19/05/2016

A estátua que falava


Perto de Luxor, no Egito, erguem-se os colossos de Mémnon, duas estátuas de arenito de 18 m de altura do faraó Amenófis III, do século XIV a.C., pouco depois de a estátua mais a norte ter ficado danificada durante um sismo, alguns visitantes gregos, assombrados, ouviram-na, de madrugada, emitir sons suaves semelhantes a sinos. Os sons foram rapidamente identificados como a voz de Mémnon, filho de Eos, deusa da aurora, que ele saudava todas as manhãs.
A estátua adquiriu a fama de oráculo, e gregos e romanos da mais alta estirpe percorriam grandes distâncias para a consultar. Como a voz só se ouvia ao nascer do sol, gravavam os nomes e mensagens no lado virado a oriente como saudação ao sol nascente. Depois, faziam perguntas e os sons ouvidos eram interpretados, embora se desconheça o procedimento usado. Em 310 d. C., o imperador Adriano teve de regressar várias vezes ao local até conseguir  ouvir um som como o de um gongue, que foi tomado como aprovação do oráculo.
Poderia aquele som ser produzido pelo vento ao soprar através das fendas existentes na estátua? Ou talvez o calor dos raios do sol-nascente fizesse que o ar retido nessas fendas produzisse som ao expandir-se. Há quem diga que os sacerdotes poderiam ter colocado um junco numa fenda da pedra para intensificar o som. O investigador britânico Paul Devereux sugere que, tal como os antigos megálitos da Grã-Bretanha, a estátua poderia ter emitido ultra-sons no passado que os estragos sofridos teriam transformado em sons audíveis. Depois de ter sido reparada pelo imperador romano Séptimo Severo, por volta de 200 d. C., a estátua nunca mais voltou a falar.



Fonte:Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest

Imagem: Google

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