08/04/2016

Burúndi


O Burundi é um país do interior na região dos Grandes Lagos Africanos no sudeste africano, fazendo fronteira com o Ruanda no norte, com a Tanzânia no este e sul e com a Republica Democrática do Congo a oeste. Muitas vezes é considerada igualmente como parte da África Central. A capital do Burundi é a cidade de Bujumbura. Embora o país se encontre no inerior, grande parte da fronteira sudoeste está adjacente ao Lago Tanganyika.

As populações Twa, Hutu e tusi têm vivido no Burundi Há pelo menos cinco séculos e, durante dois séculos, Burundi foi governado como um reino. No início do século XX, no entanto, a Alemanha e a Bélgica ocuparam a região e o Burundi e o Ruanda tornaram-se colónias europeias conhecidas como Ruanda-Urundi. As diferenças sociais entre os Tutsi e os Hutus têm, desde então, contribuído para a agitação polítca na região, levando a guerras civis em meados do século XX. Actualmente, o Burundi é governado como uma república democrática representativa presidencial.
O Burundi é um dos cinco países mais pobres do mundo. Tem um dos PIB per capita mais baixos a nível mundial. O país tem sofrido de guerra, corrupção e um pobre acesso à educação. É densamente povoado e sofre de uma emigração substancial. De acordo com o Índice de Conectividade Global DHL de 2012, é o país menos globalizado entre os 140 países inquiridos.
De acordo com o Índice Global da Fome de 2013, o Burundi tem um rácio de 38,8, fazendo com que a nação ganhe a distinção de ser o país com mais fome no mundo em termos de percentagem.


História
O Reino do Burundi
De acordo com a tradição o Reino do Burundo existiu do século XVI até 1966, mas actualmente pensa-se que o primeiro reino terá começado em 1680. Tal como a monarquia na vizinha Ruanda foi liderada por reis Tutsi. O último mwami (governante) de Burundi foi o Rei Ntare V, que ou foi assassinado no palácio real Ibwani em Gitega no ano de 1972, ou fugiu para o exílio na Alemanha Ocidental.
A maior pare dos membros da casa real vivem actualmente em exílio na França. Nas eleições de 2005, a Princesa Esther Kamatari candidatou-se às presidenciais pelo partido Abahuza ("Partido para a Restauração da Monarquia e Diálogo no Burúndi"). Os apoiantes argumentam que a restauração de uma monarquia constitucional poderia ajudar a acalmar as tensões entre os grupos étnicos e tornar-se um símbolo de unidade.
A bandeira do reino continha uma karyenda no centro como símbolo da autoridade real.

Colonização
Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha entregou o controle de uma parte da antiga África Alemã Oriental  à Bélgica. A 20 de Outubro de 1924, esta terra, que consiste no actual Ruanda e Burundi, tornou-se um território mandatado da Liga das Nações Belga, o que em termos práticos significava parte do Império Colonial Belga, conhecido como Ruanda-Urundi. No entanto, os belgas permitiram que o Ruanda-Urundi continuasse com a sua dinastia real.
Após a Segunda Guerra Mundial, o Ruanda-Urundi tornou-se um Território de Confinça das Nações Unidas sob administração belga. Durante a década de 1940, várias políticas prvocaram divisões ao longo do território. A 4 de Outubro de 1943, os poderes foram divididos nas divisões legislativas do Governo de Burundi entre as Chefias e as Baixas Chefias.
As Chefias estavam encarregues da terra, e foram estabelecidas sub-chefias mais baixas. As autoridades nativas também tinham poderes. Em 1948, a Bélgica permitiu à região formar partidos políticos. Estas facções viriam a ser uma das principais influencias para a independência de Burundi da Bélgica.


