27/04/2016

Consultas ao oráculo

Quando, em 546 a.C, o rei Cresso, da Lídia, consultou o Oráculo de Apolo, em Delfos, obteve a seguinte resposta: "Se fizeres guerra contra os Persas, destruirás um grande reino." Encorajado pela sua interpretação destas palavras, atacou o Império Persa, mas as suas forças foram desbaratadas. O "grande reino" destruído, afinal, fora o seu. O deus falara a verdade, mas os homens não tinham conseguido interpretar corretamente a sua resposta.
Para os antigos gregos, os deuses eram omniconscientes, e da descoberta e execução da sua vontade decorriam benefícios religiosos e práticos. Não se empreendia uma ação política importante sem uma consulta dos deuses através dos oráculos. As pessoas vulgares procuravam também obter conselhos para questões pessoais.
Dos oráculos d mundo antigo, o de Delfos foi o mais célebre, e Apolo, o principal deus da profecia. Delfos tornou-se sagrado a partir de cerca de 1400 a.C., provavelmente como sede de um oráculo de uma deusa terrena, representada por um pitão. As serpentes foram símbolos délficos até cerca de 800 a.C., quando passou a prevalecer a crença de que Apolo matara a serpente que guardava o santuário e renovara o oráculo.

De início o oráculo só podia ser consultado um dia por ano e, mais tarde, um dia por mês. Eram tantas as consultas que, no auge da sua fama, duas sacerdotisas revezavam-se, ficando uma terceira de reserva. As consultas acerca de negócios custavam dez vezes mais do que responder a perguntas do foro privado. Apesar disso, a procura era tão grande que se recorria a um segundo oráculo, que deitava sortes no caso de perguntas que apenas precisassem de respostas simples.

A consulta do oráculo
São vagos os pormenores relativos a elfos. De início, as sacerdotisas, ou pitonisas, eram jovens virgens, mas depois de um cliente ébrio ter raptado uma delas, optou-se por mulheres com mais de cinquenta anos. Sentada numa cadeira, a pitonisa ouvia a pergunta e proferia uma resposta, que os sacerdotes transcreviam em hexâmeros. Ninguém sabe se ela entrava em transe por beber de uma nascente sagrada, mascar folhas de louro ou respirar "vapores" libertados de uma fenda situada sob o assento. Pluarco (c. 46-120 d.C), que serviu como sacerdote em Delfos durante 30 anos, afirma que Apolo fazia aparecer visões na mente da pitonisa.
Fossem quais fossem os métodos usados pela pitonisa, algumas histórias parecem mais que mera coincidência. Parmenisco de Metaponto consultou o Oráculo de Trofónio. Não se sabe que pergunta terá feito, mas quando partiu, já não conseguia rir. Mais tarde, o Oráculo de Delfos disse-lhe que "a mãe" lhe devolveria o riso em casa, pelo que ele regressou a Metaponto. Ainda sem conseguir rir, Parmenisco pensou que fora enganado, tendo de seguida voltado a Delfos. Aí, no Templo de Leto, mãe de Apolo, onde esperava encontrar uma grande estátua, viu que a deusa era representada por um feio bloco de madeira e riu-se. Foi em casa de Apolo, e não da sua, que recuperou o riso.
Alguns cépticos procuraram testar o rigor dos Oráculos. Dessa forma, Creso fez a mesma pergunta a sete oráculos: "Que está a fazer neste momento o rei da Lídia?" Só o de Delfos respondeu corretamente: "Está a cozer um cordeiro e uma tartaruga numa panela de bronze." No século V a.C., Macróbio relata que o imperador Trajano enviou um conjunto selado de tabuinhas em branco para testar o Oráculo de Júpiter Heliopolitano, em Baalbek, no atual Líbano. O conjunto foi devolvido com o selo intacto, acompanhado da resposta do deus, uma folha de papiro em branco.

