29/03/2016

Ler o futuro

Entre as descobertas mais curiosas feitas nos locais arqueológicos da Mesopotâmia, atual Iraque, contam-se modelos de barro cozinhado de figados de carneiro que revelam conhecimentos anatómicos mais rigorosos do que os existêntes cerca de 4.000 anos mais tarde na Europa Medieval. Os dizeres que os cobrem sugerem que eram usados como uma espécie de auxiliar de ensino. Mas que poderiam os habitantes da Mesopotâmia de 3.000 a.C., os Sumérios, aprender a partir do fígado de um animal? A resposta é - o futuro.
Os Sumérios e os seus sucessores na Mesopotâmia, os Babilónios, acreditavam que o futuro já se encontrava escrito e que os deuses forneciam os meios para o ler. Estes presságios de acontecimentos futuros seriam interpretados por adivinhos profissionais, que deviam ser descendentes de homens livres, não escravos, e fisicamente perfeitos. Após anos de formação rigorosa, os leitores de presságios ficavam ligados ao palácio do rei como funcionários do Estado. 
Os métodos de adivinhação do futuro incluíam a leitura de presságios nas entranhas de animais, ou extispício. Durante uma cerimónia noturna, os adivinhos examinavam cuidadosamente o fígado, pulmões ou intestinos de um carneiro sacrificado. Quaisquer particularidades observadas eram consideradas sinais. 
O extispício transformar-se-ia em ciência, e no período babilónico (1950 a 1650 a.C.) já adquirira a sua própria linguagem técnica complexa.
Os estudantes de adivinhação aprendiam em modelos de terracota nos quais estavam gravadas interpretações das diversas particularidades com que poderiam deparar ao examinar as entranhas de um animal. Provavelmente por a maioria das pessoas utilizar a mão direita, o lado direito do fígado ou de outro órgão era associado à boa sorte, e o lado esquerdo, à má sorte. Para uma leitura completa, havia que considerar ambos os lados.
A adivinhação do futuro era fundamental para a tomada de decisões a nível nacional. Liam-se os sinais antes da construção de templos, antes de guerras e, como medida de segurança, antes da aparições públicas do rei. As pessoas comuns também consultavam adivinhos, apresentando-lhes muitas questões específicas: A colheita será boa? Qual é o melhor dia para casar?
A leitura das entranhas também era praticada pelos Gregos e pelos Etruscos em Itália a partir do século VII a.C., assim como pelos Romanos. Os adivinhos do povo Nyoro, do Uganda, ainda hoje examinam entranhas de galinha a fim de descobrir o que lhes reserva o futuro.





Fonte:
Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest

Imagem: Modelo em barro de um fígado de carneiro, séculos XIX a XVIII a.C., Babilónia


