17/06/2016

Os Filósofos Pré-Socráticos


Os primeiros filósofos ocidentais foram os designados Pré-Socráticos, (também designados por «filósofos da natureza», pois interessavam-se principalmente pela natureza e pelos processos físicos), ofereceram bastantes teorias acerca do mundo, sendo que muitas viriam a ser sujeitas a interpretações erronias, enquanto que outras tiveram um impacto tão profundo, que influencia o pensamento atual.

Os filósofos pré-socráticos foram os responsáveis pela ruptura com o passado por duas principais razoes:

  1. Tentavam compreender o mundo através do uso da razão, sem recorrerem à religião, à revelação, à autoridade ou à tradição. O que era ousado e novo e foi um dos marcos mais importantes no desenvolvimento do pensamento humano.
  2. Ensinavam as pessoas as pessoas a usarem, igualmente, o seu próprio raciocíno e a pensar por si só - o que fazia com que nem sequer esperassem que os seus discípulos concordassem necessariamente com eles. Foram os primeiros professores que não tentaram transmitir um conjunto de conhecimentos puro e inviolável, mas, em vez disso, tentaram incentivar os discípulos a discutir, a argumentar, a debater, e a apresentar as suas próprias ideias.
Estes dois desenvolvimentos na via mental dos dos homens ocidentais, ambos revolucionários, encontram-se interligados, razão pela qual aparecem sempre juntos. Depois de terem sido apresentados, desencadearam uma taxa de crescimento sem paralelo no conhecimento e no entendimento do mundo pelo homem.

Os primeiros pensadores deste tipo surgiram na antiga Grécia durante o século VI a.C. Sendo que Tales é tido como sendo o primeiro de todos. Tales era um grego que vivia na cidade de Mileto, na costa da Ásia Menor, na atual Turquia. Devido ao nome da cidade, o filósofo e os seus seguidores ficaram conhecidos como a escola de Mileto. Não se conhecem as datas do seu nascimento nem da sua morte, mas sabe-se que Tales ainda se encontrava activo e vigoroso na década de 580 a.C., porque previu com precisão um eclipse do Sol que ocorreu em 585 a.C. Foi também um dos primeiros engenheiros civis, realizando a proeza de desviar as águas do rio Hális para permitir que o rei Creso passasse.

De que são feitas as coisas?
A pergunta que mais obcecava Tales de Mileto era: «De que é feito o mundo?» Parecia-lhe que o mundo deveria ser constituído fundamentalmente por um único elemento. Atualmente sabe-se que esta conclusão surpreendente é verdadeira, apesar de muito pouco óbvia: hoje em dia sabe-se que todos os objetos materiais se reduzem à energia. No entanto, tal ideia não poderia ter ocorrido a Tales, pois a física que havia de levar a esta conclusão ainda não tinha sido inventada.. Sendo assim, o filósofo chegou à conclusão de que tudo se resumia a água, de uma forma ou de outra. Era capaz de ver que a água se transformava em pedra a temperaturas muito baixas e em ar a temperaturas muito elevadas. Sempre que chovia, as plantas brotavam da terra, sendo então evidente, para o filósofo, de que estas seriam constituídas por água numa outra forma. Todos os seres vivos precisam de uma enorme e constante ingestão de água para continuarem vivos (na verdade o corpo humano possui cerca de 65% de água em homens adultos e 60% em mulheres adultas). Tales via que todas as massas da Terra terminavam à beira da água; assim, o pensador chegou à conclusão de que tal significava que a Terra inteira flutuava sobre água, tendo, por conseguinte, surgido da água e, por isso, era constituída por água.

