25/05/2016

As etapas do Homem na pré-história - Cultura Megalítica

As primeiras idades do metal
Enquanto na maior parte da Europa se verificam as culturas neolíticas, em diversos pontos do Oriente, por volta de 4.000 a.C. conhece-se a metalurgia. Pouco a pouco, o metal com as suas imensas vantagens de dureza, maleabilidade, etc., vai substituindo a pedra no fabrico de utensílios e a sua utilização estende-se paulatinamente a outras zonas.
Por volta da segunda metade do 4º milénio, todo o Próximo Oriente e a bacia do mar Egeu faz uso do cobre, que começa a estender-se aos Balcãs. A partir de então, a procura de jazidas metalíferas provocará um importante movimento de povos; graças a elas, as novas técnicas expandir-se-ão no Ocidente. Por volta do 3º milénio, grupos prospetores do metal chegaram à Península Ibérica, onde surgiu a «cultura megalítica» que se difundiria por todo o continente europeu. O seu elemento mais característico, para além do conhecimento do metal, é o tipo de inumação coletiva.
As construções funerárias megalíticas podem dividir-se em várias categorias:
  • dólmenes - cuja forma mais simples, a câmara sepulcral sob o túmulo e sem corredor, é constituído por pedras cravadas verticalmente no solo e cobertas com uma laje;
  • dólmenes de corredor - construção em que a câmara é precedida de um corredor de acesso mais ou menos longo. Pode ter câmaras laterais inseridas no corredor que conduz à câmara central. Por vezes o corredor e a câmara têm a mesma largura e podem estar divididos por tabiques, as chamadas «galerias cobertas»
  • túmulos de cúpula falsa - a câmara é circular e coberta por aproximação das pedras em fileira.
Em lugares onde escasseava a pedra, utilizaram-se as covas naturais para a inumação. Outros elementos
megalíticos relacionados com o aspeto religioso  são os menires, pedras cravadas na terra que podem atingir uma altura de vários metros. A junção de vários menires forma os cromoleques e os alinhamentos.
Na escultura, os elementos mais representativos são os ídolos de osso, pedra, argila e em placas de ardósia. Estas últimas aparecem sobretudo na zona ocidental da Península Ibérica. A utensilhagem lítica é representada por machados, facas de silex, pontas de seta com asas, com pedúnculo e de base côncava. Existe um número muito abundante de colares e de pulseiras de contas de pedra, amuletos, etc. Existem igualmente pulseiras e punções de cobre.
As vias de penetração mais importantes na Península Ibérica são as costas do sudeste e a zona sudoeste e ocidental. A partir daqui estende-se até à Rioja alavesa, País Basco e Pirenéus ocidentais.
Por outro lado, da ilha da Córsega chega o megalitismo aos Pirinéus catalães e ao sul de França. Do vale do Loire, em França, passa para as Ilhas Britânicas. Através do mar do Norte estende-se às costas setentrionais da Alemanha e chega a terras escandinavas. Também durante o segundo milénio, até finais do Neolítico, se dá outro fenómeno cultural importante que se estende pela Europa: a «cultura do vaso campaniforme». O elemento mais peculiar desta cultura, que lhe confere o nome, é a sua cerâmica, à qual, para além do seu valor utilitário, é atribuído um carácter funerário, pois aparece tanto em povoados como em necrópoles. Os utilizadores deste tipo de cerâmica utilizaram os mesmos habitats e lugares de inumação que os povos com os quais se relacionavam, embora exista um tipo de enterro próprio destas gentes.
A cerâmica campaniforme é de massa preta ou alaranjada. A forma mais típica é a do gargalo campanulado; encontram-se também taças com pé e potes de paredes direitas e fundo convexo, sempre sem asas. A decoração é executada com a técnica de incisão  mediante punções, pequenas rodas, etc. Com frequência, estas incisões estão cheias de uma massa branca. Os motivos da decoração são linhas ziguezagueantes, triângulos, linhas paralelas onduladas... O instrumental de pedra é representado por facas de silex, machados polidos, pontas de flecha e placas de quartzite que, segundo se pensa, serviam para proteger os dedos ao disparar o arco.
O material ósseo serve para dar forma a punções, agulhas de cabeça e pontas de lança. Em metal há punhais triangulares, punções, machados planos de fio curvo, pulseiras e objetos ornamentais de ouro. A cultura do vaso campaniforme estendeu-se do vale do Guadalviquir a toda a Península Ibérica, passou ao Midi francês e especialmente à Bretanha. Dali espalhou-se à Irlanda  e, posteriormente, à Inglaterra, onde já tinha chegado outro grupo procedente do Baixo Reno. Procedentes também da Península Ibérica são diversos grupos do Mediterrâneo ocidental e Itália. Na Europa Central adquirem grande importância os grupos da Boémia, da Morávia e do Reno, que exploraram de uma maneira sistemática os recursos mineiros da Grã-Bretanha.
Apesar das incógnitas que levantam a origem e a causa da extensão da cultura do vaso campaniforme, prevalece a opinião que situa a sua origem na Península Ibérica. Os achados incluem o metal, pelo que se aceita que a sua expansão tenha sido devida à procura de jazídas metalíferas, especialmente de cobre e de ouro, cuja metalurgia se introduziu na Europa Ocidental em 1.800 a.C.



