22/12/2016

Extinções e a Estrela da Morte


As análises iniciadas pelo paleontólogo J. John Sepkoski, Jr., da Universidade de Chicago,que mais tarde se veio a associar a David Raup, num enorme esforço enciclopédico acerca das espécies que se haviam extinguido, revelaram um número de extinções que tinham passado despercebidas. Embora certas extinções em massa fossem bastante mais devastadoras do que outras, revelavam um padrão inesperado e regular. A um período de lenta e constante proliferação das espécies, seguia-se um curto intervalo de tempo durante o qual desaparecia um extraordinário número de espécies, constituindo um processo cíclico. Lentamente, e após um período de milhões de anos, a vida no planeta voltava a estabelecer-se até à próxima grande extinção. Ao observarem os gráficos impressos, os dois paleontólogos notaram que as extinções em massa aconteciam em cada vinte e seis milhões de anos. Segundo Raup, a reação tida pelos dois investigadores foi de «horror». Pensava-se que as extinções se deviam à ocorrência simultânea de uma série de problemas que se agravavam com o passar dos tempos. Julgava-se que as grandes extinções eram o resultado de uma coincidência aleatória de sucessivos pequenos incidentes, o último dos quais constituiu levou à extinção dos dinossauros e consequente proliferação dos mamíferos. No entanto, se as grandes extinções se dão num determinado período regular, isso pressupõe a existência de uma única causa poderosa e recorrente.
«Dissemos para connosco: não pode ser regular, deve tratar-se de um erro estatístico.» Mas apesar de todos os esforços dos dois cientistas de tentarem obter uma explicação ou um erro para os dados obtidos, foi sem sucesso. Finalmente abandonaram-se às evidências.

Mas que mecanismos teriam dado origem a esta repetição cíclica? Tanto quanto se sabe, nenhum grande ciclo da rocha, mar e ar se prolonga durante um período de vinte e seis milhões de anos. Nem mesmo os ciclos das glaciações  se repetem a um intervalo de tal grandeza astronómica. Se for possível encontrar a causa deste efeito, tal deveria ser procurado não na Terra, mas para além desta.
Em Berkeley, Luis Alvarez desafiou o colega astrónomo-físico, Richard Muller, a encontrar uma explicação plausível para os ciclos. Muller teve muitas ideias, passando por explosões solares até supernovas, mas acabou por abandoná-las uma a uma. Por fim, trabalhando em conjunto com dois colegas, Marc Davis e Piet Hut, desenvolveu um modelo teórico.
A maior parte das estrelas existentes na nossa galáxia possuem um companheiro. Existem mais estrelas binárias do que astros solitários. Muller expôs a ideia ousada de que o nosso próprio sol poderia ter um companheiro de viagem, nunca antes detectado pelos astrónomos, devido à sua pequenez, negridão e distância. Suponha-se então que esta estrela-companheira descreve, em cada vinte seis a trinta milhões de anos, uma órbita em redor ao Sol. De cada vez que completa uma rotação, o astro aproxima-se o suficiente para despedação objectos mais longínquos, cuja órbita se efectua em torno do Sol - ou seja, a nuvem de cometas gelados denominada de nuvem de Oort, em honra do astrónomo holandês Jan Hendrik Oort que a descobriu, ajudando também a traçar a estrutura, em forma de braço de esperial, da Via Láctea.
Quando esta estrela se encontra mais afastada, pouco afeta o enxame de cometas, no entanto à medida que se aproxima do Sol, vai de encontro aos cometas, perturbando as suas órbitas e lançando uma grande parte deles em direção à Terra e ao Sol. Alguns colidem com a Terra, dando origem a extinções em massa, a cada vinte e seis a trinta milhões de anos, segundo o padrão regular descoberto por Raup e Sepkoski.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...