15/12/2015

Sigmund Freud - A Vida


Sigmund Freud, nascido como Sigismund Schlomo Freud, a 6 de  Maio de 1856, tendo falecido a 23 de Setembro de 1939, foi um neurologista austríaco, que ficou conhecido como o fundador da psicanálise. 
Freud formou-se como médico na Universidade de Viena em 1881, continuando então a fazer pesquisa sobre paralisia cerebral, afasia e neuroatonomia microscópica no Hospital Geral de Viena.
Foi nomeado docente universitário em neuropatologia no ano de 1885 e tornou-se Professor em 1902.
Ao criar a psicanálise, um método clínico para tratamento de psicopatologias através do diálogo entre o paciente e o psicanalista, Freud desenvolveu técnicas terapêuticas como o uso de associação livre (na qual os pacientes relatam os seus pensamentos sem reservas e na ordem em que eles aparecem, espontaneamente) e descobriu a transferência (o processo no qual os pacientes deslocam para os seus analistas sentimentos derivados dos seus apegos de infância), estabelecendo o seu papel central no processo analítico. A redefinição sexual de Freud para incluir as suas formas infantis levou-o a formular o complexo de Édipo como o principio central da teoria psicanalítica. A análise dos seus sonhos e dos seus pacientes como o desejo de realizações providenciou a Freud modelos de análises clínicas da formação de sintomas assim como dos mecanismos de repressão para a elaboração da sua teoria do inconsciente como um agente perturbador dos estados conscientes da mente.
Freud postulou a existência da libido, uma energia na qual os processos e estruturas mentais são aplicados e que geram apegos eróticos, e uma pulsão de morte, a fonte da repetição, do ódio, da agressão e da culpa neurótica.
Nos seus últimos trabalhos Freud levou a teoria da psicanálise a desenvolver um vasto leque de interpretações e de critica religiosa e cultural.
Os psicanalistas mantêm-se influentes dentro da psicoterapia, dentro de algumas áreas da psiquiatria e ao longo das humanidades. Assim, continua a gerar um debate extensivo e bastante contestado sobre a sua eficácia terapêutica, o seu status científico e se apoia ou se retarda a causa feminista. O trabalho de Freud tem-se, no entanto, impregnado no pensamento contemporâneo e popular, de tal forma que em 1939 W.H. Auden.
Freud nasceu de pais judeus galicianos, na cidade moraviana de Príbr, no Império Austriaco, parte da atual Republica Checa, o primeiro de nove filhos.

Porquê a Guerra?

Albert Einstein & Sigmund Freud

A Correspondência Einstein-Freud (1931-1932)


A correspondência entre Albert Einstein e Sigmund Freud acerca da paz e guerra foi publicada num panfleto com o título "Porquê a Guerra?".

O panfleto "Correspondências" onde se encontravam as cartas de Einstein-Freud foi publicada ao mesmo tempo em três línguas:
  • Alemão, Warum Krieg?, pelo Internationales Institut fur geistige Zusammenarbeit, Volkerbund, Paris
  • Inglês, Why War?, traduzido por Stuart Gilbert, International Institute of Intellectuel Co-operation, League of Nations, Paris
  • Francês, Porquoi la guerre?, traduzido por Blaise Briod, Institut International de Coopération Intellectuelle, Société des Nations, Paris
O panfleto surgiu logo após a subida de Hitler ao poder na  Alemanha, e teve uma circulação muito pequena. Tendo sido logo proibida a sua circulação neste país.
Einstein era conhecido como pacifista, tendo mesmo sido acusado por uma alta patente do Exército dos Estados Unidos de ensinar traição à juventude americana. O físico acreditava que a agressão tinha uma base biológica, como é demonstrado na sua correspondência com o seu amigo Heinrich Zangger de Zurique, em 1915: "O que leva as pessoas a matar e a mutilarem-se tão selvagicamente? Eu penso que é o caracter sexual masculino que leva a explosões selvagens."

