O Homem

No século XVIII atribuía-se à Terra e aos seres vivos que a habitavam - incluindo o homem - cerca de quatro mil anos de antiguidade. Pensava-se que os seres vivos, tanto plantas quanto animais, tinham tido sempre a mesma forma. Esta era uma visão fixista da Natureza. Em 1758, o naturalista sueco Carl Linné tentou classificar todos os seres naturais no seu Systema Naturae. Num rompimento com todas as tradições, Linné situou o homem na ordem dos Primatas, juntamente com os símios, os morcegos e o esquilo-voador, o que não implicava uma relação filogenética, apenas uma semelhança morfológica. Atualmente tem-se uma visão evolucionista da natureza (ver Evolução) e não fixista. A semelhança morfológica significa que existiram antepassados diferentes das formas atuais, mas com antepassados comuns entre si. Destes antepassados comuns, os Primatas conservam algumas caracteristicas semelhantes entre si. Os caracteres que os diferenciam entre si, foram o resultado da evolução, que os diversificou em diversas espécies. Muitas espécies extinguiram-se, não chegando à atualidade, enquanto que algumas, como os símios e o homem atuais, sobreviveram.
Os paleontólogos, que estudam os testemunhos fósseis, procuram estabelecer onde, como e quando se deu a diferenciação evolutiva, que conduziu à espécie humana - a linha dos Hominídeos - da linha evolutiva dos Pongídeos.
As formas humanas mais antigas, correspondem ao início da Era Quaternária, logo, os seus antepassados pertencem ao Terciário. O estudo dos fósseis da Era Terciária mostra que há cerca de quarenta milhões de anos, no Oligogeno, já se tinham diferenciado entre os Primatas e os diversos tipos de antromorfos. Supõe-se que a linha evolutiva dos Hominídeos se tenha iniciado naquela época. 
No processo evolutivo de diferenciação da linha hominídeos, os paleoantropólogos supõem que se terão dado certas modificações anatómicas numa dada ordem. O processo evolutivo poder-se-á esquematizar da seguinte forma:
  • redução do esplancnocrânio e do aparelho de mastigação;
  • aquisição do bipedismo e libertação das mãos de atividades locomotoras;
  • aperfeiçoamento do encéfalo pelo aumento do seu volume e da sua complexidade.
Embora não seja fácil estabelecer uma fronteira entre os diversos processos, admite-se um limiar para a hominização, a que o investigador francês Vallois denominou de "Rubicão cerebral". 
Geralmente é considerada válida a capacidade craniana, mas surge desacordo entre os diversos investigadores quando se tenta estabelecer uma capacidade craniana como "humana". Alguns autores são de opinião que os hominídeos de capacidade craniana igual ou superior a 750 cm3 ficariam dentro do género Homo, mas há antropólogos que não concordam, pois o cérebro humano diferenciou-se não apenas no volume, mas também na complexidade. 
No entanto, há que ter em conta, que esta ligação do aumento da massa cerebral com o aumento da inteligência, está diretamente relacionado com a massa corporal, " ...talvez seja mais interessante para medir a inteligência calcular a relação entre a massa cerebral e a massa total do organismo, em vez de tomar como o valor absoluto da massa cerebral." - Carl Sagan.
Mas não há dúvida de que as medidas do volume interior do crânio, raras e frequentemente imprecisas, tanto quanto os fósseis o permitem, pouco esclarecem sobre a sua evolução e não permitem a especulação sobre a intelectualidade dos mesmos.
Para que uma determinada espécie possa ser incluída no grupo de Hominídeos, o seu aparelho de mastigação deve apresentar determinadas características: a arcada dentária dos hominídeos nunca tem a forma de "U", mas antes parabólica. Os dentes encontram-se em fila compacta sem separações naturais, os caninos não baixam o plano de oclusão, o primeiro molar inferior tem duas cúspides e o terceiro molar é menor que os outros dois.
No aparelho locomotor, a pélvis e os membros inferiores devem estar adaptados ao bipedismo.
O homem moderno, homo sapiens, é a única espécie existente  da clade hominídeo (ou clade humana), um ramo dos Grandes Primatas. 
Os primeiros hominídeos, principalmente os australopitecos, cujos cérebro e anatomia são, em muitos aspetos, mais semelhantes aos grandes primatas não humanos, são, com uma menor frequência, designados de "humanos" do que de hominídeos do género Homo. Algumas destas espécies posteriores usaram o fogo, ocuparam grande parte da Eurásia e deram origem ao anatomicamente moderno Homo Sapiens, em África, há cerca de 200.000 anos. Este ramo começou a apresentar sinais de comportamento moderno há cerca de 50.000 anos e migraram em diversas ondas sucessivas, até ocuparem a maior parte do território terrestre, com exceção dos locais mais pequenos, mais secos e frios (no entanto, a ocupação chegou mesmo, sob a forma de pequenas bases, à Antártida).
Os humanos estão adaptados de forma única à utilização de sistemas de comunicações simbólicas (como a linguagem e a arte) para a auto expressão e troca de ideias, e para se organizarem em grupos propositais.
A espécie humana é rica na criação de estruturas sociais complexas compostas por muitos grupos de cooperação e competências específicas, desde famílias e redes de parentesco até Estados políticos. As interações sociais entre os seres humanos estabeleceram uma variedade extrema de valores, normas sociais e rituais, que em conjunto formam as bases da sociedade humana. A curiosidade e o desejo humano de compreender e influenciar o ambiente e de explicar e manipular os fenómenos, providenciou as bases para o desenvolvimento da ciência, filosofia, mitologia, religião, antropologia e muitos outros campos do conhecimento.
Os humanos começaram a praticar a agricultura há cerca de 12.000 anos, domesticando plantas e animais, permitindo, assim, o crescimento da própria civilização. Os desenvolvimentos na ciência e medicina nos séculos XIX e XX levaram a um forte avanço na tecnologia e saúde, fazendo com que a população mundial sofresse um crescimento exponencial, que no ano de 2014 se estimava em cerca de 7,2 mil milhões de habitantes.

Etimologia

Os significados de "hominídeo" e "homini" têm mudado nas últimas décadas com os avanços nas descobertas e estudos dos fósseis dos antepassados dos humanos modernos. A fronteira anterior, clara e definida, entre humanos e outras espécies de primatas desvaneceu-se, fazendo com que atualmente se reconheça os hominídeos como um grupo que abrange diversas espécies, e a separação do homem do seu parente mais próximo, o chimpanzé, como os únicos homini. Ainda existe também uma distinção entre os seres humanos anatomicamente modernos e o homo sapiens arcaico, os membros mais antigos da espécie. 
A espécie binominal Homo sapiens foi ciunhada por Carl von Linné, no século XVIII, no Systema Naturae. O nome genérico Homo é uma derivação do século XVIII do latim homo "homem". O nome da espécie, sapiens, quer dizer "sábio". Note-se que a palavra latim, homo, é para ambos os sexos, e sapiens é singular.

Homini é uma tribo de primatas hominóideos que faz parte da família Hominidae. Inclui os chimpazés (género Pan) e os humanos (género Homo, sub-tribo Hominina) e os seus antepassados extintos.

Por comparação do ADN, os cientistas concluíram que os géneros Pan Homo tiveram um ancestral comum que terá vivido entre 7 a 5 milhões de anos atrás.

Espécies do género Homo

  • Homo sapiens - Espécie do homem moderno, surgiu na África há mais de 300 mil anos e começou a expandir-se para a Europa, Médio Oriente e Ásia há aproximadamente 60 mil anos. Alcançaram a Austrália há 40 mil anos e as Américas há 14 mil.
  • Homo neanderthalensis - Surgiu na Ásia há mais de 300 mil anos, espalhou-se depois para o norte e oeste da Europa. Coexistiu com o Homo Sapiens e extinguiu-se há cerca de 30 mil anos.
  • Homo rhodensiensis - Viveu na África entre 600.000 a 125.000 anos atrás.
  • Homo erectus - Espécie que deixou a África há cerca de 1,7 milhões de anos. Atravessou a Europa e a Ásia e atingiu a Indonésia. Desapareceu há 300.000 anos.
  • Homo heidelbergensis - Surgiu há mais de 500.000 anos na Europa e desapareceu há 250.000 anos.
  • Homo habilis - Surgiu há mais de 2 milhões de anos na África sub-saariana, tendo-se extinguido há menos de 1,5 milhões de anos.


