02/05/2016

República Centro-Africana


A República Centro-Africana (RCA) é um país no interior do centro de África. Faz fronteira com o Chade a norte, com o Sudão a Nordeste, Sudão do Sul a este, República Democrática do Congo a República do Congo a sul e com os Camarões a oeste.
A RCA cobre uma área de cerca de 620.000 km2 e em 2014 estimava-se a população em 4,7 milhões de habitantes.
A maior parte do território da RCA consiste em savanas sudano-guineenses, mas o país também inclui uma zona sahelo-sudanesa no norte e outra de floresta equatorial a sul. Dois terços do país estão dentro da Bacia do Rio Ubangi (que flui para o Congo), enquanto que o outro terço encontra-se inserido na Bacia do Chari, que flui para o Lago Chade.
O que é a atual República Centro-Africana esteve habitada durante milhares de anos, no entanto, as fronteiras atuais do país foram estabelecidas por França, que governou o território como uma colónia desde o final do século XIX.
Após obter a independência da França em 1960, a RCA foi governada por uma série de líderes autocratas. Quando chegaram os anos de 1990, o desejo pela democracia levou a que as eleições de 1993 fossem multi-partidaristas. Ange-Félix Patassé tornou-se líder, mas foi destituído através de um golpe de estado em 2003, sendo substituído pelo General François Bozizé.

A Guerra Civil da república Centro-Africana teve inicio em 2004 e, apesar de dois tratados de paz, um em 2007 e outro em 2011, os combates eclodiram entre o governo e facções muçulmanas e cristãs em Dezembro de 2012, levando a limpezas étnicas e religiosas e a um deslocamento maciço das populações em 2013 e 2014.
Apesar da riqueza dos depósitos minerais e outros recursos, como reservas de urânio, petróleo bruto, ouro, diamantes, madeira e energia hidroelétrica, assim como terra arável em abundância, a República Centro-Africana encontra-se entre os dez países mais pobres do mundo. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano de 2013, este encontrava-se na 185ª posição de 187 países.


Antiguidade

Há cerca de 10.000 anos atrás, a desertificação forçou as sociedades de caçadores recoletores a seguirem as rotas para o sul, do norte de África para as regiões do Sahel, onde alguns grupos se estabeleceram e começaram a produzir agricultura como parte da Revolução do Neolítico. A agricultura inicial de inhame branco progrediu para o milheto e sorgum, e antes do terceiro milénio a.C. a domesticação do óleo de palma Africano melhorou a nutrição dos grupos e permitiu a expansão das populações locais. As bananas chegaram à região e acrescentaram uma fonte importante de hidrocarbonetos na dieta das populações. Estes povos estavam igualmente habituados à produção de bebidas alcoólicas. Esta Revolução Agrícola, combinada com uma Revolução de caldeirada de peixe, na qual a pesca começou a tomar lugar, e o uso de barcos, permitiu o transporte de bens. Os produtos eram frequentemente transportados em potes de barro, que são os primeiros exemplos de expressão artistica dos habitantes da região.
Os megálitos Bouar na região ocidental  são indicativos de nível avançado de habitação datando à Era Neolítica Tardia (c. 3500-2700 a.C.). O trabalho do ferro chegou à região cerca de 1000 a.C. tanto das culturas Bantu no que é hoje a Nigéria quanto da cidade do Nilo Meroë, a capital do Reino de Kush.
Durante as migrações Bantu de à cerca de 1000 a.C. até 1000 d.C, os falantes Ubangui espalharam-se para leste  dos Camarões até ao Sudão, os falantes Bantu estabeleceram-se nas regiões da República Centro-Africana, e os falantes do Sudão Central fixaram-se ao longo do Rio Ubangi no que é atualmente a região Central e Este da RCA.
A produção de cobre, sal, peixe seco e têxteis dominou o comércio económico da região.

Séculos XVI a XVIII

Durante os séculos XVI e XVII os comerciantes de escravos muçulmanos começaram a fazer raides à região e capturar locais que eram enviados para as costas do Mediterrâneo, para a Europa, Arábia, Hemisfério Ocidental, ou para os portos de escravos e fábricas ao longo da costa ocidental. As populações Bobangi tornaram-se grandes comerciantes de escravos e vendiam os seus captivos às Américas usando o rio Ubangi para chegar à costa. Durante o século XVIII as populações Bandia-Nzakara estabeleceram o Reino Bangassou ao longo do rio Ubangi.

