22/04/2016

Camarões


Os Camarões são um país situado na África Ocidental, fazendo fronteira com a Nigéria a oeste, com o Chade a nordeste, República da África Central a este, e com a Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo a sul. A linha costeira dos Camarões encontra-se no Golfo do Biafra e no Oceano Atlântico. O país é frequentemente denominado de África em miniatura pela sua diversidade geológica e cultural. As características naturais incluem praias, desertos, montanhas, florestas tropicais e savanas. O ponto mais elevado é o Monte Camarões a sudoeste, e as maiores cidades são Douala, Yaoundé e Garoua. Os Camarões são a casa de mais de 200 grupos linguísticos. O país é bastante conhecido pelo seu estilo de música tradicional, particularmente pela makossa e a bikutsi, assim como pela sua equipa de futebol de sucesso. As línguas oficiais são o francês e o inglês.


Os primeiros habitantes do território incluíram a civilização Sao ao longo do Lago Chade e os caçadores recolectores Baka no sudeste da floresta tropical. Os exploradores portugueses chegaram à costa dos Camarões no século XV e nomearam a área de Rio dos Camarões. Os soldados Fulani fundaram o Emirato Adamawa no norte no século XIX, e diversos grupos étnicos estabeleceram grupos poderosos no norte e noroeste. Os Camarões tornaram-se uma colónia alemã em 1884, conhecida como "Kamerun".
Após a Primeira Guerra Mundial, o território foi dividido entre a França e a Grã-Bretanha como Mandato da Liga das Nações. O partido político Union des Populations du Cameroun (UPC) defendeu a independência, mas foi ilegalizado pela França durante a década de 1950. As forças militares travaram uma guerra contra a França até 1971. Em 1960, a zona de administração francesa dos Camarões tornou-se independente como República dos Camarões com o Presidente Ahmadou Ahidjo. A zona sul dos Camarões Britânicos juntou-se com a República dos Camarões em 1961, formando a república Federal dos Camarões. O país foi renomeado para República Unida dos Camarões em 1972 e para República dos Camarões em 1984.
Comparativamente a outros países africanos, os Camarões são política e socialmente estáveis. Este facto tem permitido o desenvolvimento da agricultura, das estradas, caminhos de ferro e grandes indústrias de petróleo e madeira. Em todo o caso, um grande número de camaroneses vive na pobreza como agricultores de subsistência. O poder está nas mãos do presidente Paul Biya, desde 1982, e do seu partido Movimento Democrático do Povo Camaronese. Os territórios que falam inglês dos Camarões têm aumentado mais alienados do governo, e os políticos destas regiões têm pedido para uma maior descentralização e até mesmo para a separação (por exemplo o Conselho Nacional dos Camarões do Sul) dos antigos territórios governados pelos britânicos. 