História - Homo Sapiens

Evolução e Alcance

Usando a técnica de relógio molecular, que estima o tempo necessário para que se acumulem o número de mutações diferentes entre duas linhagens, pode ser calculada uma data aproximada para a separação entre as linhagens. Os gibões (Hylobatidae) e os oragotangos (géneo Pongo) foram os primeiros a separarem-se da linha que leva até aos humanos, depois os gorilas (género Gorilla) e finalmente os chimpanzés (género Pan).
Desta forma, os parentes vivos mais próximos dos seres humanos são os chimpazés e os gorilas. O sequenciamento dos genomas humano e do chimpanzé. Os humanos partilham cerca de 99% do ADN com os chimpazés comuns (Pan troglodytes) e 98,7% com os bonobos (Pan paniscus) - mais no artigo da Science Magazine.
Falando em hibridação (ver caixa ao lado), nos casos do homem e dos grandes macacos não existem testes científicos que provem a possibilidade, ou a impossibilidade, de obter híbridos de primeira geração. Pelo contrário, os cromossomas dessas espécies são suficientemente bem conhecidos para se poder afirmar que esses híbridos, se existissem, seriam muito certamente estéreis. De facto, os cromossomas do homem e dos chimpanzés, gorilas e orangotangos diferem não só pelos seus números (2n=46 nos primeiros, 2n=48 nos segundos), mas também pela sua estrutura. Se se considerar o caso do homem e do chimpanzé, ainda que constituídas por elementos praticamente idênticos, os seus pares de cromossomas apresentam um certo número de diferenças de organização. Alguns segmentos, identificáveis pelas bandas que apresentam, estão "ao contrário" numa espécie em relação à posição que ocupam na outra - as "inversões". Este tipo de inversões surgem nos cromossomas n.ºs 2, 5, 12, 15, 17 e 18. O chimpanzé tem igualmente um fragmento central do cromossoma n.º 13, que não existe no homem. Por outro lado, o par n.º 2 do homem é formado por cromossomas dos quais cada braço é o equivalente a um cromossoma inteiro do chimpanzé.

A evolução da espécie humana começou há mais de 5 milhões de anos atrás (ver imagem acima), em África, onde os antepassados do homem terão evoluído durante milhões de anos, em diversos ramos. Algumas espécies conseguiram evoluir e adaptar-se, sobrevivendo durante mais tempo, outras, pelo contrário, terão perecido. No entanto, apenas uma espécie sobreviveu e floresceu. Os especialistas chegaram a diversas hipóteses quanto à "hominização" da espécie humana, não chegando ainda a acordo:
  1. Multirregional - nesta primeira hipótese os Homo Sapiens terão surgido paralelamente em diversos continentes. Assim, os Homo Sapiens seriam descendentes de cada tipo de Homo erectus regional. A ideia que sustenta esta hipótese é a de que parece existir uma continuidade evolutiva específica em certas regiões entre o Homo erectus e os diferentes tipos de humanos atuais.
  2. Eva Mitocondrial - esta hipótese propõe que os homens modernos se desenvolveram a partir de um único tronco de "pré-sapiens" existentes em África há cerca de 200.000 anos e que se terão espalhado pelo Velho Mundo, em que começou a colonizar todos os continentes e grandes ilhas, tendo chegado à Eurásia há 125.000-60.000 anos. Chegaram à Austrália há 40.000 anos, às Américas há 14.000 e às ilhas remotas como o Havai, Ilha da Páscoa, Madagáscar e Nova Zelândia entre 300 e 1280 anos atrás. Esta conclusão tem como base as investigações de "antropologia molecular", com dados provenientes do ADN mitocondrial.
  3. Modelo Reticular - trata-se de um cenário intermédio entre os dois primeiros. De acordo com esta hipótese, os homens modernos terão abandonado África há cerca de 60.000 anos e terão encontrado outros homens que terão partido antes deles e com os quais se terão misturado.

Vestígios fósseis

Existem poucos vestígios para a separação das linhagens do gorila, chimpanzé e hominideos. Os fósseis mais antigos propostos como pertencentes à linhagem dos hominídeos são os Sahelanthropos tchadensis, com uma datação de há 7 milhões de anos, o Orrorin Tugenensis com 5,7 milhões de anos e o Ardipithecus Kadabba com 5,6 milhões de anos. Todas estas espécies foram propostas como sendo o antepassado bipedal dos futuros hominídeos, mas estas reivindicações sofrem de contestação. Também é possível que qualquer uma das três espécies seja o antepassado de outro ramo de símios africanos, ou ser um ancestral comum entre hominidios e outros Hominoidea africanos.
Os primeiros membros do género Homo foram o Homo habilis, que evoluiu à cerca de 2,8 milhões de anos. Esta é a primeira espécie para a qual existem vestígios claros do uso de ferramentas de pedra. Os cérebros destes primeiros Homo tinham aproximadamente as mesmas dimensões que o de um chimpanzé, e a sua adaptação à vida terrestre. Durante os milhões de anos seguintes iniciou-se um processo de encefalização, e com a chegada do Homo erectua no registo fóssil, a capacidade craniana duplicou.
Homo erectus foi a primeira espécie Homo a deixar a África, acabando por se espalhar pela África, Ásia e Europa entre 1,3 e 1,8 milhões de anos.
Uma das populações de Homo erectus, classificada separadamente de Homo ergaster, ficou no continente africano, vindo a desenvolver-se no Homo sapiens. Acredita-se que estas espécies foram as primeiras a usar o fogo e ferramentas complexas. Os primeiros fósseis de transição entre o Homo Ergaster/Erectus e humanos arcaicos foram igualmente encontrados em Dmanasi, Geórgia. Estes descendentes do Homo erectus africano espalharam-se ao longo da Euroásia há cerca de 500.000 anos e evoluiram no Homo antecessor, no Homo heidalbergensis e no Homo neanderthalensis
Os primeiros fósseis dos humanos anatomicamente modernos pertencem ao Paleolitico Médio, com cerca de 200.000 anos, como os restos Omo da Etiópia e os fósseis de Herto, muitas vezes classificados como Homo sapiens idaltu. Posteriormente foram encontrados fósseis do Homo sapiens arcaico, de há cerca de 90.000 anos, em Skhul, Israel, e no sul da Europa.



Adaptações anatómicas

A evolução humana é caracterizada por uma série de alterações morfológicas, de desenvolvimento, fisiológicas e comportamentais que se deram desde a separação do último ancestral comum de humanos e chimpanzés. 
As adaptações mais significativas são:
  • bipedalismo;
  • aumento do tamanho do cérebro;
  • ontogenia prolongada;
  • Dimorfismo sexual diminuído
A relação entre todas estas mudanças continua a ser tema de debate. 
O bipedalismo é a adaptação básica da linha hominídea e é considerado como a causa principal por um conjunto de alterações esqueléticas compartilhadas por todos os hominídeos bípedes.
O primeiro hominio a ser considerado é ou o Sahelanthropos ou o Orrorin, juntamente com o Ardipithecus, que apareceu posteriormente.
A espécie humana desenvolveu um cérebro muito maior do que o dos outros primatas - uma média de 1.330 cc nos seres humanos modernos, mais do dobro do tamanho de um cérebro de um chimpanzé ou um gorila. O padrão de encefalização começou com o Homo habilis que, com cerca de 600 cc tinha um cérebro ligeiramente maior que os chimpanzés, e continuou com o Homo erectus (800-1100 cc), e atingiu um máximo com os Neandertais, com 1200-1900 cc, maior que o do Homo sapiens, mas com menor encefalização. O padrão de crescimento pós-natal do cérebro humano que difere do de outros primatas (heterocronia), e permite longos períodos de aprendizagem social e aquisição linguística nos humanos juvenis. No entanto, as diferenças entre a estrutura dos cérebros humanos e a dos outros primatas pode ser mais importante que as diferenças de tamanho. O aumento do volume ao longo do tempo tem afetado áreas diferentes dentro do cérebro de forma desigual - os lobos temporais, que contêm os centros de processamento da linguagem têm aumentado desproporcionalmente, assim como o córtex pré-frontal, que tem sido relacionado com a tomada de decisões complexas e moderação do comportamento social.
O grau de dimorfismo sexual reduzido é visível principalmente na redução do canino masculino em relação às outras espécies de símios (com exceção dos gibões). Outra mudança fisiológica importante relacionada à sexualidade nos seres humanos foi a evolução do estro escondido. Os humanos são a única espécie de primatas em que a fêmea é fértil durante o ano todo, e em que não existem sinais especiais de fertilidade produzidos pelo corpo (como inchaço genital durante o estro). No entanto, os seres humanos mantêm um certo grau de dimorfismo sexual na distribuição de pêlos no corpo e gordura subcutânea, assim como no tamanho geral, em que os machos são cerca de 25% maiores que as fêmeas.