Período colonial francês

Em 1875 o sultão sudanês Rabih az-Zubayr governou o Oubangui Superior, que inclui a região atual da República Centro-Africana. A penetração europeia do Território da RCA começou no final do século XIX durante a Partilha da África. Os europeus, principalmente os franceses, alemães e belgas chegaram à área em 1885. A França criou o território Ubangi-Shari em 1894.
Em 1911 no Tratado de Fez, a França cedeu uma porção de quase 300.000 km2 da bacia do Sangha e Lobaye  ao Império  Germânico, que cedeu, por sua vez, uma área menor (o atual Chade) à França. Após a Primeira Guerra Mundial a França voltou a anexar o território.
Em 1920 estabeleceu-se a África Equatorial Francesa e o Ubangi-Shari foi administrado a partir de Brazzaville. Durante as décadas de 1920 e 1930 os franceses introduziram uma política cultivo de algodão obrigatória, construíram uma rede de estradas, foram feitas tentativas de combater a doença do sono e foram estabelecidas missões protestantes para espalhar o cristianismo. Foram introduzidas novas formas de de trabalho forçado e um grande número de Ubanguianos foram enviados para trabalhar no Caminho de Ferro Congo-Oceano. Muitos destes trabalhadores forçados morreram de exaustão, doença, ou das fracas condições que reclamaram a vida de cerca de 20% a 25% dos 127.000 trabalhadores.
Em 1928, uma grande insurreição, a rebelião Kongo-Wara ou a "guerra do cabo da enxada", teve início no  Ubangi-Shari ocidental e continuou durante diversos anos. A extensão da insurreição, que foi provavelmente a maior rebelião anti-colonial na África durante os anos entre guerras, foi escondida de forma cuidadosa do público francês pois oferecia provas fortes de uma forte oposição ao colonialismo francês e do trabalho forçado.
Em setembro de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, os oficiais pró-Gaullistas tomaram controle do Ubangi-Shari e o General Leclerc estabeleceu o seu quartel-general para as Forças Livres Francesas no Bangui. Em 1946 Barthélemy Boganda foi eleito com 9.000 votos para a Assembleia Nacional Francesa, tornando-se o primeiro representante da RCA no governo francês. Boganda manteve uma política de posição contra o racismo e governo colonial mas ficou gradualmente desmotivado com a política francesa e voltou à RCA para estabelecer o Movimento para a Evolução Social da África Negra (MESAN) em 1950.

Desde a independência (1960)

Na eleição da Assembleia do Território Ubangi-Shari em 1957, o MSAN conseguiu 347.000 dos 356.000 votos e ganhou todos os assentos eleitorais, que permitiu a Boganda se eleito presidente do Grande Conselho para a África Equatorial Francesa e vice-presidente do Conselho Governamental Ubangi-Shari. Num ano declarou o estabelecimento da República Centro-Africana e serviu como primeiro ministro do país. O MESAN continuou a existir, mas o seu papel ficou limitado. Após a morte de Boganda numa queda de avião a 29 de março de 1959, o seu primo, David Dacko tomou controle do MESAN e tornou-se o primeiro presidente após a RCA ter recebido formalmente a independência.. Dacko afastou os rivais políticos, incluíndo o antigo primeiro ministro e o o líder do Movimento da Evolução Democrática da África Central (MEDAC), Abel Goumba, que se viu forçado a exilar-se me França. Com todos os partidos políticos suprimidos, em novembro de 1962, Dacko declarou o MESAN como o partido oficial do Estado.

Bokassa e o Império Central Africano (1965-1979)
A 31 de dezembro de 1965, Dacko foi destituído no Golpe de Estado de Saint-Sylvestre pelo coronel Jean-Bédel Bokassa, que suspendeu a constituição e dissolveu a assembleia Nacional. O presidente Bokassa declarou-se a si mesmo presidente vitalício em 1972, enquanto se nomeava Imperador Bokassa I do Império Central Africano (como o país foi renomeado) a 4 de dezembro de 1976. Um ano mais tarde, o Imperador Bokassa  corou-se a si mesmo numa cerimónia luxuosa e cara que foi ridicularizada a nível internacional.
Em abril de 1979, jovens estudantes protestaram contra o decreto de Bokassa em que todos os estudantes seriam obrigados a comprar uniformes de uma empresa de uma das suas esposas. O governo suprimiu de forma violenta os protestos, matando 100 crianças e adolescentes. O próprio Bokassa pode ter estado ele mesmo envolvido nalgumas das mortes. Em 1979 a França destituiu Bokassa e "restaurou" o poder a Dacko (consequentemente o país voltou a chamar-se República CentroAfricana). Por sua vez, Dacko viria a ser destituído num golpe de estado pelo general André Kolingba a 1 de setembro de 1981.-

