07/06/2016

As etapas do Homem na pré-história - Idade do Bronze

O uso do bronze espalha-se pela Europa graças ao movimento das populações que se verificaram no final do 3º milénio. As bases económicas eram ainda a agricultura e a criação do gado, embora com instrumentos muito mais aperfeiçoados. No entanto, a metalurgia e o comércio foram adquirindo uma importância progressiva, devido ao intercâmbio não só de matérias-primas como de todo o tipo de objetos. Criaram-se rotas comerciais, como a que ia das costas do Báltico para a Itália, atravessando o centro da Europa.
Deu-se uma mudança de ideologia que se manifesta na transformação dos enterros: a cremação e os túmulos individuais substituem as formas anteriores.
Mas há que ter em conta que a expansão das técnicas metalúrgicas não se deu de uma forma uniforme, pois enquanto a bacia oriental do Mediterrâneo estava em plena Idade do Bronze, a Europa do norte ainda mantinha estilos de vida neolíticos.  

Europa setentrional
Nesta região não se começou a usar o metal até à Idade do Bronze Médio, altura em que surgiu uma cultura cujos enterros eram individuais e o cadáver era depositado num tronco esvaziado. Junto deste aparecem punhais, espadas e objetos ornamentais de ouro. Este tipo de enterro foi substituído pela incineração no final da Idade do Bronze.

Europa Oriental
Uma das culturas mais representativas é a dos «Fatyanovo», que por volta do 2º milénio se estenderia ao centro da Rússia. Encontraram-se machados , punhais e foices em pedra, e machados de combate, em bronze.
O Bronze Médio encontra-se representado pela cultura do «Abashevo» (1500 a. C. - 1300 a.C), cujos materiais são foices, adagas, anzóis para pescar e machados planos. A fase do Bronze terminará com a cultura «Koben» e a «Civilização Báltica».

Europa Mediterrânica
Na ilha da Sardenha desenrola-se a cultura «nurague», que se difundiu na Idade do Bronze. O elemento mais característico são construções em forma de cone truncado, construídas com enormes pedras e cobertas por abóbadas de falsa cúpula. Pensa-se que eram fortalezas e lugares de culto. No norte da Itália surge a cultura dos «Terramaras», que perdurou durante toda a época do Bronze.

Europa Central
O Bronze antigo está representado pela cultura «Aunjetitz» (1800 a.C - 1400 a.C.). Tratou-se de uma importante cultura do metal, pois desenvolveu um comércio de bronze, âmbar e ouro que, através de toda a Europa, colocava o Báltico e a Grécia em contacto.
A civilização dos «túmulos» corresponde ao Bronze Médio. O cadáver enterrava-se numa numa cova e era coberta de pedras, formando um túmulo. Na sua fase final incineravam-se os cadáveres sempre sob o túmulo.
Rota do Âmbar
A fase final do Bronze corresponde à cultura dos «campos de urnas», que perdurou até ao início da Idade do Ferro. Eram populações agrícolas, com uma indústria do cobre e do ouro, que comercializavam com Micenas. Os enterros efectuavam-se em urnas, depois de se incinerar o corpo.

Europa Ocidental
Na Inglaterra surge a cultura de «Wessex», que foi a exploração e o comércio de cobre, do estanho, do ouro e do âmbar. Chegou até ao Egeu seguindo as rotas do Reno e do Elba. Durante o Bronze Médio, a cultura das «urnas cinerárias» estende-se às Ilhas Britânicas. Em França, sobretudo na Bretanha, surgiu a cultura «Amoricana» que manteve relações comerciais com Almeria e a Europa Central.
Na Península Ibérica desenvolveu-se no Bronze Médio, a cultura do «Argar» (1800 a.C - 1200 a.C.), que se estendeu pelo sudoeste e cuja influência alcançou outras regiões. A economia baseava-se na agricultura e na exploração de jazídas metalíferas, cujos produtos comercializavam com o resto da Península Ibérica e do Mediterrâneo. Os utensílios litícos consistem em machados polidos, serras dentadas e moinhos de mão. Entre os objetos de metal encontram-se alabardas, punhais, punções, etc. a cerâmica, fabricada à mão e geralmente por decorar, apresenta formas muito variadas: potes de fundo esférico, taças de pé e vasos carenados. Os enterros eram individuais, em talhas ou cestas. Nos recheios das casas encontraram-se muitos objetos, entre os quais se destaca um diadema de ouro e prata, sem decoração, em forma de lâmina e com um apêndice circular.
O Bronze final não possui uma cultura determinada. Aumentam os utensílios de metal relativamente aos de pedra: espadas, pontas de lança, fíbulas e cinturões. Na sua última época apareceu a cerâmica excisa.
Durante toda a idade do Bronze surgiu em diferentes pontos da Península Ibérica a arte rupestre «esquemática».
Nas ilhas Baleares, a Idade do Bronze é representada pela cultura talaiótica, com construções como os talaiots, torres de planta quadrada ou circular cuja função era funerária. Os taules tinham um carácter possivelmente funerário.

Barcos de pedra da Idade do Bronze



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