Ascenção do Homo Sapiens

Aquando do início do Paleolítico Superior (50.000 A.P. - Antes do Presente) já se tinha desenvolvido o comportamento completo, incluído a linguagem, a música e outros universais culturais. Como os humanos modernos se espalharam a partir de África encontraram outros hominídeos como o Homo Neanderthalensis e os Denisovianos. A natureza da interação entre os primeiros humanos e estas espécies irmãs é, há longa data, fonte de controvérsia, em que a questão principal é se o Homo Sapiens substituiu estas espécies locais ou se eram semelhantes o suficiente para se cruzarem. Estudos recentes dos genomas neandertais e denisovianos sugerem um fluxo genético entre estas espécies e o Homo sapiens.
Estima-se que esta dispersão  terá começado há cerca de 70.000 AP a partir do nordeste africano. As evidências atuais sugerem que houve uma apenas dispersão e que terá  envolvido só algumas centenas de indivíduos. A grande maioria dos seres humanos terão ficado em África e ter-se-ão adaptado a uma vasta gama de ambientes.
Os seres humanos, posteriormente, espalharam-se a nível global, substituindo os hominídeos locais (seja por hibridação, seja por competição). O Homo Sapiens habita na Euroásia e Oceania há cerca de 40.000 anos e nas Américas há pelo menos 14.500 anos.

Transição para a civilização

Até há cerca de 10.000 anos atrás os homens viveram como caçadores recoletores. Geralmente viviam em pequenos grupos nómadas conhecidos como sociedades de bandos. A chegada da agricultura levou à Revolução do Neolítico, quando o acesso ao excedente de alimentos levou à formação de assentamentos humanos permanentes, à domesticação de animais e uso de ferramentas de metal pela primeira vez na história. A agricultura incentivou o comércio e a cooperação, e levou à criação de sociedades mais complexas. Devido à importância desta data para a sociedade humana, é considerada a época do calendário Holoceno ou Era Humana.
As sociedades mais complexas, chamadas as primeiras civilizações, surgiram por volta de 3.000 a.C, nos vales dos rios da Mesopotâmia, Índia,  China e Egito. Isto deu-se porque o aumento na produção de alimentos levou a um crescimento significativo da população humana e ascenção das cidades. Os esforços para controlar o fluxo das águas para uso na agricultura, também levou à formação de governos organizados nas novas civilizações humanas.
Os povos do sudoeste da Ásia e do Egito lançaram as bases da civilização ocidental. Desenvolveram cidades e lutaram com os problemas inerentes a Estados organizados à medida que mudavam de comunidades individuais, a unidades maiores e, eventualmente, para impérios. Estas primeiras civilizações inventaram a escrita para manter registos e criaram a literatura, ao mesmo tempo que desenvolviam estruturas militares, sociais e religiosas.
A Grécia Antiga é a origem de muitas ideias e conceitos que são centrais para a cultura ocidental, como a filosofia, a democracia, assim como os primeiros avanços científicos e literários. Religiões influentes, como o Judaísmo, originário da Ásia Ocidental e o Hinduísmo, proveniente da Ásia do Sul, também ganharam destaque por esta altura.
O final da Idade Média assistiu ao aparecimento de ideias e tecnologias revolucionárias. Na China, uma sociedade avançada e urbanizada, promoveu as inovações e ciência, como a impressão e a semeadora. Na Índia deram-se grandes avanços na matemática, filosofia, religião e metalurgia. A Idade de Ouro Islâmica na matemática e astronomia nos impérios muçulmanos. Na Europa, a redescoberta da cultura clássica e invenções como a imprensa, levaram à renascença nos século XIV e XV. Ao longo dos quinhentos anos seguintes, a exploração e o colonialismo europeu fizeram com que grandes partes do mundo ficassem sob controle europeu, o que viria a provocar lutas pela independência de diversos territórios.
A Revolução Cientifica no século XVII, e a revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX trouxeram grandes inovações nos transportes, no desenvolvimento da energia e nos sistemas governativos, como a democracia representativa e o comunismo.
Com a chegada da Era da Informação, no final do século XX, os humanos modernos passaram a viver num mundo que se tornou cada vez mais globalizado e interligado. Apesar de a interconexão entre os seres humanos ter estimulado o crescimento da ciência, da arte, da discussão e tecnologia, também levou a choques culturais e ao desenvolvimento e uso de armas de destruição em massa.
A civilização humana levou à destruição ambiental e a poluição contribui de forma significativa para a extinção em massa de outras formas de vida, designada de o Evento de Extinção do Holoceno, que pode ser acelerado no futuro com o aquecimento global.

Habitat e população

Os primeiros assentamentos humanos estavam dependentes da sua proximidade com a água e, dependendo do estilo de vida, eram utilizados outros recursos naturais para a subsistência, como populações de presas animais para caça e terras aráveis para cultivo e pastagem de gado. Mas os seres humanos têm uma grande capacidade para alterar os seus habitats por meio de tecnologia, através da irrigação, planeamento urbano, construção, transportes, bens manufacturados, desmatamento e desertificação. Com o advendo do comércio em larga escala e infra-estruturas de transportes, a proximidade aos recursos tornou-se desnecessária, no entanto, a maneira como um determinado habitat é alterado é um factor determinante na mudança da população.
A tecnologia tem permitido aos seres humanos colonizarem todos os continentes e adaptarem-se a praticamente todos os climas. Com uma população de mais de sete mil milhões de habitantes, os humanos encontram-se entre os mamíferos mais numerosos da Terra. A maior parte dos humanos vive na Ásia (61%), sendo que os restantes nas Américas (14%), África (14%), Europa (11%) e Oceania (0,5%).
Desde o século XIX que a população humana sofreu um aumento de mil milhões de habitantes para mais de sete mil milhões. No relatório da ONU de 2014, este mostra que 54% da população humana vive em áreas urbanas e estimam uma subida para 66% em 2050. Os problemas dos humanos viverem concentrados nas cidades inclui várias formas de poluição e crime.
Os seres humanos têm tido um efeito dramático sobre o ambiente. Os seres humanos são predadores de topo, sendo raramente presas. Atualmente, através do desenvolvimento da terra arável, da combustão de fósseis e da poluição, pensa-se que os seres humanos são os principais responsáveis pela rápida mudança climática atual que se está a gerar a nível global. Prevê-se que continuando a este ritmo, a mudança climática irá extinguir metade de todas as espécies de plantas e animais durante o próximo século.