RCA sob Kolingba
Kolingba suspendeu a constituição e governou com uma junta militar até 1985. Introduziu uma nova constituição em 1986 que foi adoptada através de um referendo nacional. Os membros do seu novo partido, Rassemblement Démocratique Centrafricain (RDC) foram voluntários. Em 1987 e 1988, deram-se umas eleições semi-livres para o parlamento, mas os dois maiores oponentes de Kolingba, Abel Goumba e Ange-Félix Patassé, não tiveram permissão para participar.
Pelos anos de 1990, inspirados pela queda do muro de Berlim, surgiu um movimento pró-democrático. As eleições deram-se em 1993 com a ajuda da comunidade internacional, e Ange-Félix Patassé ganhou a segunda volta com 53% dos votos enquanto Goumba obteve 45,6%. O partido de Patassé, o Mouvement pour la Libération du Peuple Centrafricain (MLPC) ganhou uma simples, mas não absoluta, maioria dos assentos no parlamento, o que significou que o partido de Patassé precisou de se coligar a outros partidos.

Governo de Patassé (1993-2003)
Patassé afastou muitos dos elementos de Kolingba do governo e os apoiantes de Kolingba acusaram o governo de Patassé de conduzir uma "caça às bruxas" contra o Yakoma. Foi aprovada uma nova constituição a 28 de dezembro de 19947 mas teve pouco impacto nas políticas do país. Em 1996-1997, em reflexão da cada vez menor confiança no comportamento errático do governo, deram-se três motins contra a administração de Patassé, acompanhados de uma destruição generalizada de propriedade e aumentou a tensão étnica. Os Acordos Bangui, assinados em Janeiro de 1997, providenciaram o estabelecimento de uma missão militar inter-africana, para a República Centro-Africana e a rentrada de ex-mutinadores a 7 de abril de 1997. A missão inter-africana foi posteriormente substituída por uma força de paz das Nações Unidas.
Em 1998, as eleições parlamentares resultaram em que a RDC de Kolingba ganhasse 20 dos 109 assentos mas em 1999, apesar da irritação publica generalizada nos centros urbanos por causa do seu governo corrupto, Patassé ganhou um segundo mandato nas eleições presidenciais.
A 28 de maio de 2001, os rebeldes invadiram edificios estratégicos em Bangui numa tentativa falhada de golpe de estado. O chefe do pessoal do exército, Abel Abrou e o general François N'Djadder Bedaya foram mortos, mas Patassé conseguiu dar a volta ao levar pelo menos 300 tropas do líder congolês Jean-Pierre Bemba e soldados líbios.
Na consequência do golpe falhado, as milicias leais a Patassé procuraram vingança contra os rebeldes em muitos bairros de Bangui e incitaram à violência incluindo o assassínio de muitos oponentes políticos. Eventualmente Patassé começou a suspeitar que o general François Bozizé estava envolvido noutro estado de golpe contra si, o que levou Bozizé a fugir com tropas leais para o Chade. Em março de 2003, Bozizé lanou um ataque surpresa contra Patassé, que estava fora do país. As tropas libias e cerca de 1000 soldados da organização rebelde do Bemba Congolês falharam em parar os rebeldes e as forças de Bozizé conseguiram destituir Patassé.