Fonte
Atlas Temático - O Homem, Marina Editores

Insistência


Na vida há que insistir, mas também é muito importante saber desistir. E quando o cansaço da insistência se torna maior que a motivação, então sim, é certamente altura de desistir.

E se formos a ver o que muda? Nada. Só nós.
Atualmente somos ensinados que temos de insistir a todo o custo, sejam quais forem as consequências. Temos de ser vencedores, se não, de outra forma é uma vergonha. É uma vergonha dizer que já não se quer mais, que se está farto, que não lhe apetece insistir, que não tem o feitio ou, simplesmente, perdeu a paciência. Já para não falar na dor. A insistência causa muita dor. Há que saber descansar. A sociedade manda-nos insistir que esse é o caminho para o ser social, e manda-nos parar, que o nosso ser espiritual precisa disso. Afinal em que ficamos? Com um coração confuso e cansado.

Nem todas as batalhas forma feitas para serem combatidas, e quando estas são-no de facto, há um vencido e um vencedor. Dizem-nos que não é vergonhoso ser-se o vencido, no entanto fazem-nos sentir o contrário. Resultado? Um coração cansado, ferido.

E no final... quando decidimos, ou não conseguimos mais? Quando todo o nosso ser grita por um basta, por um chega? O sol nasce novamente, põe-se novamente. A noite cria a sua eterna penumbra. As pessoas continuam na sua vida, nas suas insistências, nas suas vitórias ou derrotas, e tudo aquilo que achávamos que tinha importância, afinal não tinha. Observando para aquele canto que deixámos, para aquele lugar onde pensámos fazer diferença, e reparamos que não faziamos nenhuma. O lugar está cheio, foi preenchido. 

Trata-se de um facto para todos os sectores da vida, o lugar na empresa, de um amor que se foi e que já havia dado lugar a outros sonhos, o amigo que viajou, o vizinho que veio a ocupar a casa do anterior que morreu de velhice, e que passados uns anos será apenas um nome num cemitério enquanto alguém se lembrar de o ir ver, até que passará a ser um nome ou um esquecido, um não existente.
Alguém que insistiu, que sabia que tinha um lugar, uma importância, que lutou por ela... mas as marcas na parede do quarto, do crescimento do filho, que entretanto crescera, mudara de cidade, de país, quiça?, e que entretanto tornara-se um lugar de arrumos, desapareceram debaixo da nova pintura, e outras marcas de crescimento sobrepõem-se às outras ocultas por tinta, desta criança cujos passos ainda inseguros vieram a substituir o som da bengala de antes. Até que estas venham a ser substituídas.

Assim é a vida e é na vida. A insistência pode ser a maior ilusão do ego. É-o na maior parte das vezes.

22/05/2016

A escrita Maia

Os hieróglifos maias oferecem uma riqueza e elaboração visual sem rival em qualquer das restantes escritas antigas mundiais.
O sistema, tal como é conhecido na atualidade, foi criado pelos oradores de Ch'olan, um dos principais grupos linguísticos Maias, na última fase do período Pré-Clássico (as inscrições mais antigas identificadas até à atualidade, datam do século III a.C). Apesar de, mais tarde, ter sido adotado por grupos como os Iucatecos de língua Maia, oriundos do Norte, as inscrições reais que permaneceram por toda a parte são, predominantemente, dos Ch'olan, o que sugere que este grupo serviu como uma espécie de orador de prestigio pan-Maia.
A descoberta da base fonética da escrita hieroglífica, deve-se, principalmente, ao russo Yuri Knorosov, e constituiu a chave para a sua decifração. Semelhantemente à maior parte das outras escritas hieroglíficas, a escrita Maia é um «sistema misto» que utiliza sinais designados de logogrifos para palavras completas, juntamente com sílabas e vogais representativas. Parte da sua complexidade reside na variedade das suas normas ortográficas, que permitiam que um único termo fosse escrito de diversas formas. Por exemplo, o título de ajaw («senhor, governante») poderia ser constituído por:
a) uma ou mais alternativas logográficas;
b) um logoglifo complementado por uma sílaba que lhe daria a chave fonética para a respectiva leitura;
c) inteiramente construída a partir de sílabas (elas próprias frequentemente selecionadas a partir de uma escolha de sinais).