Tales teve um discípulo chamado Anaximandro, que nasceu em Mileto em 610 a.C. e viveu até cerca de 546 a.C. Anaximandro percebeu que, se, tal como Tales dizia, a Terra fosse apoiada pelo mar, este teria que ser apoiado por qualquer outra coisa - e assim sucessivamente, ad infinitum: depararíamos com aquilo a que se dá o nome de retorno infinito. Anaximandro resolveu o problema com a noção espantosa de que a Terra não está apoiada por absolutamente nada. Ela é apenas um objeto sólido suspenso no espaço e mantém-se na mesma posição pela sua equidistância em relação a tudo o resto. Anaximandro não considerava a Terra como sendo um globo, pois parecia-lhe óbvio que esta era plana, considerando-a, então, cilindrica: «A Terra... não é apoiada por nada, mas permanece estacionária devido ao facto de que está à mesma distância de todas as ouras coisas. O seu formato... é como o de um tambor. Caminhamos sobre uma das suas superfícies planas, enquanto os outros se encontram no lado oposto.»
Isto era demasaiado para Anaxímenes, que achava que era óbvio que a Terra era plana e que também deveria estar apoiada nalguma coisa. Ele acreditava que a Terra flutuava no ar, da mesma forma que a tampa de um tacho com água flutua, por vezes, no vapor. É de notar que durante muitas gerações após as sua mortes Anaxímenes foi um filósofo mais respeitado e influente do que Anaximandro. O que significa que, ao longo dessas gerações, houve pensadores que utilizaram Anaxímenes como o seu ponto de partida quando, na verdade, tinha havido um pensador anterior que havia chegado a uma conclusão muito mais parecida com a realidade do que ele. Este tipo de coisas continuou a acontecer ao longo da história da filosofia.

O caminho para cima é o caminho para baixo
O filósofo da escola de Mileto mais conhecido hoje em dia é Heraclito. Natural do Éfeso, atingiu o seu apogeu no início do século VI a.C. É principalmente famoso por duas ideias, as quais vieram a ter uma enorme influencia no pensamento vindouro.
A primeira é a unidade dos opostos. Heraclito salientava que o caminho que sobe a encosta de uma
montanha e o que desce não são dois caminhos em direções opostas - são o mesmo caminho. O jovem Heraclito e o velho Heraclito não são dois individuos diferentes, são o mesmo Heraclito. Se o seu parceiro de bebida diz que a garrafa está meio cheia e você disser que ela está meio vazia, não estará a contradizê-lo, mas sim a concordar com ele. Tudo (segundo Heraclito pensava) é uma união de opostos, ou pelo menos de tendências opostas.
Isto significa que a disputa e a contradição não devem ser evitadas. Na realidade, elas são o que se junta para constituir o mundo. Se o homem se libertar da contradição, está a libertar-se da realidade. Por outro lado, isto significa que a realidade é inerentemente instável. Tudo é sempre instável. E esta é a segunda noção que tem sido associada a Heraclito: «Tudo é Instável.»
Nada no mundo se limita a ser permanentemente. Tudo está em constante mudança. As coisas começam a existir de maneiras diferentes e nunca são iguais durante dois momentos seguidos, desde que existam, até que acabem por deixar eventualmente de existir outra vez. Tudo no Universo é assim. Talvez o próprio Universo. O que é designado por «coisas» não são, na verdade, objetos estáveis, mas estão sim em perpétua transição. Nesse aspeto, Heraclito, comparava-os a chamas: as chamas parecem objetos, mas na realidade não o são. Este é um conceito profundo, assim como desconcertante. Desde sempre que os seres humanos tentaram encontrar algo estável em que acreditar, por vezes também confiável, que durasse e não morresse, e Heraclito diz que tal não existe. Afirma que a mudança é a lei da vida e do universo. A mudança governa acima de tudo. Não é possível escapar-lhe.

