25/05/2016

As etapas do Homem na pré-história - Cultura Megalítica

As primeiras idades do metal
Enquanto na maior parte da Europa se verificam as culturas neolíticas, em diversos pontos do Oriente, por volta de 4.000 a.C. conhece-se a metalurgia. Pouco a pouco, o metal com as suas imensas vantagens de dureza, maleabilidade, etc., vai substituindo a pedra no fabrico de utensílios e a sua utilização estende-se paulatinamente a outras zonas.
Por volta da segunda metade do 4º milénio, todo o Próximo Oriente e a bacia do mar Egeu faz uso do cobre, que começa a estender-se aos Balcãs. A partir de então, a procura de jazidas metalíferas provocará um importante movimento de povos; graças a elas, as novas técnicas expandir-se-ão no Ocidente. Por volta do 3º milénio, grupos prospetores do metal chegaram à Península Ibérica, onde surgiu a «cultura megalítica» que se difundiria por todo o continente europeu. O seu elemento mais característico, para além do conhecimento do metal, é o tipo de inumação coletiva.
As construções funerárias megalíticas podem dividir-se em várias categorias:
  • dólmenes - cuja forma mais simples, a câmara sepulcral sob o túmulo e sem corredor, é constituído por pedras cravadas verticalmente no solo e cobertas com uma laje;
  • dólmenes de corredor - construção em que a câmara é precedida de um corredor de acesso mais ou menos longo. Pode ter câmaras laterais inseridas no corredor que conduz à câmara central. Por vezes o corredor e a câmara têm a mesma largura e podem estar divididos por tabiques, as chamadas «galerias cobertas»
  • túmulos de cúpula falsa - a câmara é circular e coberta por aproximação das pedras em fileira.
Em lugares onde escasseava a pedra, utilizaram-se as covas naturais para a inumação. Outros elementos
megalíticos relacionados com o aspeto religioso  são os menires, pedras cravadas na terra que podem atingir uma altura de vários metros. A junção de vários menires forma os cromoleques e os alinhamentos.
Na escultura, os elementos mais representativos são os ídolos de osso, pedra, argila e em placas de ardósia. Estas últimas aparecem sobretudo na zona ocidental da Península Ibérica. A utensilhagem lítica é representada por machados, facas de silex, pontas de seta com asas, com pedúnculo e de base côncava. Existe um número muito abundante de colares e de pulseiras de contas de pedra, amuletos, etc. Existem igualmente pulseiras e punções de cobre.
As vias de penetração mais importantes na Península Ibérica são as costas do sudeste e a zona sudoeste e ocidental. A partir daqui estende-se até à Rioja alavesa, País Basco e Pirenéus ocidentais.
Por outro lado, da ilha da Córsega chega o megalitismo aos Pirinéus catalães e ao sul de França. Do vale do Loire, em França, passa para as Ilhas Britânicas. Através do mar do Norte estende-se às costas setentrionais da Alemanha e chega a terras escandinavas. Também durante o segundo milénio, até finais do Neolítico, se dá outro fenómeno cultural importante que se estende pela Europa: a «cultura do vaso campaniforme». O elemento mais peculiar desta cultura, que lhe confere o nome, é a sua cerâmica, à qual, para além do seu valor utilitário, é atribuído um carácter funerário, pois aparece tanto em povoados como em necrópoles. Os utilizadores deste tipo de cerâmica utilizaram os mesmos habitats e lugares de inumação que os povos com os quais se relacionavam, embora exista um tipo de enterro próprio destas gentes.
A cerâmica campaniforme é de massa preta ou alaranjada. A forma mais típica é a do gargalo campanulado; encontram-se também taças com pé e potes de paredes direitas e fundo convexo, sempre sem asas. A decoração é executada com a técnica de incisão  mediante punções, pequenas rodas, etc. Com frequência, estas incisões estão cheias de uma massa branca. Os motivos da decoração são linhas ziguezagueantes, triângulos, linhas paralelas onduladas... O instrumental de pedra é representado por facas de silex, machados polidos, pontas de flecha e placas de quartzite que, segundo se pensa, serviam para proteger os dedos ao disparar o arco.
O material ósseo serve para dar forma a punções, agulhas de cabeça e pontas de lança. Em metal há punhais triangulares, punções, machados planos de fio curvo, pulseiras e objetos ornamentais de ouro. A cultura do vaso campaniforme estendeu-se do vale do Guadalviquir a toda a Península Ibérica, passou ao Midi francês e especialmente à Bretanha. Dali espalhou-se à Irlanda  e, posteriormente, à Inglaterra, onde já tinha chegado outro grupo procedente do Baixo Reno. Procedentes também da Península Ibérica são diversos grupos do Mediterrâneo ocidental e Itália. Na Europa Central adquirem grande importância os grupos da Boémia, da Morávia e do Reno, que exploraram de uma maneira sistemática os recursos mineiros da Grã-Bretanha.
Apesar das incógnitas que levantam a origem e a causa da extensão da cultura do vaso campaniforme, prevalece a opinião que situa a sua origem na Península Ibérica. Os achados incluem o metal, pelo que se aceita que a sua expansão tenha sido devida à procura de jazídas metalíferas, especialmente de cobre e de ouro, cuja metalurgia se introduziu na Europa Ocidental em 1.800 a.C.



Fonte
Atlas Temático - O Homem, Marina Editores

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