Biologia

Anatomia e fisiologia
A maioria dos aspectos da fisiologia humana são estreitamente homólogos aos aspectos da fisiologia animal correspondente. O corpo humano é constituído pelas pernas, tronco, braços, pescoço e cabeça. Um corpo humano adulto é composto por cerca de 100 triliões (1014) células. Os sistemas do corpo mais comummente definidos são os sistema nervoso, o sistema cardiovascular, o circulatório, o digestivo, o endócrino, o imunológico, o tegumentar, o linfático, o locomotor, o reprodutivo e urinário.
Aos seres humanos, como a maior parte dos restantes símios, falta a cauda externa, têm vários tipos de sangue, polegares opositores e são sexualmente dimórficos. As diferenças anatómicas comparativamente menores entre humanos e chimpanzés são o resultado do bipedalismo humano. Como resultado, os seres humanos são mais lentos em distâncias curtas, mas estão entre os melhores corredores de longa distância no reino animal. O cabelo mais fino do corpo humano e as glândulas sudoríparas mais produtivas ajudam a evitar a exaustão pelo calor durante longas marchas.
Como consequência do bipedalismo, as fêmeas humanas têm canais de natalidade mais estreitos. A pélvis humana difere da dos outros primatas, assim como os dedos dos pés. Uma das consequências para estas características da pélvis humana moderna é que o parto é mais difícil e perigoso do que na maior parte dos mamíferos, principalmente se se tiver em conta o tamanho da cabeça dos bebés humanos em comparação com os outros primatas. Isto significa que os bebés humanos têm de dar a volta  à medida que passam pelo canal do parto, o que os outros primatas não precisam de fazer. Como solução parcial evolutiva, os humanos nascem menos desenvolvidos e mais vulneráveis. Os bebés humanos são cognitivamente mais desenvolvidos do que os bebés humanos até à idade de seis meses, altura em que o rápido desenvolvimento do cérebro humano supera o dos chimpanzés. Outra diferença entre as mulheres e as fêmeas chimpanzés é que as mulheres passam pela menopausa e tornam-se inférteis antes do fim das suas vidas. Todas as espécies de primatas não-humanos são capazes de dar à luz até à morte. A menopausa desenvolveu-se, provavelmente, como uma vantagem evolutiva de ter mais tempo para cuidar dos jovens parentes.
Para além do bipedismo, os seres humanos diferem dos chimpanzés principalmente no olfato, na audição, na digestão das proteínas, no tamanho do cérebro e na capacidade da linguagem. Os cérebros dos seres humanos são cerca de três vezes maiores do que a média dos chimpanzés, e mais importante, é a relação do tamanho do cérebro em relação às dimensões do corpo, que é muito mais elevada nos seres humanos do que nos chimpanzés. De notar ainda que o córtex cerebral humano é significativamente mais desenvolvido, e com um número superior de neurónios.
Estima-se que a altura média mundial do macho humano adulto seja de cerca de 172 cm, e da fêmea de 158 cm. A tendência universal, ao longo da história, é a de um aumento na altura, muito provavelmente devido a uma melhor nutrição e condições de vida. A massa média do sexo masculino é de 76-83 kg enquanto que para o feminino é de 54-64 kg.
Embora os seres humanos pareçam não ter pêlos comparativamente a outros primatas, é caracterizado por um notável crescimento do cabelo, axilas e região pubiana, sendo que em média o ser humano tem mais folículos pilosos no corpo do que a média do chimpanzé. A principal diferença é que os pêlos humanos são mais curtos, mais finos e com uma pigmentação mais fraca. Os seres humanos têm cerca de 2 milhões de glândulas sudoríparas, distribuídas por todo o corpo, muito mais que os chimpanzés, cujas glândulas sudoríparas são escassas e estão localizadas principalmente nas palmas das mãos e solas dos pés.
A fórmula dental nos seres humanos é 2.1.2.3/2.1.2.3. Têm palatos proporcionalmente mais curtos e dentes muito menores do que os outros primatas. Sã os únicos primatas que têm os dentes caninos curtos, relativamente nivelados. 

Genética
Como todos os mamíferos, os seres humanos são uma espécie eucariótica diplóide. Cada célula somática tem dois conjuntos de 23 cromossomas, cada conjunto recebido de um dos pais. Entre os 23 pares de cromossomas, existem 22 pares de autossomas e um par de cromossomas sexuais. Como nos outros mamíferos, os seres humanos têm um sistema de determinação do sexo XY, sendo que as fêmeas têm os cromossomas sexuais XX e os machos XY.
Em 2003 sequenciou-se um genoma humano completo, e atualmente fazem-se esforços para se conseguir uma amostra da diversidade genética das espécies. Pelas estimativas atuais, os seres humanos têm cerca de 22 mil genes. A variação do ADN é muito pequena comparativamente com outras espécies, sugerindo um possível gargalo populacional durante o Pleistoceno Superior (cerca de 100.000 anos atrás), no qual a população humana foi reduzida a um pequeno número de casais reprodutores. A diversidade dos nuceotídeos é baseada em mutações individuais designadas de polimorfismos nucleotídeo único. A diversidade de nucleótidos entre os seres humanos é de cerca de 0,1%, ou seja, uma diferença por cada mil pares de bases. Uma diferença de 1 em cada 1000 nucleótidos entre dois humanos escolhidos pelos valores aleatórios para cerca de 3 milhões de diferenças de nucleótidos, uma vez que o genoma humano tem cerca de 3 biliões de nucleotídeos. A maioria desses polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) são neutros, mas alguns (cerca de 3 a 5%) são diferenças fenotípicas e funcionais de influência entre os seres humanos através de alelos.
Ao comparar as partes do genoma que não se encontram sob seleção natural e, consequentemente, acumulam-se mutações a uma taxa relativamente constante, sendo desta forma, possível reconstituir uma árvore geneológica incorporando toda a espécie humana, desde o último ancestral comum. Cada vez que uma certa mutação  aparece num indivíduo e é passada para os seus descendentes, forma-se um haplogrupo que inclui todos os descendentes do individuo, que irão transportar essa mutação. Ao compararem o ADN mitocondrial, que é herdado apenas pela mãe, os geneticistas concluíram que o último ancestral comum fêmea, cujo marcador genético é encontrado em todos os seres humanos modernos, a chamada Eva mitocondrial, deve ter vivido há cerca de 200.000 anos atrás. 
As regiões de aceleração humana, descritas pela primeira vez em agosto de 2006, são um conjunto de 49 segmentos do genoma humano que são conservados ao longo da evolução dos vertebrados, mas que são muito diferentes nos seres humanos. São nomeados de acordo com os seus grau de diferença entre os seres humanos e os animais que se encontram mais próximos deles (chimpanzés).

Ciclo de vida
Tal como acontece com outros mamíferos, a reprodução humana dá-se como fertilização interna através de relações sexuais. Durante este processo, o homem insere o seus pénis erecto e ejacula sémen, que contém espermatozóides, na fêmea. O esperma viaja através da vagina e do colo do útero ou para as trompas de Falópio, para fecundação do óvulo. Após a fertilização e implantação, dá-se a gestação no útero da mulher.
O zigoto divide-se dentro do útero da mulher, vindo a tornar-se um embrião, o qual ao longo de um período de 38 semanas (9 meses) de gestação, torna-se um feto. Após este período, o feto já totalmente desenvolvido, nasce do corpo da mulher e passa a respirar de forma independente, como um bebé, pela primeira vez. Neste ponto, a maioria das culturas modernas reconhecem o bebé como uma pessoa que tem direito à proteção da lei, embora algumas jurisdições estendam diversos níveis de pessoalidade mais cedo aos fetos humanos, enquanto eles permanecem no útero.
Em comparação com outras espécies, o parto humano é perigoso. Trabalhos dolorosos com duração de 24 horas ou mais não são incomuns e, por vezes, pode levar à morte da mães, da criança ou de ambos. Este facto deve-se tanto à relativamente grande circunferência da cabeça fetal quanto da pelve relativamente estreita da mãe. As hipóteses de um trabalho de parto bem sucedido aumentaram significativamente durante o século XX nos países desenvolvidos, com o advento das novas tecnologias. Em contraste, a gravidez e o parto natural continuam a ser provações perigosas nas regiões menos desenvolvidas do mundo, com taxas de mortalidade cerca de 100 vezes superiores que nos países ricos.
Nos países desenvolvidos, a média do peso das crianças é de cerca de 3-4 kg e 50-60 cm, na altura do nascimento, no entanto o subpeso é comum nos países em desenvolvimento, o que contribui para as elevadas taxas de mortalidade nestas regiões. Indefesas no nascimento, os seres humanos continuam a crescer durante alguns anos, atingindo a maturidade geralmente entre os 12 e os 15 anos. O sexo feminino continua o desenvolvimento físico até por volta dos 18 anos, enquanto que o masculino até cerca dos 21 anos. A vida humana pode ser dividida numa série de fases: infância, adolescência, jovem adulto, adulto e velhice. As extensões destes estágios, têm, no entanto, variado ao longo dos tempos e culturas. Comparativamente com outros primatas, os seres humanos experimentam um período de crescimento extraordinariamente rápido durante a adolescência, quando o corpo cresce 25% do seu tamanho. Os chimpanzés, por exemplo, crescem apenas 14%, sem qualquer surto pronunciado. A presença deste surto de crescimento é provavelmente necessário para manter as crianças fisicamente pequenas até que estejam psicologicamente maduras. Os seres humanos são das poucas espécies em que as fêmeas têm menopausa. Propôs-se que a menopausa aumenta o sucesso global reprodutivo da mulher, permitindo-lhe investir mais tempo e recursos na prole já existente e/ou nos seus filhos (a hipótese da avó), em vez de continuar a ter filhos em idade avançada.
Por várias razões, incluindo causas biológicas/genéticas, as mulheres vivem, em média, cerca de quatro anos a mais que os homens. A partir de 2013, a expectativa da vida média global da menina está estimada em 70,2 anos, em comparação aos 66,1 anos para o menino. Mas estas médias variam de região para região e, principalmente, do nível de desenvolvimento da região.

