14/06/2016

Folha caída

A tua ausência faz-se sentir todos os dias, deixando um rasto de saudade que o tempo não apaga... intensifica.

Procuro as tuas palavras, aquelas que tanto me adoçaram o coração. O teu carinho, que embalou a minha alma, mas é o vazio que tenho encontrado. Um vazio que preencho com a recordação do sonho vivido.

Já não me atrevo a procurar a Lua, essa feiticeira branca que conhece os ínfimos segredos das nossas sombras, do nossos desejos, dos nossos sonhos. Não a procuro, evito-a, finjo que não sei que ela está lá, por receio que ao levantar o meu olhar ela me responda. Também não me atrevo a vislumbrar o brilhar das estrelas, com medo que elas zombem do meu apelo.

Considero o Outono uma estação linda, uma estação cheia de cor, madura, mas também é uma estação de finitude... aquela bela folha, tão verde, que lutou tanto por crescer naquele galho, amadurece e desprende-se, acabando por ser levada pelo sopro do deus Noto. A não ser que um olhar a distinga, admire, e com um gesto a apanhe e guarde nalgum livro que pertence, ou traz as linhas, do coração de quem a apanhou.

São as folhas de Outono que se guardam, mas é preciso apanhá-las. As outras até poderão ser admiradas, mas nunca o saberão, se não houver aquele pequeno gesto, tão grande, no entanto, e acabarão por perecer nalgum canto escondido, solitárias, ou entre outras solitárias.

Assim o meu coração é... desejando pertencer a algum livro cujas palavras sussurrem ao teu íntimo... No entanto, este é um livro que já foi fechado e no qual já se começa a notar a fina camada de pó, que o protege do Tempo, tornando-o parte da Eternidade.


No meu coração, na minha alma, no meu corpo, no meu espirito, é aí que te encontro, pois as tuas letras encontram-se gravadas em mim, tornando-se parte do meu próprio ser.

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