A chave é a matemática
 Provavelmente o filósofo pré-socrático mais conhecido de todos, mais do que o próprio Heraclito, seja Pitágoras. Nasceu em Samos, e viveu de cerca de 570 a.C. até cerca de 497 a.C. Pitágoras era um génio multifacetado, sendo a matemática um dos seus dotes. Foi ele quem introduziu a noção de «quadrado» e de «cubo» de um número, aplicando assim à aritmética conceitos geométricos. Através dos seus ensinamentos, a palavra «teoria» adquiriu o seu significado conhecido da atualidade. Julga-se que foi Pitágoras quem inventou o termo «filosofia» e que empregou pela primeira vez a palavra «cosmo» em relação ao universo. A sua influência direta perdurou por gerações.
Pitágoras foi o primeiro grande pensador a estabelecer uma ligação entre a matemática e a filosofia. Esta foi uma das noções mais produtivas que algum ser humano jamais teve. Desde esse dia, a matemática desenvolveu uma relação simbiótica com a filosofia e as ciências, e alguns dos maiores filósofos também eram grandes matemáticos - Descartes, por exemplo, não só inventou o gráfico como todo o tema da geometria analítica e Leibniz descobriu o cálculo; isto para citar apenas dois exemplos.
Nos tempos atuais encontramos-nos habituados à ideia de que a matemática desempenha um papel indispensável na compreensão do universo. O facto de que o cosmos está a todos os níveis, desde as galáxias mais afastadas até ao interior do átomo individual, saturado com uma estrutura de um tipo que se expressa em termos matemáticos, é, na atualidade, tão familiar que existe o perigo de parecer óbvio, mas na verdade não tem nada de óbvio, sendo absolutamente surpreendente. Foi isso que levou tantos grandes cientistas, como, por exemplo, Einstein, a acreditar que deve existir algum tipo de inteligência para além do universo, se não mesmo necessariamente um Deus no sentido convencional judaico-cristão. A primeira pessoa a ter esta ideia sobre manifestação de todo o universo em termos matemáticos foi Pitágoras e isso também o conduziu a uma espécie de misticismo.
Pitágoras desenvolveu as consequências filosóficas destes conceitos numa vasta área; mas quase todas as suas ideias mais importantes foram assumidas e desenvolvidas de forma mais profunda por Platão.

Nós fazemos o conhecimento
 Um dos filósofos pré-socráticos mais cativantes é Xanófanes, que se distinguiu no final do século VI a.C. Tal como Pitágoras nasceu no litoral da Ásia Menor, em Cólofon, Jónia, mas passou a maior parte da sua vida no Sul de Itália. Xenófanes parece ter compreendido de uma maneira bastante profunda que os pontos de vista humanos sobre as coisas são criações humanas, incluindo aquilo a que é designado de «conhecimento». Ao aprender-se cada vez mais e ao mudar-se as ideias à luz do que é aprendido, é possível uma maior aproximação do que é a verdade, mas as ideias do homem continuam sempre a ser as suas ideias, existindo sempre um elemento de conjetura. Dizia o filósofo:

... quanto a uma verdade certa, nenhum homem a conhece,
Nem nunca conhecerá, nem mesmo sobre os deuses
E menos ainda de todas as coisas de que falei,
E mesmo que, por acaso, tivesse que proferir
A verdade final, ele não a conheceria:
Porque tudo não passa de uma teia urdida de suposições.

Xenófanes era astuto, até mesmo mordaz, no que respeita aos deuses:
Os Etíopes dizem que os seus deuses têm o nariz achatado e são negros.
Ao passo que os Trácios dizem que os deles têm olhos azuis e cabelo ruivo.
Porém,  se o gado, os cavalos ou os leões tivessem mãos e soubessem desenhar
E pudessem esculpir como os homens, então os cavalos desenhariam os seus deuses
Como cavalos, o gado como gado e depois cada um moldaria
Os corpos dos deuses à imagem de cada uma das suas espécies.

Estas transcrições de Xenófanes foram feitas pelo filósofo do século XX Karl Popper. A ideia de que todo o nosso denominado conhecimento científico é, na verdade, conjectura e, em princípio, é substituível por algo que pode estar mais perto da verdade é o centro da filosofia de Popper, e ele considerava Xenófanes como sendo a primeira pessoa a ter alguma vez exprimido esse pensamento.