14/12/2015

Guerra da Crimeia

Guerra da Crimeia, que teve início a Outubro de 1853 e fim em Fevereiro de 1856, foi um conflito que se deu entre o Império Russo e uma aliança entre o Império Francês, Império Britânico e o Reino de Sardenha. A guerra foi parte uma contestação entre as maiores potências europeias relativamente aos territórios do Império Otomano, que então se encontrava em declínio.
A maior parte do conflito deu-se na Península da Crimeia, tendo havido, no entanto, pequenas campanhas na Anatólia Oriental, no Caucasus, no Mar Báltico, no Oceano Pacífico e no Mar Branco. 
Na Rússia esta guerra é conhecida também como a Guerra do Oriente e os Britânicos também a denominaram da Guerra Russa, na altura.
A Guerra da Crimeia é conhecida pelos erros logísticos e tácticos durante as campanhas terrestres de ambos os lados (os Aliados tiveram bastante sucesso na sua campanha naval ao eliminar a maior parte dos navios da Marinha Russa no Mar Negro). No entanto, a Guerra da Crimeia é muitas vezes considerada uma das primeiras guerras modernas, pois foram «introduzidas mudanças técnicas que afetaram o futuro do curso das guerras», incluindo a primeira vez que foram usados os caminhos de ferro e o telégrafo.
É igualmente famoso o trabalho de Florence Nightingale e Mary Seacole, a qual foi pioneira na enfermagem moderna enquanto cuidava dos feridos no Império Britânico.
A Guerra da Crimeia foi uma das primeiras guerras a ser documentadas extensivamente devido ao uso de relatórios e fotografias (de destacar os trabalhos do jornalista William Russel do The Times, e do fotógrafo Roger Fenton). Chegaram notícias a todos os países envolvidos em conflito através dos correspondentes de guerra e mantiveram os cidadãos desses países muito melhor informados e actualizados acerca dos eventos do que em qualquer outra guerra. No entanto, em mais lado nenhum o público esteve melhor informado do que na Grâ-Bretanha acerca das realidades da guerra na Crimeia. Consequentemente, a opinião pública desempenhou um papel importante neste conflito, mais do que em qualquer outro anterior.  Para além disso, o uso dos navios a vapor e do telegrafo fez com que as notícias desde a zona de guerra na Crimeia chegavam à Europa Ocidental e a Londres em cinco dias. Após a França ter estendido o telégrafo de Bucareste para Varna, na costa do Mar Negro, durante o Inverno de 1854, as notícias passaram a chegar a Londres em dois dias. Após o que, a Abril de 1855, os Britânicos colocaram um cabo subaquático desde Varna, através do Mar negro, até ao seu porto de fornecimento no sul da costa da península Crimeia, as notícias passaram a chegar a Londres em poucas horas. As notícias quase instantâneas criaram um patriotismo entre a classe média de Inglaterra que fez com que a colisão governamental  Aberdeen fosse abaixo e Lord Palmerston se tornasse Primeiro Ministro.

(site de interesse - Fotos da Guerra da Criméia )


As tensões antes da batalha: A Questão do Oriente

O conflito acerca da autoridade no Mediterrâneo Oriental

A Rússia, como membro da Sacra Aliança, tinha operado como a "Polícia da Europa", mantendo o balanço de poder que havia sido estabelecido com o Tratado de Viena em 1815. A Rússia deu assistência à Áustria nos esforços desta de suprimir a Revolução Húngara de 1848, e esperava que a Europa permitisse que fosse a Rússia a tratar dos problemas com o Império Otomano - «o homem doente da Europa«. Denomino-se a discussão acerca do futuro do Império Otomano como «A Questão do oriente», um termo que continuaria em uso como referência ao Império Otomano até ao início do século XX.