História

O atual território dos Camarões já era ocupado na era Neolítica. Os habitantes com maior antiguidade são grupos como os Baka (Pigmeus). Acredita-se terem-se dado migrações de grupos Bantu para o leste, sul e África Central há cerca de 2000 anos atrás. A cultura Sao surgiu à volta do Lago Chade cerca de 500 d.C e abriu caminho para o Império Kanem e o Estado que lhe sucedeu, o Império Bornu. No oeste surgiram diversos reinos e tribos.
Os navegadores portugueses chegaram à costa da região atual dos Camarões em 1472. repararam na abundância de camarões fantasma, Lepidophthalmus turneranus, no Rio Wouri e nomearam-no de Rio dos Camarões, tendo surgido daí o nome de Camarões. Nos séculos que se seguiram, os interesses europeus regularizaram o comércio entre os povos costeiros e os missionários cristãos entraram no interior do território. No início do século XIX, Modibo Adama levou os soldados Fulani a participarem numa jihad contra os não muçulmanos e parcialmente muçulmanos e estabeleceram o Emirato Adamawa. A fuga dos povos sedentários da ação dos Fulani levou a uma grande redistribuição da população.  O norte dos Camarões foi uma região importante para a rede de comércio de escravos muçulmana.
O povo Bamum tem um sistema de escrita indígena, conhecida como escrita Bamum ou Shu Mom. A escrita foi desenvolvida pelo sultão Ibrahim Njoya em 1896, e é ensinada nos Camarões pelo Projecto de  Escritos Bamum e Arquivos. O Império Alemão reclamou o território como a colónia de Kameru em 1884 e iniciou um impulso constante para o interior. Iniciaram projetos para melhorar a infraestrutura da colónia, com base num duro sistema de trabalho forçado. Com a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, o território de Kamerun tornou-se um Mandato das Sociedades das Nações e foi separada nos Camarões Franceses e Camarões Britânicos em 1919. A França integrou a economia dos Camarões com a francesa e melhorou as infraestruturas com capital de investimentos, trabalhadores especializados e com a continuação de trabalho forçado.
Os Britânicos por sua vez, administraram o seu território a partir da vizinha Nigéria. Os nativos reclamaram que isto tornava-os "uma colónia de uma colónia". Os trabalhadores migrantes nigerianos afluiram para o sul dos Camarões, acabando com o trabalho forçado mas irritando os povos nativos. Os Mandatos das Liga das Nações converteram-se no Conselho de Tutela das Nações Unidas em 1946, e a questão da independência tornou-se um assunto de pressão nos Camarões Franceses. A França ilegalizou o partido político mais radical, a União das Populações dos Camarões (UPC) a 13 de Julho de 1955, o que levou a uma longa guerra de guerrilha e ao assassínio do líder do partido, Ruben Um Nyobé. Nos Camarões Britânicos, a questão era antes se a de se juntarem aos Camarões Franceses ou à Nigéria.
A 1 de Janeiro de 1960, os Camarões Franceses obtiveram a independência da França com o governo do Presidente Ahmadou Ahidjo. A 1 de Outubro de 1961, os Camarões do Sul Britânicos uniram-se aos Camarões Franceses para formar a República Federal dos Camarões. Ahidjo usou a guerra que ainda decorria com a UPC para concentrar o poder na presidência, continuando com esta concentração mesmo depois da supressão do UPC em 1971.
O partido político do Presidente, a União Nacional dos Camarões (UNC), tornou-se o único partido político legal a 1 de Setembro de 1966 e em 1972 o sistema federal de governo foi abolido a favor da República Unida dos Camarões liderada por Yaoundé. Ahidjo prosseguiu uma política económica de liberalismo planeado, dando prioridade a culturas de rendimento e à exploração do petróleo. O governo usou o dinheiro do petróleo para criar uma reserva nacional monetária, pagar aos agricultores e financiar grandes projectos de desenvolvimento, no entanto, muitas iniciativas falharam quando Ahidjo nomeou aliados não qualificados para os dirigirem.
Ahidjo renunciou ao cargo a 4 de Novembro de 1982 e deixou o poder ao seu sucessor constitucional, Paul Biya. No entanto, Ahidjo permaneceu no controlo da UNC e tentou dirigir o país por detrás da cena até que Biya e os seus aliados pressionaram-no para que resignasse. Biya iniciou o seu governo  com uma direção para uma maior democratização, mas um golpe de estado falhado fez com que ele voltasse ao mesmo tipo de governação que o seu antecessor.

Durante os meados da década de 1980 ao final dos anos 1990 os Camarões tiveram uma crise económica devido às condições económicas internacionais, à seca, à descida do preço do petróleo, e anos de corrupção, mà gestão e nepotismo. Os Camarões viraram-se para a ajuda internacional, corte de despesas governamentais, e à privatização da indústria. Com a reintrodução do multi-partidarismo político em Dezembro de 1990, os antigos grupos dos Camarões Britânicos começaram a pedir uma maior autonomia, e O Conselho Nacional dos Camarões do Sul defenderam uma completa separação como a República de Ambazonia. A Fevereiro de 2008 os Camarões experimentaram tiveram a sua maior experiência de violência em 15 anos quando um ataque em Douala escalou para protestos violento em 31 áreas municipais.
Em Maio de 2014, no seguimento do rapto das alunas de Chibok, os presidentes Paul Biya dos Camarões e Idriss Deby do Chade anunciaram guerra a Boko Haram e deslocaram tropas para a fronteira nigeriana.

