14/09/2016

Os estóicos

O estoicismo foi fundado por Zenão de Cítio (334 - 262 a.C.) que, oriundo de Chipre, se veio a juntar aos cínicos de Atenas, após um naufrágio, no início do século III a.C. 
O nome estóico vem do termo grego que designa «pórtico» (stoa), por Zenão juntar os seus ouvintes num pórtico. O estoicismo viria, posteriormente a adquirir uma grande influência e importância para a cultura romana.
Os estóicos ensinavam que as emoções destrutivas eram resultantes de erros de julgamento, a relação ativa entre determinismo cósmico e liberdade humana e a crença de que é virtuoso manter uma vontade (prohairesis) que está de acordo com a natureza. Assim, apresentaram uma filosofia como um modo de vida e defendiam que a melhor indicação da filosofia de um indivíduo não era o que uma pessoa diz mas como essa pessoa se comporta. Para se viver uma boa vida, era preciso entender as regras da ordem natural, uma vez que ensinavam que tudo estava enraizado na natureza.
Tal como Heraclito, os estóicos achavam que todos os homens participavam da mesma razão universal - ou do mesmo logos. Para os estóicos, cada homem era um mundo em miniatura, um «microcosmos» que refletia o «macrocosmos».
Esta teoria levou à convicção de um direito universalmente válido, o direito natural. O direito natural baseia-se na razão intemporal do homem e do universo, por isso não se altera no tempo e no espaço. Neste aspeto, os estóicos tomavam o partido de Sócrates contra os sofistas.
O direito natural é válido para todos os homens, inclusivamente para os escravos. As leis dos diversos Estados era para os estóicos cópias imperfeitas de um direito que se baseava na própria natureza.
Assim como os estóicos aboliam a diferença entre o indivíduo e o universo, também contestavam uma oposição entre «espírito» e «matéria». Segundo esta escola, há apenas uma natureza. A esta concepção dá-se a denominação de monismo (ao contrário de, por exemplo, do flagrante dualismo de Platão, a bipolarização da realidade).
Como verdadeiros filhos do seu tempo, os estóicos eram cosmopolitas («cidadãos do mundo»). Estavam portanto mais abertos à cultura contemporânea do que os «filósofos do tonel» (os cínicos). Segundo eles, a comunidade dos homens devia interessar-se por política, e muitos estóicos foram estadistas ativos, como, por exemplo, o imperador romano Marco Aurélio (121-180 d.C.). Contribuíram para que a cultura e filosofia gregas fossem difundidas em Roma sobretudo graças ao orador, filósofo e político Cícero (106-43 a.C.), que criou o conceito de humanismo, ou seja, uma concepção do mundo que tem o individuo como centro. O estóico Séneca (4 a.C. - 65 d.C.) disse alguns anos mais tarde que o homem era sagrado para o homem, afirmação que se tornaria o mote de todo o humanismo.
Os estóicos também sublinharam que todos os processos naturais - por exemplo, a vida e a morte - seguiam as leis constantes da natureza. Por isso, o homem tem de se reconciliar com o seu destino. Segundo estes, nada acontece por acaso. Tudo acontece por necessidade e de pouco serve a lamentação quando o destino bate à porta. Mesmo as situações felizes da vida devem ser aceites com uma grande serenidade. Esta posição é semelhante à dos cínicos, para quem todas as coisas exteriores do mundo eram indiferentes. Ainda hoje se fala de uma «serenidade estóica», quando alguém não se deixa arrebatar pelos sentimentos.

O estoicismo era caracterizado pelos seguintes pontos:
  • Virtude é o único bem e caminho para a felicidade;
  • Indivíduo deve negar os sentimentos externos;
  • O prazer é um inimigo do homem sábio;
  • Universo governado por uma razão universal natural;
  • Valorização da apatia (indiferença);


Fontes
O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder, Editorial Presença, Lisboa, 30ª edição, Maio 2011
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo



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