29/03/2017

Qual o motivo?


«Estaline era ateu e Hitler provavelmente não, mas mesmo que fosse, o essencial do debate Estaline/Hitler é muito simples. Os ateus poderão, individualmente, fazer coisas más, mas não as fazem em nome do ateísmo. Estaline e Hitler fizeram coisas tremendamente más em nome, respetivamente, do marxismo dogmático e doutrinário e de uma insana e nada científica teoria da eugenia, eivada de delírios subwagnerianos. As guerras religiosas são realmente travadas em nome da religião e ocorrem com uma frequência terrível ao longo da História. Não me lembro de nenhuma que tenha sido travada em nome do ateísmo. E porque haveria de o ser? Uma guerra pode ter como motivação a ganância económica, a ambição política, o preconceito étnico ou racial, uma grande ofensa ou uma vingança, ou ainda a crença patriótica no destino de uma nação. Um motivo ainda mais plausível para se travar uma guerra é a fé inabalável em que a nossa religião é a única verdadeira, corroborada por um livro sagrado que condena explicitamente à morte todos os hereges e seguidores de religiões rivais, e que promete explicitamente que os soldados de Deus irão diretamente para um céu de mártires. Em The End of Faith, Sam Harris vai, como de costume, ao cerne da questão:

O perigo da fé religiosa reside no facto de ela permitir que seres humanos que são normais em tudo o resto, colham os frutos da demência e os considerem sagrados. Porque a cada nova geração se ensina às crianças que as proposições religiosas não precisam de ser justificadas como o são as outras, a civilização ainda se encontra sitiada pelos exércitos da desrazão. Ainda hoje, passado este tempo todo, nos matamos por causa de literatura antiga. Quem imaginaria que algo tão tragicamente absurdo seria possível?

Em contraste com isto, porque razão haveria alguém de ir para a guerra por causa de uma ausência de crença?»

Richard Dawkins, in A Desilusão de Deus, Casa das Letras, 6ª edição, de 2011


Foto: Gaza, destruida pela guerra entre palestinianos e israelitas. Fonte: https://www.nytimes.com/2015/08/23/world/middleeast/one-year-after-war-people-of-gaza-still-sit-among-the-ruins.html?_r=0


Facetas


«A religião é vista pela gente comum como verdadeira, pelos sábios como falsa e pelos governantes como útil.»

Séneca

28/03/2017

Recordes



 
«Deus e a Pátria formam uma equipa imbatível, superando todos os recordes no que respeita à opressão e ao derramamento de sangue.»

Luis Buñuel

22/03/2017

É mais fácil...


«Na dimensão pessoal, poucas pessoas desenvolvem um ponto de vista sobre o que poderiam fazer para libertarem o seu potencial, poucas tomam as "posições" que farão a diferença e poucas seguem as vias que criam autoconhecimento e mestria. É mais fácil deixar que a vida nos conduza do que conduzi-la.

Na dimensão corporativa, poucos presidentes executivos desenvolvem um ponto de vista sobre o que tornará as suas instituições verdadeiramente distintivas, poucos tomam posições originais que farão alguma diferença e poucos fazem o suficiente para influenciar o resultado. É mais deixar que o ambiente de negócios, os mercados ou os reguladores nos conduzam do que sermos nós a conduzi-los.

Na dimensão da política nacional, poucos presidentes e primeiros-ministros possuem uma visão clara do potencial dos seus países, poucos tomam posições que libertem o potencial do seu povo ou criem mudanças positivas e poucos influenciam os seus países suficientemente de modo a provocar uma diferença significativa na prosperidade e desenvolvimento do seu povo. É mais fácil passar o tempo a lidar com as políticas da governação do que a liderar.

Na questão da guerra e dos assuntos internacionais, poucos líderes desenvolvem um ponto de vista sobre a relação ideal entre eles próprios e os seus inimigos, poucos tomam posições que conduzam à melhoria das relações internacionais e poucos influenciam o curso que conduzirá à paz, prosperidade e liberdade acrescentadas. É mais fácil defender a própria ideologia e bem-estar e evitar o conflito ou desencadear uma guerra.»


O Mestre em Estratégia - Poder, Objetivos e Princípios, Ketan J. Patel, maio 2006, Editorial Presença

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...