Politica e governo

O Presidente dos Camarões tem poderes alargados e unilaterais para criar polícias, administrar agências governamentais, comandar as Forças Armadas, negociar e ratificar tratados e declarar estado de emergência. O presidente nomeia os oficiais governamentais de todos os níveis, desde o primeiro-ministro (considerado oficialmente o chefe do governo) até aos governadores de província e diretores de divisão. O presidente é selecionado através de votação todos os sete anos.
A constituição de 1996 estabelece uma segunda Câmara do Parlamento, os cem assentos do senado foram estabelecidos em Abril de 2013 e é dirigida por um presidente do senado, que é o sucessor constitucional em caso de vaga prematura da presidência. O governo reconhece a autoridade dos chefes tradicionais para governar a nível local para a resolução de disputas, desde que tais decisões não entrem em conflito com a legislação nacional.
O sistema legal dos Camarões está baseado na lei civil francesa com influência do direito comum. Embora o sistema judiciário seja nominalmente independente, está sob a autoridade do executivo do Ministro da Justiça.
O Presidente nomeia os juízes de todos os níveis. O sistema judicial está dividido em Tribunais, Tribunal de Recurso e Supremo Tribunal. A Assembleia Nacional elege os nove membros do Tribunal de Justiça Superior que julga os membros de cargos governativos quando são acusados de alta traição ou de prejudicarem a segurança nacional.

Cultura Política
Os Camarões estão reconhecidos como um país onde a corrupção se encontra a todos os níveis do governo. Em 1997, os Camarões estabeleceram departamentos anti-corrupção em 29 ministérios, mas apenas 25% ficaram operacionais, e em 2012, a Transparência Internacional colocou o país no número 144 numa lista de 176 países, cuja classificação vai do menos ao mais corrupto.
A 18 de janeiro de 2006, Biya iniciou uma campanha anti-corrupção, sob a direção do Observatório Nacional de Combate à Corrupção.
As organizações de direitos humanos acusam a polícia e as forças militares de maus tratos e até mesmo de torturarem suspeitos criminosos, minorias étnicas, homossexuais e activistas políticos. As prisões estão sobrelotadas e com pouco acesso a uma alimentação adequada e a cuidados médicos, e as prisões geridas por governantes tradicionais no norte estão encarregues com a contenção  dos oponentes políticos a favor do governo. No entanto, a partir do século XXI, tem havido um aumento significativo do número de processos contra policiais por conduta imprópria.
Biya e seu partido têm mantido o controle da presidência e da Assembleia Nacional nas eleições nacionais, em que os rivais se vêem numa situação injusta. As organizações de direitos humanos alegam que o governo suprime as liberdades dos grupos de oposição ao impedir manifestações, interromper reuniões, e ao prender dirigentes da oposição e jornalistas. A Freedom House classificou Camarões como "não livres" em termos de direitos políticos e liberdades civis.

Relações Internacionais
Os Camarões são membros tanto da Commonwealth quanto da La Francophonie. A sua política externa segue a do seu principal aliado, a França. O país depende fortemente de França para a sua defesa, embora a despesa militar seja bastante elevada  comparativamente a outros sectores do governo. 

Divisões administrativas
 A constituição divide os Camarões em dez regiões semi-autónomas, cada uma sob a administração de um Conselho Regional eleito. Um decreto presidencial de 12 de Novembro de 2008 fez a mudança de províncias para regiões. Cada região é liderada por um governador nomeado pelo presidente. Estes líderes estão encarregues com a implementação da vontade do presidente, relatando o estado geral e as condições da região, da administração dos serviços civis, com a manutenção da paz e com a supervisão das unidades administrativas mais pequenas.
Os governadores têm poderes alargados: podem ordenar propaganda na sua área e chamar o exército, forças de segurança e policiais. Todos os oficiais governamentais são funcionários do Ministério da Administração do Território, do qual os governadores locais também obtêm a maior parte do seu orçamento.
As regiões estão divididas em 58 divisões. Estas são lideradas oficiais divisionais nomeados presidencialmente. Estas divisões são por sua vez divididas em sub-divisões, lideradas pelos oficiais assistentes divisionais. Os distritos, liderados por chefes distritais, são as unidades administrativas de menores dimensões.