A República Centro-Africa desde 2003
François Bozizé suspendeu a constituição e nomeou um novo gabinete que incluia a maior parte dos partidos da oposição. Abel Goumba foi nomeado vice-presidente, o que deu a Bozizé uma nova imagem positiva. Bozizé estabeleceu um Conselho Nacional de Transição para redigir uma nova constituição e anunciar que iria desistir e concorrer às eleições assim que a constituição fosse aprovada.
Em 2004 a Guerra da República Centro-Africana Bush começou como forças que se opunham a Bozizé e levantaram armas contra o seu governo. Em Maio de 2005 Bozizé ganhou as eleições presidenciais que excluíram Patassé e em 2006 a luta continuou entre o governo e os rebeldes. Em novembro de 2006, o governo de Bozizé pediu ajuda militar à França  para o ajudar a repelir os rebeldes que tinham conseguido tomar o controle de várias cidades nas regiões norte. Apesar de os detalhes públicos do acordo serem apenas logísticos e de inteligencia, a assistência francesa incluiu eventualmente ataques por jatos Mirage contra posições rebeldes.
O Acordo de Sirte em fevereiro e o Acordo de Paz Birao em abril de 2007 pediram para uma cessação das hostilidades, o aquartelamento do combatentes do FDPC e a sua integração no FACA, a libertação dos prisioneiros políticos, a integração do FDPC no governo, uma amnistia para o UFDR, o seu reconhecimento como partido político, e a integração dos seus combatentes no exército nacional. Diversos grupos continuaram a lutar mas houve outros que assinaram o acordo, ou acordos semelhantes com o governo (por exemplo a UFR a 15 de dezembro de 2008). O único grupo maior a não assinar o acordso na altura foi o CPJP, que continuou as suas atividades e só assinou um acordo de paz com o governo a 25 de agosto de 2012.
Em 2011 Bozizé foi reeleito numas eleições que foram consideradas fraudulentas por muitos.
Em novembro de 2012, Séléka, uma coligação de grupos rebeldes, tomou várias cidades nas regiões norte e dentral do país. estes grupos eventualmente conseguiram um acordo de paz com o governo de Bazizé em Janeiro de 2013, que envolveu uma partilha de poderes governamentais, mas o acordo foi abaixo e os rebeldes cercaram a capital em março de 2013 e Bozizé fugiu do país.
Michel Djotodia tornou-se presidente e em maio de 2013 o primeiro-monistro da República Centro-Africana, Nicolas Tiangaye, solicitou às Nações Unidas uma força de paz do Conselho de Segurança das NU e a 31 de Maio o antigo presidente, Bozizé, foi indiciado por crimes de guerra contra a humanidade e incitamento ao genocídio. A situação de segurança não melhorou durante junho-agosto de 2013 e houve relatórios de mais de 200.000 deslocados internos, assim como de abusos aos direitos humanos e combates renovados entre os o Séléka e os apoiantes de Bozizé.
O presidente francês François Hollande pediu ao Conselho das Nações Unidas e à União Africana para aumentarem os seus esforços para estabilizarem o país. O governo Séléka foi dividido e em setembro de 2013, Djotodia dissolveu oficialmente o Séléka, mas muitos rebeldes recusaram-se a desarmar e afastaram-se do controlo do governo.
O conflito continuou continuou até ao final do ano, com muitos aviss internacionais de genocídios e os combates eram em grande parte ataques repressores a civis principalmente da parte dos combatentes muçulmanos do Séléka e das milicias cristãs, designados "anti-balaka".
A 11 de janeiro de 2014, Michel Djotodia e o seu primeiro ministro Nicolas Tiengaye, demitiram-se como parte de um acordo negociado numa cimeira regional no vizinho Chade. Catherine Samba-Panza foi eleita como presidente interina pelo Conselho Nacional de Transição, assumindo o cargo a 23 de janeiro.
a 18 de fevereiro de 2014, o Secretário Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon pediu ao Conselho das NU para colocar de forma imediata 3.000 tropas no país para combater aquilo que ele descreveu como civis inocentes a serem alvos propositadamente e mortos em grandes números. O secretário geral delineou um plano de seis pontos que incluiu a adição de 3000 tropas de paz aos 6000 soldados da União Africana e 2000 tropas francesas que já se encontravam no país.
a 23 de julho, em seguimento aos esforços de mediação congoleses, os representantes do Séleka e anti-balaka assinaram um acordo de cessar fogo em Brazzaville.

