11/09/2016

Sistemas de crenças do mundo (I)


Alquimia
A alquimia, originária do Egito e da Grécia da Antiguidade, alia a química e a astrologia não só ao maravilhoso meio físico que transforma os metais-base em ouro, mas também do seu equivalente metafísico que, segundo se crê, revelará os segredos do universo.

Budismo Zen
O Zen é uma tradição monástica do Budismo, que entrou no Japão, oriundo da China, no século XII. Enfatiza a experiência pessoal da iluminação através da meditação e uma vida simples, próxima da natureza. No Japão, existem duas correntes Zen primordiais: o Rinzai Zen, que busca uma iluminação súbita e espontânea (muitas vezes através de uma koan, ou enigma, posto pelo professor); e o Soto Zen, no qual a aquisição da iluminação constitui um processo mais gradual, através do zazen, ou "sessão de meditação".

Budismo
O objetivo do budismo é a iluminação - libertação das amarras físicas e mentais do mundo e do ciclo reencarnatório, através do qual um espírito nasce numa sucessão de corpos diferentes, de modo a, num futuro mais ou menos longínquo, se poder fundir com a entidade infinita que é o Ser Supremo. A primeira pessoa a atingir a iluminação foi Sidhartha Gautama, conhecido por Buda, facto ocorrido na Índia há 2500 anos, tendo sido ele quem estabeleceu os meios pelos quais se poderá atingir a iluminação: as Quatro Verdades Nobres e o Caminho Octogonal. A forma original da religião é conhecido pelo nome de Theravada; a feição mais evoluída e liberal , que recebeu o nome de Mahayana e inclui a noção de bodhisattva, pode atrasar o alcance do estágio final da iluminação, de modo a inspirar outros. No Tibete e no Japão são normais outras formas de Budismo. Este requer uma considerável autodisciplina e ascetismo e, até certo ponto, tem tanto de filosofia ou norma de vida como de religião.

Confucionismo
O Confucionismo é uma filosofia de altruísmo, pela qual se exige às pessoas detentoras de autoridade que lutem pela felicidade e bem estar daqueles que estão sob a sua responsabilidade, sendo o resultado final a aspiração à perfeição "celestial". Deste modo, após a sua instituição por Confúcio (Kong Fu Zi), século VI a.C. e ao longo de alguns milénios, o Confucionismo contribuiu inquestionavelmente para a ordem social e política da China.

Crenças Aborígenes Australianas
O fundamento de todos os povos aborígenes é o conceito do Sonho ou do Momento do Sonho - a ocasião em que os Heróis do Céu, ou espíritos ancestrais, formaram o mundo e tudo o que nele existe. Os pontos em que estes espíritos deixaram as suas marcas, em aspetos inusitados do terreno local, constituem as pistas do Sonho ou "linhas canoras". É nas localizações destas linhas canoras, ou através da ligação espiritual  com elas, que os aborígenes podem participar ritualmente no Momento do Sonho, especialmente em relação ao espírito ou animal que constitui o totem tribal. Presta-se grande reverência a estes lugares sagrados, dos quais o mais conhecido é, provavelmente, Uluru (Ayers Rocks), na região ocidental. O uso que os aborígenes fazem da simbologia religiosa pode ser verificado através dos seus complexos trabalhos de arte e das pinturas corporais.

Crenças Celtas
Nunca existiu uma única crença celta: os grupos celtas (a partir de 3000 a.C.) reverenciavam as suas várias divindades numa base estritamente local e ancestral, com rituais apropriados. Contudo, existiam determinados elementos que eram constantes. Por exemplo, todos os celtas acreditavam na vida após a morte; muitos dos deuses e deusas celtas tinham uma natureza tríplice ou trina e verificava-se uma invulgarmente elevada proporção de divindades femininas. Muitas delas detinham uma ligação intima com as forças da natureza ou com a violência da guerra. Outro  elemento era o fascínio pelo mágico, especialmente em associação com localizações lendárias.

Crenças da Polinésia
Grande parte da mitologia da Polinésia (incluídas as lendas da Nova Zelândia e do Havai) concentra-se num relato da criação  efectuada pelo Céu e pela Terra que, entre produziram os deuses que, por sua vez, criaram a primeira mulher e o primeiro homem. Este poder criador é conhecido por mana, termo igualmente aplicável ao poder social e à influência, que põe em confronto a condição, na sociedade humana - um conceito que ainda tem importância, uma vez que se espera que os de alta estirpe permaneçam ritualmente puros e evitem tudo o que seja tapu (tabu).