Tudo é uma só coisa
Parménides, foi um discípulo de Xenófanes e destacou-se na primeira metade de século V a.C. Este filósofo fornece a primeira ligação com Sócrates. Platão relata Parménides como um velho, Zenão de Eleia (um discípulo de Parménides) como um homem de meia idade e o jovem Sócrates como uma fonte de discussão filosófca. Tanto Sócrates quanto Platão tinham consciência de terem aprendido com Parménides.
 Este filósofo achava autocontraditório afirmar que o nada existe. Pensava que nunca poderia ter havido o nada, portanto não podia ser verdade dizer que tudo - ou, na realidade, nada - provinha do nada. Tudo teria que ter sempre existido. Por uma razão semelhante, não é possível que o nada se transforme em nada. Por conseguinte, tudo deveria não só não ter princípio e existência como também deveria ser eterno e imperecível. Igualmente, por razões semelhantes, não pode haver lacunas na realidade e em partes da realidade onde nada existe: a realidade deve ser continua em si mesma em todos os pontos; todo o espaço deve ser completo, repleto de matéria. Isto faz surgir uma visão do universo como sendo uma entidade una e imutável. Tudo é uma só coisa. O que parece ser mudança ou movimento é algo que ocorre dentro de um sistema fechado e imutável.
Esta visão é muito semelhante à visão científica que se desenvolveu entre Newton, no século XVII, e Einstein, no século XX. Duas coisas sobre essa visão faziam lembrar Parménides. A primeira era determinista, por isso tudo era visto como sendo algo algo a que não se podia escapar e necessariamente como se apresenta. Na segunda acreditava-se que só poderia haver um «agora» a partir de um ponto de vista subjetivo de um observador: objetivamente falando, todos os momentos de tempo eram também significativos. Quando dois dos maiores pensadores do século XX se depararam com uma dúvida em relação a isto, o nome de Parménides foi mencionado na discussão. Os dois eram Einstein e Popper e no relato que este último faz deste encontro, na sua autobriografia, escreve:
«Tentei persuadi-lo a desistir do seu determinismo, que exprimia a opinião de que o mundo era um universo composto por um bloco a quatro dimensões, conforme Parménides, no qual a mudança era uma ilusão humana, ou muito perto disso. (Ele confessou que esta fora a sua opinião e enquanto a discutimos chamei-lhe "Parménides".)» Nada conseguia ilustrar de forma mais brilhante do que este facto que as ideias de Parménides tinham sido um ponto de referência para os pensadores até à atualidade.

Os quatro elementos
A personalidade mais pitoresca entre os filósofos pré-socráticos foi Empédocles, que se julga ter vivido na primeira metade do século V a.C. Foi um líder político democrata, sem dúvida um demagogo, a quem atribuíam poderes miraculosos e morreu ao atirar-se para dentro da cratera do vulcão no monte Etna.
Empédocles tentou reafirmar a realidade da constante mudança do mundo das experiências sensoriais
e também o pluralismo desse mundo, em oposição a Parménides, enquanto aceitava alguns dos conceitos de Parménides. Empédocles admitia que a matéria não poderia existir a partir do nada, nem ser transformada em nada, mas afirmava que tudo era composto por quatro elementos diferentes, os quais são perpétuos: terra, água, ar e fogo. (O fogo está relacionado com os fogos divinos do Sol e das estrelas.) Esta doutrina dos quatro elementos foi continuada por Aristóteles e desempenhou um papel importante no pensamento ocidental até ao Renascimento. (Na verdade ainda existem bastantes alusões na literatura ocidental.)
Segundo Empédocles, há na natureza duas forças diferentes que nela agem. designava estas forças por amor e discórdia. Aquilo que une as coisas é o amor, o que as desagrega é a discórdia.
Este filósofo também se dedicou à questão do que acontece quando sentimos algo. Por exemplo, como era possível ver uma flor? Empédocles pensava que os olhos, tal como todas as ouras coisas na natureza, eram constituídas por terra, ar, fogo e água. Assim, a terra no olho apreende o que é feito de terra no que é visto, o ar apreende o que é feito de ar, o fogo dos olhos apreende o que é feito de fogo e a água o que é feito de água


