17/12/2015

Primeira Guerra Mundial - As Consequências

Armistício e Capitulações




O colapso dos Poderes Centrais veio de forma rápida. A Bulgária foi a primeira a assinar o armistício a 29 de Setembro de 1918 em Salaniki. A 30 de Outubro o Império Otomano rendeu-se  em Moudros, assinando o Armistício de Moudros.
A 24 de Outubro, os Italianos começaram a recuperar o território perdido na Batalha de Carporeto. Culminou na Batalha de Vittorio Veneto, que marcou o fim do Exército Austro-Húngaro como uma força efectiva de combate. A Ofensiva também desencadeou a desintegração do Império Austro-Húngaro. Durante a última semana de Outubro, foram feitas várias declarações de independência em Budapeste, Praga e Zagreb. A 29 de Outubro, as autoridades imperiais pediram um armistício à Itália, mas os italianos continuaram a avançar, chegando a Trento, Udine e Trieste. A 3 de Novembro a Áustria-Hungria enviou uma bandeira de tréguas a pedir novamente por armistício. Os termos, designados pelas Autoridades Aliadas em Paris, foram comunicadas ao comando austríaco e aceites. O Armistício com a Áustria foi assinado na Villa Giusti, perto de Padua, a 3 de Novembro. A Áustria e a Hungria assinaram armistícios separados, após a queda da Monarquia dos Habsburgos. Como consequência  da revolução alemã de 1918-19, foi proclamada uma república a 9 de Novembro. O Kaiser fugiu para a Holanda.
Às cinco horas da manhã de 11 de Novembro, foi assinado um armistício numa carruagem de comboio em Campiègne. Às onze horas, de 11 de Novembro de 1918 - "às 11 horas, do dia 11 do mês 11" - entrou em vigor um cessar fogo. Durante as seis horas entre a assinatura do armistício e este entrar em vigor os exércitos inimigos começaram a retirar-se das suas posições, mas os combates continuaram em muitas áreas, pois muito comandantes queriam recuperar território antes que a guerra terminasse.
Em Novembro de 1918, os Aliados tinham homens e materiais em quantidade ampla para invadirem a Alemanha, no entanto à altura do armistício, nenhuma força Aliada atravessou a fronteira alemã, a Frente Ocidental encontrava-se a 720 km de distância de Berlim, e os exércitos do Kaiser tinham-se retirado do campo de batalha de forma ordeira. Estes factores permitiram que Hindenburg e outros líderes séniores alemães espalhassem a história que não era bem verdade que o exército alemão havia sido derrotado. Isto resultou na lenda de traição, que atribuiu a derrota alemã não à sua incapacidade de continuar a lutar, mas ao fracasso público em responder ao "chamamento patriótico" e à suposta sabotagem intencional ao esforço de guerra, particularmente por Judeus, Socialistas e Bolcheviques.

Primeira Guerra Mundial - O Conflito

A guerra, enquanto tribunal que decide o que é certo e o que é errado numa contenda, é um processo brutal, incerto e oneroso [...] e cujo custo é exorbitante. A morte de dez milhões de pessoas e a mutilação de vinte milhões de outras [...] são um preço terrível a pagar para determinar quem foram os autores  do assassínio de dois indivíduos e que pena lhe deve ser aplicada.

David Lloyd George, Memórias de Guerra



Impasse
Nenhum dos campos imaginava que o conflito duraria mais do que seis meses. Ambas as partes estavam mal preparadas para uma guerra prolongada e brutal. A Alemanha contava vencer de forma rápida a Bélgica e a França cercando as tropas francesas antes de concentrar as suas forças na frente leste, para então enfrentar o exército russo, cuja mobilização deveria ser mais lenta. Mas a decisão de manter as tropas de reserva nas regiões da Alsácia-Lorena e do Sarre limitou os efectivos alemães. Os alemães, fragilizados foram detidos no rio Marne pelas forças anglo-francesas entre 5 e 8 de Setembro. A partir de Novembro, as duas partes entrincheiraram-se ao longo de uma linha com mais de 650 km, desde a Mancha até à Suiça. Atrás do arame farpado, eriçado de metralhadoras e peças de artilharia, os dois campos entregaram-se a quase quatro anos de uma impiedosa guerra de desgaste.