Independência e guerra civil
A 20 de Janeiro de 1959 o governante de Burundi, Mwami Mwambutsa IV requesitou do Ministro das Colónias Belga ma separação do Burundi do Ruanda e uma dissolução do Ruanda-Urundi. Seis meses mais tarde, formaram-se partidos políticos com o objectivo de trazer à atenção da separação do Burundi da Europa e do Ruanda. O primeiros destes partidos políticos foi a União para o Progresso Nacional (UPRONA).
O impulso do Burundi para a independência até certo ponto foi influenciado pela instabilidade e perseguição étnica que ocorreu no Ruanda. Em Novembro de 1959, os Hutu Ruandeses atacaram os Tutsi, massacrando milhares. Muitos Tutsi escaparam para o Uganda e Burundi de forma a fugir da perseguição. Os Hutu tomaram o poder no Ruanda ao vencer a corrida belga em 1960.
O UPRONA, uma unidade partidária multi-étnica liderada pelo Princípe Louis Rwagasore e o Partido Democrático Cristão (PDC) tornou-se a organização mais proeminente no Burundi-Urundi. Após a vitória do UPRONA nas eleições legislativas, o Príncipe Rwangosore foi assassinado, a 13 de Outubro de 1961.
O país proclamou a independência a 1 de Julho de 1962, e mudou oficialmente o nome de Ruanda-Urundi para Burundi. Mwami Mwambutsa IV foi declarado rei. A 18 de Setembro de 1962, dois meses após ter declarado a independência da Bélgica, o Burundi juntou-se às Nações Unidas.
Após a independência do Burundi foi estabelecida uma monarquia constitucional e tanto os Hutus quanto os Tutsis estavam representados no Parlamento. Quando o rei Mwambutsa nomeou um Primeiro Ministro Tutsi, os Hutus, que eram a maioria parlamentar, sentiram-se enganados. Seguiu-se uma tentativa de golpe pela polícia, dominada pelos Hutus, mas foi brutalmente reprimida pelo Exército, na altura liderado por um oficial Tutsi, o Capitão Michel Micombero. Quando o próximo Primeiro Ministro Hutu, Pierre Ngendandumwe, foi assassinado em 1965, os Hutus iniciaram uma série de ataques aos Tutsi, que o governo reprimiu duramente, receando um massacre dos Tutsis por parte dos Hutus, que queriam seguir o "modelo Ruanda". A polícia Burundi e os militares passaram a ficar sob controlo dos Tutsi.
Mwambutsa foi deposto em 1966 pelo filho, o Príncipe  Ntare V, que proclamou o trono para si. Nesse mesmo ano, o Primeiro Ministro Tutsi, o Capitão Michel Micombero depôs Ntare, aboliu a monarquia, e declarou uma república, apesar de na realidade se tratar de um regime militar.
Em 1972, uma organização completamente Hutu conhecida como Umugambwe w'Abakozi b'Uburundi ou o Partido dos Trabalhadores do Burundi (UBU) organizou e realizou uma série de ataques sistemáticos aos Tutsi com a intenção declarada de eliminar todo o grupo. O regime militar respondeu com retaliações a grande escala direccionadas aos Hutus. Nunca foi estabelecido um número oficial  das baixas, mas as estimativas dão, no mínimo um número que excede os 100.000, para ambos os grupos em conjunto, com um número igual para os candidatos a asilo na Tanzânia e Ruanda. Em 1976, outro Tutsi, o Coronel Jean-Baptiste Bagaza, liderou um sangrento Golpe de Estado  e impulsionou várias reformas. Em Agosto de 1984, foi eleito Bagaza como chefe de Estado. Durante o seu mandato, Bagazza suprimiu os adversários políticos e a liberdade religiosa.
O Major Pierre Buyoya, um Tutsi, derrubou Bagaza em 1987 e suspendeu a constituição, dissolveu os partidos políticos, e reinstalou o governo militar debaixo do Comité Militar para a Salvação Nacional (CSMN). A propaganda étnica anti-tutsi, difundida pelos remanescentes da UBU de 1972, que se havia reorganizado como PALIPEHUTU em 1981, levou ao assassinato de camponeses tutsi nas comunas no Norte de Ntega e Marangara em Agosto de 1988. 
O novo regime não desencadeou novas represálias brutais, como em 1972, mas a confiança que havia ganho desvaneceu-se rapidamente quando decretou uma amnistia para aqueles que haviam pedido, realizado e levado crédito pelos assassinatos étnicos, que segundo a lei internacional está caracterizada como genocídio. Muitos analistas consideram este período como o início da "cultura de impunidade". Mas outros consideram que a "cultura de impunidade" terá começado entre 1965 e 1972, quando a revolta de um pequeno grupo de Hutus levou a assassinatos massivos dos Tutsis por todo o território.
No rescaldo dos assassinatos, um grupo de intelectuais Hutus escreveu uma carta aberta a Pierre Buyoya, a pedir por uma maior representação dos Hutus na Administração. Os signatários foram enviados para a prisão. No entanto, passadas poucas semanas, Boyoya nomeou um novo governo com um número igual de Hutus e Tutsi, e um Hutu, Adrien Sibomana, como Primeiro Ministro. Boyoya também criou uma comissão encarregada do assunto da unidade nacional. Em 1992 foi promulgada uma nova constituição que previa um sistema multipartidário, surgindo uma guerra civil a partir do núcleo do Burundi.
Estima-se que tenham morrido 250.000 pessoas entre 1962 e 1993. Desde que Burundi conseguiu a independência em 1962 houve dois genocídios no país. O massacre de 1972 dos Hutus pelo exército Tutsi; e em 1993 dos Tutsi pela população Hutu. Ambos os eventos foram declarados como genocídio pela Comissão de Inquérito Internacional para o Burundi, apresentada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2002.