Outros deuses, outros costumes
Vários oráculos serviam outros deuses e adoptavam processos distintos dos de Delfos. Em Baiae, no sul de Itália, o consulente entrava num complexo de templos subterrâneos para consultar os espíritos dos mortos. Nos templos gregos de Asclépio e Anfiarau, os suplicantes dormiam no local para terem sonhos proféticos. Os consulentes do Oráculo de Zeus, em Dodona, na Grécia, escreviam perguntas em finas tiras de chumbo, dobrando-as depois ao meio e colocando-as num recipiente. À medida que ia retirando as perguntas sem as ver, a sacerdotisa respondia "sim" ou "não". As tiras de chumbo que chegaram até à atualidade contêm perguntas sobre a saúde, negócios e assuntos da vida privada.
Com o passar dos séculos, a importância dos oráculos diminuiu, e muitos filósofos negaram o seu valor. A astrologia introduziu outra forma de predizer o futuro, e novos cultos misteriosos, como os da deusa egípcia Ísis, desviaram a atenção dos deuses proféticos. Quando o cristianismo substituiu as religiões pagãs, os oráculos já se encontravam praticamente reduzidos ao silêncio.



Viagem ao Desconhecido, Selecções do Reader's Digest


22/04/2016

Camarões


Os Camarões são um país situado na África Ocidental, fazendo fronteira com a Nigéria a oeste, com o Chade a nordeste, República da África Central a este, e com a Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo a sul. A linha costeira dos Camarões encontra-se no Golfo do Biafra e no Oceano Atlântico. O país é frequentemente denominado de África em miniatura pela sua diversidade geológica e cultural. As características naturais incluem praias, desertos, montanhas, florestas tropicais e savanas. O ponto mais elevado é o Monte Camarões a sudoeste, e as maiores cidades são Douala, Yaoundé e Garoua. Os Camarões são a casa de mais de 200 grupos linguísticos. O país é bastante conhecido pelo seu estilo de música tradicional, particularmente pela makossa e a bikutsi, assim como pela sua equipa de futebol de sucesso. As línguas oficiais são o francês e o inglês.


Os primeiros habitantes do território incluíram a civilização Sao ao longo do Lago Chade e os caçadores recolectores Baka no sudeste da floresta tropical. Os exploradores portugueses chegaram à costa dos Camarões no século XV e nomearam a área de Rio dos Camarões. Os soldados Fulani fundaram o Emirato Adamawa no norte no século XIX, e diversos grupos étnicos estabeleceram grupos poderosos no norte e noroeste. Os Camarões tornaram-se uma colónia alemã em 1884, conhecida como "Kamerun".
Após a Primeira Guerra Mundial, o território foi dividido entre a França e a Grã-Bretanha como Mandato da Liga das Nações. O partido político Union des Populations du Cameroun (UPC) defendeu a independência, mas foi ilegalizado pela França durante a década de 1950. As forças militares travaram uma guerra contra a França até 1971. Em 1960, a zona de administração francesa dos Camarões tornou-se independente como República dos Camarões com o Presidente Ahmadou Ahidjo. A zona sul dos Camarões Britânicos juntou-se com a República dos Camarões em 1961, formando a república Federal dos Camarões. O país foi renomeado para República Unida dos Camarões em 1972 e para República dos Camarões em 1984.
Comparativamente a outros países africanos, os Camarões são política e socialmente estáveis. Este facto tem permitido o desenvolvimento da agricultura, das estradas, caminhos de ferro e grandes indústrias de petróleo e madeira. Em todo o caso, um grande número de camaroneses vive na pobreza como agricultores de subsistência. O poder está nas mãos do presidente Paul Biya, desde 1982, e do seu partido Movimento Democrático do Povo Camaronese. Os territórios que falam inglês dos Camarões têm aumentado mais alienados do governo, e os políticos destas regiões têm pedido para uma maior descentralização e até mesmo para a separação (por exemplo o Conselho Nacional dos Camarões do Sul) dos antigos territórios governados pelos britânicos. 

19/04/2016

Cabo Verde


A República do Cabo Verde é um arquipélago constituído por 10 ilhas vulcânicas no centro do Oceano Atlântico. Localizado a 570 km da costa da África Ocidental, as ilhas combinadas cobrem uma área de pouco mais de 4.000 km2. Três delas (Sal, Boa Vista e Maio) são praticamente planas, arenosas e secas; as outras, na sua generalidade apresentam mais vegetação.
Os exploradores portugueses descobriram e colonizaram as ilhas, inabitadas, no século XV. Com uma localização ideal para o comércio de escravos do Atlântico, as ilhas obtiveram prosperidade e atraíram muitas vezes corsários e piratas, entre os quais Sir Francis Drake, um corsário a agir com uma carta de corso dada pela Coroa Britânica, e que saqueou por duas vezes a capital da altura, Ribeira Grande, em 1580. As ilhas foram também visitadas pela expedição na qual fazia parte Charles Darwin, em 1832.