Os sinais individuais também podiam ser manipulados graficamente, como quando um deles se «infixava» no outro, sem quaisquer outras consequências ao nível da leitura ou outra. Simultaneamente, o sistema não usava mais de 500 sinais, sendo que cerca de 300 dos mais comuns já se encontram decifrados. Embora este processo se encontre em fase avançada, ainda se mantêm muitas perguntas sem resposta, e algumas áreas importantes, tais como a estrutura verbal e a marcação de elementos, como o comprimento das vogais, apenas começam a ser desvendadas agora,
 Os registos dinásticos encontravam-se, na maior parte das vezes, inscritos em monólitos altos designados por estelas, mas também podiam ser observados em painéis de parede em parede em pedra, altares, tronos, lintéis de portas  e noutros meios idênticos, modelados em estuque ou gravados em madeira. Os textos também eram esculpidos em objectos de jade, conchas e osso, funcionando, geralmente como marcas de propriedade  ou peças de joalheria. Mas é necessário não esquecer que a maioria dos escritos era feito sobre produtos perecíveis , especialmente os livros de casca de árvore, conhecidos por códices (de que apenas sobreviveram, até hoje, quatro exemplares pós-clássicos, aj tz'ib (traduzido à letra «aquele que pinta»). A sua bela caligrafia foi preservada numa série de murais e, com maior frequência, em vasos de cerâmica.
todos eles registos não-históricos). Os hieróglifos Maias foram criados a partir da tradição da pintura a pincel, e os escribas - que gozavam de grande prestígio na sociedade - eram apelidados de
Os textos que sobreviveram são inteiramente dedicados aos feitos relacionados com as classes de elite. Inscrições públicas tendiam a tratar de assuntos concisos, recorrendo muitas vezes a expressões formuladoras e a duplicações redundantes de factos já conhecidos. O que dá uma ideia muito distorcida da literatura Maia. Só muito raramente aparecem citações na primeira pessoa, escritos em linguagem mais animada ou poética, ou, raramente, tópicos abordados nos livros primitivos.

20/05/2016

Previdência



«Na verdade - comentou o jovem -, é pena que todo o globo terrestre não tenha sido unicamente composto de carvão! Assim haveria trabalho para alguns milhões de anos!

- Sem dúvida, Harry, mas devemos reconhecer que a natureza se mostrou previdente formando a nossa esfera principalmente de grés, de calcário e de granito, que o fogo não pode consumir.

- Quer dizer, senhor Starr, que os homens teriam acabado por queimar o Mundo?

- Sim, e por inteiro, meu rapaz... - respondeu o engenheiro. - Toda a Terra teria passado, até ao último pedaço, pelas fornalhas das locomotivas, dos navios e das fábricas a gás, e um belo dia o nosso Mundo acabaria assim...»



As Índias Negras, Júlio Verne


Vida na Escuridão

«Penso que nunca mais haverá uma descoberta como esta». exultava o oceanógrafo George Somero, do Scripps. «É como descobrir outro planeta, outra forma de vida.» A surpresa não era apenas devida ao aspecto das criaturas, mas principalmente à forma como viviam.
As comunidades ecológicas descobertas até então na Terra, eram mantidas através da luz solar. As plantas verdes captam a luz do Sol, que usam para ativar o seus laboratórios químicos no interior das suas células. Estes laboratórios microscópicos, chamados cloroplastos, fabricam açucares e amido - hidratos de carbono - por fotossíntese (palavra cujas raízes gregas significam literalmente «juntar com o auxílio da luz»). Nenhum ser humano alguma vez concebeu laboratório mais eficiente, ou cujos produtos fossem mais procurados, que um cloroplasto. As plantas vivem dos hidratos de carbono, e o mesmo fazem todos os seus vizinhos. Até os carnívoros obtêm os seus hidratos de carbono das plantas verdes, de uma maneira ou de outra. O lobo come o veado, que por sua vez come a erva.
Mas no fundo do mar não há sol, não existem plantas verdes. Assim, as criaturas agrupam-se à volta dos orifícios, de maneira diferente de qualquer outra comunidade da Terra, e vivem da energia do próprio planeta. Deve a sua vida, em certo sentido, às placas tectónicas. A água, depois de se encontrar com o basalto quente por baixo do fundo do mar, fica rica em gás sulfídrico (o composto de enxofre que emite o cheiro parecido ao dos ovos podres). Enquanto que para os humanos o gás sulfídrico é venenoso, para as bactérias nos orifícios é o suporte da vida. Elas comem o sulfureto e usam-no de maneira semelhante à das plantas em relação ao sol. Com a energia derivada da divisão do composto, cada laboratório químico das bactérias produz grandes quantidades de açucares e amidos. Fazem isto de forma tão eficiente que se multiplicam aos biliões nas águas dos orifícios tornando-as leitosas. De alguns orifícios pródigos, chamados white smokers, as bactérias saem como se fossem o fumo de uma chaminé.
O resto das criaturas nos escuros orifícios dependem das bactérias, tal como os que vivem à Riftia pachyptila, por exemplo, é tão dependente das bactérias, que é difícil de dizer onde termina a bactéria e começa o verme. O corpo do Riftia está cheio com um órgão chamado trofossoma. O trofossoma, por sua vez, está cheio de bactérias, o que constitui a maior parte do peso do verme; em troca, o verme fornece às bactérias o abrigo do seu próprio corpo e o oxigénio do seu sangue. Isto é sem dúvida uma antiga combinação, desde há muito, na evolução. O verme não pode viver sem a bactéria. Não tem olhos, nem boca, nem intestinos, nem ânus. Não poderia comer, mesmo que quisesse.


superfície, dependem das plantas. Os pequenos animais comem as bactérias, e os animais grandes comem os pequenos. Outras criaturas vivem com as bactérias em simbiose, uma sociedade intima entre as espécies. O verme gigante em forma de tubo nomeado de

