22/05/2016

A escrita Maia

Os hieróglifos maias oferecem uma riqueza e elaboração visual sem rival em qualquer das restantes escritas antigas mundiais.
O sistema, tal como é conhecido na atualidade, foi criado pelos oradores de Ch'olan, um dos principais grupos linguísticos Maias, na última fase do período Pré-Clássico (as inscrições mais antigas identificadas até à atualidade, datam do século III a.C). Apesar de, mais tarde, ter sido adotado por grupos como os Iucatecos de língua Maia, oriundos do Norte, as inscrições reais que permaneceram por toda a parte são, predominantemente, dos Ch'olan, o que sugere que este grupo serviu como uma espécie de orador de prestigio pan-Maia.
A descoberta da base fonética da escrita hieroglífica, deve-se, principalmente, ao russo Yuri Knorosov, e constituiu a chave para a sua decifração. Semelhantemente à maior parte das outras escritas hieroglíficas, a escrita Maia é um «sistema misto» que utiliza sinais designados de logogrifos para palavras completas, juntamente com sílabas e vogais representativas. Parte da sua complexidade reside na variedade das suas normas ortográficas, que permitiam que um único termo fosse escrito de diversas formas. Por exemplo, o título de ajaw («senhor, governante») poderia ser constituído por:
a) uma ou mais alternativas logográficas;
b) um logoglifo complementado por uma sílaba que lhe daria a chave fonética para a respectiva leitura;
c) inteiramente construída a partir de sílabas (elas próprias frequentemente selecionadas a partir de uma escolha de sinais).

Os sinais individuais também podiam ser manipulados graficamente, como quando um deles se «infixava» no outro, sem quaisquer outras consequências ao nível da leitura ou outra. Simultaneamente, o sistema não usava mais de 500 sinais, sendo que cerca de 300 dos mais comuns já se encontram decifrados. Embora este processo se encontre em fase avançada, ainda se mantêm muitas perguntas sem resposta, e algumas áreas importantes, tais como a estrutura verbal e a marcação de elementos, como o comprimento das vogais, apenas começam a ser desvendadas agora,
 Os registos dinásticos encontravam-se, na maior parte das vezes, inscritos em monólitos altos designados por estelas, mas também podiam ser observados em painéis de parede em parede em pedra, altares, tronos, lintéis de portas  e noutros meios idênticos, modelados em estuque ou gravados em madeira. Os textos também eram esculpidos em objectos de jade, conchas e osso, funcionando, geralmente como marcas de propriedade  ou peças de joalheria. Mas é necessário não esquecer que a maioria dos escritos era feito sobre produtos perecíveis , especialmente os livros de casca de árvore, conhecidos por códices (de que apenas sobreviveram, até hoje, quatro exemplares pós-clássicos, aj tz'ib (traduzido à letra «aquele que pinta»). A sua bela caligrafia foi preservada numa série de murais e, com maior frequência, em vasos de cerâmica.
todos eles registos não-históricos). Os hieróglifos Maias foram criados a partir da tradição da pintura a pincel, e os escribas - que gozavam de grande prestígio na sociedade - eram apelidados de
Os textos que sobreviveram são inteiramente dedicados aos feitos relacionados com as classes de elite. Inscrições públicas tendiam a tratar de assuntos concisos, recorrendo muitas vezes a expressões formuladoras e a duplicações redundantes de factos já conhecidos. O que dá uma ideia muito distorcida da literatura Maia. Só muito raramente aparecem citações na primeira pessoa, escritos em linguagem mais animada ou poética, ou, raramente, tópicos abordados nos livros primitivos.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...