01/05/2016

Em busca da imortalidade

Qin Shi Huangdi, primeiro imperador chinês e homem obcecado pela imortalidade.  foi surpreendido pela morte. Os magos haviam-lhe garantido que ervas "antimorte", as quais cresciam nas Ilhas dos Imortais, ao largo da costa nordeste, fariam com que o imperador vivesse para sempre. Qin enviou várias expedições para localizarem essas ilhas fabulosas, mas acabou por vir a falecer em 210 a.C., quando esperava o regresso da sua última frota, com 48 anos.
O imperador chines Qin Shi Huangdi não era o único obcecado pela imortalidade. A sepultura da Dama de Dai, falecida em 168 a.C., foi descoberta na província de Henan em 1972. Quando o túmulo foi aberto, verificou-se que o corpo estava perfeitamente conservado, embora o funeral tivesse ocorrido há mais de dois mil anos antes. A Dama não fora embalsamada, mas o túmulo encontrava-se selado de tal modo que se tornava completamente estanque ao oxigénio.
Na antiga China, as pessoas tinham boas razões para acreditar que a imortalidade era possível Enciclopédias e textos religiosos  oficiais registavam contos de homens e mulheres que se tornavam imortais subindo rapidamente ao céu à vista de aldeias inteiras. Falavam igualmente de eremitas de idade provecta com o aspecto de jovens e que viviam apenas do orvalho e do ar.
Quem aspirasse o caminho da imortalidade seguia o caminho do taoismo, uma das três grandes religiões da China. Para se conseguir atingir a longevidade era necessário aprender a dominar uma combinação de técnicas - respiratória, dietética, ginástica, meditativa e sexual. O praticante passava a ser considerado um xiã, semideus capaz de voar, alterar o tempo, assumir formas de animais, tornar-se invisível e talvez viver para sempre. Usavam-se amuletos mágicos com caracteres estilizados como proteção pessoal contra a morte. Os taoistas praticavam também uma forma de tai qi (ou t'ai chi) - exercícios físicos modelados sobre os movimentos de animais de vida longa, como tartarugas e garças.
No século III a.C., os magos afirmavam atingir a longevidade graças á utilização de plantas medicinais. Cem anos depois, os alquimistas trabalhavam com metais e minerais em busca da fórmula mágica para atingir a imortalidade. Contrariamente à alquimia ocidental, cujo objetivo era o de transmutar a base metálica em ouro, aquilo que os alquimicos chinês procuravam era o segredo da vida eterna.
No entanto, o inditoso imperador e a Dama de Dai tornaram-se imortais. A dama morreu, mas não envelheceu. O imperador, cujo mausoléu é guardado por guerreiros de pedra de tamanho natural, será recordado como o homem que deu início à construção da Grande Muralha.




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