A frente oriental
No Leste, a frente teve de início mais mobilidade. Os russos repeliram os alemães e austro-húngaros em Gumbinem e Lemberg. No final de Agosto, os alemães bateram os russos  em Tannenberg e nos lagos da Masúria. Mas a Alemanha, obrigada a lutar em duas frentes, não tinha recursos suficientes para explorar as suas vitórias no Leste. O mesmo aconteceu com as outras potências Centrais, que não conseguiram avanços decisivos. Quando a Itália abriu uma nova frente contra as potências do Centro, em 1915, as tropas austro-húngaras chegaram ao limite das suas forças, obrigando os alemães a interferirem e esmagando, em 1917, os italianos em Caporetto. A conquista da Roménia e da Sérvia pelas forças austríacas e alemãs, em 1916, com a ajuda da Bulgária, foi contrabalançada pela ofensiva russa de Brussilov, em Junho, que limitou o risco de novas perdas territoriais russas. O elemento decisivo para as potências centrais na frente leste foi a queda do regime czarista, em Fevereiro de 1917, que precipitou a retirada russa da guerra: em Março de 1918, o Tratado Brest-Litovsk pôs fim à guerra contra a Rússia e permitiu à Alemanha concentrar as suas forças na frente oeste.

Vitória na frente ocidental
A entrada dos EUA na guerra faz pender a balança a favor dos Aliados. Os americanos emprestam cerca de 10 biliões de dólares, além de enviarem ajuda material e víveres. Em Março de 1918 o general alemão Ludendorff desencadeia uma última ofensiva. As forças alemãs rompem a frente aliada e marcham em direcção a Paris até serem detidas, esgotadas e quase sem munições. Os Aliados repelem os alemães e os austríacos em França e na Itália. Em Setembro, Ludendorff pede o Armistício. Quando este é concedido, a 11 de Novembro, a Áustria, a Turquia e a Bulgária já tinham sido vencidas. A derrota alemã e a Revolução russa transformaram a paisagem europeia e abriram o caminho a violentos conflitos sociais.


Início de hostilidades

Confusão entre os Poderes Centrais
A estratégia dos Poderes Centrais sofreu devido a má comunicação. A Alemanha tinha prometido apoiar a invasão da Áustria-Hungria da Sérvia, mas houve várias interpretações do que isto significava. Os planos de implementação que haviam sido anteriormente testados foram substituídos no início de 1914, mas estes nunca haviam sido testados em exercícios. Os líderes austro-húngaros acreditavam que a Alemanha iria cobrir o flanco norte contra a Rússia. A Alemanha, por sua vez, estava convencida que a Áustria-Hungria iria direcionar a maior parte das suas tropas contra a Rússia, enquanto que a Alemanha lidava com a França. Esta confusão forçou a Áustria-Hungria a dividir as suas forças entre as frentes russas e sérvias.
A 9 de Setembro de 1914, o Chanceler Alemão Theobald von Bethmann-Hollweg esboçou o  Septemberprogramm, um plano detalhado que especificava os objectivos de guerra da Alemanha e as condições que a Alemanha procurava impôr aos Poderes Aliados. Nunca foi adoptado de forma oficial.

Primeira Guerra Mundial - O Início

A Primeira das Duas Grandes Guerras - Fim de uma época, início de outra.




"Quais são as razões que explicam as atuais rivalidades em matéria de armamento na Europa? Elas baseiam-se na hipótese [...] segundo a qual uma nação que quer encontrar escoamento para a sua população em crescimento e para a sua indústria em pleno desenvolvimento acaba necessariamente por recorrer à expansão territorial e ao uso da força política [...] Como as nações são unidades em concorrência [...] caberá às que forem militarmente mais fortes, com sacrifício das mais fracas".