Dieta
Os seres humanos são omnívoros, capazes de consumir uma grande variedade de material vegetal e animal. Variam de acordo com os recursos disponíveis nas regiões de habitação, assim como, com as normas culturais e religiosas, o que faz com que os grupos humanos tenham adoptado uma vasta gama de dietas, desde a puramente vegetariana até à primariamente carnívora. Nalguns casos, as restrições alimentares nos humanos pode levar a doenças de mal-nutrição. No entanto, muitos grupos de humanos adaptaram os padrões alimentares tanto através da especialização genética quanto das convenções culturais, de forma a obterem recursos alimentares equilibrados. A dieta humana reflete-se fortemente na cultura humana, e levou ao desenvolvimento da ciência alimentar.
Até ao desenvolvimento da agricultura há cerca de 10.000 anos atrás, o Homo sapiens utilizava o método de caçador-recoletor como o seu único meio de obtenção alimentar. Isto envolvia a combinação de recursos alimentares estacionários (como frutas, grãos, tubérculos, cogumelos, larvas de insectos e moluscos aquáticos) com a caça selvagem, que tem de ser caçada e morta para ser consumida. Propôs-se que os humanos usam o fogo para prepara a sua comida desde a altura do Homo erectus. Há cerca de 10.000 anos atrás, os humanos desenvolveram a agricultura, que alterou de forma significativa a sua dieta. Esta alteração na dieta pode ter levado igualmente à alteração da biologia humana, com a propagação de gado leiteiro, a providenciando uma nova fonte alimentar rica, fazendo com que o homem evoluísse a capacidade de digerir a lactose nalguns adultos. A agricultura levou ao aumento da população, ao desenvolvimento das cidades, e devido ao aumento da densidade populacional, tornou-se comum a expansão de doenças infecciosas. Os tipos alimentares consumidos, e a maneira como eles são preparados, tem variado ao longo dos tempos, da localização e da cultura.
Em geral, os humanos conseguem sobreviver entre duas a oito semanas sem comida, dependendo da sua gordura armazenada. A sobrevivência sem água está geralmente limitada a três ou quatro dias. Cerca de 36 milhões de humanos morrem todos os dias devido a motivos direta ou indiretamente ligados à fome. A má-nutrição na infância também é comum e contribuiu para o peso global da doença. No entanto, a distribuição alimentar global não é igual, e a obesidade surge como um problema nos países desenvolvidos enquanto que nos países mais pobres a sub-nutrição é uma das causas de morte.

Variação biológica
Não existem dois humanos - nem mesmo os gémeos monozigóticos - que sejam geneticamente idênticos. Os genes e o ambiente influenciam a variação biológica humana, desde características visíveis para a fisiologia até à susceptibilidade para doenças mentais. Ainda não se conhece bem a influência exacta dos genes e ambiente em certos traços.
A maior parte dos indícios genéticos e arqueológicos apoiam a hipótese de uma única origem dos humanos modernos no Leste de África, com as primeiras migrações a terem lugar há 60.000 anos atrás. Comparando com os grandes primatas, a sequência genética humana - mesmo entre as populações africanas -são notoriamente homogéneas. Em média, a semelhança genética entre dois humanos é de 99,9%. Existe cerca de 2 a 3 vezes mais diversidade genética entre as populações de chimpanzés numa única encosta do Gombe, do que em todo o fundo genético humano.
A habilidade humana de adaptação a diferentes ambientes, ainda que difíceis, é notória, e permite aos humanos aclimatizarem-se a uma grande variedade de temperaturas, humidade e altitudes. Como consequência, os humanos tornaram-se uma espécie cosmopolita encontrada em praticamente todas as regiões do mundo, incluindo florestas tropicais, desertos áridos e regiões árticas extremamente frias, assim como cidades densamente poluídas. A maior parte das outras espécies estão confinadas a algumas áreas geográficas devido à sua adaptabilidade limitada.
Existe variação biológica na espécie humana - como tipo sanguíneo, características cranianas, cor dos olhos, cor e tipo do cabelo, peso e constituição e cor de pele - ao longo de todo o globo. Os tipos de corpos humanos variam substancialmente. A altura típica de um homem varia entre 140 cm e 190 cm, embora isto varie bastante, dependendo, entre outras coisas, no género e origem étnica. O tamanho do corpo é determinado em parte pelos genes mas também fortemente influenciado por factores ambientais como a dieta, o exercício físico e padrões de sono, principalmente na infância. O peso dos adultos para cada género num determinado grupo étnico segue uma distribuição normal. Estes aspetos de variação genética, que dão pistas para a história evolucionaria humana, ou para pesquisa médica, têm recebido uma atenção especial. Por exemplo, os genes que permitem o adulto humano digerir a lactose estão presentes com maior frequência nas populações que têm um historial mais longo de domesticação de gado, sugerindo uma seleção natural que favoreceu determinados  genes que dependem do leite. Algumas doenças hereditárias, como a anemia falciforme são frequentes em zonas onde a malária tem-se mostrado endémica ao longo da história. Da mesma forma, as populações que habitam há bastante tempo em climas específicos, como o ártico, regiões tropicais ou altitudes elevadas, têm a tendência a desenvolverem fenótipos que são benéficos para a conservação da energia em tais ambientes - baixa estatura e constituição robusta nas regiões frias, altos e magros nas regiões quentes, e com grandes capacidades pulmonares nas altitudes elevadas. Da mesma forma, a cor da pele varia, sendo mais escura ao longo do equador, onde é necessária uma maior proteção dos raios ultravioletas, e pele mais clara junto aos pólos.


Psicologia

O cérebro humano, o ponto central do sistema nervoso central nos humanos, controla o sistema nervoso periférico. Para além de controlar as atividades "inferiores", involuntárias, ou as atividades primárias autónomas como a respiração e digestão, também é o local de funções "superiores" como o pensamento, a razão e a abstração. Estes processos cognitivos constituem a mente e, junto com esta, as suas consequências comportamentais, que são estudadas no campo da psicologia.
Geralmente como mais capaz destas actividades elevadas, o cérebro humano é considerado mais "inteligente" na sua generalidade que outra espécie conhecida. Embora algumas criaturas não humanas sejam capazes de criar ferramentas simples - a maior parte por instinto e mimica - a tecnologia humana é muito mais complexa, e está em constante evolução ao longo dos tempos.