Florence Nightingale

Juramento (atual) de enfermagem
«Solenemente, na presença de Deus e desta assembleia juro:
dedicar minha vida profissional a serviço da humanidade, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana; exercer a Enfermagem com consciência e fidelidade; guardar os segredos que me forem confiados, respeitando o ser humano desde a sua concepção até depois da morte; não praticar atos que coloquem em risco a integridade física ou psíquica do ser humano; atuar junto à equipe de saúde para o alcance da melhoria do nível de vida da população; manter elevados os ideais de minha profissão, obedecendo aos preceitos da ética, da legalidade e da moral, honrando seu prestígio e suas tradições.»




 "A britânica Florence Nightingale (1820-1910) foi, entre 1854 e 1856, durante a Guerra da Crimeia, a responsável pela enfermagem em hospitais militares otomanos. Foram-lhe dadas condições deploráveis, mas desenvolveu um trabalho simplesmente notável. Foi, para os soldados, a mulher da candeia.
Nightingale acreditou ter ouvido a voz de Deus, a 7 de Fevereiro de 1837, informando-a de que tinha uma missão para cumprir. Apenas nove anos mais tarde percebeu qual era a tarefa: prestar ajuda humanitária.
Depois de ter sido impedida de estudar enfermagem numaunidade hospitalar, simplesmente por ser mulher, conseguiu, em 1850, entrar para uma instituição protestante diaconisa, em Kaiserswerth, na Alemanha, onde aprendeu a tratar doentes.
Em 1954, os relatos da Guerra da Crimeia apontavam para um elevado número de soldados britânicos feridos e sensibilizaram Nightingale, que, imediatamente, se voluntariou para, na companhia de mais três enfermeiras, rumar a Constatinopla.

11/12/2015

Budismo


O budismo é uma religião  e filosofia não teísta (não inclui a ideia de uma deidade), que abrange uma variedade de tradições, crenças e práticas baseadas nos ensinamentos de Sidarta Gautama, mais conhecido como Buda "O Iluminado". De acordo com a tradição budista, Gautama viveu e ensinou na parte leste do subcontinente indiano, entre os séculos VI e IV a.C.
Sidarta Gautama é reconhecido pelos seus seguidores como tendo sido um mestre iluminado que compartilhou o seu conhecimento aos seres sencientes de forma a que estes pudessem alcançar o fim do sofrimento (ou Dukkha), alcançando, assim, o Nirvana e escapando daquilo que é visto como um ciclo de sofrimento do renascimento.
Dois  ramos principais do são o Maaiana e o Teravada. O ramo Teravada (literalmente "Ensino dos Sábios") é mais tradicional e encontra-se mais próximo do budismo inicial, tendo-se espalhado principalmente pelas regiões do sudoeste asiático, em países como o Sri Lanka, a Tailândia, o Laos e o Cambodja. Enquanto que o budismo Maaiana (Grande Veículo), sofreu uma maior influência das crenças locais das tradições onde se espalhou, e engloba escolas como o Zen, amidismo e o budismo tibetano. Este ramo influenciou principalmente regiões como o Japão, China e Tibete.
Diversas fontes colocam o número de budistas a nível mundial entre os 230 e os 500 milhões de seguidores, tornando-a assim a quinta maior religião do mundo (por ordem, em primeiro o cristianismo, seguida do Islão, sem religião, hinduísmo e budismo).
As escolas budistas variam sobre a natureza exata do caminho da libertação, a importância e a canonicidade de vários ensinamentos e, principalmente, das práticas. No entanto, as bases das diversas tradições e práticas são as Três Jóias: o Buda (como o seu mestre), o Dharma (ensinamentos baseados nas leis do universo) e a Sangha (a comunidade budista).
Encontrar refúgio espiritual nas três Jóias, ou Três Tesouros, é, em geral, o que distingue um budista de um não budista.
Outras práticas podem incluir a renúncia convencional da vida secular para se tornar um monge ou monja.