Primeiras tentativas de uma Democracia

Em Junho de 1993, Melchior Ndadaye, líder da Frente para a Democracia no Burundi (FRODEBU) Hutu, ganhou as primeiras eleições democráticas e tornou-se o primeiro líder de Estado Hutu, líderando um governo pro-hutu. No entanto, em Outubro de 1993, soldados Tutsi assassinaram Ndadaye, o que iniciou mais anos de violência entre Hutus e Tutsis. Estima-se que mais de 300.000 pessoas, a maioria civis, foram mortas nos anos que se seguiram ao assassinato de Ndadaye.
No início de 1994, o parlamento elegeu Cyprien Ntaryamira, igualmente um Hutu, para o Gabinete da Presidência. Ntaryamira e o presidende da Ruanda morreram juntos quando o avião em que seguiam foi abatido. Deu-se mais uma debandada de refugiados para o Ruanda. Foi nomeado outro Hutu, Sylvestre Ntibantungany, como presidente em Outubro de 1994. Formou-se uma coligação entre doze dos treze partidos. O massacre geral que se temia foi evitado, mas o novo governo não proibiu uma nova fase de violência étnica. 
Os destroços do avião (foto: Jean-Marc Bujou)

Em 1996, Pierre Buyoya, tomou o poder através de um Golpe de Estado. Suspendeu a Constituição e foi empossado como Presidente em 1988. Em resposta aos ataques rebeldes, o governo forçou a população a deslocar-se para campos de refugiados. Debaixo do seu governo, iniciaram-se longas conversações de paz, com a mediação da África do Sul. Ambos os partidos assinaram acordos em Arusha, Tanzânia e Pretória, África do Sul, no sentido de partilharem o poder no Burundi. O acordo levou quatro anos a ser planeado e, a 28 de Agosto de 2000, foi planeado um governo de transição para o Burundi como parte da Paz Arusha e Acordo de Reconciliação. O governo de transição ficou sob uma base de experiência durante cinco anos. Após vários cessares de fogo abortados, os plano de paz de 2001 e acordo de partilha de poder foram relativamente bem sucedidos. Foi assinado um cessar de fogo em 2003 entre o governo burundiano controlado pelos Tutsis e o maior grupo de rebeldes Hutu, CNDD-FDD (Concelho Nacional da Defesa das Forças Democráticas para a Defesa da Democracia).
Em 2003, o líder Hutu da FRODEBU,Domitien Ndayizeye, foi eleito como presidente. No início de 2005, formaram-se as quotas étnicas para a determinação dos cargos no governo. Durante esse ano, deram-se as eleições parlamentares e presidenciais e Pierre Nkurunzize, outrora um líder de um grupo de rebeldes Hutu, foi eleito para presidente.
A partir de 2008 deram-se as conversações no sentido de trazer a paz ao país.