Sono e sonhos
Os humanos são geralmente diurnos. A média de horas necessárias varia entre sete a nove horas por dia num adulto e de nove a dez horas diárias para uma criança, já os mais velhos geralmente dormem entre seis a sete horas. É comum entre os humanos dormir menos do que esta média, apesar de a privação de sono poder ter efeitos negativos na saúde. Demonstrou-se que uma restrição prolongada do sono de um adulto, de quatro horas, provoca alterações fisiológicas e mentais, incluindo redução na memória, fadiga, agressão e desconforto corporal. Durante o sono ideal humano, este experimenta imagens e sons sensoriais, numa sequência em que geralmente o sonhador percebe-se mais como um participante do que um observador. Os sonhos ocorrem geralmente durante a fase REM do sono e são estimulados pela Ponte de Varólio (ou protuberância anelar - estrutura pertencente ao tronco cerebral).

Consciência e pensamento
Os humanos são uma das poucas espécies a terem auto-consciência. Já com apenas 18 meses a maioria dos humanos já tem consciência de que a imagem no espelho não é sua.
O cérebro humano percebe o mundo exterior através dos sentidos, e cada ser humano individual é bastante influenciado pelas suas próprias experiências, levando a visões subjectivas da existência e da passagem do tempo. Os seres humanos têm consciência do exterior, assim como auto-consciência, e uma mente, que correspondem de uma forma bruta aos processos mentais do pensamento. Estes são caracterizados pela auto-consciência, sensibilidade, sapiência e capacidade de percepção da relação entre o ambiente e si mesmo. A extensão na qual a mente constrói ou experimenta o mundo exterior ainda é uma questão de debate, assim como a validação e definição dos termos acima mencionados.
Os aspetos físicos da mente e do cérebro e, por extensão, do sistema nervoso, são estudados no campo da neurologia, o mais comportamental dos campos da psicologia, e muitas vezes entrando na áreas da psiquiatria, que trata as doenças mentais e desordens comportamentais. A psicologia não se refere necessariamente ao cérebro e ao sistema nervoso, e pode ser enquadrado de forma exclusiva em termos de teorias de processamento de informação fenomenológicas ou da mente. Apesar, de cada vez mais, o entendimento das funções cerebrais estar a ser incluído na teoria psicológica e na sua prática, particularmente em áreas como a inteligência artificial, neuropsicologia e neurociência e cognitiva.
A natureza do pensamento é central para a psicologia e campos relacionados. A psicologia cognitiva estuda a cognição, o processo mental subjacente ao comportamento. Usa o processamento de informação como um quadro para a compreensão da mente. A percepção, a aprendizagem, a resolução de problemas, a memória, a atenção, a linguagem e as emoções estão incluídas nesta área de pesquisa. A psicologia cognitiva está associada a uma escola de pensamento conhecida como cognitivismo, cujos adeptos defendem um modelo de processamento das informações mentais, fornecido pelo positivismo e psicologia experimental. Tendo como grande parte o foco pelo desenvolvimento da mente humana através da esperança de vida, a psicologia do pensamento procura compreender como os humanos vêem e sentem para perceber, compreender e agir no exterior, e como esses processos mudam à medida que envelhecem. Isto pode centrar-se a um nível intelectual, cognitivo, neural, social ou do desenvolvimento moral.
Alguns filósofos dividem a consciência em consciência fenomenal, que é a própria experiência, e em alcance da consciência, que é a transformação das coisas em experiências. A consciência fenomenal é o estado de estar consciente. A consciência de acesso é o estar consciente de alguma coisa em relação a conceitos abstratos. Várias formas de consciência de acesso incluem a sensibilização, a auto consciência, o fluxo de consciência, a fenomenologia de Hussert e a intencionalidade. O conceito de consciência fenomenal, na história moderna, segundo alguns, está intimamente ligada ao conceito de qualia (termo usado na filosofia que define as qualidades subjectivas das experiências mentais. Por exemplo, a vermelhidão do vermelho, ou o doloroso da dor). Já a  psicologia social vincula a sociologia à psicologia no seu estudo compartilhado sobre a natureza e as causas da interação social humana, com ênfase na forma como os indivíduos pensam relativamente ao outro e como se relacionam consigo mesmos. O comportamento e os processos mentais, tanto humanos como não humanos, pode ser descrito através da cognição animal, da etologia, psicologia evolutiva e da psicologia comparativa. Por sua vez, a ecologia investiga como os seres humanos e as sociedades humanas interagem tanto com o seu ambiente natural quanto com o ambiente social humano.

Motivação e emoções
A motivação é a força de desejo motriz por detrás de toda a ação deliberada nos humanos. A motivação é baseada na emoção - especificamente, na procura de satisfação (experiências emocionais positivas), e a evitação do conflito. O positivo e negativo é definido pelo cérebro humano, que pode ser influenciado pelas normas sociais: uma pessoa pode ser levada à auto-lesão ou à violência porque o cérebro está condicionado a criar uma resposta positiva a estas ações. A motivação é importante porque está envolvida no desempenho de todas as respostas aprendidas. Dentro da psicologia, evitar conflitos e a libido são vistos como motivadores primários. Dentro da economia, a motivação é muitas vezes vista como baseando-se em incentivos, estes podem ser financeiros, morais ou coercivos. As religiões geralmente colocam as influências sob estatuto divino ou demoníaco.
A felicidade, ou o estado de estar feliz, é uma condição emocional humana. A definição de felicidade é geralmente um tópico comum na filosofia. Algumas pessoas podem defini-la como a melhor condição que um humano pode ter - uma condição de saúde mental e física. Outros podem defini-la como estar livre daquilo que lhes provoca stress; ou mesmo a consciência da boa ordem das coisas, ou a garantia do próprio lugar no universo ou na sociedade.
A emoção tem uma grande influência, ou mesmo pode-se dizer que controla, o comportamento humano, embora muitas culturas e muitos filósofos tenham por diversas razões, desencorajado a permissão desta influência. As experiências emocionais percebidas como agradáveis, como o amor, a admiração ou alegria, contrastam com as percebidas como desagradáveis, como o ódio, a inveja ou a pena. Geralmente existe uma distinção feita entre emoções refinadas, que são aprendidas na sociedade, e as emoções com orientação para a sobrevivência, que se pensa serem inatas. A exploração das emoções humanas como algo de separado de outros fenómenos neurológicos é digno de nota, particularmente nas culturas onde as emoções são consideradas separadas dos estados físicos. Segundo algumas teorias culturais médicas as emoções são consideradas de tal forma pertencendo ao estado físico, que não existe uma separação real entre os dois estados. Os estóicos acreditavam que excesso de emoções era prejudicial, por outro lado, alguns professores de sufi, defendem que algumas emoções extremas podem render-se a uma perfeição conceptual, ou extase.
No pensamento científico moderno, algumas emoções refinadas são consideradas um traço neural complexo inato numa variedade de mamíferos domesticados e não-domesticados. Estes traços foram geralmente desenvolvidos numa reação de um mecanismo superior de sobrevivência e interação inteligente entre os vários membros do grupo e o ambiente. Como tal, as emoções refinadas não são sempre discretas e separadas das funções neurais naturais, como anteriormente assumido. No entanto, quando os humano funcionam num conjunto civilizado, tem-se notado que a desinibição extrema das emoções  pode levar a desordens sociais e ao crime.

Sexualidade e amor
Para os humanos a sexualidade tem funções sociais importantes: cria uma intimidade física, ligações e hierarquias entre os indivíduos, para além de assegurar a reprodução biológica. O desejo sexual ou libido, é experimentado como um impulso corporal, muitas vezes acompanhado com fortes emoções como o amor, o êxtase e ciúme. O significado da sexualidade na espécie humana reflete-se em diversas características físicas como a ovulação escondida, a evolução de um escroto externo e pénis, sugerindo competição espérmica, a ausência do báculo, características sexuais secundárias permanentes e a formação de laços entre o par baseado na atração sexual como uma estrutura social comum. Contrariamente aos outros primatas que anunciam muitas vezes o estro através de sinais visíveis, as fêmeas humanas não têm sinais distintos ou visiveis da ovulação, e experimentam desejo sexual para além do período fértil. Estas adaptações indicam que a sexualidade nos humanos é semelhante àquela encontrada entre os bonobos, e que o complexo comportamento sexual humano tem uma longa história evolucionária.
As escolhas humanas sobre a sua própria atuação sobre a sexualidade são geralmente influenciadas por normas culturais, que variam bastante entre si. As restrições são muitas vezes determinadas por crenças religiosas ou por costumes sociais. Sigmund Freud acreditava que os seres humanos nascem com polimofolismo perverso, o que significa que qualquer objecto pode ser uma fonte de prazer. De acordo com Freud, os humanos passam então por cinco fases de desenvolvimento sexual e pode-se fixar em qualquer um dos estágios devido a diversos traumas durante o processo. Para Alfred Kinsey, outro investigador sexual influente, as pessoas podem tender ao longo de uma escala continua de orientação sexual, com apenas um pequeno grupo completamente heteressexual ou homossexual. Estudos recentes neurológicos e genéticos indicam que os humanos podem nascer com uma predisposição para as diversas tendências sexuais.