O nascimento da religão

São-lhes dado o nome de Vénus e estão entre as esculturas mais antigas que jamais foram encontradas - tratam-se de pequenas estatuetas femininas nuas, muitas vezes grávidas, com seios, nádegas e coxas volumosos, mas com cabeça e pernas quase indefinidas. São feitas dos mais diversos materiais, desde marfim de mamute, mármore, chifres de veado, osso, pedra e argila. As mais antigas datam e há 23.000 anos e foram encontradas em locais pré-históricos de França até ao sul da Rússia.
Estas pequenas figuras dominaram a expressão artística nos 10.000 anos seguintes, oferecendo o testemunho de uma precoce tomada de consciência da importância da fertilidade para a sobrevivência.
Também existem indícios de que na região montanhosa do Altai, no norte da Ásia, surgiu um culto a uma deusa há 25.000 anos, e conhecem-se cultos semelhantes na região mediterrânica. Algumas das provas mais autorizadas provêm da Turquia, de Çatal Hüyük (6.300-5.500 a.C), onde o arquólogo James Mellaart descobriu muitos santuários a uma deusa-terra que é retratada frequentemente a dar à luz, tendo a seu lado animais; os frescos em Çatal Hüyük incluem abutres, cabeças de touros pintadas e misteriosos símbolos abstratos. Em a Linguagem da Deusa, a autora e investigadora Marija Gimbutas identifica essas imagens, assim como cobras, abelhas, luas em quarto crescente e outras, como parte de um simbolismo muito difundido que celebrava a unidade de todas as formas de vida na Natureza.
A sexualidade feminina também aparece em destaque em figuras da Idade do Bronze e das primeiras civilizações urbanas. Foram encontrados muitos desses artefatos, muitas vezes manchados de fumo em locais arqueológicos do vale do Indo, sugerindo alguma forma de culto doméstico. Muitos aldeãos indianos ainda prestam culto em santuários erigidos em honra de uma divindade feminina local.
De um modo geral, as deusas eram suplantadas pelas divindades masculinas. No entanto, mesmo na época do Império Romano, as pessoas continuavam a adorar deusas - nas ruínas de Pompeia existe um templo em honra da deusa egípcia Ísis. Além disso, na mitologia abundam poderosas figuras femininas. Muitos atributos das deusas - excepto a nudez e a sensualidade - foram transferidos para a Virgem Maria, embora a Igreja Católica não apoie a comparação. Mais recentemente, o feminismo, as preocupações ambientais e o movimento New Age contribuíram para um renovado interesse pela deusa-terra, cuja adoração pode ter sido a primeira forma de religião existente.


Fonte:
Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest

Imagem: Réplica de Vénus de Lespugue


28/03/2016

Botsuana

                       


Botsuana, Botswana, oficialmente a República de Botswana é um país interior localizado no Sul de África. Os cidadãos referem-se a si mesmos como «Batswana» (no singular, Motswana). Antigo protectorado britânico de Bechuanalândia, Botswana adoptou o seu novo nome após a independência da Commonwealth a 30 de Setembro de 1966. Desde a independência que teve eleições democráticas de forma ininterrupta.

Botsuana é plano e até 70% do território está coberto pelo Deserto do Kalahari. Faz fronteira com a África do Sul, a sul e sudeste, com a Namíbia a oeste e norte e com o Zimbabué a nordeste. A fronteira com a Zâmbia no norte perto de Kazungula é pouco definida sendo de apenas algumas centenas de metros.
Sendo um país de dimensões médias, mas com apenas cerca de dois milhões de habitantes, o Botsuana torna-se um dos países com uma das populações mais esparsas do mundo. O Botsuana era um dos países mais pobres do mundo quando conseguiu a independência em 1966, no entanto o país tem seguido diversas transformações, tornando-se uma das economias com um maior crescimento económico do mundo, com um rendimento nacional alto, um dos mais elevados de África.
Sendo um dos membros a União Africana, tem uma tradição forte, uma representação democrática assim como o segundo maior Índice do Desenvolvimento Humano dos países subsarianos.


História

Durante o século XIX surgiram hostilidades entre os habitantes tswana do Botswana e as tribos Ndebele, que estava a fazer incursões no território a partir da zona nordeste. As tensões escalaram com os colonos Boer Alemães do Transval do este. Após vários apelos dos líderes Batswana, KhamaIII, Bathoen e Sebele por assistência, o Governo Britânico colocou a Bechuanalândia sob a sua proteção a 31 de Março de 1885. A parte norte do território continuou sob a administração directa como Protectorado Bechuanalândia e é a moderna Botsuana enquanto que o território a sul tornou-se parte da Colónio do Cabo e é parte da provincia do noroeste da África do Sul. A maioria dos falantes setswana vivem atualmente na África do Sul.
Quando a União da África do Sul se formou em 1910, as regiões para além das colónias principais britânicas na região, o Protectorado Bechuanalândia, o Basutolândia (atual Lesoto) e a Suazilândia, não foram incluidos, mas providenciou-se a sua futura entrada. No entanto, os seus habitantes começaram a ser consultados pelo Reino Unido, e embora os governos sucessivos da África do Sul procurassem ver os territórios transferidos, o Reino Unido foi protelando e, consequentemente, nunca aconteceu. A eleição do governo Nacionalista em 1948, que instituiu o apartheid, e a saída da África do Sul da Commonwealth em 1961, acabaram com quaisquer perspectivas de incorporar os territórios à África do Sul. A expansão da autoridade central Britânica e a evolução do governo tribal na década de 1920, estabeleceram dois conselhos consultivos para representar tanto os Africanos quanto os Europeus. As Proclamações em 1934 regularam o Estado tribal e poderes. Um Conselho Africano-Europeu foi formado em 1951 e em 1961 estabeleceu-se uma constituição e um Conselho Legislativo Consultivo.
Em Junho de 1964, o Reino Unido aceitou a proposta de um governo autónomo democrático no Botsuana. A sede de governo foi mudada em 1965 de Mafikengin na África do Sul, para o recentemente estabelecido Gaborone, próxima da fronteira. A constituição de 1965 levou às primeiras eleições gerais e à independência a 30 de Setembro de 1966. Seretse Khama, um líder do movimento independente foi eleito como primeiro Presidente, vindo a ser reeleito duas vezes.