Educação e Saúde

De acordo com a CIA, em 2010 estimava-se que a taxa de alfabetismo no país fosse de 71,3% (78,3 homens e 64,8 mulheres). A maior parte das crianças tem acesso a escola estatais que são mais baratas que as privadas e instalações religiosas. O sistema educacional é uma mistura de precedentes britânicos e franceses, em que a maior parte da instrução é dada em inglês ou francês. Os Camarões têm uma das taxas mais elevadas de frequência escolar da África. As raparigas vão à escola de forma menos regular que os rapazes devido às atitudes culturais, deveres domésticos, casamentos e gravidezes precoces, e ao assédio sexual. Embora as taxas de frequência sejam mais elevadas sejam mais elevadas no sul, um número desproporcional de professores estão colocados nesta região, deixando as escolas do norte com falta de pessoal.
A qualidade do sistema de saúde é na sua generalidade pobre. De acordo com a Organização Mundial de Saúde existe apenas um médico para cada 5.000 habitantes. Devido aos cortes orçamentais no sistema de saúde existem muito poucos profissionais. Os médicos e as enfermeiras, que foram treinados nos Camarões, emigraram porque no seu país o salário é baixo para muito trabalho. Ainda assim existem enfermeiras desempregadas, apesar da emergência da sua ajuda. Algumas até ajudam voluntariamente de forma a não perderem as suas aptidões. Fora das grandes cidades, as instalações são geralmente de higiene precária e com pouco equipamento. A expectativa de vida em 2012 estava estimada em 54,71 anos, uma das mais baixas do mundo. As doenças endémicas incluem a febre de dengue, a filariose, a leishmaniose, a malária, a meningite, a esquistossomose e a doença do sono. A taxa da SIDA/HIV para a faixa etária entre os 15 e os 49 anos é de 5,4%, mas estes números têm de ter em conta o forte estigma que existe relativamente à doença e logo os registos sejam artificialmente baixos. Os curandeiros tradicionais continuam a ser uma alternativa popular relativamente à medicina ocidental.