Comportamento 

Os humanos são seres extremamente sociais e têm a tendência para viver em grandes grupos complexos. Mais do que qualquer outro animal, os humanos são capazes de utilizar sistemas de comunicação para a auto-expressão, a troca de ideias e organização e, como tal, criaram estruturas sociais complexos compostas por muitos grupos de cooperação e competição. Os grupos humanos vão desde famílias até nações. As interações sociais entre os humanos têm estabelecido um conjunto de valores extremamente vasto, normas sociais e rituais, que juntos formam as bases da sociedade humana.
Nesta base a cultura é definida como padrões de símbolos comportamentais complexos, isto é, todos os comportamentos que não são inatos mas que têm de ser aprendidos através das interações sociais com os outros, como o uso de diferentes materiais e sistemas simbólicos, incluindo a linguagem, os rituais, a organização social, as crenças e a tecnologia.

Linguagem
Enquanto que muitas espécies comunicam, a linguagem é única nos humanos, uma característica definidora dos humanos, e uma universal cultural. Contrariamente aos sistemas limitados dos outros animais, a linguagem humana é aberta - pode ser produzido um número infinito de significados ao combinar um número limitado de símbolos. A linguagem humana também tem a capacidade de deslocação, usando palavras para representar coisas e acontecimentos que não estão presentes ou a ocorrer localmente, mas que residem na imaginação partilhada dos interlocutores. A linguagem difere de outras formas de comunicação por ser uma modalidade independente, o mesmo significado pode ser transmitido por meios diferentes, sonoro, visual e até mesmo por tacto. A linguagem é central na comunicação entre os seres humanos, e para o senso de identidade que une as nações, culturas e grupos étnicos. A invenção dos sistemas de escrita há pelo menos cinco milhares de anos permitiram a preservação da linguagem em objetos materiais, e foi uma invenção tecnológica de grande avanço. A ciência da linguística descreve a estrutura e função da linguagem e a relação entre as línguas. Existem cerca de seis mil línguas diferentes atualmente em uso, e inclui linguagem gestual, e muitas outras milhares estão extintas.

Funções dos géneros
A divisão sexual dos humanos em machos e fêmeas tem sido marcada culturalmente por um correspondente divisão de papéis, normas, práticas, vestuário, comportamento, direitos, deveres, privilégios, estatuto e poder. Acredita-se que as diferenças de género surgiram através da divisão do trabalho reprodutivo, o facto de a mulher dar à luz levou a que esta ficasse culturalmente responsável pelos cuidados das crianças. Os papéis dos géneros têm variado historicamente, e os desafios às normas predominantes tem sido uma constante em muitas sociedades.

Parentesco
Todas as sociedades humanas organizam, reconhecem e classificam diversos tipos de relacionamentos baseados nas relações entre pais e filhos (consanguinidade) e relações através do casamento (afinidade). Este tipo de relações são geralmente designadas de relações de parentesco. Na maior parte das sociedades o parentesco coloca responsabilidades mútuas e expectativas de solidariedade entre os indivíduos relacionados, e aqueles que se reconhecem entre si como irmãos acabam por formar redes através de outras instituições sociais que podem ser reguladas. Entre as muitas funções dos relacionamentos está a possibilidade de criar grupos descendentes, grupos de pessoas que partilham uma linha comum de descendentes, que podem funcionar como unidades políticas, tal como clãs. Outra função é a maneira como o parentesco une as famílias através do casamento, formando alianças de parentesco entre os grupos. Este tipo de alianças muitas vezes trazem consigo ramificações políticas e económicas importantes, e podem resultar na formação de organizações políticas acima do nível da comunidade. As relações de parentesco incluem muitas vezes regulações sobre quem se deve casar com quem. Todas as sociedades têm regras acerca da proibição do incesto, segundo a qual o casamento entre certos tipos de relações de parentesco são proibidos. Algumas sociedades também têm regras do casamento preferencial com certas relações de parentesco, geralmente entre primos. As regras e normas sobre o casamento e comportamento social entre parentes reflete-se muitas vezes nos sistemas de terminologia de parentesco nas várias línguas do mundo. Em muitas sociedades, as relações de parentesco também podem ser formadas através de formas de co-habitação, adoção, criação, ou companheirismo, o que também tende a criar relações de solidariedade (nutrir parentesco) duradouras.

Etnicidade
Muitas vezes os seres humanos formam grupos étnicos, os quais tendem a ser maiores do que as redes de parentesco e são organizados em torno de uma identidade comum definida de diversas formas em termos de ancestralidade compartilhada e história, normas culturais partilhadas e linguagem, ou de um fenótipo biológico compartilhado. Estas ideologias de características partilhadas são muitas vezes perpetuadas na forma de narrativas fortes e atraentes que dão legitimidade e continuidade ao conjunto de valores partilhados. Os grupos étnicos correspondem com frequência a algum tipo de organização política, um bando, uma tribo, uma cidade-estado ou nação. Apesar de os grupos étnicos aparecerem e desaparecerem ao longo da história, os membros dos grupos étnicos, conceituam muitas vezes os seus grupos a histórias que remontam a um passado distante. Estas ideologias dão à etnia um papel poderoso na definição da identidade social e na construção da solidariedade, entre os membros de uma unidade étnico-política. Este estabelecimento unificador da etnia foi ligada ao nascimento do Estado-Nação como a forma predominante da organização política nos séculos XIX e XX.

Sociedade, governos e políticas
A sociedade é o sistema de organizações e instituições que surgem da interação entre os humanos. Um Estado é uma comunidade política organizada ocupando um território definido, com um governo organizado, e possuindo  soberania interna e externa. O reconhecimento da reivindicação da independência do Estado pelos outros Estados é, muitas vezes, importante para o seu próprio Estado. 
O Governo pode ser definido como os meios políticos de criação e manutenção do cumprimento das leis; normalmente através de uma hierarquia burocrática. A política é o processo pelo qual as decisões são tomadas dentro dos grupos (este processo envolve muitas vezes conflitos e compromissos). Embora o termo seja aplicado com frequência ao comportamento dentro dos governos, esta também é observada em todas as interações entre grupos humanos, incluindo instituições empresariais, académicas e religiosas. Existem muitos sistemas políticos diferentes, muitas formas diferentes de interpretá-los, e muitas vezes as definições sobrepõem-se entre si. Exemplos de governos incluem monarquia, estado comunista, a ditadura militar, teocracia e democracia liberal, o último dos quais é hoje considerado dominante hoje. Todas estas questões têm uma relação direta com a economia.

Comércio e economia
O comércio é a troca voluntária de bens e serviços, e é uma forma de economia. Um mecanismo que permite o comércio é o designado mercado. Os comerciantes modernos usam, na sua generalidade, negoceiam através de um meio de troca, como o dinheiro. Como resultado, a compra pode ficar separada da venda e dos ganhos. Devido à especialização e divisão do trabalho, a maior parte das pessoas concentra-se num pequeno aspecto da manufacturação ou serviço, trocando o seu trabalho por produtos. O comércio existe entre regiões, pois regiões diferentes têm uma vantagem total ou comparativa nos produtos trocados, ou por certas regiões permitirem, ou beneficiarem, da produção em massa.

