18/04/2016

Padrões


É só uma questão de tempo, todos estamos mais ou menos tempo cá. Estamos cá e deixamos de estar cá. Portanto o que se faz no entretanto, como nos sentimos, como os outros nos sentem, como agraciamos a própria vida por a termos é que é importante. Há que não a desperdiçar, há que a tornar harmoniosa, celebrá-la, por assim dizer. Pois é só um bocadinho, um instante. Não importa o padrão que utilizamos para essa vida. Até podemos ter pensado num padrão, e depois termos mudado de ideias, viver outro. Seja porque aquele já não corresponde às nossas vontades, seja porque por alguma razão não conseguimos obter aquele padrão. A vida é cheia de padrões, de imagens, de formas. nada é definido, nada é absoluto. Diria mesmo que deveríamos olhar para diversos padrões, não nos prendermos a uma só possibilidade (ou a um número restrito).
Guardam-se fotografias do passado, contam-se histórias acontecidas (sempre com uma alteração aqui ou ali, umas vezes consciente outras inconscientemente), o que se foi (ou que se pensa que foi), fazem-se planos, o que se vai ser, o que é preciso acontecer, o que irá ser a fonte da harmonização... mas raras vezes se vê que tudo isso não tem importância, o presente é a única coisa que existe, a única coisa que se tem. Se não se vive o presente, que é onde a Vida existe, como se pode viver?
Celebremos a vida, celebremos o presente, celebremo-nos a nós, agora, aqui, neste preciso momento existimos, somos. E não somos algo de fixo, somos mutáveis, dentro de nós temos vários padrões, várias cores, somos um arco-íris, não uma luz monocromática.
Aceitemos os padrões, procuremo-los e atiremo-nos a eles. Eles existem, agora, não antes, nem depois.


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...