Acordos de Paz

Os líderes africanos começaram uma série de conversações de paz entre as facções belicosas em resposta a um pedido das do Secretário Geral das Nações Unidas, Boutros Ghali, para que estes interviessem na crise humanitária.
As conversações foram iniciadas pelo antigo presidente da Tanzânia Julius Nyerere em 1995; após a morte deste, o presidente da África do Sul, Nelson Mandela, continuou o trabalho de Nyerere. À medida que as conversações seguiam, o presidente Sul Africano Thabo Mbeki e o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, também "emprestaram o seu peso".
O principal objectivo das conversações era uma transformação estrutural do Governo e Forças Militares de Burundi como uma forma de fazer uma ponte entre os grupos os Hutus e os Tutsis. Isto poderia ser conseguido de duas formas: a primeira seria o estabelecimento de um governo partilhado, com os presidentes com termos de três anos. O segundo objectivo, envolvia uma reestruturação das forças militares, onde os dois grupos seriam representados seriam representados igualmente.
Como a natureza prolongada das conversações demonstrou, os mediadores e os partidos enfrentavam diversos obstáculos. Primeiro, os oficiais de Burundi não acreditavam nos objectivos, considerando-os "irrealistas", e viam o tratado como ambíguo, contraditório e confuso. Segundo, e provavelmente o mais importante, os burundianos acreditavam que o tratado seria irrelevante sem um cessar de fogo que o acompanhasse. Isto viria a requerer conversações directas e separadas com os grupos rebeldes. O principal partido Hutu era céptico quanto à oferta de um governo partilhado, dizendo que já haviam sido enganados pelos Tutsies em acordos passados.
Em 2000, o Presidente Burundiano assinou o tratado, assim como treze das dezanove facções guerrilheiras Hutu e Tutsies. No entanto, as divergências continuaram sobre qual grupo iria presidir o governo que se iria formar tal como quando se daria o cessar-fogo.
Os que dificultaram as negociações de paz foram os grupos Tutsi e Hutu de linha dura que se recusaram a assinar o acordo; como resultado, a violência intensificou-se. Três anos depois, numa cimeira de líderes africanos, na Tanzânia, o Presidente do Burundi e o principal grupo de oposição Hutu, assinaram um acordo para acabar com o conflito; foram concedidos aos membros signatários, cargos ministerais no governo. No entanto, pequenos grupos de militantes hutus - como as Forças de Libertação Nacional - permaneceram activos.

O envolvimento das Nações Unidas

Entre 1993 e 2003 deram-se muitos encontros para negociações de paz, supervisionadas por líderes regionais da Tanzânia, àfrica do Sul e Uganda, em que, gradualmente, se estabeleceram acordos de partilha do poder de forma a satisfazer a maior parte dos grupos conflituantes. Inicialmente o Destacamento de de Suporte de Protecção Sul Africano foi implantado para proteger os líderes do Burundi que voltavam do exílio e passaram a fazer parte da Missão da União Africana para o Burundi, estabelecido para ajudar a supervisionar a instalação de um governo de transição. Em Junho de 2004, a ONU interveio e assumiu as responsabilidades de manutenção de paz, que já se encontrava em estado avançado, no Burundi.
O mandato da missão, nos termos do Capitulo VII da Carta da ONU, foi o de proceder à monitorização e reintegração de ex-combatentes; apoiar a assistência humanitária, os refugiados e o retorno dos deslocados; ajudar com as eleições; proteger os funcionários internacionais e civis do Burundi. Controlar as fronteiras problemáticas, em que se incluía a interrupção do fluxo de armas ilegais. Auxiliar na realização de reformas institucionais, incluindo as da Constituição, judiciário, das forças armadas e policiais.
A principal dificuldade que a operação enfrentou desde o início foi a continuação da resistência ao processo de paz, do último grupo rebelde Hutu nacionalista. Esta organização manteve em acção um conflito violento na periferia da capital, apesar da presença da ONU. Em Junho de 2005, o grupo parou de lutar e foi reintegrado no processo político. Todos os partidos aceitaram a partilha de poder inter-étnico, o que significa que nenhum partido político pode ter acesso a gabinetes do governo a menos que esteja etnicamente integrado.
O foco da ONU foi a de consagrar os acordos de partilha de poder numa Constituição popularmente votada, para que se pudessem realizar as eleições e instalar um novo governo. O desarmamento, desmobilização e reintegração foram feitos em conjunto com os preparativos para as eleições. Em Fevereiro de 2005, mais de 90% dos votos populares aprovaram a Constituição. Em Maio, Junho e Agosto de 2005 deram três eleições separadas a nível local para o Parlamento e Presidência.
Embora continuasse a haver algumas dificuldades com o regresso de refugiados e com o fornecimento de alimentos para uma população cansada da guerra, a missão conseguiu ganhar a confiança da maior parte dos líderes que se encontravam anteriormente em guerra, bem como da população em geral. Tabém esteve envolvida em projectos de "impacto rápido", que incluíam a construção e reabilitação de escolas, orfanatos, clínicas de saúde e reconstrução de infra-estruturas, como linhas de água.


