14/06/2016

Histórias de fantasmas

Muito provavelmente as histórias de fantasmas são tão antigas quanto o homem, e os Gregos e os Romanos também as tinham, e em grande número. Plínio, o Jovem, escritor do século I d. C., relata a história de uma casa assombrada do seu tempo.
Contava-se que todas as noites, numa mansão de Atenas, na Grécia, aparecia o fantasma de um velho fazendo tinir correntes de ferro. Os ocupantes abandonaram a casa, e ninguém queria comprá-la ou viver nela. Mais tarde, o filósofo Atenodoro veio a arrendar a casa. Atenodoro que fora o tutor do jovem Augusto, o qual viria a ser imperador de Roma, era um homem de forte personalidade. Mandando os seus criados para a cama, acendeu um candeeiro e sentou-se a escrever. A meio da noite, começaram-se a ouvir os sons das correntes, mas Atenodoro ignorou-os. Então, o fantasma apareceu-lhe à porta, mas o filósofo fez-lhe sinal para esperar. Impaciente, o fantasma aproximou-se e começou a chocalhar as correntes sobre a sua cabeça. Atenodoro seguiu-o até ao exterior e, quando o fantasma desapareceu no pátio, marcou o local com folhas. Na manhã seguinte, chamou os magistrados da cidade. Ao cavarem o local que ele assinalara, descobriram o esqueleto de um homem acorrentado. Depois de os restos mortais terem recebido sepultura condigna, a casa deixou de estar assombrada.
Os campos de batalha eram tidos como os locais com maior probabilidade de serem assombrados. Dâmaso diz-nos em Vita Isidori que, depois de uma batalha fora das muralhas de Roma contra Átila e os Hunos, em 452 d.C., os fantasmas dos mortos tinham lutado três dias e três noites, ouvindo-se claramente na cidade o ruído das armas. O Guia da Grécia, de Pausânias, relata que em Maratona, onde os Atenienses haviam rechaçado os Persas em 490 a.C., o som de homens a lutarem e de cavalos a relincharem ainda se ouvia à noite 500 anos após a batalha.
Mas o lugar mais assombrado, segundo Heroicus, de Filóstrato, era a planície à entrada de Tróia, onde, dizia-se, os fantasmas dos heróis da Guerra de Tróia (c.1200 a.C.) se tinham arrastado de 1000 anos, chegando o seu aspecto a ser interpretado como oráculos. Aparições cobertas de pó prenunciavam seca; espectros encharcados em suor anunciavam chuva, e fantasmas cobertos de sangue antecediam uma peste. Esses fantasmas não se deixavam insultar. Conta-se que o fantasma de Heitor afogou um rapaz  que o tratara de forma grosseira. Dizia-se que o fantasma de Aquiles, assassino de Heitor, aparecia num turbilhão no campo de batalha. No entanto, Máximo de Tiro escreveu, nas Dissertações, que Aquiles passou a vida além-túmulo com Helena de Tróia na ilha Branca, no mar Negro, algures perto da foz do Danúbio. Nesse local, ouviam-se ruídos de batalha durante a noite, e marinheiros que passavam diziam ter visto um rapaz louro com uma armadura dourada a executar uma dança guerreira na praia.
Os imperadores romanos, sobretudo os que morriam de morte violenta, também podiam reaparecer como fantasmas. Em Vidas dos Césares, Suetónio conta que, depois do seu assassínio, em 41 d.c., Calígula apareceu por várias vezes nos Jardins Lamianos de Roma, onde o seu corpo fora enterrado à pressa. As aparições cessaram quando as irmãs de Calígula o enterraram de novo com cerimonial adequado. Também se dizia que, ainda em 1099 d.C., mais de 1000 anos após a sua morte, o imperador Nero continuava a vaguear pela cidade. Só descansou depois da construção de uma igreja sobre o seu túmulos.




Fonte:Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest

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