Entre os mas criteriosos dos filósofos pré-socráticos encontram-se os denominados «atomistas», dos quais se destacam essencialmente dois homens, Leucipo (primeira metade do século V a.C) e Demócrito (cerca de 460-370 a.C). Leucipo defendia a ideia fundamental de que tudo é composto por átomos, que são demasiado pequenos para serem vistos, ou até mesmo ainda mais subdivididos - a palavra «átomo» vem das palavras gregas que significam «que não pode ser cortado». Segundo este filósofo, tudo o que existe são átomos e espaço; e todos os diferentes objetos que existem consistem simplesmente em conjuntos diferentes de átomos no espaço.
Os próprios átomos são imutáveis e indestrutíveis e todas as mudanças no universo consistem em átomos que alteram tanto as suas formações como as suas localizações.
A interpretação que Leucipo e Demócrito atribuíram à mudança era essencialmente casual e isto é notável porque não fizeram nenhuma tentativa para explicar o fenómeno natural em termos de intenção. Demócrito disse uma vez: «Preferia descobrir uma causa do que conquistar o reino da Pérsia.» No entanto, uma outra doutrina básica que eles ensinaram foi que o universo não é continuo, como Parménides afirmou, mas consiste em entidades isoladas. Entre eles, parece que a física atómica teve aí o seu início.
Demócrito acreditava que existia uma quantidade infinita de átomos diferentes na natureza. Alguns redondos e lisos, outros irregulares e curvos. E precisamente porque têm formas diversas , podem ser combinados para formarem corpos completamente diversos.
Este filósofo não tinha em conta uma «força» ou um «espírito» que interviesse nos processos naturais. Segundo Demócrito, a teoria atomista esclarecia também as sensações. A percepção que temos de alguma coisa deve-se ao movimento dos átomos no vazio. Quando se vê Lua, o que acontece é que os «átomos lunares» atingem os olhos.
Para Demócrito a alma era constituída por «átomos da alma» redondos e lisos. Quando um homem morre, os átomos da alma dispersam-se em todas as direções e podem dar vida a outras almas.

A filosofia chega a Atenas
A reflexão anterior sobre os filósofos gregos pré-socráticos foi seletiva e não reflete de modo algum o catálogo das personalidades interessantes e importantes, sendo que foram mencionados apenas os mais importantes; mas ainda existe, por exemplo, Anaxágoras (500-428 a.C), oriundo da Ásia Menor, que fez chegar a filosofia à cidade de Atenas, e Protágoras, que continua ainda a ser frequentemente citado pela sua máxima: «O homem é a medida de todas as coisas.» Também este filósofo achava que a natureza era composta por ínfimas partículas que não podiam ser apreendidas pelos olhos, às quais chamou de «sementes». O filósofo acreditava que tudo se podia dividir em partes cada vez mais pequenas. Também imaginava uma espécie de força que produzia a ordem e criava animais, flores e árvores.
Anaxágoras interessava-se muito por astronomia. Acreditava que todos os corpos celestes eram feitos da mesma substância que a terra. Ficou convencido disto depois de ter examinado um eteorito. Por isso, era lícito pensar, segundo ele, que existissem homens noutros planetas. Também escalreceu que a Lua não brilhava por si mesma, mas era iluminada pela terra. Por fim, explicou a formação dos eclipses solares.
Se nos distanciarmos e os olharmos como um todo, é possível verificar que antes de Protágoras todos tinham determinado características notáveis em comum. Em primeiro lugar, estavam preocupados essencialmente em compreender a natureza do mundo que nos rodeia, em vez da natureza humana - na verdade, não existe a sequer a certeza de estes filósofos possuirem um tal conceito de «natureza humana». Em segundo lugar, interessaram-se de forma desinibida pela teorização ousada à maior escala possível.
Inevitavelmente, uma vez que foram os primeiros pensadores a fazer isso, muito daquilo que descobriram parece irracional e confuso. Mas o que é impressionante é a quantidade de boas ideias que tiveram, ideias destinadas a dar frutos proveitosos no desenvolvimento subsequente das tentativas que nós, seres humanos, fizemos ao longo dos séculos para compreender o mundo.



Fontes
História da Filosofia, Bryan Magee, Círculo de Leitores, Março de 1999
O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder, Editorial Presença, Lisboa, 30ª edição, Maio 2011


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