Geografia

A República Centro-Africana é um país situado no interior do continente africano. Faz fronteira com os Camarões, com o Chade, Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República do Congo. Está entre as latitudes 2º e 11ºN e longitudes 14º e 28E.
Grande parte do país consiste em planaltos de savanas planos com cerca de 500m acima do nível do mar. A maior parte de metade da região do norte situa-se dentro da eco-região da savana do Leste Sudanês do World Wildlife Fund. E para além dos Montes Fertit no nordeste da RCA, existem montes dispersos  nas regiões sudoeste. No noroeste encontra-se o Yade Massif, um planalto de granito com uma altitude de 348 metros.
Com 622.941 Km2, a República Centro-Africana é o 45º maior país do mundo. É comparável à Ucrânia..
Muita da fronteira do sul é formada por afluentes do rio Congo; o rio Mbomou no leste emerge com o rio Uele para formar o rio Ubangi, que também faz parte da fronteira do sul. O rio Sangha flui através de algumas regiões ocidentais do país, enquanto que as fronteiras a este formam-se ao longo da borda da bacia hidrográfica do rio Nilo.
Têm-se estimado que até 8% do país encontra-se coberto por floresta, com as partes mais densas a situarem-se nas regiões a sul. As florestas são extremamente diversificadas e incluem algumas espécies comerciais importantes de Ayous, Sapelli e Sipo. A taxa de desflorestação é de cerca de 0,4% ao ano e a caça furtiva de madeira é comum.
Em 2008 a RCA era o país menos afetado pela poluição do mundo.
O país é um ponto importante da Anomalia Magnética Bangui, uma das maiores anomalias magnéticas da Terra.

Vida selvagem
No sul, o Parque Nacional Dzanga-Sangha encontra-se localizado numa área de floresta tropical. O país é conhecido pela sua população de elefantes e gorilas de terras baixas ocidentais. No norte, o Parque Nacional manovo-Gounda St Foris é rico em vida selvagem, incluindo leopardos, leões e rinocerontes e o Parque Nacional Bamingui-Bangoran encontra-se situado a Nordeste do país. Os parques têm sido afetados seriamente por caçadores, principalmente pelos que vêm do Sudão, nas últimas duas décadas.
Clima
O clima da República Centro-Africana é na sua generalidade tropical, com uma estação húmida que vai de junho a setembro nas regiões norte do país, e de maio a outubro nas regiões sul. Durante a estação húmida, as chuvas são uma constante diária, e o nevoeiro matinal é comum. A precipitação anual máxima dá-se na região alta do Ubangi , de cerca de 1800 mm.
As regiões a norte são quentes e húmidas de fevereiro a maio, mas podem estar sujeitas ao vento quente, seco e poeirento conhecido como Harmattan. As regiões sul têm um clima mais equatorial, mas estão sujeitas à desertificação, enquanto que as regiões extremas no nordeste do país já são deserto.

Prefeituras e sub-prefeituras
A República Centro-Africana está dividida em 16 prefeituras administrativas (préfectures), duas das quais sendo prefeituras económicas (préfectures economiques), e uma comuna autónoma; as prefeituas estão, por sua vez, divididas em 71 sub-prefeituras (sous-préfectures).
As prefeituras são: Bamingui-Bangoran, Basse-Kotto, Haute-Kotto, Haut-Mbomou, Kémo, Lobaye, Mambéré-Kadéï, Mbomou, Nana-Mambéré, Ombella-M'Poko, Ouaka, Ouham, Ouham-Pendé e Vakaga. As prefeituras económicas são Nana-Grébizi e Sangha-Mbaéré, enquanto que a comuna é a capital, a cidade de Bangui.

Demografia

A população da RCA quase que quadruplicou desde a independência. Em 1960 a população era de 1.232.000 habitantes, enquanto que a estimativa das NU para 2014 era de cerca de 4.709.000.
As NU estimam que cerca de 11% da população se encontre entre a faixa etária dos 15 aos 49 anos seja HIV positiva, e que apenas 3% do país tem terapia anti-retroviral, comparado aos 17% cobertos nos países vizinhos do Chade e da República do Congo.
A nação está dividida em mais de 80 grupos étnicos, cada um com a sua língua. Os maiores grupos étnicos são os Baya, os Banda, os Mandjia, os Mboum, os M'Baka, os Yakoma e os Fula ou Fulani, com outros, incluindo descendentes franceses.