De todas as extraordinárias e improváveis combinações da vida na Terra, nenhuma é tão estranhamente improvável como a criação da própria vida. A despeito das diversas teorias, ninguém conseguiu ainda explicar como é que os átomos e as moléculas se reuniram para formar uma célula. Os bioquímicos sabem que mesmo o mais simples mecanismo molecular numa célula é intrincado, e tem de sê-lo, já que a célula constrói duplicados de si própria, isto é, reproduz-se. Como é que as inanimadas moléculas se combinam em mecanismos tão complicados? Devem ter acontecido mais coincidências e encontros do destino do que nas novelas de Charles Dickens.
E, no entanto, a vida espalhou-se na Terra logo que o planeta arrefeceu. Os cientistas estão razoavelmente seguros, a partir da evidência da informação radioactiva, de que a Terra se formou há 4,6 milhões de anos. Os sinais geológicos de vida mais antigos têm cerca de 4 milhões de anos de idade. Nos seus primeiros 500 milhões de anos, o planeta era certamente muito quente e violento para permitir a existência de vida. O que deixa para a criação apenas algumas centenas de milhões de anos - dadas as dimensões da tarefa, quase tempo nenhum. Como é que uma maravilha tão intrincada aparece num tão curto intervalo de tempo? Pode a evolução realmente trabalhar tão depressa?

Como repararam Jack Baross e John Corliss, veteranos da experiência aos Galápagos, existiam certamente orifícios tornou-os um ambiente ideal para a vida se desenvolver. Todos os ingredientes químicos estavam presentes, incluindo o carbono, o hidrogénio, a água, o metano e a amónia. Ninguém sabe qual a temperatura ótima para produzir uma série de reações químicas que conduzem à vida; mas os orifícios fornecem uma vasta gama - desde o próprio magma, que está mais quente que 1000 graus centígrados, passando pela água que lhe está ao lado,  à temperatura de cerca de 600 graus, até à água a uma pequena distância dos orifícios, e que está a cerca de 20 graus.
A crusta quente da Terra, semeada de fissuras e de fendas, deveria ter sido como um vasto conjunto de tubos de ensaio interligados, um laboratório quase infinito no qual se deram muitas espécies de reações, em várias sequências, contínua e rapidamente. Em tal laboratório natural, defenderam Barloc e Corliss, as evoluções químicas rápidas são quase inevitáveis. Aqui, a Terra terá dados os seus primeiros passos em direção à vida.
À medida que partes da cordilheira submarina subiram acima do nível do mar, a vida deverá ter sido trazida até à superfície iluminada pelo Sol e às primeiras costas dos continentes do mundo. Mas, no princípio, o lugar mais saudável para a vida, ainda titubeante, começar a crescer deverá ter sido, segundo os cientistas, o fundo do mar à sombra dos oceanos.





Fonte
Planeta Terra, Jonathan Weiner, editora Gradiva

19/05/2016

A estátua que falava


Perto de Luxor, no Egito, erguem-se os colossos de Mémnon, duas estátuas de arenito de 18 m de altura do faraó Amenófis III, do século XIV a.C., pouco depois de a estátua mais a norte ter ficado danificada durante um sismo, alguns visitantes gregos, assombrados, ouviram-na, de madrugada, emitir sons suaves semelhantes a sinos. Os sons foram rapidamente identificados como a voz de Mémnon, filho de Eos, deusa da aurora, que ele saudava todas as manhãs.
A estátua adquiriu a fama de oráculo, e gregos e romanos da mais alta estirpe percorriam grandes distâncias para a consultar. Como a voz só se ouvia ao nascer do sol, gravavam os nomes e mensagens no lado virado a oriente como saudação ao sol nascente. Depois, faziam perguntas e os sons ouvidos eram interpretados, embora se desconheça o procedimento usado. Em 310 d. C., o imperador Adriano teve de regressar várias vezes ao local até conseguir  ouvir um som como o de um gongue, que foi tomado como aprovação do oráculo.
Poderia aquele som ser produzido pelo vento ao soprar através das fendas existentes na estátua? Ou talvez o calor dos raios do sol-nascente fizesse que o ar retido nessas fendas produzisse som ao expandir-se. Há quem diga que os sacerdotes poderiam ter colocado um junco numa fenda da pedra para intensificar o som. O investigador britânico Paul Devereux sugere que, tal como os antigos megálitos da Grã-Bretanha, a estátua poderia ter emitido ultra-sons no passado que os estragos sofridos teriam transformado em sons audíveis. Depois de ter sido reparada pelo imperador romano Séptimo Severo, por volta de 200 d. C., a estátua nunca mais voltou a falar.