De 2006 até à actualidade

Os esforços de reconstrução do Burundi começaram a ter efeito praticamente após 2006. As Nações Unidas acabaram a sua missão de manutenção da paz e passaram a focar-se na reconstrução do país. Com o objectivo de alcançar a reconstrução económica, o Ruanda, a República Democrática do Congo e o Burundi relançaram a Comunidade Económica dos Países dos Grandes Lagos. Além disso, o Burundi, juntamente com o Ruanda, juntou-se à Comunidade da África do Leste em 2007. No entanto, os termos do cessar-fogo de Setembro de 2006 entre o governo e o último grupo de oposição, as FLN, não foram totalmente implementadas, e membros seniores do grupo deixaram a equipe de monitorização de tréguas, argumentando que a segurança deles estava ameaçada. Em Setembro de 2007, facções rivais das FLN confrontaram-se na capital, matando 20 guerrilheiros e provocando a fuga de civis. Também foram registados ataques noutras partes do país. As facções rebeldes discordavam sobre o desarmamento e a libertação de prisioneiros políticos. Nos finais de 2007 e inícios de 2008, os combatentes das FLN atacaram os campos protegidos do governo onde antidos combatentes encontravam-se a viver. As casas de camponeses também foram pilhadas.
O relatório da Amnistia Internacional de 2007 menciona diversas áreas que precisam de melhoramento. Os civis são vítimas de actos repetidos de violência provocada pelas FLN. Estes também fazem o recrutamento de crianças. A taxa de violência contra as mulheres é muito elevada. Os criminosos geralmente escapam às acusações e castigos. Há uma urgência enorme de reforma no sistema judicial. O genocídio, os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade continuam impunes. O estabelecimento de uma Comissão de Reconciliação e Verdade e um Tribunal Especial para investigação e condenação ainda não foi implementado. A liberdade de expressão é limitada, os jornalistas são presos com frequência. Foram repatriados um total de 38.087 refugiados burundianos entre Janeiro e Novembro de 2007.
Nos finais de Março de 2008, as FLN solicitaram que o Parlamento adoptasse uma lei que lhes garantisse "imunidade provisória" de serem presos. Esta lei iria cobrir crimes comuns, mas não violência grave das leis internacionais, como crimes contra a humanidade. Apesar de o Parlamento, no passado, ter garantido leis como estas, as FLN não conseguiram obter a imunidade.
A 17 de Abril de 2008, as FLN bombardearam Bujumbura. O exército burundiano atacou e as FLN sofreram perdas pesadas. Foi assinado um novo cessar-de-fogo a 26 de Maio de 2008. Em Agosto desse mesmo ano, o Presidente Nkurunziza encontrou-se com o líder das FLN, Agathon Rwasa, com o mediador Charles Ngakula, Ministro da Segurança do Sul de África. Este foi o primeiro encontro directo desde Junho de 2007. Ambos acordaram encontrarem-se duas vezes por semana para estabelecer uma comissão para resolver quaisquer disputas que poderiam decorrer durante as negociações de paz.
Com o encerramento de campos de refugiados, 450.000 burundianos voltaram ao país, colapsando ainda mais uma frágil economia. Em 2011 o Burundi apresentava um dos rendimentos per capita mais baixos do mundo. Com o regresso dos refugiados, iniciaram-se novos conflitos. 
O Burundi continua a participar nas missões de paz da União Africana, incluindo as missões à Somália contra os militantes de Al-Shahab.