Normal Angell, A Grande Ilusão, 1909

A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra mundial centrada na Europa com início a 28 de Julho de 1914 e fim a 11 de Novembro de 1918. Desde a época da I GM até ao início da Segunda Guerra Mundial, foi apenas designada como Guerra Mundial ou Grande Guerra. Na América foi inicialmente designada de Guerra Europeia.
Morreram mais de 9 milhões de combatentes, um número causado pela nova tecnologia bélica, sofisticação industrial e novas tácticas.
Foi o 5º conflito mais mortal da História, abrindo o caminho para grandes mudanças políticas, incluindo revoluções, em muitas das nações envolvidas.
A guerra arrastou todas as maiores potências económicas mundiais da altura, que ficaram divididas em duas alianças opostas: os Aliados (com base na Triple Entente do Reino Unido, França e Império Russo) e os Poderes Centrais da Alemanha e Austro Hungria. Embora a Itália também tenha sido um membro da Triple Alliance juntamente com a Alemanha e Austro-Hungria, não se juntou aos Poderes Centrais, pois a Austro-Hungria tinha tomado medidas contrárias aos temos da Alliance. Ambas as alianças sofreram reorganizações e expansões à medida que o número de nações envolvidas na guerra aumentava: Itália, Japão e os Estados Unidos juntaram-se aos Aliados; o Império Otomano e Bulgária aos Poderes Centrais.
Ao todo foram mobilizadas mais de 70 milhões de militares, incluindo 60 milhões de europeus, para aquela que seria uma das maiores guerras da História da Humanidade.

16/12/2015

Japão na China


Sabe-se que o Japão sempre teve interesses no território chinês, e muito se fala da invasão deste de Xangai e Nanquim, com o desastre que foi (ver o 
Massacre de Nanquim), no entanto o que pouco se sabe é que estes não tinham intenção de invadir este território, pelo menos na altura, e não da forma efectuada. Pouco se conhece do papel e interesse, que os próprios chineses, das forças maoístas, tinham nesta invasão, pelo próprio interesse de invadirem o território chinês e de usarem as forças japonesas como um meio contra as forças nacionalistas de Chiang Kai-shek e do papel dos russos, que desejavam orientar a atenção dos japoneses para longe das suas fronteiras, e que para tal usava as forças de Mao (e este por sua vez usava Estaline para os seus próprios interesses). Também muito pouco conhecido são as "toupeiras adormecidas" que em momentos chaves "acordavam" e seguiam os interesses de Mao Tsé-Tung. Nem os nacionalistas queriam uma guerra aberta de grandes dimensões contra os japoneses.

Para tal, leiamos o que diz Chang Chung, autora de Cisnes Selvagens, no capítulo 19 de A História Desconhecida de Mao:
«A 7 de julho de 1937, deflagraram combates entre as tropas chinesas e japonesas num local, mesmo à saída de Pequim, chamado a Ponte Marco Polo. No final do mês, os japoneses tinham ocupado as duas principais cidades no Norte da China, Pequim e Tianjin. Chiang não declarou guerra. Não queria uma guerra em grande escala - não ainda, de qualquer forma. E os japoneses também não.
Neste ponto o Japão não tinha o objectivo de alargar os combates para além do Norte da China. Contudo, numa questão de semanas, a guerra aberta tinha deflagrado a mil quilómetros para sul, em Xangai, um local onde nem Chiang nem o Japão desejavam, ou planeavam ter uma guerra. O Japão tinha apenas cerca de 3.000 fuzileiros navais estacionados perto de Xangai, conforme o acordo de tréguas de 1932. O plano de Tóquio até meados de Agosto continuava a ser: "Exército para o norte da China apenas". Acrescentava especificamente: "Não há qualquer necessidade de enviar o Exército para Xangai."

O bem informado correspondente do New York Times, H.Abend, escreveu depois:
Foi um lugar-comum... declarar que os japoneses atacaram Xangai. Nada estava mais longe das suas intenções ou da verdade. Os japoneses não queriam e não esperavam hostilidades no vale Yangtze. Eles... tinham aí uma força tão pequena mesmo já a 13 de Agosto... que foram quase empurrados para o rio nos dias 18 e 19.