Crenças do Período Neolítico 
As culturas neolíticas (8000 a 3000 a.C) assistiram ao advento da agricultura e estabeleceram comunidades. No início desta época, a sociedade seria provavelmente matriarcal e as principais divindades eram, consequentemente, femininas - a deusa mãe, a deusa do Sol e a deusa do fogo - com referência particular à fertilidade sazonal da natureza e da regularidade dos ciclos do corpo humano feminino. Quando se tornou necessária a defesa armada da comunidade estabelecida, observou-se, na maioria das sociedades, a mudança de polaridade do sexo dominante, tanto nos chefes da comunidade como nas divindades.

Crenças Nórdicas
O panteão nórdico dos Vikings (século IX-X) é constituído por figuras de carácter robusto, adequadas às suas histórias, e não por entidades religiosas. Representam deificações das forças naturais, dos lendários fundadores das capacidades e artes humanas e dos supostos inauguradores dos festivais. Porém, os últimos deuses da guerra que habitaram Asgard, conhecida por Aesir, foram precedidos pelos Vanir, mais pacíficos. Estavam presentes elementos de magia, refletidos no desempenho dos seus rituais. Os Vikings acreditavam na vida após a morte, conhecida por Valhalla. Quando morriam, os reis e os guerreiros importantes eram levados pelas Valquírias (deusas da guerra). Conceberam, também, uma visão apocalíptica do cataclismo final do mundo - Ragnarok.

Cristianismo
Os cristãos crêem que a salvação espiritual é possível para todos aqueles que acreditem sinceramente que Jesus Cristo se submeteu à execução formal pela Crucificação para remir os pecados do mundo, que dois dias depois ressuscitou fisicamente dos mortos e que era o Filho de Deus. O facto de também poder ter sido o Messias anunciado pelos profetas do Judaísmo permanece envolto em mistério, seguindo-se , quatro séculos mais tarde, a aceitação formal por parte das autoridades cristãs, da doutrina propagada pelo maior seguidor de Jesus, Paulo.
A doutrina de Paulo desenvolveu o conceito místico da Trindade: a convicção de que um Deus único existe em três "Pessoas", sendo Jesus uma delas e o Espírito Santo, outra. Os ensinamentos de Jesus foram inspiradores tanto em termos espirituais como sociais, mas a prejudicial abundância de interpretações ao longo dos séculos conduziu a uma considerável diversidade de Igrejas Cristãs e denominações. Muitas observam diferentes formas de ritual.

Cultos de Mistério
Este é um título generalizado, atribuído às práticas religiosas esotéricas durante o período grego-romano, que envolviam cerimónias de grande secretismo, às quais só os iniciados eram admitidos. Incluiam os mistérios eleusianos (dedicados a Deméter e a Perséfone), o Mitraísmo (que incluía o sacrifício de um boi a Mitra, originalmente uma divindade persa) e vários ritos consagrados a Dioníso. A maioria incorporava alguma forma de "viagem" mística de ida e volta ao mundo inferior, caracterizado por uma imersão total na água ou por um ritual no interior de uma caverna escura; o regresso tinha conotação com a limpeza ritual ou com o começo de uma nova vida. Alguns proporcionavam ainda a promessa de uma vida abençoada no além. Muitos desses cultos eram específicos de uma localidade ou região.

Gnosticismo
Esta forma de fé esotérica e filosófica desenvolveu-se no mundo grego-romano no século II. Exerceu grande influência sobre a jovem religião cristã e salientou o poder redentor do conhecimento esotérico alcançado através da revelação divina. O mundo material era entendido como essencialmente mau e corrupto. A revelação da origem humana, da sua essência e destino podiam ser alcançadas pela intuição do mistério do ser e não através do estudo intelectual ou das referências das escrituras.

Hinduísmo
Interligado com a história e a sociedade organizada por castas da Índia ao longo de milénios, o Hinduísmo diz que o objectivo da espiritualidade é a fusão final da alma individual na Derradeira Realidade, após muitas reencarnações sucessivas da alma individual. Para esta libertação (moksha) do ciclo de renascimento, a conduta correcta (dharma) e a renúncia às prisões do mundo são os objectivos primordiais. O panteão hindu dispõe de uma verdadeira hoste de divindades. A maioria dos hindus venera uma de três entidades: Vishnu, o criador e protetor da humanidade; Shiva, o destruidor, o dançarino cósmico e símbolo da energia masculina; ou Shakti, a grande deusa e oposto feminino de Shiva. Os rituais e as práticas variam profundamente. A peregrinação é comum e dispõem de muitos festivais.

