pequena Idade do Gelo parecer um período ameno.


Imagens:
1) Paisagem de Inverno de Rembradt
2) Paisagem de Inverno com patinadores de Gelo, Hendrick Avercamp, c. 1608
3) Caverna de formação cárstica da Nova Zelândia (Maori Leap Cave, Kaikoura).


Fonte
Planeta Terra, Jonathan Weiner, editora Gradiva




Burquina Faso



Burquina Faso é um país no interior ocidental de África, com cerca de 274.200 Km2. Está rodeado por seis países: Mali, no norte; Níger a este; Benim a sudeste; Togo e Gana a sul e Costa do Marfim a Sudoeste. A capital de Burquina é Ouagadougou e em 2010 a população estava estimada em 15,75 Milhões de habitantes.
Anteriormente chamada República do Alto Volta, o país foi renomeado para "Burquina Faso" a 4 de Agosto de 1984 pelo então Presidente Thomas Sankara, usando uma palavra de uma das duas maiores línguas do país, mòoré e Dioula. Burquina pode ser traduzido do Mòoré como "homens de integridade", e Faso significa "pátria" em Dioula. Assim, Burquina Faso" pode ser traduzina como "Terra de gente integra". Os residentes de Burquina são conhecidos como burkinabè. O francês é a língua oficial do governo e usado no comércio.
Entre 14.000 e 5.000 a.C, a região a noroeste hoje pertencente a Burquina Faso era povoada por caçadores recolectores. Os primeiros assentamentos agrícolas apareceram entre 3.600 a 2.600 a.C.  O que é actualmente Burquina Faso era um território essencialmente composto por reinos Mossi. Em 1896 a França estabeleceu um protectorado sobre os reinos deste território.
Após ter obtido a independência de França em 1960, o país sofreu muitas mudanças de governo. Hoje em dia é um República Semi-Presidencial. Burquina é membro da União Africana, da Comunidade dos Estados do Sahel-Saara, da Francofonia, da Organização de Cooperação Islâmica e Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental.

O Homens Fortes

Qual o fascinio pelos "homens fortes" (leia-se "ditadores"). Terá a história alguma influência na sua ascênsão? - pergun...