Religião
De acordo com o censo nacional de 2003, 80,3% da população é cristã (51,4% protestantes e 28,9 cat´licos romanos) e 15% muçulmanos. As crenças indígenas (animismo) também são praticadas, e muitas das crenças indígenas estão incorporadas nas práticas cristã e islâmicas. Um diretor das NU descreveu as tensões religiosas entre os muçulmanos e cristãos como altas.
Existem muitos grupos missionários a operar no país, incluindo luteranos, baptistas, católicos, Graça Bethren e Testemunhas de Jeová. Apesar destes missionários serem na sua maioria predominantes dos Estados Unidos, França, Itália e Espanha, também existem muitos da Nigéria, República Democrática do Congo e outros países africanos. 
Muitos missionários deixaram o país quando se iniciaram os combates entre os grupos rebeldes e o governo em 2002-3, mas muitos desses voltaram ao país para continuar o seu trabalho.

Idiomas
Existem duas línguas oficiais na República Centro-Africana, que são o Sangho, um crioulo baseado no Ngbandi, e o francês.

Economia

A moeda atual na RCA é o franco CFA, que é aceite nos países que é aceite nos países que faziam parte da antiga África Francesa Ocidental e comercializa a uma taxa fixa para o Euro. Os diamantes constituem as exportações mais importantes do país, contando com cerca de 40 a 55% das receitas das exportações, mas estima-se que entre 30 a 50% da produção anual saia do país de forma clandestina.
A agricultura é dominada pelo cultivo e venda de culturas alimentares como a mandioca, os amendoins, o sorgum, o milheto, o sésamo e a banana. A taxa anual de crescimento do PIB anual  é de pouco mais de 3%. A importância das culturas alimentares  nas culturas de rendimento é indicado pelo facto que o total da produção de mandioca, a base alimentar da maior parte dos africanos centrais, encontra-se entre 200.000 a 300.000 toneladas por ano, enquanto que a produção de algodão, a principal cultura exportada, vai de 25.000 a 45.000 toneladas por ano. As culturas alimentares não são exportadas em grandes quantidades, mas continuam a ser a principal cultura de rendimento do país, porque os centro africanos obtêm muito mais lucro das vendas periódicas dos excedentes das culturas alimentares do que exportando a partir de culturas de rendimento como algodão ou café. Grande parte do país é autosuficiente nas culturas alimentares, no entanto o desenvolvimento da pecuária é impedido pela presença da mosca tsétsé.
O principal parceiro de importação da RCA é a Holanda (19,5%). Outras importações vêm dos Camarões (9,7%), França (9,3%) e Coréia do Sul (8,7%). Por sua vez o maior parceiro de exportações é a Bélgica (31,5%), China (27,7%), República Democrática do Congo (8,6%), Indonésia (5,2%) e França (4,5%).
O rendimento per capita da RCA é de cerca de $400/ano, um dos mais baixos do mundo, mas este valor é baseado na sua maioria nos relatórios de venda de exportações e ignora na sua maioria a venda de alimentícios não registada, da produção local de bebidas alcoólicas, dos diamantes, do marfim, da carne selvagem e da medicina tradicional.
A RCA é membro da OHADA (Organização para a Harmonização em África do Direito dos Negócios. No relatório Doing Business de 2009 do Grupo do Banco Mundial, a RCA foi classificada como 183º de 183 países como "facilidade de fazer negócios", um índice composto em que são representados os regulamentos que aumentam a facilidade de fazer um negócio e os que a diminuem.

Infraestruturas

Transportes
Bengui é o ponto principal dos transportes da República Centro-Africana. A partir de 1999, oito estradas ligam a cidade a outras cidades principais do país, aos Camarões, ao Chade e ao Sudão Sul; destas só as  estradas com portagens são pavimentadas. Durante a época das chuvas, de julho a outubro, algumas estradas são intransitáveis.
Os ferries de rios navegam a partir dos portos fluviais em Bangui até Brazzaville e Zongo. O rio pode ser navegado a maior parte do ano entre Bangui e Brazzaville. A partir desta última cidade os bens são transportados por via férrea até Pointe-Noire, o porto do Atlântico no Congo. O porto fluvial lida com a maior parte do comércio internacional do país e tem uma capacidade de carga de 350.000 toneladas.
O aeroporto Internacional Bangui M'Poko é o único aeroporto internacional da RCA. 

Energia
A Republica Centro-Africana usa principalmente hidroeletricidade pois existem poucas alternativas de recursos energéticos.

