06/04/2016

Ritos da Antiga Grécia


Todos os anos, em setembro, na antiga cidade grega de Elêusis, desde a época micénica até à destruição do seu templo, em 396 d.C., terão sido iniciadas nos ritos secretos, ou mistérios, 30.000 pessoas. Durante vários dias, realizavam-se festas e procissões em honra da deusa Deméter, ou Demétria, e da sua filha Perséfone.
Não se sabe o que encerravam os ritos. Contrariamente às cerimónias da religião pública e estatal, as quais eram abertas a todos, uma religião de "mistérios" só era praticada pelos mystae, os iniciados, que juravam guardar silêncio. Os segredos mais defendidos nunca foram revelados, mas sabe-se que os mistérios estavam ao alcance de todos aqueles que falassem grego e não tivessem cometido assassínio e que os participantes se sentiam abençoados por certos conheciments de uma ditosa vida além-túmulo. As celebrações tinham início com um banho no mar em Atenas e uma procissão até Elêusis. À noite, num vasto espaço iluminado por archotes, havia recitações e uma representação.
Talvez fosse encenada a tentativa empreendida pela deusa das colheitas Demétria para encontrar a filha Perséfone, seduzida por Hades, senhor dos Infernos. Ao encontrar a filha, Deméter aceitou que Perséfone  à luz durante parte do ano, simbolizando a sua chegada  a renovação da vida na Primavera.
Aquando da busca pela filha, a deusa, disfarçada de velha, parara em Elêusis, onde se tornara ama do filho do rei, a quem tentara tornar imortal colocando-o numa fogueira todas as noites. Descoberta, deu-se a conhecer aos habitantes, que lhe erigiram um templo. Era nesse local que os mistérios eram celebrados todos os anos.
Quando a região à volta de Atenas e Elêusis foi evacuada numa dada altura das Guerras Pérsicas ( entre 500 e 479 a.C.), terão sido os deuses a celebrar os mistérios. Segundo Heródoto, espiões persas viram uma nuvem de poeira e ouviram o clamor do exército divino quando se dirigiam para Elêusis. Nesse mesmo dia, os Persas foram derrotados em Salamina.



Fonte:
Viagem ao Desconhecido, Selecções do reader's Digest

Imagem:
Frinéia em Elêusis de Henryk Siemiradzki (1889)




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