08/09/2016

Paranthropus boisei

O Paranthropus boisei foi um hominídeo primitivo, descrito como o mais largo do género dos Paranthropus (australopítecíneos robustos). Viveu na África Oriental durante o Pleistoceno, entre há cerca de 2,3 a 1,2 milhões de anos atrás.

Descoberto inicialmente pela antropologista Mary Leakey a 17 de Julho de 1959, em Olduvai Gorge, na Tanzânia, o bem conservado crânio, denominado de Nutcracker Man, foi datado de há 1,75 milhões de anos atrás e mostrava ter características pertencentes aos australopitecíneos robustos. E tal como outros membros pertencentes ao género Parantrhopus, o P. boisei caracterizava-se por apresentar um crânio especializado com adaptações a uma mastigação dura. Uma crista sagital fortemente pronunciada no meio do topo craniano, suportava os músculos temporais (grandes músculos de mastigação) a partir do topo  e laterais da caixa craniana até à mandíbula inferior, e então para a mandíbula superior, maior, e de volta para esta. A força concentrava-se nos molares e pré-molares. Grandes ossos das maçãs do rosto fizeram com que o P. boisei tivesse um rosto bastante alargado e achatado, criando uma abertura maior para a passagem dos grandes músculos mandibulares e suportar grandes dentes de mordente, quatro vezes maiores do que os do Paranthropus robustus, e um crânio achatado. Também apresentava uma caixa craniana maior do que a do Paranthropus aethiopicus, e o esmalte dentário mais espesso de todos os humanos primitivos conhecidos. A capacidade craniana nesta espécie também sugere o aparecimento de um ligeiro aumento no tamanho cerebral (cerca de 100 centímetros cúbicos num milhão de anos) independente do próprio  aumento do cérebro no género Homo, tendo cerca de 500 a 550 centímetros cúbicos.
As proporções dos membros, o tamanho relativo do membro superior e inferior, eram semelhantes aos dos Australopithecus afarensis que, somado a outras características os habilitam ao bipedismo.

Na realidade os primeiros fósseis pertencentes ao P.boisei foram encontrados em 1955, mas foi só aquando da descoberta do crânio "Zinj" (OH5) de Mary Leakey em 1959 que os cientistas repararam que tinham em mãos uma nova espécie. "Zinj" tornou-se o especimen-tipo para o P. boisei e, pouco depois, sem dúvida, o fóssil de um humano primitivo mais antigo da Olduvai Gorge, no norte da Tânzania.
Os machos pesavam uma média de 49 quilogramas e mediam 137 centímetros e as fêmeas 34 quilogramas e 124 centímetros.


Não se sabe tudo acerca desta espécie, permanecendo ainda muitas dúvidas por responder:
  1. O que, especificamente, comia o Paranthropus boisei? A morfologia e o estudo microscópico revelam coisas diferentes.
  2. Terá o Paranthropus boisei usado ferramentas de pedra? Apesar de se achar que não, os indivíduos do P. boisei têm sido encontrados em camadas estratigráficas com ferramentas, e também com espécies de Homo que frequentemente fabricam ferramentas, existindo então sempre a possibilidade que essas ferramentas pertençam invés a estas espécies.
  3. Qual era a vantagem das grandes mandíbulas e dentes do Paranthropus boisei?
  4. Estes humanos ancestrais floresceram durante um milhão de anos, mais de quatro vezes do que a nossa própria espécie, o Homo sapiens, tem de existência, e então extinguiram-se... Porquê? Os cientistas têm uma hipótese prevalecente: o P. boisei foi incapaz de se adaptar a uma mudança rápida no ambiente. Quando o clima da Terra sofreu fortes flutuações, variando entre o frio e o quente, pode ter havido mudanças nas proporções dos recursos alimentares disponíveis ao P. boisei. Certas plantas podem ter diminuído ou desaparecido. A habilidade de uma espécie de se adaptar à mudança de recursos, como a comida, é fundamental para a sua sobrevivência. Seria o altamente especializado P. boisei incapaz de se adaptar se algumas das suas plantas favoritas desaparecessem devido a mudanças climáticas?

Esta espécie foi apelidada de Nutcracker Man devido aos seus dentes grandes e músculos de mastigação fortes que estavam ligados à larga crista sagital do crânio. Estas características mostram que o Paranthropus boisei provavelmente ingeriam alimentos duros como nozes e raízes. Mas o resultado do estudo microscópio dentário visto no P. boisei é mais semelhante aos comedores de frutos com estrias finas, em vez de covas fundas e largas vistas nos dentes das espécies vivas que comem erva, folhas duras e caules ou outros alimentos duros. O contraste entre a morfologia do crânio e dentes e estudo microscópico poderão demonstrar que o Paranthropus boisei teria,, provavelmente, uma dieta diversificada e alargada. É possível que esta espécie só tenha consumido alimentos mais duros nas alturas em que os seus recursos favoritos eram escassos.
Esta espécie viveu em ambientes dominados por pastagens, mas que também incluíam habitats mais fechados e húmidos associados a rios e lagos.

Pensa-se geralmente que o Paranthropus boisei é descendente do anterior Paranthropus aethiopicus (que habitou precisamente a mesma área geográfica umas centenas de milhar de anos antes) e viveram ao mesmo tempo que outras espécies de hominídeos durante os seus 1,1 milhões de anos de existência. O P. boisei pertence a apenas um dos muitos ramos da evolução humana, o qual, segundo muitos cientistas, inclui todas as espécies de Paranthropus e não levaram ao Homo sapiens.

A descoberta de 1975 do especimen P. boisei KNM-ER 406 e o Homo erectus KNM-ER 3755 na mesma camada estratigráfica foi  a primeira evidência do facto de que viveram em conjunto. Esta descoberta veio a trazer luz a uma controvérsia de longa data e confirmou que mais do que uma espécie de humanos ancestrais coabitaram na mesma área geográfica ao mesmo tempo. Mais descobertas vieram a confirmar que esta foi uma das espécies mais prevalecentes na África Oriental durante o período temporal em que os primeiros Homo também se encontram presentes na região, igualmente. Isto substituiu a visão tradicional de uma única linhagem humana pela noção de uma árvore familiar humana com muitos ramos (tal como a maior parte das outras árvores familiares). Tem-se acrescentado ramos de novas espécies desde então.



Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...