18/04/2016

As etapas do homem na pré-história - O Mesolítico

O Mesolítico, cuja datação se estende aproximadamente de 9.000 a.C a 4.000 a.C é caracterizado por intensas alterações climatéricas, cuja origem remontou ao último período do Paleolítico. O clima suavizou-se, os gelos recuaram fazendo com que diversas espécies de animais - por exemplo mamutes e ursos das cavernas - se extinguissem, e a translação de outras, como a rena, que foi substituída pelo veado. Nas zonas anteriormente cobertas pelo gelo surgiram grandes extensões de bosques. Todas estas mudanças determinaram a adaptação do homem a novas condições de vida e aproveitamento dos novos recursos naturais. Assim, embora o homem continuasse a caçar e a pescar, houve grupos humanos que basearam uma parte importante da sua economia na apanha de marisco e de moluscos, como evidenciam os "concheiros" de Muge, em Portugal, e a cultura "Asturense" no norte da Espanha.
Os utensílios encontrados compõem-se de arcos, setas, azagaias, arpões, canoas e redes. Há também uma indústria lítica formada por peças de pequenas proporções - microlitos - e muito especializada. O habitat destas  populações esteve ao ar livre, quer em cabanas cobertas com ramagens quer em abrigos rochosos próximos das fontes de matérias-primas. As ocupações de grutas efectuaram-se em menor número. Os enterros, embora escassos, mostram a prática de um ritual de inumação. Umas vezes o cadáver aparece encolhido, outras, estendido com a boca para cima.


Norte da Europa

A "Maglemoisense" é a cultura com maior representação no norte da Europa, estendendo-se da Grã-Bretanha até à Estónia e a Finlândia Meridional. Caracteriza-se por numerosos microlitos e pela presença de instrumentos ósseos, como os arpões. Existem numerosas culturas locais, por exemplo:

  • a de Fosna-Komsa
  • a de Vale do Oka e Kunda
  • a de Lyngby
  • a fase da etapa mesolítica encontra-se representada pela cultura Ertebölle
A ocupação das costas foi considerável, formando-se os "Kjoek-kenmoeddings", grandes montes de desperdícios. Pode considerar-se esta cultura como o precedente imediato das fases neolíticas destas regiões.

Europa Centro-Oriental
Nesta região a cultura "Hamburguense" ainda mantém uma indústria lítica com traços paleolíticos. Por sua
Swideriense
vez, a cultura "Swiderense" é caracterizada pela abundãncia dos microlitos e peças de tamanho médio. É de referir, igualmente, a cultura de "Ahrensburg-Lavensted".

Europa Ocidental
Já na Europa Ocidental o Azilense estende-se pela zona franco-cantábrica. As peças mais características desta zona são o arpão e os calhaus rolados, pintados com motivos geométricos. O "Tardenoisense" apresenta uma grande variedade de microlitos. A última fase mesolítica encontra-se representada, na França e no sul da Bélgica, pelo "Campinhense". Embora mantivessem contactos com populações de economia neolítica, os homens deste período continuaram a praticar, basicamente, a caça.
No norte de Espanha e de Portugal existem culturas locais como o "Asturense" e a cultura dos "concheiros" de Muge, respetivamente. Sendo que a primeira localiza-se nas Astúrias e nalgumas zonas cantábricas. O habitat destas populações era nas grutas, à entrada das quais se acumularam os depósitos de conchas. O instrumento mais representativo é o "pico".

Concheiros de Muge

Nas margens do rio Muge, afluente do Tejo, localiza-se a chamada cultura dos "concheiros", que se destacou também pela apanha de moluscos. Nesta época assiste-se a uma sobrevivência das formas de vida e dos utensílios do Paleolítico Superior na área mediterrânica ocidental. Por esta razão dnomina-se mais corretamente Epipaleolítico. A esta fase correspondem o "Sauveterrense", em França, e o "Epigrimaldense", na Itália. Na Península Ibérica denomina-se "Epigravetense". Perdura a técnica do bordo rebaixado e as formas microlíticas e geométricas.
Na Península Ibérica existe a arte parietal designada de "arte rupestre levantina", a qual é considerada pela maior parte dos autores como tendo origem pós-paleolítica. A distribuição geográfica desta abrange de Lleida até à Andaluzia, passando pelas províncias de Tarragona, Castellón, Cuenca, Teruel, Valência e Albacete, entre outros locais. Nas paredes e tectos  de abrigos ou covas, situados nas zonas interiores das províncias levantinas, e nos barrancos de altitude média, aparecem pinturas que representam a figura humana e animais como veados, touros, cabras e cavalos, que formam grupos, reconhecendo-se em alguns casos cenas de caça, de guerra, de colheitas de mel, etc. O estilo destas representações compreende desde o naturalismo à estilização, e algumas figuras, preferentemente as humanas, estão representadas com um dinamismo extraordinário.
As técnicas mais utilizadas são o contorno, a tinta lisa e o riscado. As cores são o preto, o vermelho e em menor número, o branco. É muito difícil estabelecer a cronologia destes conjuntos, dada a sua falta de utensílios ou de peças móveis datáveis. Embora a maioria dos autores lhe atribua uma idade pós-paleolítica, alguns tendem a situá-los na idade do Bronze.

Racó de Nando, Benassal - Mesolítico



Fonte
Atlas Temático - O Homem, Marina Editores


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