11/04/2016

Kenyanthropus rudolfensis

O Kenyanthropus rudolfensis, mais frequentemente designado de Homo rudolfensis, mas também de Australopithecus rudolfensis (ainda não há um consenso científico quanto ao género a que pertence).
Até à descoberta do Kenyanthropus rudolfensis (neste artigo será escolhido o género Kenyanthopus por razões que ficarão mais claras adiante) em 1972 por Bernard Ngeneo, membro da equipa do antropólogo Richard Leakey, em Koobi Fora, a leste do Lago Rudolf (atual Lago Turkana) só havia um único ancestral para os humanos modernos no Plioceno Inferior, nomeadamente o Australopithecus afarensis. As características distintas e únicas do Kenyanthropus platyops veio  a obrigar a fazer nascer um novo género, o Kenyanthropus. E com isso, a rever a classificação de alguns fósseis, designadamente o do Homo rudolfensis, que não se encaixava bem no grupo Homo, mas que também era demasiado diferente para ser classificado como Australopithecus.
Os fósseis deste novo género trazem uma nova diversidade à árvore genealógica humana.
O Kenyanthropus aparenta ter entre 2,5 e 1,9 milhões de anos, coexistindo durante bastante tempo com o Homo habilis

As arcadas supraorbitais eram menos proeminentes do que no género Australopithecus. A face é mais prognática e a parte do nariz menos saliente. Não tem crista sagital, os grandes ossos zigomáticos, como no Paranthropus robustus e no Paranthropus boisei desapareceram. O Kenyanthropus tinha molares maiores e mais largos comparativamente ao Homo habilis, enquanto eram ligeiramente menores do que os vistos no género Australopithecus, e o K. rudolfensis também não tinha a mandíbula densamente construída e com fortes ligações musculares na mandíbula, o que era visto nos primeiros seres humanos robustos. Esta diferença anatómica é, muito provavelmente, indicadora de diferenças nas dietas do Kenyanthropus rudolfensis e nas espécies mais antigas de australopitecíneos, que eram capazes de mastigar alimentos mais duros. Os ossos do crânio eram mais finos e, na sua generalidade, mais delicados. A capacidade craniana média é de cerca de 750 cc (centímetros cúbicos). Pesaria aproximadamente 50 kg, e a espécie apresentaria, muito provavelmente, dimorfismo sexual.
Embora nenhum dos ossos se encontre associado a ferramentas de pedra, o seu crânio grande indica que possivelmente as terá fabricado durante o período de indústria de ferramentas do Olduvaiense inferior. Mas, uma vez que houve diversas espécies de hominídeos a habitar a mesma região, não é possível determinar qual (quais) delas fabricou as ferramentas e se as outras apenas as usaram.


Em muitos aspectos o Kenyanthopus era um pouco mais avançado que o Homo habilis. Isto poderia sugerir que o Homo habilis foi um beco sem saída, enquanto que o Kenyanthropus rudolfensis deu origem ao Homo erectus e mais tarde à espécie humana.
O Kenyanthropus fez com que os paleoantropólagos alterassem a sua visão acerca das origens humanas. Existem muitas questões levantadas pela sua nomeação, que incluem a relação do Kenyanthropus rudolfensis com os australopitecíneos e com o Homo habilis, questões que não podem ser respondidas com base em tão poucos fósseis.  Ainda existem muitas questões em aberto relativamente ao Kenyanthopus rudolfensis, até porque até à atualidade, existe apenas um único fóssil em boas condições do Kenyanthropus rudolfensis, o KNM-ER 1470:
  • Terá sido o Kenyanthropus rudolfensis aquele que na árvore evolucionária humana evoluiu para as espécies posteriores de Homo e até à nossa espécie, Homo sapiens?
  • Serão o Kenyanthropus rudolfensis e o Homo habilis de facto espécies diferentes, ou serão apenas uma parte de uma única espécie, mas com variações diferentes? Ou terá um sido o ancestral do outro?
  • Serão os fósseis do Kenyanthropus rudolfensis mais parecidos com os australopítecíneos, do que com outros fósseis Homo, como alguns cientistas têm sugerido?
  • Quais seriam de facto as dimensões do Homo rudolfensis? Seria esta espécie sexualmente dimórfica como se julga?


Atualmente a maior parte dos cientistas reconhece que viveram quatro espécies na Bacia Turkana, no norte do Quénia, algures entre 2 a 15, milhões de anos atrás: o Kenyanthropus (Homo) rudolfensis, o Homo habilis, o Homo erectus, e o Paranthropus boisei.





Fontes:
http://www.columbia.edu/itc/anthropology/v1007/2002projects/web/kenyanthropus/kenyanthro.html#rudolf
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/homo-rudolfensis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Homo_rudolfensis

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...