Fonte:Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest

Imagem: Google

16/05/2016

Desejo e Ambição


«O desejo e ambição são duas coisas distintas, e a distância que as separa, apenas é comparável, mas nunca medível. Os que desejam comer são aqueles que nada têm, e os que ambicionam são os que pretendem muito mais do que possuem.» - Milandos de um Sonho, de Bahassan Adamodjy



Imagem: Pintura de Malangatana Valente Ngwenya

13/05/2016

As etapas do Homem na pré-história - O Neolítico


Face à economia própria do Mesolítico, essencialmente depredadora, nalgumas zonas surgiu uma relação homem-meio certamente distinta. O homem tornou-se produtor e explorou activamente novos recursos, como a criação de gado e a agricultura. Pôde, assim, controlar a sua subsistência  e ampliou as possibilidades de que dispunha anteriormente, a caça e a recoleção que passaram a ocupar um papel muito menos importante na economia do homem.
As primeiras espécies agrícolas cultivadas pelo homem foram o trigo e a cevada. Já na pecuária, assistiu-se à criação de ovelhas, cabras, e posteriormente, do porco e do boi. Estas inovações implicaram novas técnicas para trabalhar os campos, novos instrumentos, como foices, moinhos, etc. Surgiram povoações mais ou menos estáveis e indústrias como a tecelagem, o polimento da pedra, a cestaria e a cerâmica. No entanto, há que ter em conta que a presença deste último elemento não é determinante de uma economia neolítica, pois verifica-se em populações que não são propriamente agrícolas e pecuárias. Os centros originários da economia neolítica são dois:

  • o Próximo Oriente (Irão ocidental, Iraque, Turquia, e possivelmente, as regiões da Trácia e da Macedónia), entre 8.000 e 7.000 a.C.;
  • a América Central, entre 3.000 e 2.000 a.C.
A partir do primeiro foco, a cultura difundir-se-á para ocidente, dando origem a dois tipos de Neolítico conforme o seu grau de adaptação: primário e secundário. O primário dá-se numa zona de condições favoráveis, com um substrato mesolítico pouco importante: será o caso da Europa central e dos Balcãs. O Neolítico secundário desenvolve-se quando a cultura mesolítica toma importância, dando-se um fenómeno de aculturação. É o caso da Europa Ocidental.

Os Balcãs
Em Chipre surge  a cultura de "Kirokitia" (5.800 a 5.200 a.C.); a presença de foices e moinhos de mão parece indicar a existência de de agricultura. Aparecem, igualmente, restos ósseos de ovelhas, cabras e talvez porcos. Na Grécia, o Neolítico encontra-se representado nas suas diferentes fases pelas jazidas de "Nea-Nikomedia" e "Sesklo" ambas por volta de 6.000 a.C., e "Dimini" (3.700 a.C).
Nas regiões a que hoje correspondem à antiga Jugoslávia, Bulgária e Hungria estende-se a cultura "Starcevo", entre 5.000 e 4.000 a.C.

Europa Central
Nesta zona o Neolítico aparece totalmente constituído no início do 5º milénio a.C. Nesse momento as terras que se estendem da Hungria até à foz do Óder e da Bélgica até ao Vístula estavam ocupadas por grupos possuidores de uma cultura neolítica, a cultura da "cerâmica de barras"que se torna a sua cerâmica mais representativa, decorada com motivos em forma de barras lineares, espirais, etc. A cultura de "Rössen" estende-se da Alemanha central ao sudoeste e à Alsácia, por volta da segunda metade do 4º milénio. A cultura de "Michelberg" localiza-se na Suiça oriental, no sudoeste e no centro da Alemanha, de meados do 4º milénio a meados do 3º milénio. A cerâmica não é decorada, com excepção de algumas linhas ponteadas e impressões de dedos. Alguns recipientes apresentam um fundo pontiagudo.

Europa Setentrional
Por volta de 4.000 a.C. introduziu-se a economia Neolítica e a cerâmica, surgindo a cultura dos "jarros com gargalo em funil". Durante este período cultivou-se trigo e cevada. Aparecem ossos de cabras, ovelhas e gado vacum.
O Neolítico Médio é caracterizado pelos túmulos em forma de corredor. O Neolítico final começa em meados do 3º milénio a.C.

Europa Ocidental
A cultura de Cortaillod ocupa a Suiça meridional e ocidental e o leste da França. A sua cronologia estende-se entre a segunda metade do 4º milénio e a primeira metade do 3º milénio. O elemento mais característico é a construção das suas habitações, as palafitas. No início, pensava-se que eram construídas sobre água. Ataulmente, a ideia mais aceite é que foram erigidas sobre terrenos secos ou pantanosos.
Em França surge a cultura de Chassey, cuja indústria lítica deriva da mesolítica. A cerâmica é de tons escuros e polida. A sua economia baseia-se na agricultura e na pecuária. Criavam porcos, cabras e grandes ruminantes. Por volta de 2.500 a.C. estende-se pelo nordeste da França a cultura de Seine-Oise-Marne.
A cultura mais representativa de Inglaterra é a de Windmill-Hill, em Wessex e Sussex, que depois se estendeu por todo o sul da ilha.
Na Península Ibérica o Neolítico começa por volta do 5º milénio. O Neolítico inicial é representado pela cultura da "cerâmica cardial", que se estende pelas áreas litorais mediterrânicas. O Neolítico Médio tem o seu expoente na cultura dos "sepulcros de cova" na Catalunha, a dos "vasos de boca quadrada" na Catalunha, Valência, Granada, el Argar e Estremadura, e a chamada "cerâmica de almagra".  No Neolítico final sobrevivem as culturas proprias da fase anterior, que nalguns lugares se misturaram com culturas metalúrgicas e noutros evoluiram paralelamente ao início do Calcolítico e do Magalítico.