Geografia

Com 475.442 km2, os Camarões são 53º maior país do mundo. O país está localizado na África Central e Ocidental, no Golfo de Biafra, parte do Golfo da Guiné e do Oceano Atlântico. Estão localizados entre as latitudes 1º e 13N e longitudes 8º e 17º E.
A literatura turística descreve os Camarões como "a África em miniatura" porque este território contém todos os tipos maiores de climas e vegetação do continente: costa, deserto, montanhas, floresta tropical e savana. Os vizinhos dos Camarões são a Nigéria a oeste, o Chade a nordeste, a República Central Africana a este, a Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo a sul.
Os Camarões estão divididos em cinco grandes regiões geográficas distinguíveis entre si por características físicas, pela flora e clima. A planície costeira estende-se se 15 a 150 quilómetros adentro do território a partir do Golfo da Guiné e tem uma elevação média de 90 metros. Excessivamente quente e húmido com uma pequena estação seca, esta zona está densamente florestada e inclui algumas das zonas mais húmidas do planeta, parte das Florestas Costeiras Cross-Sanaga-Bioko.
O Planalto do Sul dos Camarões está situado entre a partir da planície costeira até uma elevação média de 650 metros. A floresta tropical equatorial domina a região, embora a alternação entre estações húmidas e secas torne-a menos húmida que a costa. Esta área faz parte da Ecoregião das Florestas Costeiras do Atlântico Equatorial.
Uma cadeia irregular de montanhas, colinas e planaltos conhecidos como a Linha Vulcânica dos Camarões vai desde o Monte Camarões na costa (o ponto mais elevado dos Camarões com 4.095 metros) até perto do Lago Chade na fronteira norte do país a 13º05´N. Esta região tem um clima ameno, particularmente no Planalto Elevado Ocidental, embora a chuva seja abundante. Os solos desta faixa estão entre os solos mais férteis dos Camarões, principalmente ao redor do vulcão Monte Camarões. O vulcanismo criou lagos nas crateras. A 21 de Agosto de 1986, um destes, o Lago Nyos, expeliu dióxido de carbono matando entre 1700 a 2000 pessoas. Esta área foi delineada pelo Fundo Mundial de Vida Selvagem como a ecoregião florestal das Terras Altas Camaronesas.
O planaldo do sul eleva-se para norte para o verdejante e acidentado Planalto Adamawa. Esta característica estende-se desde a área montanhosa a ocidente e forma uma barreira entre o norte e o sul do país. A sua elevação média é de 1100 metros e a temperatura média varia entre 22ºC a 25ºC, com bastante chuva entre Abril e Outubro, com picos em Julho e Agosto. A região de terras baixas do norte extende-se desde a extremidade do Adamawa até ao Lago Chade, com uma altura média de 300 a 350 metros. A vegetação característica desta zona é o matagal de savana e a erva. Esta é uma região árida com queda de chuva esporádica e temperaturas médias elevadas.
No sul, os rios principais são o Ntem, o Nyong, o Sanaga e o Wouri. Estas correntes vão para sudoeste ou oeste diretamente para o Golfo da Guiné. O Dja e o Kadéï drenam para sudeste para o rio Congo. No norte do país, o rio Bénoué corre para norte e oeste indo desaguar no Níger. o Logone corre para norte para o Lago Chade, que os Camarões partilham com os seus países vizinhos.

Economia e infraestruturas

O GDP per-capita dos Camarões está estimado em $2.400 em 2013 (fonte CIA), um dos mais elevados da África sub-sahariana. Os principais mercados de exportação incluem a França, a Itália, a Coréia do sul, espanha e o Reino Unido. Os Camarões têm como objectivo tornarem-se um país emergente em 2035.
O país tem mostrado uma performance económica forte, com o GDP a crescer numa média de 4% ao ano, em que a Maio de 2014 a taxa de crescimento anual estava estimada em 5,1%.
Faz parte do Banco dos Estados da África Central (do qual é a economia dominante), da Comunidade Económica dos Estados da África Central e da Organização para a Harmonização do Direito dos Negócios (OHADA). A moeda atual dos Camarões é o franco CFA.
Em 2011 a taxa de desemprego estava estimada em 3,8%. 
Desde o final da década de 1980, que os Camarões têm vindo a seguir programas do Banco Mundial e do Fundo Internacional Monetário de forma a reduzir a pobreza, privatizar a industria e aumentar o crescimento económico. O governo tem vindo a tomar medidas de forma a encorajar o turismo.
 Os recursos naturais dos Camarões são muito bons para a exploração agrícola e para a arvoricultura. Estima-se que 70% da população agrícola. A maior parte da agricultura é feita a nível subsistência pelos agricultores locais por agricultores locais com o uso de ferramentas simples. Vendem o produto remanescente e alguns mantêm campos separados para o uso comercial. Os centros urbanos estão particularmente dependentes da pequena agricultura para a sua alimentação. Os solos e o clima na costa encorajam extensivamente o cultivo comercial de bananas, coco, óleo de palma, borracha e chá. No interior, no Planalto dos Camarões Sul, as culturas incluem o café, o açúcar e o tabaco. O café é a maior fonte de rendimento nas terras altas ocidentais, e no norte, as condições naturais favorecem as culturas como o algodão, o amendoim e o arroz. A dependência na exportação dos produtos agrícolas torna os Camarões vulneráveis às mudanças nos preços. Os bloqueios das estradas pouco mais servem para além do suborno das polícias e forças de segurança. O bandidismo nas estradas há muito que tem prejudicado o transporte ao longo das fronteiras orientais e ocidentais.
O gado é criado por todo o país. As pescas empregam 5.000 pessoas e providenciam mais de 100.000 toneladas de marisco todos os anos. A carne de animais selvagens, por muito tempo um alimento básico dos camaroneses rurais, é hoje uma iguaria nos centros urbanos. O comércio da caça selvagem já ultrapassou a desflorestação como a principal ameaça à vida selvagem nos Camarões.
A floresta tropical no sul tem grande reservas de madeira, sendo uma das grandes fontes de rendimento do governo, no entanto, esta industria é uma das menos reguladas nos Camarões.
Mais de 75% da indústria está localizada em Douala e Bonabéri. Os Camarões são ricos em recursos minerais, mas a sua mineração não é extensiva. A exploração do petróleo decaiu desde 1986, embora sendo ainda um sector forte, de tal forma que a queda dos preços tem um enorme impacto na economia do país. Os rápidos e as quedas de água obstruem os rios do sul, mas estes locais oferecem oportunidades  de desenvolvimento hidroelétrico e oferecem a maior parte da energia dos Camarões. O rio Sanaga tem a maior estação hidroelétrica do país, situada em Edéa. O resto da energia dos Camarões é proveniente de motores térmicos movidos a petróleo. A maior parte do país continua sem um fornecimento de energia adequado.
Os transportes nos Camarões são geralmente difíceis. Com excepção de algumas estradas com portagem, geralmente a manutenção das estradas é pobre e geralmente sujeitas às condições climatéricas, uma vez que apenas 10% das estradas estão pavimentadas.
O serviço de autocarros intercidades é gerido por diversas empresas privadas, ligando todas as maiores cidades. São o meio de transporte mais popular seguido pelo serviço de comboios Camrail. Os aeroportos internacionais estão situados em Douala e Yaoundé, com uma terceira maior construção em Maroua. O principal porto marítimo está situado em Douala. No norte, o Rio Bénoué é navegável sazonalmente desde Garoua até à Nigéria.
Embora a liberdade de imprensa tenha melhorado desde o século XXI, a imprensa é corrupta e está nas mãos dos maiores grupos políticos.

