09/07/2019

A Ascenção de Herodes, O grande

Herodes, o Grande, foi o rei judeu que maior marca deixou no seu reino. 
Quando hoje os visitantes chegam à Terra Santa, ainda vêem mais sinais do seu reinado do que de qualquer outro que o precedeu ou sucedeu. Apesar de em Jerusalém só serem visíveis as fundações do seu templo, basta uma pequena deslocação até ao Monte das Oliveiras para se ver, à distância, a peculiar colina em forma de cone onde se erguia o palácio de verão do rei e o local onde Herodes terá sido, presumivelmente, sepultado: Herodium. Tanto Massada, no mar Morto, como Cesareia, na costa mediterrânica, oferecem igualmente outras oportunidades para ver as construções de Herodes, como Tulul abu el-Alayiq, perto de Jericó, ou Machaerus, na margem ocidental do mar Morto, ou ainda Samaria, no coração das montanhas do Norte. Poder-se-ia pensar que tantas construções só poderiam ter sido levadas  a cabo por um soberano que usufruísse de paz e prosperidade; no entanto, o reinado de Herodes iniciou-se de forma turbulenta e no meio de intrigas dos últimos sacerdotes-reis asmoneus e das lutas entre os vários pretendentes à preferencia de Roma. Mesmo depois de ter subido ao trono, as intrigas no seio da sua própria família levaram-no a ordenar as execuções brutais de alguns dos seus parentes mais próximos.

Subida ao poder
Herodes era natural da Idumeia, a região sul de Judá que tinha sido ocupada pelos Edomitas e que Hircano (reinado 63 - 40 a.C.) tinha convertido ao judaísmo. Herodes foi considerado como um judeu por todos excepto pelos Judeus da Judeia e, embora esta rejeição o tenha magoado e ele tenha tentado demonstrar sensibilidade às práticas judaicas, também é verdade que contribuiu em grande parte para a formação de um judaísmo helenizado e aberto a influências exteriores.
O seu pai, Antíparo, foi conselheiro de Hircano II que, aliado ao rei nabateu Aretas III, avançava sobre Jerusalém para tentar afastar Aristóbulo quando os Romanos, liderados por Pompeu, intervieram na região em 63 a.C. Hircano foi sumo sacerdote entre 63 a.C. e a chegada de Júlio César à Síria em 47 a.C., um ano depois de ter derrotado Pompeu. César confirmou-o no cargo e concedeu a Antípatro a cidadania romana, nomeando-o depois como governador da Judeia romana. Antípatro nomeou então o seu filho mais velho, Faisal, como «strategos» (chefe da administração) da Judeia e Peres, e Herodes como «strategos» da Galileia.
As tentativas dos Judeus mais influentes de Jerusalém para expulsar Herodes daquela posição depois de ele ter executado um bandido e o seu bando falharam, mas as incertezas sobre o seu futuro agravaram-se depois do assassinato de César em 44 a.C. Quando os assassinos de César foram derrotados por Marco António e por Octávio em 42 a.C., Herodes conseguiu obter prontamente os favores de António. No entanto, surgiu uma nova ameaça quando Antígono, o filho mais novo de Aristóbulo II, marchou sobre Jerusalém, apoiado pelos Partos. Antígono capturou Hircano, considerou-o inapto para ser sumo sacerdote e cortou-lhe por isso as orelhas. Faisal, irmão de Herodes, cometeu suícidio e Herodes fugiu deixando a família no rochedo inexpugnável de Massada, que naquela altura era ainda uma fortaleza asmoneia.
Herodes alcançou Roma e, tendo garantido o apoio de António, de Octávio e do Senado, foi nomeado rei da Judeia. Decorria o ano de 40 a.C, mas Herodes era apenas rei nominalmente, não exercendo qualquer poder efetivo sobre o seu território. Depois de os Romanos terem expulso os Partos da Síria, Herodes conseguiu dar início à reconquista do seu país, começando pelo porto de Jope em 39 a.C. e terminando com a conquista de Jerusalém, dois anos depois. É por isso que o seu reinado começa, efetivamente, apenas em 37 a.C.
Em 31 a.C. ocorreu uma situação potencialmente desastrosa quando Octávio derrotou Marco António, apoiante de Herodes, na Batalha de Actium. Feliszmente para Herodes, encontrava-se na altura ocupado a lutar contra os Nadabeus na Cisjordânia e por isso não lutou ao lado de Marco António, a quem devia alguns favores. Ao saber do resultado da batalha, Herodes viajou até Rodes para pedir uma audiência a Octávio. Tendo retirado a sua coroa na presença do soberano romano, herodes voltou a recebê-la com a promessa do apoio romano e, dali em diante, demonstrou ser um vassalo leal a Octávio. O primeiro teste à sua lealdade deu-se em 30 a. C. quando Octávio enfrentou Marco António numa batalha decisiva que culminou com o suicídio deste último. Depois da vitória sobre Cleópatra, Octávio devolveu ao reino de Herodes as cidades da zona costeira e da Cisjordânia que António tinha outrora oferecido a Cleópatra.



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