Guerra
A guerra é um estado de um conflito organizado armado entre estados ou atores não estatais. A guerra é caracterizada pelo uso de violência letal entre  combatentes e/ou não combatentes para atingir fins militares através do uso da força. Menores, os conflitos, muitas vezes espontâneos, como brigas, tumultos e revoltas, não são considerados guerra. As revoluções podem ser não-violentas ou uma revolução organizada e armada que denota um estado de guerra. Estima-se que durante o século XX, tenham morrido entre 167 a 188 milhões de pessoas como resultado da guerra.
Tem-se assistido a um vasto e rápido avanço das tácticas ao longo da história da guerra, indo desde a guerra convencional até a um estado de guerra assimétrico até à guerra completa ou guerrilhas não convencionais. As técnicas incluem o combate corpo a corpo, o uso de armas de longo alcance, guerra marítima e, mais recentemente, suporte aéreo. A inteligência militar tem tido, muitas vezes, um papel na determinação da vitória ou da derrota.

Cultura material e tecnologia
As ferramentas de pedra já eram usadas pelos proto-humanos há pelo menos 2,5 milhões de anos atrás. O uso controlado do fogo só teve início por volta de 1,5 milhões de anos. Desde então os humanos fizeram grandes avanços, desenvolveram tecnologias complexas para criar ferramentas para ajudar as suas vidas e permitir outros avanços na cultura. Grandes saltos na tecnologia incluem a descoberta da agricultura (conhecido como a Revolução do Neolítico) e a invenção de máquinas automáticas (Revolução Industrial).
A arqueologia faz uma tentativa de contar a história do passado ou de culturas passadas pela examinação próxima dos artefatos que estes humanos produziram. Os homens primitivos deixaram ferramentas de pedra, cerâmica e joelharia que são particulares para cada região e época.

Cultura corporal
Ao longo da história, os seres humanos têm alterado a sua aparência, vestindo roupa e adornos, aparando ou raspando o cabelo ou por meio de modificações corporais.
A modificação do corpo é a alteração deliberada do corpo humano, por qualquer razão não médica, tais como estética, realce sexual, rito de passagem, razões religiosas, para mostrar associação a um grupo ou afiliação, como arte corporal, o valor do choque ou auto expressão. Na sua definição mais ampla inclui a cirurgia plástica, a decoração socialmente aceitável, os ritos religiosos de passagem.

Religião e espiritualidade
A definição de religião é geralmente definida como um sistema relativo ao sobrenatural, ao sagrado ou ao divino, e às práticas, aos valores, instituições e rituais associados a essas crenças. Algumas religiões também têm um código moral. A evolução e a história das primeiras religiões tem-se tornado, nos últimos tempos, áreas de uma investigação científica activa. No entanto, no curso do seu desenvolvimento, a religião tem tido muitas formas que variam de cultura para cultura e da perspectiva individual. Algumas das questões centrais incluem a vida após a morte (geralmente envolvendo  a crença numa vida após a morte), na origem da vida, a natureza do universo (cosmologia religiosa) e o derradeiro destino (escatologia), e o que é moral ou imoral. Uma fonte comum para a resposta a estas perguntas são a crença em seres divinos transcendentais como divindades ou um único Deus, embora nem todas as religiões sejam teístas. A espiritualidade, a crença ou o envolvimento em questões da alma ou do espírito, é uma das muitas abordagens  que os humanos tomaram numa tentativa de responder a questões fundamentais acerca do lugar da humanidade no universo, o significado da vida, e o tipo de vida ideal. Embora estes assuntos também tenham tido a atenção da filosofia, e a uma certa extensão, pela ciência, a espiritualidade é única pois foca-se nos conceitos místicos e sobrenaturais como, por exemplo, o carma e Deus.
Embora o nível exacto de religiosidade possa ser difícil de medir, a maior parte dos humanos professa algum tipo de religião ou crença espiritual, embora muitos (nalguns países a maioria) sejam irreligiosos. Isto inclui os humanos que não têm crenças religiosas ou não se identificam com nenhuma religião. O Humanismo é a filosofia que procura incluir toda a humanidade e todas as questões comuns ao seres humanos, sendo geralmente não-religioso. A maior parte das religiões e das crenças espirituais têm uma clara distinção da ciência tanto a nível filosófico quanto ao método; os dois não são geralmente considerados de exclusividade mútua e uma grande parte dos humanos mantêm uma mistura de visões religiosas e cientificas. A distinção entre filosofia e religião, por outro lado, é muitas vezes vaga, e as duas estão ligadas pelos campos da filosofia da religião e teologia.

Filosofia e auto-reflexão
Filosofia é a disciplina ou o campo de estudo que envolve a investigação, a análise e o desenvolvimento de ideias a um nível geral, abstracto ou fundamental. É a disciplina que procura um entendimento geral da realidade, da razão e valores. Campos maiores da filosofia incluem a lógica, a metafísica, a epistemologia, a filosofia da mente e a axiologia (que inclui a ética e a estética). A filosofia abrange uma gama muito ampla de abordagens, e é usada para se referir a uma visão do mundo, uma perspetiva sobre uma determinada questão, ou a posição defendida por um filósofo em particular ou uma escola filosófica.

Ciência
Outro aspeto único da cultura humana e pensamento é o desenvolvimento de métodos complexos para adquirir conhecimento através da observação e quantificação. O método cientifico tem-se desenvolvido de forma a que se adquira conhecimento do mundo físico e suas regras, dos processos e princípios em que constituem o universo, e combinado com a matemática consegue obter previsões de padrões complexos de causalidade e consequência.

Arte, música e literatura
A arte é um universal cultural, e os humanos têm vindo a produzir trabalhos artísticos desde pelo menos a época de Cro Magnon (43-45.000 anos atrás). Como forma de expressão cultural, a arte pode ser definida pela perseguição da diversidade e do uso de narrativas de libertação e exploração (história da arte, criticismo da arte e teoria da arte) para mediar as suas fronteiras. Esta distinção pode ser aplicada a objetos e performances, atuais ou históricas, e o seu prestígio estende-se àquele que a produziu, exibiu ou a si mesmos. No uso moderno da palavra, entende-se geralmente a arte como o processo ou o resultado de fazer obras de materiais que, do conceito à criação, adere ao "impulso criativo" dos seres humanos. A arete distingue-se de outros trabalhos por estar ligada em grande parte à necessidade espontânea, pelo acionamento biológico ou por qualquer perseguição indisciplinada de recreação.


Notas
Como definição para espécie diz-se que uma espécie é um grupo que pode produzir descendentes férteis através de cruzamentos dentro, mas não fora, de si próprio. Os cruzamentos entre espécies diferentes produzem descendentes estéreis, apesar de às vezes se verificarem cruzamentos viáveis, embora estéreis, entre espécies mais afastadas - por exemplo, leões e tigres - e, se, raramente os descendentes são férteis, isto só indica que a definição de espécie é um pouco vaga. 
Todos os seres humanos são membros da mesma espécie, o Homo Sapiens. Os nossos prováveis antepassados, o Homo Erectus e o Homo habilis - atualmente extintos -, são classificados como pertencentes ao mesmo género (Homo), mas a espécies diferentes. No entanto, esta definição de espécies, veio a sofrer um abalo ainda maior quando o artigo de maio de 2010 da revista Science colocou um ponto final no debate se os neandertais, uma espécie de homem que se extinguiu há 30.000 anos, se haviam cruzado com o Homo sapiens, ao responder afirmativamente.
A equipa internacional de investigadores, coordenada por Svante Paabo, do Instituto Planck, mostrou que tal cruzamento ter-se-á dado entre há cerca de 50.000 e 80.000 anos, no Médio Oriente.
Os cientistas defendem que a miscigenação entre os humanos primitivos e os neandertais deu algumas vantagens ao Homo Sapiens que permitiram a adaptação deste à Europa e Ásia, em que o ADN neandertal nos humanos modernos pode chegar até aos 20%, influenciando a pele, o cabelo e as doenças que as pessoas têm atualmente.









Bibliografia

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Primatas Culturais, Evolução e Natureza Humana, Paulo Finuras, maio 2015, Edições Sílabo
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Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...