O declínio do tráfego de escravos no século XIX levou a uma crise económica. Com poucos recursos naturais e um investimento inadequado por parte dos portugueses, o ressentimento dos cidadãos em relação aos senhores coloniais continuou a crescer, que apesar de tudo continuaram a recusar dar mais autonomia às autoridades locais.Um crescente movimento de independência (originalmente liderado por Amílcar Cabral, assassinado a 20 de Janeiro de 1973) passou para o meio irmão Luís Cabral, acabando na independência do arquipélago em 1975.
A população cabo-verdiano é maioritariamente crioula. A capital do país, Praia, contém cerca de um quarto da população de Cabo Verde, com 500.000 habitantes. Mais de 65% da população das ilhas vive em centros urbanos, e a taxa de alfabetismo ronda os 87% (91% nos homens com mais de 15 anos e 83% das mulheres também a partir dos 15 anos) segundo o censo de Cabo Verde de 2013.
Politicamente o país vive sob um regime democrático estável. O seu crescimento económico notável e melhoramento nas condições de vida apesar da falta de recursos ganhou o reconhecimento internacional, com outros países e organizações internacionais muitas vezes a providenciarem a ajuda ao desenvolvimento. Desde 2007 que o Cabo Verde foi classificado como um país em desenvolvimento.
Condições económicas difíceis durante as últimas décadas da sua colonização e nos primeiros anos da independência fizeram com que muitos cabo-verdianos emigrassem para a Europa, Américas e para outros países africanos. Atualmente estes émigrés e os seus descendentes são em maior número que a população em Cabo Verde. Historicamente, as remessas efetuadas por estes émigrés às suas famílias em Cabo Verde tem providenciado uma substancial contribuição à economia do país. No entanto, é mais improvável que as gerações mais tardias continuem a enviar dinheiro e, consequentemente, a economia atual de Cabo Verde está centrada principalmente para o turismo e investimento estrangeiro, que beneficiam do clima quente durante todo o ano, da paisagem diversificada e da riqueza cultural, especialmente na música.

18/04/2016

As etapas do homem na pré-história - O Mesolítico

O Mesolítico, cuja datação se estende aproximadamente de 9.000 a.C a 4.000 a.C é caracterizado por intensas alterações climatéricas, cuja origem remontou ao último período do Paleolítico. O clima suavizou-se, os gelos recuaram fazendo com que diversas espécies de animais - por exemplo mamutes e ursos das cavernas - se extinguissem, e a translação de outras, como a rena, que foi substituída pelo veado. Nas zonas anteriormente cobertas pelo gelo surgiram grandes extensões de bosques. Todas estas mudanças determinaram a adaptação do homem a novas condições de vida e aproveitamento dos novos recursos naturais. Assim, embora o homem continuasse a caçar e a pescar, houve grupos humanos que basearam uma parte importante da sua economia na apanha de marisco e de moluscos, como evidenciam os "concheiros" de Muge, em Portugal, e a cultura "Asturense" no norte da Espanha.
Os utensílios encontrados compõem-se de arcos, setas, azagaias, arpões, canoas e redes. Há também uma indústria lítica formada por peças de pequenas proporções - microlitos - e muito especializada. O habitat destas  populações esteve ao ar livre, quer em cabanas cobertas com ramagens quer em abrigos rochosos próximos das fontes de matérias-primas. As ocupações de grutas efectuaram-se em menor número. Os enterros, embora escassos, mostram a prática de um ritual de inumação. Umas vezes o cadáver aparece encolhido, outras, estendido com a boca para cima.


