09/05/2016

Australopithecus sediba

Os esqueletos fósseis do Australopithecus sediba da caverna de Malapa, encontram-se tão completos que os cientistas conseguem ver como é que eram os esqueletos inteiros na altura em que o género Homo evoluiu. Os detalhes nos dentes, o comprimento dos braços e pernas, e a parte estreita do tórax inferior largo são semelhantes aos humanos. Estes traços indicam que o Au. sediba pode revelar informações sobre as origens e ancestrais do género Homo.
Mudanças funcionais na pélvis do Au. sediba apontam para uma marcha bípede, enquanto que outras partes partes do esqueleto retêm características encontradas noutros australopitecíneos. Medições da força do úmero e do fémur mostram que o Au. sediba apresentava um padrão de locomoção mais do tipo humano do que o mostrado pelos fósseis atribuídos ao Homo habilis. Estas características sugerem que o Au. sediba caminhava erecto de forma regular e que as alterações na pélvis deram-se antes das outras alterações no corpo que são encontradas mais tardiamente nas espécies Homo.
O crânio do Au. sediba tem diversas características derivadas, tais como premolares e molares relativamente pequenos e traços faciais que são mais semelhantes aos do Homo. No entanto, destas mudanças na pélvis e crânio, outras partes do esqueleto do Au sediba mostram um corpo semelhante ao dos outros australopitecíneos, como os membros superiores longos e uma capacidade craniana pequena. O fóssil também mostra que as alterações na pélvis e na dentição deram-se antes das mudanças nos membros ou da capacidade craniana.
A combinação de traços primitivos e derivados no Austrapithecus sediba mostra-se como sendo parte da transição a partir de uma forma adaptada a uma arborealidade parcial para o bipedismo. Mas as pernas e os pés apontam para uma anterior marcha erecta desconhecida. A cada passo, o Au. sediba virava o pé para dentro com um peso focado na extremidade exterior do pé. Esta estranha forma de caminhar pode significar que a marcha bípede pode ter evoluído diferentemente em mais do que uma espécie de hominídeo.



O primeiro espécime de Au. sediba, foi descoberto a 15 de agosto de 2008 por Mathew Berger, filho do paleoantropólogo Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, em Malapa, na África do Sul. Foi anunciado na revista Science em abril de 2010.


Ainda existem muitas questões relativas a esta espécie:

  • Qual é o alcance geográfico e temporal do Australopithecus sediba? Esta questão só pode ser respondida com o surgimento de novos espécimes.
  • Irá a relação aproximada entre o Au. sediba e o Homo ser confirmada por achados futuros?
Como sobreviviam
Devido à mistura de características derivadas na pélvis  e outras características primitivas presentes noutras partes do esqueleto, não está claro para os investigadores até que ponto o Au. sediba usava habitats arbóreos ou ficava no chão usando meios de locomoção bípede. Braços relativamente longos e um corpo pequeno podem ter permitido ao Au. sediba utilizar habitats arborizados. Características derivadas na pélvis e o padrão da força da diáfise no úmero e fémur sugerem que o Au. sediba poderia ter caminhado regularmente de forma erecta numa maneira mais semelhante aos humanos modernos do que à dos primeiros australopithecus.
A possível ênfase crescente na locomoção erecta é acompanhada por diferenças no crânio e nos dentes comparativamente a outros australopitecineos. A dentição relativamente pequena do Au.sediba pode assinalar uma mudança na dieta. À medida que são descobertas mais características do ambiente e da morfologia funcional do Au.sediba, o seu modo de vida tornar-se-à mais claro.

Informação da Árvore Evolucionaria
A mistura de traços primitivos do Au. sediba encontrados noutros australopitecíneos e traços derivados encontrados igualmente no género Homo, torna a posição do Au sediba  uma questão interessante. Semelhantemente a outras espécies de australopitecineos, apresenta um tamanho pequeno, com braços longos e pequena capacidade craniana. As suas características são mais derivadas do que as do Au. anamensis e Au. afarensis.
O Australopithecus sediba apresenta uma grande semelhança com o Au. africanus, uma espécie fóssil que também foi encontrada na África do Sul. Têm crânios semelhantes, assim como traços faciais e dentários. A espécie diferencia-se em aspectos como a forma do crânio e da face, mostrando que o Au.sediba era mais derivado comparado com o Au. africanus. A combinação de semelhanças e diferenças levou a que Berger e os seus colegas concluíssem que o Au.sediba era descendente do Au. africanus.
Os pontos que o Au. sediba partilha com o género Homo podem indicar uma relação mais próxima entre estas espécies e o Homo do que entre outros australopitecineos e o Homo. Berger e os seus colegas propuseram que o Au.sediba possa ser o ancestral do género Homo ou que possa estar relativamente próximo ao ancestral do Homo. No entanto, existem fósseis mais antigos e contemporâneos atribuídos ao Homo, tornando difícil a atribuição do Au. sediba como ancestral do Homo.





Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...