Províncias, Comunas  e Colinas

O Burundi está dividido em 17 províncias, 117 comunas e 2.638 colinas. Os governos provinciais estão estruturados de acordo com estas fronteiras. Em 2000, a província que abrange Bujumbura foi separada em duas províncias, a Bujumbura Rural e a Bujumbura Mairie.

Províncias



Geografia

O Burundi é um dos países mais pequenos de África África, encontra-se no interior do continente e apresenta um clima equatorial, com duas estações, a das chuvas (de fevereiro a maio e setembro a novembro) e a seca ( de junho a agosto e dezembro a janeiro). Faz parte do Rifte Albertina, que pertence à extensão ocidental do Rifte  da África do Leste. O país encontra-se situado num planalto no centro de África. A elevação média do planalto central é de 1.707 metros, com elevação mais baixa nas bordas, sendo o ponto mais baixo do país o Lago Tanganyika com 72m). O pico mais elevado, o Monte Heha com 2.685m, encontra-se situado a sudeste da capital, Bujumbura. A nascente do rio Nilo está situada na província do Bururi. O Lago Vitória também é uma importante fonte de água, que serve como uma bifurcação para o Rio Kagera. Outro grande lago é o Lago Tanganyika, situado no canto a sudoeste do Burundi.

As terras do Burundi são essencialmente agrícolas ou pastorícias. O assentamento por populações rurais levou à desflorestação, à erosão dos solos e perda de habitat. O país está praticamente todo desflorestado devido à sobre-população, restanto apenas cerca de 600 km2, e com a continuação de uma perda de cerca de 9% anual. Existem dois parques nacionais, o Parque Nacional de Kibira, a noroeste (uma pequena região de floresta tropical, adjacente à Floresta Nacional Nyungwe, no Ruanda) e o Parque Nacional Ruyubu, a nordeste. Foram ambos estabelecidos em 1982 com o objectivo de conservar populações de vida selvagem.
Tem uma área total de 27.830km2 (terra: 25.680km2 e água 2.150km2).

Economia

O Burundi é um dos países mais pobres do mundo, grande parte devido à interioridade da sua geografia, pobre sistema judicial, pouca liberdade económica, falta de acesso à educação, e à proliferação do HIV/SIDA. Cerca de 80% da população do Burundi vive na pobreza. A fome tem sido uma constante em todo o Burundi, com o acentuamento durante o século XX, e de acordo com o Programa Alimentar Mundial, 56,8% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica. Num estudo que envolveu 178 nações, o Burundi ficou em último lugar, como tendo a população mais insatisfeita do mundo. Como resultado do enorme valor de pobreza, o Burundi está dependente da ajuda do estrangeiro.

A maior industria do Burundi é a agricultura, que conta com pouco mais do que 30% do GPS do país. A agricultura de subsistência perfaz cerca de 90% de toda a agricultura. A maior fonte de rendimento do país é o café, que perfaz 93% das exportações do Burundi. Outros produtos agrícolas incluem o algodão, o chá, o milho, o sorgum, as batatas doces, bananas, a tapioca; mas também a carne de vaca, o leite e o couro. Alguns dos recursos naturais do Burundi incluem o urânio, o níquel, o cobalto, o cobre e a platina. Outras industrias para além da agricultura incluem: a montagem de componentes importados, a construção de trabalhos públicos, e bens de consumos ligeiros como cobertores, sapatos e sabão. A industria perfaz 18,4% e os serviços 47,2% (estimativa 2013). A moeda corrente no Burundi é o franco burundiano.
A falta de acesso a serviços financeiros é um problema sérios para a maior parte da população, principalmente nas regiões rurais, densamente populadas: só 2% da população tem contas bancárias, e menos de 0,5% usam os serviços de crédito bancário. No entanto, a microfinança já tem um papel superior, com 4% dos burundianos a serem membros de instituições de microfinanças.
Em 2005 estimava-se uma taxa de 19% de trabalho infantil (crianças entre os 5 e os 14 anos).
É membro da Comunidade da África do Leste e um potencial membro da Federação da África do Leste.
A estimativa de crescimento real do PIB para 2013 era de 4,5%.