Massacre de Nanquim

O Massacre de Nanquim, também conhecido como a Violação de Nanquim, foi um episódio de homicídio em massa e violação em massa cometido pelas tropas japonesas contra Nanquim durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa em 1937. O massacre durante um período de seis semanas, com começo a 13 de Dezembro de 1937, o dia em que os Japoneses capturaram Nanquim, que era na altura a capital chinesa. Durante este período, dezenas de milhar, se não mais, civis chineses e combatentes desarmados foram mortos pelos soldados do Exército do Império Japonês. Também ocorreram saques e violações de uma forma generalizada. O número de mortos ainda é tema de discussão entre os estudiosos, que estimam um valor entre 40.000 e 200.000. No entanto, a posição do governo Chinês, e de uma minoria de historiadores, é de que foram mortos cerca de 300.000 ou mais, enquanto que no Japão, alguns ultranacionalistas negam o massacre por completo. Vários dos autores principais pelas atrocidades, na altura consideradas como crimes de guerra, foram mais tarde julgados e considerados culpados no Tribunal de Crimes de Guerra de Nanquim, e foram executados. Outro autor principal, o Príncipe Asaka, um dos membros da Família Imperial, escapou à execução por lhe ter sido aplicado anteriormente imunidade pelos Aliados.
O evento continua a ser um assunto político controverso, pelo facto de vários aspectos terem sido contestados por alguns revisionistas históricos e nacionalistas japoneses, que defendem que o massacre foi exagerado ou completamente fabricado com propósitos propagandistas. Como resultado dos esforços nacionalistas para negar ou racionalizar os crimes de guerra, a controvérsia à volta do massacre continua a ser um obstáculo nas relações Sino-Japonesas, assim como com as relações japonesas com outras nações da Ásia-Pacífico como a Coreia do Sul e Filipinas.
Não foi possível obter-se uma estimativa precisa dos números de mortos pois os registos militares japoneses das mortes foram destruídas propositadamente, ou tornadas secretas após a rendição do Japão em 1945. O Tribunal Militar Internacional do Extremo Oriente estima à volta de 200.000 baixas no incidente. Por outro lado, John Rabe, Presidente do Comité Internacional e da Zona de Segurança de Nanquim, estima que foram mortas entre 50.000 e 60.000 pessoas.
Embora o governo japonês tenha admitido as mortes de um grande número de não combatentes, de saques e outras violências perpetradas pelo Exército Imperial Japonês após a queda de Nanquim, uma pequena mas sonora minoria têm defendido que o número de mortos era por natureza militar e que tais crimes de guerra nunca aconteceram. A negação do massacre (ou divergência no número de mortos) tem-se tornado um selo no nacionalismo japonês. A opinião pública do massacre no Japão varia, e são poucos os que negam o massacre de forma aberta.

O plano secreto japonês


 Algo de muito interessante, ao ler este documento, é o facto de ter sido escrito antes da 2ª Grande Guerra ter terminado, e assim podemos comparar os escritos do jornalista com os resultados finais.

O Plano Secreto Japonês Para a Conquista do Mundo.pdf 


O Memorando de Tanaka é um plano estratégico, alegadamente japonês, de 1927, que supostamente o Barão e Primeiro Ministro Tanaka Giichi terá dado ao Imperador Hiroshito, com vista da conquista  do Mundo.
Hoje, os investigadores, na sua generalidade, consideram o documento uma falsificação.

Antecedentes
O Memorando de Tanaka foi conhecido pela primeira vez aquando da sua publicação em 1929, pela edição chinesa de "Reportagem", de Nanking, uma publicação Nacionalista Chinesa (também foi reproduzido a 24 de Setembro de 1931, pp. 923-34, pela "Critica da China", uma publicação inglesa de Sangai).
«Para se tomar o mundo, é preciso tomar a China.»
«Para se tomar a China, é preciso tomar a Manchúria e a Mongólia.»
«Se nós conseguirmos conquistar a China, o resto dos países asiáticos e os países do Mar do Sul, irão temer-nos e render-se a nós.»
«Então o Mundo compreenderá que a Ásia do Leste é nossa»
A tradução inglesa deste documento entrou em circulação antes de Fevereiro de 1934 e foi capa da 1ª edição de «A Pura Verdade», revista publicada por Herbert W. Armstrong, em Fevereiro desse ano, apesar de já ter aparecido anteriormente, em 1931, na revista «Comunista Internacional», revista com menor circulação.
O Plano Tanaka foi aprofundado extensivamente pelos EUA, como uma contrapartida japonesa ao Mein Kampf de Adolf Hitler.