Islamismo
Os muçulmanos acreditam que o texto do seu livro sagrado, o Corão, é constituído pelas palavras do próprio Deus, como foram reveladas pelo profeta Maomé - o último e maior dos santos profetas, do qual Abraão e Jesus foram antecessores - no decorrer do século VII. Consideradas palavras imutáveis de Deus, é necessário obedecer-lhe submissamente, observando profundamente o ritual e a sua pureza. Uma vida correcta ou a morte pelo martírio conduzem  ao paraíso que muitas vezes, é visto como um jardim.

Jainismo
O Jaínismo nasceu na Índia, no século VI a.C., quase na mesma época que o Budismo. Para os jaínistas, todos os seres vivos possuem um espírito ou alma e podem, com o passar do tempo e através de reencarnações sucessivas e progredir para além do estágio humano e acabarem por se libertar do ciclo de renascimento, atingindo o nirvana. Este tipo de capacidade significa que a vida deve ser considerada sacrossanta e que nos devemos abster de todas as formas de violência. De acordo com isto, alguns ascetas e monges jainistas andam nus, usando apenas uma máscara (com a qual evitam absorver os ácaros do pó) e usam uma vassoura, com a qual varrem o chão diante dos seus passos.

Judaísmo
Religião antiga, datada do segundo milénio antes de Cristo, o Judaísmo foi algo inusitado para a sua época, pelo facto de ser estritamente monoteísta. Desde o começo, os seus adeptos, conhecidos por hebreus ou israelitas, consideravam-se a si próprios o Povo Escolhido de um Deus  único que, por contacto direto e através dos patriarcas e dos profetas, revelou leis de conduta (Principalmente os Dez Mandamentos) através das quais, e em devido tempo, toda a humanidade - dependendo do julgamento de Deus no Dia do Juízo Final - encontra a salvação espiritual. A Bíblia hebraica contribuiu muito para as tradições do Cristianismo e, em menor grau, para as do Islão; documentos e comentários posteriores foram acrescentados ao significativo corpo do ensinamento religioso. Os judeus ortodoxos seguem um calendário anual de festas e jejuns; os rituais podem ser desempenhados em casa e na sinagoga.

Maniqueísmo
Mani, fundador do Maniqueísmo (c. ano 240), postulava que o mundo fora invadido pelo princípio do mal. Dentro de um quadro mitológico esotérico - onde se incluem elementos do Gnosticismo cristão - declarou que a libertação da bondade no mundo não se repercutiria apenas sobre o estado original de separação entre o bem e o mal mas também sobre a salvação para todos, no Reino de Luz resultante. Exigia-se aos adeptos que aceitassem um regime ascético, de profunda autodisciplina.

Religião Asteca
Os antepassados dos astecas são oriundos de várias tribos da América Central e todas estas parecem comungar de uma história de implacáveis desastres naturais. Daí resultou a sua forte crença religiosa de que o sacrifício humano era a única forma de prevenir, no futuro, a ocorrência de desastres semelhantes. Assim, dentro do vasto número de divindades de que dispunham, muitas exigiam o sacrifício humano regular e em grande escala. Os sacerdotes detinham um poder considerável e possuíam um calendário extraordinariamente preciso que, em si mesmo, estava imbuído de significado religioso.

Religião da Babilónia
A Babilónia era uma cidade-estado submetida, ao longo de muitos séculos, ao domínio de vários povos (inclusivamente dos Sumérios, dos Assírios e dos Persas) que importaram as suas ideologias e sistemas religiosos - todos eles sombriamente incorporados a um panteão extraordinariamente variado. O sentimento religioso mais consistente era a reverencia pelas divindades agrícolas, particularmente Tamuz O grande zigurate, ou pirâmide de degraus, na Babilónia, fazia parte de um complexo religioso dedicado a Marduk, a divindade principal, deus do Sol da Primavera.

Religião da Grécia Antiga
A principal função da religião grega consistia na observação do ritual, que era mais reverenciado do que os muitos deuses e deusas do panteão, cujo comportamento e intervenção nos assuntos humanos tinha tinha por motivação o ciúme, a vingança e a luxúria, O panteão grego, já bem estabelecido por volta do ano 570 a.C., compreendia divindades mais elevadas, como Apolo, deus da cura e da música, e Ártemisa, a casta deusa da Lua e da caça, cujas origens não eram gregas. Rituais orientados por sacerdotes e sacerdotisas, onde se incluíam desempenhos dramáticos nos festivais religiosos, induziam o propósito da comunidade, especialmente em momentos difíceis. O vasto campo mitológico abrangia heróis folclóricos remanescentes do período pré-Helénico, como Herácles (Hércules).


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...