11/05/2016

A coluna de água


Se as profundidades estivessem verdadeiramente estagnadas, como durante muito tempo se acreditou, encher-se-iam de morte e decadência; é que os remanescentes de tudo o que vive no mar caem para o fundo como se de uma lenta e perpétua chuva. Sem correntes fundas para agitar as coisas, gases nocivos atingiriam o fundo e matariam todas as criaturas que aí habitassem. Lentamente, o próprio calor da Terra aqueceria esta repelente água preta até que ficasse mais quente que a água à superfície. Então, como o oceanógrafo Tjeerd van Andel escreveu, "o instável oceano inverter-se-ia eventualmente, lançando toda essa porcaria para a superfície, com efeitos catastróficos na fauna e na flora das águas superficiais e talvez com algum envenenamento da atmosfera". Desta forma, é preferível que os mares profundos não se encontrem tão sossegados quanto se pensava anteriormente. As profundidades, estão, de facto, em intensa e majestosa agitação. A água está sempre a descer a partir da superfície para a profundidade, elevando-se novamente, de forma lenta, para a superfície.
Esta circulação é um exemplo da convecção. Os cientistas acreditam que é a mesma espécie de processo que acontece numa panela de sopa colocada no fogão e também o que agita o próprio manto da Terra. Mas nos mares,diferentemente do que acontece na panela ou no manto da Terra, a força impulsionadora não está nas profundidades, mas no cimo. A água gelada à superficie dos mares polares é mais densa e mais pesada  que a água das profundidades. À medida que desce, desloca a água mais funda, que é forçada a vir ao de cima, para a superfície (a viagem da superfície para o fundo e deste para a superfície chega a levar mais de um milhar de anos).
Junto dos pólos a água é densa, não só por ser fria mas também porque transporta uma invulgarmente pesada carga de sal dissolvido. Com efeito, ela fixa o sal que os icebergues deixaram para trás - uma vez que a água, ao gelar, expele a sua parte de sal, sendo que a água, ao gelar, expele a sua parte de sal, sendo a água à volta do gelo obrigada a absorvê-lo (todos os icebergues são constituídos por água doce pura. O ar de Weddel , na Antáctida, é a maior fábrica de água fria e salgada. Outrora "afundamentos"de água de superfície aconteceram perto da Gronelândia: o mar da Noruega e o mar do Labrador.
Quando esta água densa atinge o fundo, avança lentamente até ao equador, numa viagem que dura séculos. A sua presença nos trópicos parece ter sido inicialmente notada por um capitão de um navio de escravos. Em 1751, o capitão Henry Ellis, do Earl of Halifax, viajando da Inglaterra para a África Ocidental, descobriu que um balde de água içado da profundidade de uma milha tinha uma temperatura muito refrescante no calor tropical. O capitão usava a água para arrefecer o vinho e o banho.
Os cientistas do século XVIII pensavam que a água fria junto ao equador só poderia ter vindo dos pólos; e acreditavam que a água polar devia ter-se espalhado até cobrir todo o fundo do oceano na sua longa e lenta caminhada em direção ao equador.
No entanto, em meados dos anos 50, Henry Stommel, de Woods Hole, trabalhou no desenvolvimento de modelos matemáticos mais sofisticados da circulação do mar, concluindo que o avanço da água fria do fundo em direcção ao equador não podia ser tão lento e regular como os cientistas tinham suposto. Segundo Stommel, as correntes do fundo - como as correntes à superfície - devem ser canalizadas contra as margens ocidentais dos continentes devido à rotação da Terra.  Assim, no Atlântico, Stommel imaginou uma espécie de negativo ou antítese da corrente do Golfo - uma contracorrente de água gelada movendo-se para sul através da escuridão, no fundo do planalto continental.
No ano de 1955, um oceanógrafo britânico, John Swallow, imaginou um simples ma engenhoso dispositivo que tornou possível verificar a hipótese de Stmmel. Swallow preparou algumas secções de 3,05 m (10 pés) de tubos de alumínio com o lastro suficiente para se afundarem, sem, no entanto, atingirem o fundo. Instalou transmissores acústicos nos tubos que emitiam um agudo ping de tantos em tantos segundos. Desta maneira, os tubos de alumínio podiam ser facilmente seguidos por um navio à superfície.
Em 1957, Swallow navegou para as Bermudas no navio de pesquisa britânico Discovery II. Stommel foi ao seu encontro no Atlantis, de Woods Hole. Juntos, os cientistas lançaram ao mar vários flutuadores Swallow. Alguns destes tubos estavam lastrados para flutuar a profundidades relativamente baixas e outros para flutuar a mais de 2700 metros. 
Os fluadores que se encontravam junto à superfície, foram arrastados para norte na corrente do Golfo. Já os flutuadores das profundidades derivaram para sul, emitindo os seus ping à medida que iam sendo arrastados. Stommel tinha razão.
De facto existe não só uma corrente abissal na fronteira ocidental, mas um giro completo; este roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, por baixo do giro quente de superfície, que roda no sentido dos ponteiros do relógio. Os modelos matemáticos de Stommel predisseram a existência de um giro abissal em cada bacia oceânica e também outras correntes horizontais a vários níveis do mar. Quanto mais elaborados eram estes modelos, mais intricados pareciam os oceanos do mundo. O mar está acamado como as páginas de um livro. Cada uma das camadas do mar difere apenas ligeiramente das suas vizinhas no que respeita à temperatura e à salinidade. No entanto, há muito pouca mistura nos extremos. A água pode "viajar" dentro da sua camada, sem se diluir, ao longo de milhares de quilómetros.