Educação

A educação pública na RCA é gratuita e obrigatória dos 6 aos 14 anos. No entanto, cerca de metade da população do país é analfabeta.
A Universidade de Bangui, é uma universidade pública localizada nesta cidade, que inclui uma faculdade de medicina, e a Universidade Euclides, é uma universidade internacional em Bangui, sendo que estas duas universidades são as duas instituições de ensino superior da Republica Centro-Africana.

Cuidados de Saúde

O maior hospital do país está localizado no distrito de Bangui. Como membro da Organização Mundial de Saúde, a República Centro-Africana recebe assistência de vacinação, como a intervenção de 2014 para a prevenção de epidemias de sarampo.
Em 2007 a expetativa de vida das mulheres ao nascimento era de 48,2 anos e a dos homens de 45,1 anos.
A saúde das mulheres é fraca na RCA. Desde de 2010, que o país tem a ª maior taxa de mortalidade maternal do mundo. Em 2014 a taxa de fertilidade estava estimada em 4,46 crianças nascidas por mulher. Cerca de 25% das mulheres haviam sido sujeitas a mutilação genital. Muitos dos partos são assistidos por parteiras tradicionais, geralmente com pouca ou nenhuma formação.
A malária é endémica na RCA e é umas das principais causas de morte. De acordo com as estimativas de 2009, a prevalência do HIV/SIDA era de cerca de 4,7 na população adulta (idades entre 15-49). Nesse mesmo ano existia apenas cerca de um médico por 20.000 habitantes

Direitos Humanos

O Relatórios dos Direitos Humanos de 2009 do Departamento do Estado dos EUA dava conta de que os direitos humanos na RCA era pobre e mostrava a sua preocupação acerca de numerosos abusos do governo. oO Departamento do Estado dos EU alegou que grandes abusos nos direitos humanos como execuções extra-judiciais pelas forças de segurança, a tortura, espancamentos e violações dos suspeitos e prisioneiros ocorriam com impunidade. Também fez notar a vida dura, ameaças condições impróprias dos centros prisionais, detenções arbitrárias, detenções pré-julgamento prolongadas e negações de julgamentos justos, assim como de restrições à liberdade de movimento, corrupção oficial e restrições aos direitos dos trabalhadores.
O relatório fala ainda de violência generalizada contra multidões, a prevalência da mutilação genital feminina, a descriminação contra as mulheres e pigmeus, o tráfico humano, trabalho forçado e infantil.
A violência contra crianças e mulheres acusadas de bruxaria também é um problema considerado sério. A bruxaria é uma ofensa criminal segundo o código penal.


Notas
Eventos de 2013-2014
Em março de 2013 o governo de Bozizé caiu sob o grupo rebelde Séléka e o líder do grupo, Djotodia, auto-proclamou-se presidente, enquanto que Nicolas Tiangaye permaneceu como primeiro-ministro (havia sido nomeado recentemente e o grupo rebelde Séléka permitiu que este mantivesse o lugar, uma vez que tinha sido endossado pela oposição).
Foi nomeado um novo governo a 31 de março de 2013, que consistia em membros do Séleka e representantes da oposição a Bozizé, um indivíduo pró-Bozizé, e um conjunto de representantes da sociedade civil. A 1 de abril, os partidos da antiga oposição declararam que iriam fazer um boicote ao governo. Após os líderes africanos se terem recusado a reconhecer Djotodia como Presidente, no Chade, proposeram a formação de um conselho de transição e novas eleições, Djotodia assinou um decreto a 6 de abril para a formação de um conselho que iria atuar como um parlamento de transição. Foi pedido ao conselho para eleger um presidente antes das eleições durante 18 meses.
Em novembro de 2013, o Secretário Geral das Nações Unidas Ban ki-moon reparou que a situação da segurança no país continuava precária, com uma autoridade governamental não existente fora de Bangui.
Tanto o presidente quanto o primeiro-ministro apresentaram a demissão e anunciaram uma cimeira regional em janeiro de 2014, após a qual um líder interino o orador para o parlamento provisório tomaria controle da situação. No final de Janeiro Catherine Samba-Panza tornou-se Presidente Interina, e André Nzapayeké, como Primeiro Ministro Interino.


Bibliografia

http://en.wikipedia.org/wiki/Central_African_Republic


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...