08/07/2016

Uma tábua de Ouija

Na corte de Constantinopla assistiu-se ao desenrolar de uma história de magia e conspiração, política e paganismo. Corria o ano de 371 d.C., no reinado do imperador cristão Valente, e Patrício e Hilário eram acusados de ter recorrido à adivinhação para descobrir quem ocuparia em seguida o trono imperial.
Patrício e Hilário tinham utilizado um dispositivo semelhante à moderna Tábua de Ouija. Haviam colocado um prato metálico, gravado com as 24 letras do alfabeto grego, sobre um tripé de madeira. Um vidente trajado de linho, envolto em fumo de incenso e dirigindo preces a um deus pagão (provavelmente, Apolo, deus da profecia), segurara um anel suspenso de um fio fino acima do prato. à medida que o espirito o fazia mover, o anel começara a agitar-se e a apontar letras, formando palavras.
Quando o vidente fez a pergunta crucial acerca do sucessor do imperador, o anel começara a indicar as primeiras letras de um nome: T - E - O -. Nesse momento, um dos participantes adivinhou que o homem nomeado seria Teodoro, e, assim, a sessão foi dada por terminada.
Embora os participantes tivessem jurado guardar segredo, em breve foram revelados pormenores da sessão, e Patrício e Hilário, acusados de traição. O mesmo aconteceu a Teodoro, embora este nem tivesse sequer sabido da realização da sessão. Estes três homens, e muitos outros também implicados, foram executados pelos seus alegados crimes.
Ironicamente, verificar-se-ia que o anel sabia mais do que o homem que falara na sessão de adivinhação. Passados sete anos, quando Valente morreu, o seu sucessor foi ... Teodósio.



Fonte:Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest
Imagem: Google


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...