Norte da Europa

A "Maglemoisense" é a cultura com maior representação no norte da Europa, estendendo-se da Grã-Bretanha até à Estónia e a Finlândia Meridional. Caracteriza-se por numerosos microlitos e pela presença de instrumentos ósseos, como os arpões. Existem numerosas culturas locais, por exemplo:

  • a de Fosna-Komsa
  • a de Vale do Oka e Kunda
  • a de Lyngby
  • a fase da etapa mesolítica encontra-se representada pela cultura Ertebölle
A ocupação das costas foi considerável, formando-se os "Kjoek-kenmoeddings", grandes montes de desperdícios. Pode considerar-se esta cultura como o precedente imediato das fases neolíticas destas regiões.

Europa Centro-Oriental
Nesta região a cultura "Hamburguense" ainda mantém uma indústria lítica com traços paleolíticos. Por sua
Swideriense
vez, a cultura "Swiderense" é caracterizada pela abundãncia dos microlitos e peças de tamanho médio. É de referir, igualmente, a cultura de "Ahrensburg-Lavensted".

Europa Ocidental
Já na Europa Ocidental o Azilense estende-se pela zona franco-cantábrica. As peças mais características desta zona são o arpão e os calhaus rolados, pintados com motivos geométricos. O "Tardenoisense" apresenta uma grande variedade de microlitos. A última fase mesolítica encontra-se representada, na França e no sul da Bélgica, pelo "Campinhense". Embora mantivessem contactos com populações de economia neolítica, os homens deste período continuaram a praticar, basicamente, a caça.
No norte de Espanha e de Portugal existem culturas locais como o "Asturense" e a cultura dos "concheiros" de Muge, respetivamente. Sendo que a primeira localiza-se nas Astúrias e nalgumas zonas cantábricas. O habitat destas populações era nas grutas, à entrada das quais se acumularam os depósitos de conchas. O instrumento mais representativo é o "pico".

Concheiros de Muge

Nas margens do rio Muge, afluente do Tejo, localiza-se a chamada cultura dos "concheiros", que se destacou também pela apanha de moluscos. Nesta época assiste-se a uma sobrevivência das formas de vida e dos utensílios do Paleolítico Superior na área mediterrânica ocidental. Por esta razão dnomina-se mais corretamente Epipaleolítico. A esta fase correspondem o "Sauveterrense", em França, e o "Epigrimaldense", na Itália. Na Península Ibérica denomina-se "Epigravetense". Perdura a técnica do bordo rebaixado e as formas microlíticas e geométricas.
Na Península Ibérica existe a arte parietal designada de "arte rupestre levantina", a qual é considerada pela maior parte dos autores como tendo origem pós-paleolítica. A distribuição geográfica desta abrange de Lleida até à Andaluzia, passando pelas províncias de Tarragona, Castellón, Cuenca, Teruel, Valência e Albacete, entre outros locais. Nas paredes e tectos  de abrigos ou covas, situados nas zonas interiores das províncias levantinas, e nos barrancos de altitude média, aparecem pinturas que representam a figura humana e animais como veados, touros, cabras e cavalos, que formam grupos, reconhecendo-se em alguns casos cenas de caça, de guerra, de colheitas de mel, etc. O estilo destas representações compreende desde o naturalismo à estilização, e algumas figuras, preferentemente as humanas, estão representadas com um dinamismo extraordinário.
As técnicas mais utilizadas são o contorno, a tinta lisa e o riscado. As cores são o preto, o vermelho e em menor número, o branco. É muito difícil estabelecer a cronologia destes conjuntos, dada a sua falta de utensílios ou de peças móveis datáveis. Embora a maioria dos autores lhe atribua uma idade pós-paleolítica, alguns tendem a situá-los na idade do Bronze.