Demografia

Em Dezembro de 2013 estimava-se que a população dos Camarões fosse de 22, 25 milhões de habitantes. A expectativa de vida é de 53,69 anos (52,89 anos para os homens e 54,52 anos para as mulheres).
A população do país está dividida praticamente de forma igual entre urbana e rural. A densidade populacional é maior nos grandes centros urbanos, nas terras altas ocidentais e nas planícies do nordeste. As maiores cidades são Douala, Yaoundé e Garoua. Por contraste, o Planalto Adamawa, a depressão Bénoué a sudeste e a maior parte do Planalto no Sul dos Camarões são escassamente povoados.
Estimou-se a taxa de crescimento populacional em 2014 como sendo de 2,6%.
As pessoas das terras altas ocidentais sobrepovoadas e o norte subdesenvolvido estão a migrar para as plantações da zona costeira e para os centros urbanos à procura de emprego. Movimentos menores ocorrem à medida que os trabalhadores procuram empregos nas plantações e serrarias no sul e no leste. Embora a proporção dos sexos na população seja relativamente uniforme, estes migrantes são principalmente de homens, o que faz com que em  certas regiões o balanço seja desigual.
Tanto os casamentos monógamos quanto os polígamos são praticados, e a média das famílias camorenses é grande e extensiva. No norte, as mulheres tratam da casa e os homens do rebanho ou trabalham na agricultura. No sul, são as mulheres que que tratam da agricultura para a alimentação da família e os homens estão encarregues de providenciar a carne e aumentar as culturas para comércio. A sociedade camaronesa é dominada pelos homens, e a violência e discriminação contra as mulheres é comum.
 Existem entre cerca de 230 a 282 grupos linguisticos diferentes nos Camarões. De uma forma geral, o Planalto Adamawa faz a divisão entre o sul e o norte. As pessoas do norte são grupos sudaneses, que vivem nas terras altas centrais e nas terras baixas do norte, e os Fulani, que estão espalhados por todo o norte dos Camarões. Um número mais pequeno de Árabes Shuwa vive perto do Lago Chade. O Sul dos Camarões é habitado por falantes de língua Bantu e semi-Bantu. Os falantes de Bantu vivem nas zonas costeiras e equatoriais, enquanto que os semi-Bantu encontram-se nas terras de pastagem do ocidente. Cerca de 5.000 Gyele e Pigmeus Baka vagueiam pela floresta tropical do sudeste e costeiras. Os nigerianos são o maior grupo de estrangeiros existente no país.

