12/09/2016

Sistemas de crenças no mundo (II)


Religião da Roma Antiga
Na Roma antiga, cada divindade era responsável por um aspecto da vida quotidiana e eram-lhe oferecidas preces e súplicas, de acordo com a condição social e a necessidade. A adoração podia ocorrer em casa, no santuário privado ou num lugar sagrado, num templo ou, em dias festivos, num estádio nacional. Deste modo, os deuses eram "profissionais", o que facilitava a incorporação de divindades estrangeiras no panteão.

Religião do Egito Antigo
A história do Egito antigo estende-se ao longo de mais de dois milénios (3000 a.C - 300 a.C.). Na religião egípcia, houve um determinado número de elementos que se mantiveram constantes, mas aos quais frequentemente se atribuíram nomes diferentes, em épocas diversas: uma história da criação, que envolve o céu, a Terra e o ar que circula entre eles; o deus Sol; a luta dualista entre o bom deus Hórus e a deusa Set, por vezes menos virtuosa; a deusa-mãe; e a vida depois da morte. As divindades personificavam frequentemente animais, muitos eram específicos de determinada região ou cidade. O faraó recebeu o estatuto divino desde muito cedo. A religião era controlada pela classe sacerdotal, poderosa e rica.

Religião Maia
Os Maias (300-900) constituíam uma civilização agrícola que habitava a América Central, sendo o milho a sua principal cultura. Assim, a concentração da religião distribuía-se parcialmente por um deus do milho e outras divindades responsáveis pelas boas colheitas e entre deuses inimigos dos humanos e do seu bem como, por exemplo, aqueles que traziam as enchentes. Os rituais (onde se incluíam sacrifícios), tanto os dedicados às divindades benevolentes como às malignas, revestiam-se de complexidade. Os poderosos sacerdotes maias eram astrónomos de grande capacidade e efetuaram intrincados cálculos de calendarização. 

Religião Suméria
Condicentes com a fé de uma civilização antiquíssima (3000 - 2550 a.C.), a maioria das convicções religiosas dos Sumérios dirigia-se para a segurança geral e bem-estar quotidiano - as principais divindades eram as das forças naturais  (dos elementos), da agricultura e da fertilidade doméstica e ainda da vitória na guerra. Construíram grandes templos e torres para abrigar os adoradores e os seus rituais, conquanto as divindades tutelares pudessem variar nas diferentes cidades-estado. Que os adoradores acreditavam que até os seus maiores reis estavam sujeitos à vontade divina, torna-se evidente a partir da figura do lendário Gilgamesh, cujas tentativas para encontrar a imortalidade foram frustradas pelos deuses.

Religião Védica
Os arianos, que invadiram a Índia durante o segundo milénio a.C., levaram consigo os Vedas, os seus textos sagrados - uma vasta compilação, em sânscrito de filosofia e liturgia, na sua maior parte em verso. Uma grande parte refere mitos da criação, caracterizando alguns dos deuses que conservam a sua importância no moderno Hinduísmo e outros que se desvaneceram numa relativa obscuridades - como Indra, Agni e Varuna. As histórias estão muito relacionadas com as dificuldades físicas e militares da invasão ariana, mas os Vedas continuam a ser sagrados para os hindus, constituindo a base histórica das suas convicções.

Religiões Africanas (Nativas)
As religiões existentes em África e que não foram introduzidas por missionários islâmicos ou cristãos são, na generalidade, animistas, isto é, apercebem-se da presença de seres espirituais em certos pontos do terreno e noutras configurações naturais, conquanto algumas tribos reconheçam divindades de ordem mais elevada. Muitos dependem da meditação de um xamã ou pessoa santa, capaz de, em estado de transe, se deslocar ao mundo espiritual em busca de soluções para problemas correntes. Muitas tribos possuem o seu próprio mito da criação que, frequentemente, representa uma enorme serpente primordial.

Religiões Nativas Norte-Americanas
Claramente constantes entre centenas de tradições coincidentes são: a reverência para com um Grande Espírito; os pássaros do trovão - pássaros gigantescos, cujo adejar de asas produz a trovoada e a chuva e que, no entanto, são benévolos; um Mundo Inferior, que é basicamente malévolo, mas a partir do qual nascem as ervas e as plantas; os essenciais espíritos dos animais, das aves e das principais plantas, que podem corresponder  aos tótemes pessoais ou tribais; e os espíritos ancestrais da tribo. O ritual  religioso é principalmente comunal (envolvendo o canto e a dança), mas, para determinadas cerimónias ou adivinhações, pode ser desempenhado por um xamã ou uma feiticeira.