A série de filmes, premiada pela Academia, de Frank Capra «Porque nós lutamos», a prestação de »Batalha da China» e o «Prelúdio para a Guerra», sequenciam em quatro etapas o objetivo de conquista do Japão: Conquista da Manchúria.
  1. Conquista da China.
  2. Estabelecimento de bases no Pacífico.
  3. Conquista dos EUA.

Apesar de a sua autenticidade não ser aceite pelos investigadores da atualidade, o Memorando de Tanaka foi fortemente aceite como autêntico nas décadas de 1930 e 1940, devido ao fato de as ações japonesas da altura corresponderem de forma tão fiel a estes planos.
O Incidente de Mukden, em 1931; a Segunda Guerra Sino-Japonesa de 1937; e o ataque de 1941 a Pearl Harbor, assim como a consequente Guerra do pacífico, pareciam confirmar estas suspeitas.
Alguns peritos de História, como Edwin P. Hoyt, disseram que «... o Memorando de Tanaka era real. Era uma cópia demasiado boa do plano do que o Primeiro Ministro Tanaka havia declarado e do que os supernacionalistas tinham vindo a declarar durante meses, para ser de outra forma.» Outros, como Meirion Harries declararam que o Memorando de Tanaka «... foi um dos "truques sujos" mais bem sucedidos do século XX - um documento falso concebido de forma tão brilhante que trinta anos depois, os ocidentais ainda caiam nele.» Da mesma forma, o historiador W.G. Beasley declarou que «... a natureza deste documento, publicado tanto em inglês quanto em chinês, não leva à convicção da sua autenticidade.» Segundo o Dr. Haruo Tohmatsu, Professor de Diplomacia e História das Relações Internacionais na Academia Nacional do Japão, «O Memorando de Tanaka nunca existiu, mas a Conferência de Darien desse ano adoptou resoluções que reflectem essas ideias.»

15/12/2015

Sigmund Freud - Ideias


Trabalho Inicial

Freud começou a estudar Medicina na Universidade de Viena em 1873. Levou quase nove anos a completar os estudos devido ao seu interesse pela pesquisa da neurofisiologia, especificamente sobre a investigação da anatomia sexual das enguias e a fisiologia do sistema nervoso (assim como o interesse de Freud em estudar com Franz Brentano). 
Começou a praticar clínica privada por questões monetárias, recebendo o diploma de Medicina em 1881 com a idade de 25 anos.
Entre os principais interesses de Freud na década de 1880 estava a anatomia do cérebro, principalmente do bulbo raquidiano. Participou em debates importantes sobre a afasia com a sua monografia de 1881, Zur Auffassung der Aphasien, na qual Freud criou o termo agnosia e desaconselhou contra uma visão demasiado localizada nas explicações dos deficits neurológicos. Tal como o seu contemporâneo Eugen Bleuler, Freud deu ênfase à função em vez da estrutura cerebral.
Ainda cedo, Freud também trabalhou na investigação da paralisia cerebral. Publicou diversos artigos sobre o assunto e mostrou que a doença existia antes de outros repararem nela e começarem a investigá-la. Freud sugeriu que William Little, o primeiro a reparar na paralisia cerebral, estava errado quanto ao facto de a falta de oxigénio durante o parte ser a causa da doença, sugerindo que as complicações no partos eram apenas um sintoma. Freud tinha a esperança de que a sua pesquisa fornecesse as bases científicas para a sua técnica terapêutica. O objectivo da terapia Freudiana, ou psicanálise, é a de trazer  os pensamentos e emoções reprimidos para o consciente, de forma a libertar o paciente do sofrimento de viver com emoções repetitivas distorcidas. 
Classicamente, o trazer os pensamentos e emoções para o consciente era feito pelo encorajamento do paciente a falar dos seus sonhos e a fazer uma associação livre, na qual os pacientes relatam os seus pensamentos sem reservas sem fazer nenhuma tentativa de se concentrar enquanto o faz. Outro elemento importante da psicanálise é a transferência, o processo pelo qual os pacientes deslocam para os seus analistas emoções e ideiaas que derivam de figuras anteriores da sua vida. A transferência foi inicialmente vista como um fenómeno lamentável que interferia com a recuperação de memórias reprimidas e confundem a objectividade do paciente, mas por volta de 1912, Freud via esta transferência como parte fundamental do processo terapêutico.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...