02/04/2016

Kenyanthropus platyops

Sabe-se muito pouco acerca do Kenyanthropus platyops. Tratava-se de uma espécie de rosto achatado, com um cérebro pequeno e bípede, que viveu há cerca de 3,5 milhões de anos atrás, no Quénia. O Kenyanthropus habitou a África ao mesmo tempo que a espécie de Lucy, o Australopithecus afarensis, e pode representar um ramo mais próximo dos humanos modernos que Lucy na árvore evolucionaria. Antes da descoberta do único crânio conhecido em 1999, o fóssil mais recente caracterizado por uma face achatada, o que implica uma mudança significativa na estrutura do crânio, remontava há cerca de 2 milhões de anos atrás.

Ao trabalhar na região oeste do Lago Turkana, na região de Lomekwi no norte do Quénia, em 1998 e 1999, Justus Erus, um assistente de investigação da equipa conduzida pela cientistas Meave Leaky, encontrou o crânio e outros restos fósseis de um hominídeo, cujos sedimentos vulcânicos onde os fósseis foram encontrados, foram datados entre 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás, durante o Plioceno, que apresentava uma mistura de características ainda não vistas noutros fósseis de humanos primitivos. Ao notar a combinação de traços pouco comuns, Leaky e a sua equipa nomearam um novo género e espécie, Kenyanthropus Platyops, que significa «homem de rosto plano do Quénia».

A espécie é apenas conhecida através  do crânio KNM-WT40000 encontrava-se separado em duas
partes, com a caixa craniana separada da face, em condições pouco favoráveis, pois o crânio apresentava-se esmagado e distorcido,  e de uma maxila parcial (maxilar superior e a maior parte da face), incluindo dentes. Já os outros fósseis encontrados em Lomekwi não foram atribuídos oficialmente ao Kenyanthropus platyops. O volume cerebral era de cerca de 350 cm cúbicos.
Os cientistas propuseram a definição do género Kenyanthropus, pois o crânio encontrado mostra uma mistura equilibrada de traços do Australopithecus afarensis e do Homo rudolfensis.
A densidade do esmalte dentário é semelhante ao do Australopithecus afarensis, apesar de mais grosso do que nos macacos atuais, no entanto mais fino que o do Paranthropus robustus; os tamanhos dos cérebros entre o Kenyanthropus e o Australopithecus afarensis também são muito semelhantes; os molares superiores, primeiro e segundo são mais pequenos do que em qualquer espécie do que em qualquer espécie do género Australopithecus, sendo as suas dimensões semelhantes às do Ardipithecus ramidus; o orifício auditivo externo dos Kenyanthropus platyops também eram menores do que os do Aust. afarensis, com dimensões semelhantes aos do Australopithecus anamensis, ao Ard. ramidus e aos chimpanzés. A morfologia facial do KNM-WT40000, os ossos da maxila, a bochecha, os locais de fixação do músculo masseter (músculo que fecha a boca) encontram-se posicionados muito mais para a frente do rosto do que no Aust. afarensis ou em qualquer outra espécie dos géneros Australopithecus e Ardipithecus; a parte do maxilar abaixo do nariz é igualmente diferente da espécie de Lucy e das outras anteriores, sendo plana de um lado para o outro e de cima para baixo. 
A face achatada do crânio é considerado o holotipo da espécie em questão, com os ossos das bochechas elevados, os pequenos dentes densamente esmaltados, que são traços encontrados em fósseis humanos posteriores como o Homo rudolfensis ou mesmo o Homo habilis, mas no entanto a distorção do KNM-WT40000 leva a que alguns paleoantropólogos acreditem que, na realidade, o crânio pertence a um individuo Australopithecus afarensis.
Uma vez que o fóssil KNM-WT40000 é o único individuo Kenyanthropus conhecido, isto faz com que seja difícil conhecer as características desta espécie.

Pouco se sabe acerca desta espécie, subsistindo ainda muitas questões:
  1. Quais seriam as dimensões do Kenyanthopus platyops? haveria uma grande diferença de tamanho entre os machos e fêmeas (dimorfismo sexual)?
  2. Encontra-se o Ken. Platyops mais próximo do homem moderno que os Aust. afarensis?
  3. Representará realmente o fóssil  KNM-WT40000 um novo género e uma nova espécie, ou são as características faciais o resultado de uma distorção causada por um processo de deposição?
  4. Qual seria o género do KNM-WT40000? os seus pequenos dentes são semelhantes aos de uma fêmea, mas as linhas temporal do crânio mostram uns músculos de mastigação mais largos, semelhantes aos de muitos dos machos de humanos primitivos.
  5. O KNM-WT 40000 é parecido com o KNM-ER 1470, outro crânio com um rosto achatado geralmente atribuído ao Homo rudolfensis. Será o Kenyanthropus platyops o ancestral do Homo rudolfensis?
Apesar de o Kenyanthropus platyops ter vivido ao mesmo tempo que o Australopithecus afarensis, os molares do primeiro são mais pequenos, o que sugere que as duas espécies tinham dietas muito diferentes e logo, não entrariam em competição pelos mesmos tipos de alimentos, embora ambos fossem, provavelmente, grandes consumidores de plantas.


Antes da descoberta do Kenyanthropus só se tinha encontrado uma única espécie humana primitiva, o Australopithecus afarensis, na África Oriental, no período de 4 a 3 milhões de anos atrás. A existência do Kenyanthropus reflete a diversidade das espécies humanas primitivas que viviam ao mesmo tempo.
Muitos cientistas pensam que o Australopithecus afarensis é o ancestral das espécies Homo e, consequentemente, dos humanos modernos, mas alguns cientistas sentem agora que o rosto achatado do Kenyanthropus platyops e arcadas supraorbitais menos pronunciadas, parecem estar mais próximas do Homo.



Fontes
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/kenyanthropus-platyops
http://www.avph.com.br/kenyanthropusplatyops.htm

Imagens: http://www.kenyanthropus.com/




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