Os períodos da História dos Maias

Era Pré-Clássica: 2000 a.C. a 250 d.C.

O período Pré-Clássico (ou Formativo) na história da civilização Maia abrange o surgimento de algumas sociedades mais complexas que se subdivide, por sua vez, em três grandes subperíodos:

  1. Inicial (2000 a 1000 a.C.)
  2. Médio (1000 a 400 a.C)
  3. Recente (400 a. C. - 250 d.C)
A primeira grande civilização, a Olmeca, viveu o seu apogeu durante o segundo subperíodo, ao longo dos estuários pantanosos da costa do golfo do México. Considerada geralmente como a «cultura-mãe» da Mesoamérica, os conceitos e os estílos artisticos da Civilização Olmeca estenderam-se muito além do seu território-berço, tendo exercido grande influência nas sociedades Maia emergentes. Foi entre os Zapotecas, cuja civilização nasceu nas montanhas da região Oaxaca, que os retratos históricos se associaram pela primeira vez à escrita hiroglífica, por volta de 600 a.C. Já no terceiro subperíodo, desenvolveram-se os escritos por diversas zonas da Mesoamérica, sobretudo entre os sucessores dos Olmecas, os Epi-Olmecas e os Maias.
Foi por esta altura, que as sociedades distintas de Miraflores e Izapa nasceram, respetivamente, nas zonas montanhosas do Sul da região Maia e nos sopés costeiros. As estelas pictóricas descobertas na própria Izapa são notáveis por incluirem as primeiras cenas identificáveis da mitologia Maia. Ainda no ano 500 a.C., os Maias oriundos das florestas das terras baixas fundaram as suas primeiras cidades de grandes dimensões, erguendo no seu centro plataformas-templos pintados de vermelho e ornados com estátuas de deuses feitas de estuque decorado. Nakbe incluíra-se entre as primeiras, mas nos últimos tempos havia sido sumplantada por El Mirador, a maior concentração de arquitetura monumental alguma vez construída pelos Maias. Por razões ainda pouco claras, esta cultura exuberante observou o seu declínio por volta do século I d.C e a maior parte das suas cidades acabou por ser abandonada.

Força

A noção de força é dada através do esforço muscular. Através de um esforço muscular pode ser lançada uma bola ou segurar-se um copo pesado. Isto é, é através de um esforço muscular que é alterado o estado de repouso de um determinado objecto ou é evitada a sua queda. No exemplo da bola, também pode ser invertido o seu sentido de deslocação.
Toda a circunstância que posa ser substituída pela ação de um esforço muscular ou toda a circunstância cujo efeito possa ser contrariado por um esforço recebe o nome de força.

Pode-se definir força como toda a causa capaz de alterar o estado de repouso ou movimento de um corpo.

A aplicação de um esforço muscular contém uma direção e um sentido, para além da maior ou menor intensidade do esforço. Portanto, as forças são grandezas vetoriais. Como tais, quando num mesmo ponto são aplicadas várias forças, o seu efeito poderá ser contrariado realizando um esforço muscular equivalente a um outro que fosse capaz de se opor a uma força única à soma vetorial das forças aplicadas. Isto equivale a dizer que, quando sobre um ponto atuam simultaneamente várias forças, podemos substituí-las pela resultante da sua soma vetorial.