Demografia

Em 2013 estimava-se que o Burundi tivesse uma população de 10.395.931 pessoas. Esta estimativa tem em conta os efeitos da SIDA, que tem um forte impacto da demografia do país. Mais de 500.000 morreram devido a esta doença.
A idade média da população é de 17 anos e tem uma taxa de crescimento populacional de 3,28% (estimativa 2014). A mortalidade maternal, em 2010, era de 800 em 100.000 nascimentos e a infantil é de 63,44 em 1.000 nascimentos (est.2014). As estimativas para 2014 mostram uma média de 6,14 crianças por mulher.

Muitos burundianos emigraram para outros países como resultado da guerra civil.
O Burundi mantèm-se como uma sociedade maioritariamente rural, com apenas 13% da população a residir em áreas urbanas. Com uma densidade populacional de 315 pessoas por quilómetro quadrado, o Burundi é o segundo país com maior densidade populacional na África sub-sahariana. Cerca de 85% da população é de origem Hutu, 15% Tutsi e menos de 1% pigmeus indígenas. O Burundi tem umas das taxas de fertilidade mais elevadas do mundo.

Religião

As fontes estimam que 80 a 90% da população seja cristã, com os Católico Romanos a representarem o grupo maior, entre 60 a 65%, e os restantes sendo protestantes ou anglicanos. Estima-se que cerca de 5% da população pertença a grupos religiosos tradicionais. Os muçulmanos constiteum entre 2 a 5% da população, sendo que a maioria dos quais são sunitas e vivem em áreas urbanas.

Cultura

A cultura do Burundi é baseada na tradição local e na influencia dos países vizinhos, embora a cultura tenha sido influenciada pela instabilidade social.


 Uma vez que a agricultura é a industria principal, uma refeição burundiana típica consiste em batatas doces, milho e ervilhas. Devido ao custo, a carne só é consumida algumas vezes por mês. Quando se dá uma reunião de amigos e familiares burundianos bebem impeke, uma cerveja, juntos a partir de um grande recipiente para simbolizar unidade.
Entre burundianos famosos incluiem-se o jogador de futebol Mohammed Tchité e o cantor Jean Pierre Nimbona, conhecido popularmente por Kidumu.
O artesanato é uma arte importante no Burundi e são presentes atractivos para muitos turistas. A cestaria é um tipo de artesanato bastante popular no país. Outros tipos de artesanatos incluem as máscaras, os escudos, as estátuas e a cerâmica.
Tocar tambor é uma herança muito importante no Burundi. O grupo internacionalmente conhecido, Os Tambores Reais do Burundi, que têm tocado ao longo de quarenta anos, são muito conhecidos por tocarem música tradicional, usando tambores karyenda, amashako, ibishikiso e ikiranya. A dança acompanha com frequência o som dos tambores, que é muitas vezes vista em celebrações familiares. O abatimbo, que é realizado em cerimónias oficiais e rituais  e o rápido abanyagasimbo são algumas das danças tradicionais do Burundi. Alguns instrumentos musicais de nota são a flauta, o zither, o ikembe, o indonongo, o umuduri, a inanga e a inyagara.
Os idiomas kirundi, francês e suali são falados por todo o país. A tradição oral é uma parte da cultura com bastante força, fazendo relatos de história e lições de moral, através de contos, poesia e canções. O imigani, idirimbo, amazina e ivyivugo são tipos de literacia existentes no Burundi.




Bibliografia

http://en.wikipedia.org/wiki/Burundi
https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/by.html
http://www.tripulacao.com.br/profiles/blogs/franca-acusada-de-esconder



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