20/09/2016

Ofertas ao chefe mochica


Não se conhece bem os povos pré-colombianos da América do Sul porque eles não tinham sistemas de escrita, mas sabe-se, através da arqueologia, que os membros de um desses grupos, o dos Mochicas, ou Moches, eram exímios ceramistas, tecelões, metalúrgicos e muralistas. Além disso, bebiam o sangue dos seus inimigos.
Os Mochicas, que viveram na costa norte do Peru desde a época de Cristo a 759 d.C, ergueram algumas das maiores estruturas de adobe jamais construídas. Contudo, são mais conhecidos pela sua cerâmica, muito diversificada e que representa objetos de uso quotidiano e animais, como jaguares e peixes. Algumas figuras são esqueletos; outras são representadas por desenhos de traços finos. 
A beleza da arte mochica pode ocultar o seu verdadeiro significado. O arqueólogo Cristopher Donan sugere que tal significado é essencialmente religioso e identificou um pequeno número de temas básicos nas peças de cerâmicas achadas até à data. Um deles, a que chamou tema de apresentação, aparece em muitos potes e murais. Este tema sugere que a civilização mochica foi construída sobre sacrifícios de sangue e que a justificação para as guerras era de cariz religioso. Nas representações pictóricas, individuos ricamente vestidos rodeiam um grande ser humano de capacete cónico, de cuja cabeça e ombros emanam raios. Um prisioneiro, nu, amarrado, é sangrado por um ser humano ou por uma figura felina antropomórfica, ou por ambos. Outra figura, semi-humana, semi-ave, apresenta ao chefe uma taça que se supõe conter o sangue da vítima. Também podem estar presentes guerreiros-raposas, aves e felinos e ainda cães e serpentes.
Os Mochicas e outros povos da América do Sul pré-colombiana não faziam distinção entre o mundo religioso e o secular. Para eles, uma taça nunca era apenas uma taça. Não há dúvida de que os recipientes achados nas suas sepulturas têm um significado religioso relacionado com a ingestão de sangue dos seus inimigos.
Ecos de tais crenças ainda se podem encontrar na atualidade nos Andes. Em certas cerimónias religiosas, os homens bebem sangue de animais para ter força. E também é crença geral que os xamãs podem usar certas partes do corpo de uma pessoa para lhe fazer mal.



Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...