Refugiados
Em 2007, os Camarões abrigavam uma população total de 97.400 refugiados e candidatos de asilo. Destes, 49.300 eram da República Central Africana (muitos devido à guerra), 41.600 do Chade e 2.900 da Nigéria. Os raptos de cidadãos camaroneses por parte de criminosos da África Central aumentaram desde 2005.
Nos primeiros meses de 2014, chegaram aos Camarões milhares de refugiados em fuga da violência da República Central Africana.
A 4 de Junho de 2014, o AlertNet relatou:
Quase 90.000 pessoas fugiram para o vizinho Camarões desde Dezembro, e até 2.000 por semana, maioritariamente mulheres e crianças, continuam a atravessar a fronteira, disseram as Nações Unidas.
"Mulheres e crianças estão a chegar aos Camarões num estado de choque, após semanas, às vezes meses, na estrada, em busca de alimento", disse Ertharin Cousin, diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos.

Idiomas
Os idiomas europeus introduzidos durante o colonialismo criaram uma divisão linguística entre a população que vive nas regiões noroeste e sudoeste e os que falam francês. Tanto o inglês quanto o francês são línguas oficiais, embora o francês é de longe o idioma mais entendido (mais de 80% da população). O alemão, a língua original dos colonizadores, há muito que foi substituído pelo francês e inglês. O crioulo camaronês-inglês é a língua franca nos territórios de administração britânica. Desde a década de 1970 que nos centros urbanos, uma mistura de inglês, francês e crioulo tem ganho popularidade nos centros urbanos.

Religião
Os Camarões tem um nível elevado de liberdade e diversidade religiosa. A religião predominante é o cristianismo, praticado por cerca de dois terços da população, enquanto que o islão é um fé minoritária significativa, seguida por cerca de um quinto da população. Por sua vez, as religiões tradicionais também são praticadas por muitos. Os muçulmanos estão concentrados principalmente a norte do país, enquanto que os cristãos encontram-se principalmente nas regiões sul e ocidentais, embora se encontrem praticantes de ambas as religiões por todo o país. As grandes cidades albergam grupos significativos de ambas as fés. Os muçulmanos nos Camarões estão divididos em Sunitas, Xias, Ahmadis, Sufis e muçulmanos não denominados.
 As pessoas nas províncias norte e ocidentais são em grande parte protestantes, e nas regiões onde se fala francês são na sua maioria católicos. Os grupos étnicos do sul seguem essencialmente o cristianismo ou as crenças tradicionais animistas, ou uma combinação sincrética das duas. Há uma crença generalizada em bruxaria, que se encontra ilegalizada pelo governo. As suspeitas de bruxaria levam com frequência a actos de violência. Foi registado actividades do  grupo islâmico jihadista Boko Haram no norte.


