16/09/2016

O neoplatonismo

Os cínicos, os estóicos e os epicuristas tinham as suas bases filosóficas assentes na doutrina de Sócrates. Recorrendo, igualmente a filósofos pré-socráticos como Demócrito e Heraclito. No entanto, a corrente filosófica mais notável da Antiguidade tardia inspirou-se sobretudo na teoria das ideias de Platão, sendo por isso designada de «neoplatonismo».
O neoplatónico com maior realce foi Plotino (Licopólis, 205 - Egito, 270)autor de Enéadas, discípulo de Amónio Sacas por onze anos e mestre de Porfírio), que estudou filosofia em Alexandria, tendo-se transferido posteriormente para Roma. É de notar que Plotino vinha de Alexandria, cidade que era já há muitos séculos o grande ponto de encontro da filosofia grega e da mística oriental. Assim, o filósofo levou consigo para Roma uma doutrina de salvação que viria a tornar-se uma séria concorrente do cristianismo que começara a afirmar-se, acabando por exercer uma forte influência nesta jovem religião.
Platão distinguia o mundo inteligível do mundo sensível e, consequentemente, acabava por haver uma clara separação da alma do homem do seu corpo. Assim, o homem tornou-se um ser duplo: segundo Platão o corpo era constituído por terra e pó, tal como todas as coisas que pertencem ao mundo sensível, mas o homem possui igualmente uma alma imortal. Esta concepção do homem já estava muito difundida na Grécia antes de Platão. Plotino para além de conhecer a teoria platónica estava também muito familiarizado com as concepções asiáticas que se assemelhavam a esta corrente filosófica grega.
Plotino via o mundo separado em dois pólos. Num extremo estando a luz divina, que ele designava por Uno. Por vezes, chamava-lhe também Deus. No outro extremo reinava  a escuridão total que a luz do Uno não alcança. Mas para Plotino, essa escuridão não existe de facto. É apenas uma ausência de luz. A única coisa que existe é Deus ou o Uno, mas tal como uma fonte luminosa se perde progressivamente na escuridão, também existe um limite para o alcance dos raios divinos.
Para Plotino, a luz do Uno ilumina a alma, ao passo que a matéria é a escuridão que na realidade não existe. Mas as formas da natureza também possuem um fraco reflexo do Uno.
Pode-se imaginar uma fogueira numa noite escura, o que arde é Deus - e a escuridão exterior é a matéria gelada de que os homens e os homens são feitos. Junto de Deus estão as ideias eternas que são os arquétipos de todas as criaturas. A alma humana é sobretudo uma «centelha de fogo». Mas em toda a natureza brilha um pouco dessa luz divina. É possível observá-la em todos os seres vivos, inclusivamente uma rosa ou um jacinto têm esse reflexo divino. A terra, a água e as pedras são o que se encontra mais afastado de Deus.
Em tudo existe algo do mistério divino, no entanto o homem está mais próximo de Deus na sua alma, só aí é possível a união com o mistério da vida.
As imagens usadas por Plotino lembram a alegoria da caverna de Platão. Quanto mais se se aproxima da  entrada da caverna, mais se aproxima da origem de tudo o que existe. Mas, ao contrário da clara bipartição da realidade de Platão, o pensamento de Plotino denota uma experiência do todo. Tudo é Uno - porque tudo é Deus. Mesmo as sombras na caverna de Platão são um fraco reflexo no Uno.
Plotino experimentou algumas vezes na vida a fusão da sua alma com Deus (experiência mística).



Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...