Racó de Nando, Benassal - Mesolítico



Fonte
Atlas Temático - O Homem, Marina Editores


Padrões


É só uma questão de tempo, todos estamos mais ou menos tempo cá. Estamos cá e deixamos de estar cá. Portanto o que se faz no entretanto, como nos sentimos, como os outros nos sentem, como agraciamos a própria vida por a termos é que é importante. Há que não a desperdiçar, há que a tornar harmoniosa, celebrá-la, por assim dizer. Pois é só um bocadinho, um instante. Não importa o padrão que utilizamos para essa vida. Até podemos ter pensado num padrão, e depois termos mudado de ideias, viver outro. Seja porque aquele já não corresponde às nossas vontades, seja porque por alguma razão não conseguimos obter aquele padrão. A vida é cheia de padrões, de imagens, de formas. nada é definido, nada é absoluto. Diria mesmo que deveríamos olhar para diversos padrões, não nos prendermos a uma só possibilidade (ou a um número restrito).
Guardam-se fotografias do passado, contam-se histórias acontecidas (sempre com uma alteração aqui ou ali, umas vezes consciente outras inconscientemente), o que se foi (ou que se pensa que foi), fazem-se planos, o que se vai ser, o que é preciso acontecer, o que irá ser a fonte da harmonização... mas raras vezes se vê que tudo isso não tem importância, o presente é a única coisa que existe, a única coisa que se tem. Se não se vive o presente, que é onde a Vida existe, como se pode viver?
Celebremos a vida, celebremos o presente, celebremo-nos a nós, agora, aqui, neste preciso momento existimos, somos. E não somos algo de fixo, somos mutáveis, dentro de nós temos vários padrões, várias cores, somos um arco-íris, não uma luz monocromática.
Aceitemos os padrões, procuremo-los e atiremo-nos a eles. Eles existem, agora, não antes, nem depois.


11/04/2016

Kenyanthropus rudolfensis

O Kenyanthropus rudolfensis, mais frequentemente designado de Homo rudolfensis, mas também de Australopithecus rudolfensis (ainda não há um consenso científico quanto ao género a que pertence).
Até à descoberta do Kenyanthropus rudolfensis (neste artigo será escolhido o género Kenyanthopus por razões que ficarão mais claras adiante) em 1972 por Bernard Ngeneo, membro da equipa do antropólogo Richard Leakey, em Koobi Fora, a leste do Lago Rudolf (atual Lago Turkana) só havia um único ancestral para os humanos modernos no Plioceno Inferior, nomeadamente o Australopithecus afarensis. As características distintas e únicas do Kenyanthropus platyops veio  a obrigar a fazer nascer um novo género, o Kenyanthropus. E com isso, a rever a classificação de alguns fósseis, designadamente o do Homo rudolfensis, que não se encaixava bem no grupo Homo, mas que também era demasiado diferente para ser classificado como Australopithecus.
Os fósseis deste novo género trazem uma nova diversidade à árvore genealógica humana.
O Kenyanthropus aparenta ter entre 2,5 e 1,9 milhões de anos, coexistindo durante bastante tempo com o Homo habilis

As arcadas supraorbitais eram menos proeminentes do que no género Australopithecus. A face é mais prognática e a parte do nariz menos saliente. Não tem crista sagital, os grandes ossos zigomáticos, como no Paranthropus robustus e no Paranthropus boisei desapareceram. O Kenyanthropus tinha molares maiores e mais largos comparativamente ao Homo habilis, enquanto eram ligeiramente menores do que os vistos no género Australopithecus, e o K. rudolfensis também não tinha a mandíbula densamente construída e com fortes ligações musculares na mandíbula, o que era visto nos primeiros seres humanos robustos. Esta diferença anatómica é, muito provavelmente, indicadora de diferenças nas dietas do Kenyanthropus rudolfensis e nas espécies mais antigas de australopitecíneos, que eram capazes de mastigar alimentos mais duros. Os ossos do crânio eram mais finos e, na sua generalidade, mais delicados. A capacidade craniana média é de cerca de 750 cc (centímetros cúbicos). Pesaria aproximadamente 50 kg, e a espécie apresentaria, muito provavelmente, dimorfismo sexual.
Embora nenhum dos ossos se encontre associado a ferramentas de pedra, o seu crânio grande indica que possivelmente as terá fabricado durante o período de indústria de ferramentas do Olduvaiense inferior. Mas, uma vez que houve diversas espécies de hominídeos a habitar a mesma região, não é possível determinar qual (quais) delas fabricou as ferramentas e se as outras apenas as usaram.