Fonte:
O Planeta Terra de Jonathan Weiner, Editora Gradiva

09/05/2016

Australopithecus sediba

Os esqueletos fósseis do Australopithecus sediba da caverna de Malapa, encontram-se tão completos que os cientistas conseguem ver como é que eram os esqueletos inteiros na altura em que o género Homo evoluiu. Os detalhes nos dentes, o comprimento dos braços e pernas, e a parte estreita do tórax inferior largo são semelhantes aos humanos. Estes traços indicam que o Au. sediba pode revelar informações sobre as origens e ancestrais do género Homo.
Mudanças funcionais na pélvis do Au. sediba apontam para uma marcha bípede, enquanto que outras partes partes do esqueleto retêm características encontradas noutros australopitecíneos. Medições da força do úmero e do fémur mostram que o Au. sediba apresentava um padrão de locomoção mais do tipo humano do que o mostrado pelos fósseis atribuídos ao Homo habilis. Estas características sugerem que o Au. sediba caminhava erecto de forma regular e que as alterações na pélvis deram-se antes das outras alterações no corpo que são encontradas mais tardiamente nas espécies Homo.
O crânio do Au. sediba tem diversas características derivadas, tais como premolares e molares relativamente pequenos e traços faciais que são mais semelhantes aos do Homo. No entanto, destas mudanças na pélvis e crânio, outras partes do esqueleto do Au sediba mostram um corpo semelhante ao dos outros australopitecíneos, como os membros superiores longos e uma capacidade craniana pequena. O fóssil também mostra que as alterações na pélvis e na dentição deram-se antes das mudanças nos membros ou da capacidade craniana.
A combinação de traços primitivos e derivados no Austrapithecus sediba mostra-se como sendo parte da transição a partir de uma forma adaptada a uma arborealidade parcial para o bipedismo. Mas as pernas e os pés apontam para uma anterior marcha erecta desconhecida. A cada passo, o Au. sediba virava o pé para dentro com um peso focado na extremidade exterior do pé. Esta estranha forma de caminhar pode significar que a marcha bípede pode ter evoluído diferentemente em mais do que uma espécie de hominídeo.



O primeiro espécime de Au. sediba, foi descoberto a 15 de agosto de 2008 por Mathew Berger, filho do paleoantropólogo Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, em Malapa, na África do Sul. Foi anunciado na revista Science em abril de 2010.

06/05/2016

02/05/2016

Chade

O Chade, oficialmente a República do Chade, é um país interior, na África Central. Faz fronteira com a Líbia a norte, com o Sudão a este, com a República Centro-Africana a sul, Camarões e Nigéria a sudoeste e com o Níger a oeste. 
É o quinto maior país de África em termos geográficos.
O Chade está dividido em múltiplas regiões: uma zona desértica no norte, uma faixa árida saheliana no centro e uma savana sudanesa mais fértil no sul. O lago Chade, a partir do qual provém o nome do país, é a maior zona húmida do país e a segunda maior do continente africano. N'Djamena, a capital, é a maior cidade. O Chade é o lar de mais de 200 grupos étnicos e linguísticos diferentes. o árabe e o francês são as línguas oficiais. O Islão e o cristianismo são as religiões com maior número de praticantes.
 No 7º milénio a. C. as populações humanas começaram a deslocar-se para a bacia do Chade em grande número. Pelo final do primeiro milénio a. C., surgiu uma série de Estados e Impérios na faixa saheliana do Chade, cada uma focalizada em tentar controlar as rotas comerciais trans-saharianas que passavam nesta região.
A França conquistou o território em 1920 e incorporou-o na África Equatorial Francesa. Em 1960 o Chade obteve a independência sob a liderança de François Tombalbaye. O ressentimento relativamente à política deste surgiu no norte muçulmano e culminou numa longa guerra civil em 1965. Em 1979 os rebeldes conquistaram a capital e puseram um fim na hegemonia do sul. No entanto, os comandantes rebeldes começaram a lutar entre si, até que Hissène Habré derrotou os seus rivais. Foi destituído em 1990 pelo seu general Idriss Déby. Desde 2003 que a crise de Darfur, que surgiu no Sudão, se alastrou para além de fronteiras e desestabilizou a nação, com centenas de milhar de refugiados sudaneses a viver nos, e à volta, campos no leste do Chade.
Apesar de haver vários partidos políticos ativos, o poder encontra-se firme nas mãos do presidente Déby e do seu partido político, o Movimento de Salvação Patriótico.
O Chade continua assolado pela violência política e recorrentes tentativas de golpes de Estado. É um dos países mais pobres do mundo; a maioria dos habitantes vive na pobreza como pastores e agricultores de subsistência. Desde 2003 que o petróleo se tornou a principal fonte de receitas de exportação do país, superando a tradicional indústria do algodão.