Manuscritos do Mar Morto


Os manuscritos do Mar Morto são vários conjuntos de escritos religiosos encontrados em diversos locais, sendo que os mais conhecidos são Os Manuscritos das Cavernas de Qumranb (981 textos), que foram encontrados em onze cavernas, entre 1946 e 1956, nas vizinhanças de um assentamento em Khirbet Qumran. As cavernas encontram-se localizadas a cerca de dois quilómetros do interior a partir da costa noroeste do Mar Morto.
Também foram descobertos outros manuscritos, escondidos por refugiados fugidos da guerra, constituídos principalmente por documentos e cartas em papiros, noutras cavernas.
Embora alguns destes manuscritos tenham sobrevivido relativamente intactos, a maior parte dos documentos é constituída por pequenos fragmentos em papiro ou pergaminho. 
Existe um consenso de que os Manuscritos das Cavernas de Qumran datem entre os três últimos séculos a.C e o primeiro século d.C. As moedas de bronze encontradas nos mesmos locais formam uma série que começa com João Hircano (135-104 a.C) e continuam até à Primeira Guerra Judaico-Romana (66-73 d.C), apoiando a datação radiocarbono e paleográfica dos pergaminhos.
Já os outros pergaminhos encontrados em vários locais do deserto da Judeia chegam até ao século VIII a.C até aos século XI d.C.
Os textos são de grande importância histórica, religiosa e linguística pois incluem o terceiro manuscrito mais antigo de que se tem conhecimento, de trabalhos que mais tarde viriam a ser incluídos no Cânone da Bíblia Hebraica, juntamente com manuscritos deuterocanónicos e outros manuscritos não incluídos na Bíblia e que preservam provas da diversidade do pensamento religioso durante a época do Segundo Templo Judeu. Existem apenas dois manuscritos de prata que contêm textos bíblicos e que são mais antigos que os Manuscritos do Mar Morto - os manuscritos de prata foram escavados em Jerusalém em Ketef Hinnom e datam de cerca de 600 a.C. Uma peça queimada do Levítico data do século V a.C foi analisado recentemente e quanto se sabe é a quarta peça mais antiga da Tora a existir.

Magia Enoquiana

A magia enoquiana tem como base o misticismo e a teologia do Livro de Enoque. Este livro foi escrito por volta do século II a.C., não tendo sido incluído no Cânone (Lei ou Antigo Testamento). O Livro mais próximo ao de Enoque é o Génesis, o qual foi escolhido para fazer parte das Escrituras Sagradas, como a fonte que relata tanto a Criação, como o início da Humanidade. Já o Livro de Enoque, que se baseia sobre o mesmo tema, tornou-se apócrifo.
Alguns teólogos e historiadores defendem que o motivo principal para a exclusão do Livro do Cânone, deveu-se ao seu conteúdo místico e teológico. 
Enquanto que o Livro do Génesis divulga a versão mais ortodoxa do judaísmo, na qual o Homem é um ser pecador, frágil, um ser mortal caído nas malhas das tentações, das transgressões e dos consequentes castigos divinos, no Livro de Enoque, o Homem é visto como um ser cósmico, parte de uma grande criação celestial, um ser detentor de uma forte essência espiritual que, se bem orientada, pode levar o Homem à imortalidade e a um estado divino. Segundo o Livro de Enoque, é no próprio Homem que reside a fonte da salvação, e este tem plena capacidade de ascender à esfera divina.
Neste Livro, entre outras histórias, conta-se o relato da Criação pelas próprias palavras de Deus, assim como a história do sumo-sacerdote Melquisec que ascendeu aos céus na altura do dilúvio, devido ao elevado estado espiritual que havia atingido.
A ideia defendida no Livro de Enoque de que Deus é Nada, é partilhada pelos gnósticos e cabalístas. No entanto, há que ter em atenção que este Nada, é referente ao mundo material em que existe o Homem, isto é, Deus não se pode ver, medir, pesar, assim como não pode ser localizado em parte alguma. Deus, escapa assim à compreensão, estando para além das fronteiras do «espaço-tempo», sendo por isso um Nada Eterno (está para além das fronteiras da matéria, do espaço e do tempo).

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...