Em muitos aspectos o Kenyanthopus era um pouco mais avançado que o Homo habilis. Isto poderia sugerir que o Homo habilis foi um beco sem saída, enquanto que o Kenyanthropus rudolfensis deu origem ao Homo erectus e mais tarde à espécie humana.
O Kenyanthropus fez com que os paleoantropólagos alterassem a sua visão acerca das origens humanas. Existem muitas questões levantadas pela sua nomeação, que incluem a relação do Kenyanthropus rudolfensis com os australopitecíneos e com o Homo habilis, questões que não podem ser respondidas com base em tão poucos fósseis.  Ainda existem muitas questões em aberto relativamente ao Kenyanthopus rudolfensis, até porque até à atualidade, existe apenas um único fóssil em boas condições do Kenyanthropus rudolfensis, o KNM-ER 1470:
  • Terá sido o Kenyanthropus rudolfensis aquele que na árvore evolucionária humana evoluiu para as espécies posteriores de Homo e até à nossa espécie, Homo sapiens?
  • Serão o Kenyanthropus rudolfensis e o Homo habilis de facto espécies diferentes, ou serão apenas uma parte de uma única espécie, mas com variações diferentes? Ou terá um sido o ancestral do outro?
  • Serão os fósseis do Kenyanthropus rudolfensis mais parecidos com os australopítecíneos, do que com outros fósseis Homo, como alguns cientistas têm sugerido?
  • Quais seriam de facto as dimensões do Homo rudolfensis? Seria esta espécie sexualmente dimórfica como se julga?


Atualmente a maior parte dos cientistas reconhece que viveram quatro espécies na Bacia Turkana, no norte do Quénia, algures entre 2 a 15, milhões de anos atrás: o Kenyanthropus (Homo) rudolfensis, o Homo habilis, o Homo erectus, e o Paranthropus boisei.





Fontes:
http://www.columbia.edu/itc/anthropology/v1007/2002projects/web/kenyanthropus/kenyanthro.html#rudolf
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/homo-rudolfensis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Homo_rudolfensis

08/04/2016

Burúndi


O Burundi é um país do interior na região dos Grandes Lagos Africanos no sudeste africano, fazendo fronteira com o Ruanda no norte, com a Tanzânia no este e sul e com a Republica Democrática do Congo a oeste. Muitas vezes é considerada igualmente como parte da África Central. A capital do Burundi é a cidade de Bujumbura. Embora o país se encontre no inerior, grande parte da fronteira sudoeste está adjacente ao Lago Tanganyika.

As populações Twa, Hutu e tusi têm vivido no Burundi Há pelo menos cinco séculos e, durante dois séculos, Burundi foi governado como um reino. No início do século XX, no entanto, a Alemanha e a Bélgica ocuparam a região e o Burundi e o Ruanda tornaram-se colónias europeias conhecidas como Ruanda-Urundi. As diferenças sociais entre os Tutsi e os Hutus têm, desde então, contribuído para a agitação polítca na região, levando a guerras civis em meados do século XX. Actualmente, o Burundi é governado como uma república democrática representativa presidencial.
O Burundi é um dos cinco países mais pobres do mundo. Tem um dos PIB per capita mais baixos a nível mundial. O país tem sofrido de guerra, corrupção e um pobre acesso à educação. É densamente povoado e sofre de uma emigração substancial. De acordo com o Índice de Conectividade Global DHL de 2012, é o país menos globalizado entre os 140 países inquiridos.
De acordo com o Índice Global da Fome de 2013, o Burundi tem um rácio de 38,8, fazendo com que a nação ganhe a distinção de ser o país com mais fome no mundo em termos de percentagem.


História
O Reino do Burundi
De acordo com a tradição o Reino do Burundo existiu do século XVI até 1966, mas actualmente pensa-se que o primeiro reino terá começado em 1680. Tal como a monarquia na vizinha Ruanda foi liderada por reis Tutsi. O último mwami (governante) de Burundi foi o Rei Ntare V, que ou foi assassinado no palácio real Ibwani em Gitega no ano de 1972, ou fugiu para o exílio na Alemanha Ocidental.
A maior pare dos membros da casa real vivem actualmente em exílio na França. Nas eleições de 2005, a Princesa Esther Kamatari candidatou-se às presidenciais pelo partido Abahuza ("Partido para a Restauração da Monarquia e Diálogo no Burúndi"). Os apoiantes argumentam que a restauração de uma monarquia constitucional poderia ajudar a acalmar as tensões entre os grupos étnicos e tornar-se um símbolo de unidade.
A bandeira do reino continha uma karyenda no centro como símbolo da autoridade real.

