11/11/2017

Globalização do homem


«Num planeta em que as tribos humanas, em movimento constante, entram em colisão umas com as outras, a pressão torna-se opressiva. A rede aperta-se, suscitando uma sensação de claustrofobia e até de rejeição. A globalização traduz este momento histórico em que a Terra toma consciência dos seus limites e os homens da sua interdependência. O universo deixa de ser o espaço comum dos seus intercâmbios para se tornar no lugar dos seus tormentos recíprocos. Os povos ficam privados do afastamento necessário a qualquer relação, uma vez que nada mais os separa a não ser algumas horas de avião ou de comboio. Intolerável proximidade da aldeia global, a mesma onde seria necessária restabelecer afastamentos, intervalos, para que cada um tornasse a encontrar o seu lugar. A abertura prometida pela modernidade, a possibilidade maravilhosa de sair do local, da terra natal, do tribal, converte-se num novo confinamento à escala global. Não tanto alargamento dos horizontes como percepção do horizonte como uma nova clausura. Uma vez que há um só mundo, o das explosões demográficas, das catástrofes naturais e das migrações em massa, é mais do que nunca necessária uma inteligência de multidão. As tensões aumentam porque os indivíduos se aproximam, estão lado a lado, são obrigados a compartilhar o quarto. Para restabelecer pontes entre os homens, é preciso começar por restabelecer portas que delimitem os territórios de cada um.»


Em Um Racismo Imaginário, de Pascal Bruckner

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...