22/03/2016

Australophitecus africanus

O Australophitecus africanus cujo nome "Australophitecus" tem origem no latim australis "do sul" e no grego pithecus "macaco" e africanus é relativo ao local onde foi encontrado. Tratou-se de um primata  anatomicamente semelhante ao Australipithecus afarensis, embora com uma dimensão corporal ligeiramente superior. Este Australopithecus apresenta uma combinação de características tipo humanas com outras simiescas. Comparativamente ao Aust. afarensis, o Aust. africanus tinha um crânio mais redondo, que alojava um cérebro maior, talvez entre os 420 e os 450 cc (estas dimensões são ligeiramente superiores às dos chimpanzés, apesar da massa corporal semelhante, mas não suficientemente evolucionadas para permitirem o desenvolvimento da fala), e dentes mais pequenos. Mas apresentava igualmente traços mais primitivos que incluíam os braços relativamente longos e um rosto fortemente projetado debaixo de uma caixa craniana com uma mandíbula pronunciada. Tal como no Aust. afarensis, a pélvis, o fémur (parte superior da perna), e os ossos dos pés do Aust. africanus indicam que era bípede, mas os ombros e ossos das mãos indicam que também trepavam às árvores.
Apesar dos dentes e dos maxilares serem bastante maiores que os dos humanos, esta espécie encontra-se morfologicamente mais próxima dos humanos do que dos macacos.
Viveram na África do Sul há aproximadamente 3,3 a 2,1 milhões de anos atrás, durante o  Pleistoceno, nas florestas e savanas abertas da África.

20/03/2016

Batalha de Waterloo por Vitor Hugo

Enquanto que o historiador conta, o romancista denuncia. Este escritor mostra aquilo que apenas o pintor pode mostrar na tela, mas que está interdito ao outro, o lado humano, o desespero, a grandiosidade e a miséria. Esta passagem d'Os Miseráveis de Vitor Hugo é isso mesmo, mais do que números, de factos concretos onde a emoção não é permitida, há toda uma tela do que é uma batalha, da sua fealdade e da bravura que enche o coração dos homens (de alguns) nas situações mais aterrantes. 
A Batalha de Waterloo foi o final de um ciclo, o nascimento de outro, de um novo século, do século XIX... Se por um lado os novos ideais que se vinham a semear puderam florescer a partir dessa época, não foi certamente o final da atrocidade no campo de batalha, quase que se diria que foi o início das grandes atrocidades, dos grandes números.
Também não morreu o Imperialismo com a queda deste grande Imperador que foi Napoleão, não. Simplesmente ele foi o nascimento de uma nova ideia, que não ficou enterrada no Monte de S. João... a partir do sangue derramado naquela terra, nasceu uma nova ideia, um novo imperialismo, ensinado pelo Imperador. Uma década de Napoleão foi o quanto bastou para fazer tremer o mundo e transformá-lo. Francês, filho de italianos (natural de Córsega, que passou a ser francesa em 1768, tendo Napoleão nascido em 1769) foi, com certeza, o último dos Césares, que nele incarnaram o espírito dos grandes Augustos.

A Batalha de Waterloo, 1815 por Sir William Allan


«II

Hougomont

Foi um fúnebre lugar aquele de Hougomont; foi o primeiro obstáculo, a primeira resistência, que encontrou em Waterloo esse grande lenhador da Europa chamado Napoleão; foi o primeiro nó em que bateu, sem o abrir, o seu machado.
Aquilo era um castelo, hoje é apenas uma herdade. Aquela mansão de Hougomont, para o antiquário Hougomons, foi construída por Hugo, senhor de Somerel, o mesmo que dotou a Abadia de Villers com a sexta capela.
O viajante abriu a porta, empurrou uma caleça que pejava o alpendre e entrou no pátio.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...