Sikhismo
Fundado na Índia pelo Guru Nanak, no século XV, o Sikhismo centra-se na convicção de um Deus transcendente que impregna o mundo que criou. Através de encarnações sucessivas - durante as quais os conceitos orientadores devem ser o trabalho, a adoração e a caridade - a alma humana pode progredir para a libertação final e volver-se verdadeiramente centrada em Deus (gurmukh), pela graça de Deus, que é considerado o derradeiro Guru (professor). Religião comunal, o Sikhismo requer uma iniciação formal à fé e um ritual diário de adoração e obrigações, embora o sacerdócio não exista como tal.

Sufismo
O Sufismo é um movimento islâmico profundamente asceta, popularizado no século XII. Com uma organização equivalente à das ordens monásticas, cada uma possui a sua própria forma de adoração extática que, geralmente, está dependente da repetição de uma palavra ou frase (como o nome de Alá) ou de uma atividade que possua as mesmas conotações (como o rodopio dos dervixes Mevlevi). Na atualidade, algumas dessas ordens consentiram na participação da congregação.

Tantrismo
Tantra, ou Tantrismo, é a utilização de determinadas práticas esotéricas - formas de meditação, incluindo o yoga - para se atingir um estado de êxtase espiritual e físico. Aplicado a algumas confissões do Hinduísmo e do Budismo, o Tantrismo caracteriza yantras (diagramas místicos) e mantras (repetições místicas ou fórmulas). O Tantra hindu pode envolver a relação sexual como meio de alcançar a iluminação. Normalmente, o Tantrismo budista estipula a presença de um guru (instrutor).

Taoísmo
O princípio mais elevado subjacente ao Taoísmo (ou Daoísmo) é a existência de uma unidade por detrás da multiplicidade visível do mundo, uma ligação entre os assuntos humanos e os acontecimentos da natureza e um equilíbrio e harmonia gerais nos ciclos da vida. As convicções centrais do Taoísmo estão expressas no Tao Te Ching, livro que se pensa ter sido escrito por Lao Tsé, no século V ou VI a.C. Seguindo o Tao, ou Caminho, o devoto pode procurar a satisfação espiritual através da experiência da unidade com o mundo natural. O ideal doísta é wu wei, ou não-agir, um estado de contemplação sem qualquer intenção de resultado.

Vodu
Sendo basicamente uma forma de Xamanismo, o Vodu combina elementos das religiões africanas e cristã com o animismo - nos seus deuses incluem-se divindades da África Ocidental, santos cristãos, os espíritos das forças naturais e os dos ancestrais. O Vodu é predominante no Haiti e nas Índias Ocidentais, conquanto ocorram práticas semelhantes em algumas zonas das modernas América do Norte e do Sul. Em quase todas as cerimónias Vodu - depois de obtida a necessária permissão de Legha, o "deus da porta" - o xamã e um ou mais adoradores entram em transe e são possuídos por um dos deuses, assumindo as características da divindade.

Xamanismo
É uma forma de ritual religioso - praticado principalmente pelos que professam crenças animistas ou totémicas - na qual o xamã, normalmente um homem, entra em estado de transe e viaja até ao mundo espiritual. O seu objetivo poderá ser a súplica por um benefício mundano (como um filho, uma cura, uma boa colheita ou a chuva) para aplacar ou pacificar um espírito classificado como zangado ou maligno, ou descobrir o culpado de um crime ou dano , principalmente no caso de uma morte súbita. A Europa e a Antártictida são os únicos continentes nos quais os xamãs não têm uma prática regular.

Xintoísmo
Xintoísmo - o "caminho dos deuses" (kami) - é a antiga religião indígena do Japão e os seus dogmas regem a sociedade nipónica e todos os seus costumes. Centraliza-se na convicção de que os kami, que são essencialmente espíritos, tanto quanto os deuses, ocupam e controlam todos os aspetos e trabalhos da natureza no mundo. Antes de fazerem a sua súplica ou oferenda ritual os adoradores que se dirigem aos inúmeros santuários espalhados por todo o Japão batem as palmas uma ou duas vezes para atrair a atenção dos kami que estão presentes. Alguns rituais xintoístas podem ser praticados em casa, outros constituem festivais nacionais. A partir do século XIX surgiram várias seitas xintoístas e, atualmente, algumas têm as suas próprias comunidades, vastas e organizadas.

Zoroatrismo
Na Pérsia (atual Irão), no ano 1000 a.C., o filosofo religioso Zoroastro (Zaratustra) criou um novo sistema de fé a partir de elementos religiosos do seu tempo. Uma das mais antigas instâncias do monoteísmo, a nova religião era, por natureza, dualista, colocando o grande deus criador Ahura Mazda contra o diabólico Espírito Hostil Angra Mainyu, que, no final dos tempos, acabaria por ser vencido. O Zoroatrismo conta, ainda hoje, com alguns seguidores. É uma religião comunal, na qual o sacerdote é hereditário, requer preces comunais diárias; outros ritos decorrem em casa, podendo também ser solenizado num templo, o que lhes confere uma emoção mais sagrada e ardente.



Bibliografia
A Linguagem do Espírito, Jane Hope, Editorial Estampa.



Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...