República Centro-Africana


A República Centro-Africana (RCA) é um país no interior do centro de África. Faz fronteira com o Chade a norte, com o Sudão a Nordeste, Sudão do Sul a este, República Democrática do Congo a República do Congo a sul e com os Camarões a oeste.
A RCA cobre uma área de cerca de 620.000 km2 e em 2014 estimava-se a população em 4,7 milhões de habitantes.
A maior parte do território da RCA consiste em savanas sudano-guineenses, mas o país também inclui uma zona sahelo-sudanesa no norte e outra de floresta equatorial a sul. Dois terços do país estão dentro da Bacia do Rio Ubangi (que flui para o Congo), enquanto que o outro terço encontra-se inserido na Bacia do Chari, que flui para o Lago Chade.
O que é a atual República Centro-Africana esteve habitada durante milhares de anos, no entanto, as fronteiras atuais do país foram estabelecidas por França, que governou o território como uma colónia desde o final do século XIX.
Após obter a independência da França em 1960, a RCA foi governada por uma série de líderes autocratas. Quando chegaram os anos de 1990, o desejo pela democracia levou a que as eleições de 1993 fossem multi-partidaristas. Ange-Félix Patassé tornou-se líder, mas foi destituído através de um golpe de estado em 2003, sendo substituído pelo General François Bozizé.

A Guerra Civil da república Centro-Africana teve inicio em 2004 e, apesar de dois tratados de paz, um em 2007 e outro em 2011, os combates eclodiram entre o governo e facções muçulmanas e cristãs em Dezembro de 2012, levando a limpezas étnicas e religiosas e a um deslocamento maciço das populações em 2013 e 2014.
Apesar da riqueza dos depósitos minerais e outros recursos, como reservas de urânio, petróleo bruto, ouro, diamantes, madeira e energia hidroelétrica, assim como terra arável em abundância, a República Centro-Africana encontra-se entre os dez países mais pobres do mundo. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano de 2013, este encontrava-se na 185ª posição de 187 países.

01/05/2016

Em busca da imortalidade

Qin Shi Huangdi, primeiro imperador chinês e homem obcecado pela imortalidade.  foi surpreendido pela morte. Os magos haviam-lhe garantido que ervas "antimorte", as quais cresciam nas Ilhas dos Imortais, ao largo da costa nordeste, fariam com que o imperador vivesse para sempre. Qin enviou várias expedições para localizarem essas ilhas fabulosas, mas acabou por vir a falecer em 210 a.C., quando esperava o regresso da sua última frota, com 48 anos.
O imperador chines Qin Shi Huangdi não era o único obcecado pela imortalidade. A sepultura da Dama de Dai, falecida em 168 a.C., foi descoberta na província de Henan em 1972. Quando o túmulo foi aberto, verificou-se que o corpo estava perfeitamente conservado, embora o funeral tivesse ocorrido há mais de dois mil anos antes. A Dama não fora embalsamada, mas o túmulo encontrava-se selado de tal modo que se tornava completamente estanque ao oxigénio.
Na antiga China, as pessoas tinham boas razões para acreditar que a imortalidade era possível Enciclopédias e textos religiosos  oficiais registavam contos de homens e mulheres que se tornavam imortais subindo rapidamente ao céu à vista de aldeias inteiras. Falavam igualmente de eremitas de idade provecta com o aspecto de jovens e que viviam apenas do orvalho e do ar.
Quem aspirasse o caminho da imortalidade seguia o caminho do taoismo, uma das três grandes religiões da China. Para se conseguir atingir a longevidade era necessário aprender a dominar uma combinação de técnicas - respiratória, dietética, ginástica, meditativa e sexual. O praticante passava a ser considerado um xiã, semideus capaz de voar, alterar o tempo, assumir formas de animais, tornar-se invisível e talvez viver para sempre. Usavam-se amuletos mágicos com caracteres estilizados como proteção pessoal contra a morte. Os taoistas praticavam também uma forma de tai qi (ou t'ai chi) - exercícios físicos modelados sobre os movimentos de animais de vida longa, como tartarugas e garças.
No século III a.C., os magos afirmavam atingir a longevidade graças á utilização de plantas medicinais. Cem anos depois, os alquimistas trabalhavam com metais e minerais em busca da fórmula mágica para atingir a imortalidade. Contrariamente à alquimia ocidental, cujo objetivo era o de transmutar a base metálica em ouro, aquilo que os alquimicos chinês procuravam era o segredo da vida eterna.
No entanto, o inditoso imperador e a Dama de Dai tornaram-se imortais. A dama morreu, mas não envelheceu. O imperador, cujo mausoléu é guardado por guerreiros de pedra de tamanho natural, será recordado como o homem que deu início à construção da Grande Muralha.




Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...