Cultura

Música e dança
A música e a dança são uma parte integrante das cerimónias, festivais, reuniões sociais e contares de estórias. As danças tradicionais são extremamente coreografadas e os homens e as mulheres estão separados, quando não estão proibidos de dançarem juntos. Os objectivos da danças vão desde o puro entretenimento até cerimónias religiosas. Tradicionalmente, a música é transmitida oralmente. Numa performance típica, um grupo de cantores ecoa um solista.
O acompanhamento musical pode ser tão simples quanto o bater das mãos e dos pés, mas os instrumentos típicos incluem os sinos usados pelos dançarinos, os chocalhos, tambores, flautas, cornos, gusos, raspadores, instrumentos de corda, assobios e xilofones. A combinação exacta varia entre os grupos étnicos e de região para região. Alguns executantes cantam sozinhos, acompanhados por um instrumento tipo harpa.
Os estilos musicais mais populares incluem o bei embasse, o assikodo Bassa, o mangabeu do Bangangte e o tsamassi do Bamileke. A música nigeriana teve uma grande influência nos artistas de fala inglesa.
Os dois estilos mais populares são o makassa e o bikutsi. O makassa desenvolveu-se em Douala e mistura o folk, o highlife, o soul e a música congo. O bikutsera originalmente música de guerra.

Cozinha
A cozinha varia de região para regiãi, mas existe uma base que é típica em todo o país. Um prato típico é baseado em inhame, milho, mandioca, milho-miúdo, bananas, batatas, arroz, muitas vezes com cous-cous. É servido com molho, sopa, ou guisado feito com verduras, amendoins, óleo de palma e outros ingredientes. A carne e o peixe são populares, mas caros. Os pratos são frequentemente servidos bastante quentes, picantes, com sal, pimentão e maggi. As bebidas tradicionais que acompanham as refeições são a água, vinho de palma, e cerveja de milho, embora as sodas, cerveja e vinho tenham vindo a tornarem-se cada vez mais populares. 
Os talheres são comuns, mas a comida é tradicionalmente manipulada com a mão direita. O pequeno almoço consiste em restos de pão e fruta com café e chá, geralmente o pequeno almoço é feito a partir de farinha de trigo de vários alimentos diferentes como as rosquinhas, a banana de Accra (feita a partir de banana e farinha), bolos de feijão e e outros. Os snacks são muito populares, principalmente nas cidades, onde podem ser comprados nos vendedores de rua.

Artesanato
As artes e o artesanato tradicionais são praticados por todo o país com propósitos comerciais, decorativos e religiosos.. Os trabalhos em madeira e as esculturas são particularmente comuns. A grande qualidade do barro das terras altas do ocidente é perfeito para a cerâmica e olaria. Outros tipos de artesanato incluem a cestaria, o bronze, o trabalho em couro e os bordados. As habitações tradicionais usam materiais disponíveis e variam desde os abrigos temporários de madeira e folhas dos nómadas Mbororo às casas rectangulares feitas a partir de lama dos povos do sul..

Cinema e literatura
Os temas da literatura e dos filmes camaroneses têm-se focado em temas europeus e africanos. Os escritores da época colonial como Louis-Marie Pouka e Sankie Maimo foram educados por sociedades missionárias europeias e defendiam a assimilação na cultura europeia como forma de levar os Camarões até ao Mundo Moderno. Após a Segunda Guerra Mundial, escritores como Mongo Beti e Ferdinand Oyono analisaram e criticaram o colonialismo e rejeitaram a assimilação.
Pouco após a independência, realizadores como Jean-Paul Ngassa e Thérèse Sita-Bella exploraram temas semelhantes. Durante a década de 1960, Mongo Beti e outrso escritores exploraram os pós-colonialismo, os problemas do desenvolvimento africano e a recuperação da identidade africana. Entretanto, nos meados de 1970, realizadores como Jean-Pierre Dikongué Pipa e Daniel Kamwa lidaram com os conflitos entre as sociedades coloniais e pós-coloniais. A literatura e o cinema durante as duas décadas seguintes concentraram-se principalmente em temas camaroneses.

Desportos
A politica nacional defende fortemente todos os tipos de desportos. Os desportos tradicionais incluem a canoagem e o wrestling, e várias centenas de corredores participam na corrida de 40 km da Corrida de Esperança do Monte Camarões todos os anos. Os Camarões é um dos poucos países tipicamente tropicais a participarem nos Jogos Olípicos de Inverno. No entanto, o desporto é dominado pelo football.



Bibliografia

http://en.wikipedia.org/wiki/Cameroon#Geography
https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/cm.html
http://pt.tradingeconomics.com/cameroon/indicators

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