16/09/2016

Misticismo

Uma experiência mística é uma experiência de unidade com Deus ou com o «mundo espiritual». Embora muitas religiões defendam que existe um abismo entre a Criação e Deus, o misticismo afirma que na realidade não existe, defendendo por sua vez uma «fusão com Deus».
Segundo estes  o «eu» não é o verdadeiro eu da pessoa, o homem pode ter a experiência de uma identificação com um eu maior. Alguns chamam-lhe Deus, outros «mundo espiritual», «natureza absoluta» ou «universo». Na fusão, o místico sente que «se perde a si mesmo», desaparece ou perde-se em Deus, tal como uma gota de água se perde quando se mistura no oceano. Segundo as palavras de um místico indiano: «Quando eu existia, Deus não existia. Agora, Deus existe e eu já não existo».
Numa experiência mística a pessoa perde-se quanto à forma que possui no momento, mas ao mesmo tempo compreende que na realidade é algo infinitamente maior. É todo o universo. É a alma do mundo. É Deus. O verdadeiro eu é, para os místicos, um fogo maravilhoso que arde eternamente.
Mas uma experiência mística deste género nem sempre vem por si mesma. Muitas vezes, o místico tem de percorrer uma via de purificação e de iluminação para poder encontrar Deus. Essa via consiste numa vida simples e na meditação.
Encontram-se em todas as religiões correntes místicas, e o que os diferentes místicos escrevem sobre as suas experiências apresenta uma semelhança notável, apesar das diferenças culturais. O ambiente cultural só se manifesta quando os místicos tentam dar uma interpretação religiosa ou filosófica ao acontecimento.
Na mística ocidental - no judaísmo, cristianismo e islamismo - o místico afirma sentir o encontro com um Deus pessoal. Apesar de Deus estar presente na natureza e na alma humana, está além deste mundo. Na mística oriental - no hinduísmo, budismo e religião chinesa - o místico experimenta uma fusão total com Deus ou com a «alma do mundo».
Antes de Platão, havia fortes correntes místicas, sobretudo na Índia. Swami Vivekananda que contribuiu para a difusão do hinduísmo no Ocidente, afirmou: «Tal como certas religiões do mundo afirmam  que um homem que não acredita num Deus pessoal transcendente é ateu, nós afirmamos que o homem que não acredita em si mesmo é ateu. Não acreditar na grandeza da própria alma é aquilo a que chamamos de ateísmo.
Homens que não pertençam a nenhuma religião também podem relatar experiências místicas. De repente vivem aquilo a que se chama de «consciência cósmica» ou «sentimento oceânico». Sentem-se arrancadas do tempo e vêem o mundo «do ponto de vista da perspectiva da eternidade».



Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...