Colonização
Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha entregou o controle de uma parte da antiga África Alemã Oriental  à Bélgica. A 20 de Outubro de 1924, esta terra, que consiste no actual Ruanda e Burundi, tornou-se um território mandatado da Liga das Nações Belga, o que em termos práticos significava parte do Império Colonial Belga, conhecido como Ruanda-Urundi. No entanto, os belgas permitiram que o Ruanda-Urundi continuasse com a sua dinastia real.
Após a Segunda Guerra Mundial, o Ruanda-Urundi tornou-se um Território de Confinça das Nações Unidas sob administração belga. Durante a década de 1940, várias políticas prvocaram divisões ao longo do território. A 4 de Outubro de 1943, os poderes foram divididos nas divisões legislativas do Governo de Burundi entre as Chefias e as Baixas Chefias.
As Chefias estavam encarregues da terra, e foram estabelecidas sub-chefias mais baixas. As autoridades nativas também tinham poderes. Em 1948, a Bélgica permitiu à região formar partidos políticos. Estas facções viriam a ser uma das principais influencias para a independência de Burundi da Bélgica.

06/04/2016

Ritos da Antiga Grécia


Todos os anos, em setembro, na antiga cidade grega de Elêusis, desde a época micénica até à destruição do seu templo, em 396 d.C., terão sido iniciadas nos ritos secretos, ou mistérios, 30.000 pessoas. Durante vários dias, realizavam-se festas e procissões em honra da deusa Deméter, ou Demétria, e da sua filha Perséfone.
Não se sabe o que encerravam os ritos. Contrariamente às cerimónias da religião pública e estatal, as quais eram abertas a todos, uma religião de "mistérios" só era praticada pelos mystae, os iniciados, que juravam guardar silêncio. Os segredos mais defendidos nunca foram revelados, mas sabe-se que os mistérios estavam ao alcance de todos aqueles que falassem grego e não tivessem cometido assassínio e que os participantes se sentiam abençoados por certos conheciments de uma ditosa vida além-túmulo. As celebrações tinham início com um banho no mar em Atenas e uma procissão até Elêusis. À noite, num vasto espaço iluminado por archotes, havia recitações e uma representação.
Talvez fosse encenada a tentativa empreendida pela deusa das colheitas Demétria para encontrar a filha Perséfone, seduzida por Hades, senhor dos Infernos. Ao encontrar a filha, Deméter aceitou que Perséfone  à luz durante parte do ano, simbolizando a sua chegada  a renovação da vida na Primavera.
Aquando da busca pela filha, a deusa, disfarçada de velha, parara em Elêusis, onde se tornara ama do filho do rei, a quem tentara tornar imortal colocando-o numa fogueira todas as noites. Descoberta, deu-se a conhecer aos habitantes, que lhe erigiram um templo. Era nesse local que os mistérios eram celebrados todos os anos.
Quando a região à volta de Atenas e Elêusis foi evacuada numa dada altura das Guerras Pérsicas ( entre 500 e 479 a.C.), terão sido os deuses a celebrar os mistérios. Segundo Heródoto, espiões persas viram uma nuvem de poeira e ouviram o clamor do exército divino quando se dirigiam para Elêusis. Nesse mesmo dia, os Persas foram derrotados em Salamina.



Fonte:
Viagem ao Desconhecido, Selecções do reader's Digest

Imagem:
Frinéia em Elêusis de Henryk Siemiradzki (1889)




05/04/2016

As etapas do homem na Pré-História - Paleolítico

O estudo das fases iniciais do homem é complexo e deve ter-se em conta que é necessário interpretar culturas que remontam a mais de um milhão de anos e meio e cuja evolução e cronologia não são coincidentes nos diversos locais da Terra.
De forma a que se pudesse ordenar o estudo destas primeiras etapas na história do homem, estabeleceu-se uma série de períodos, que correspondem  às culturas básicas estudadas principalmente na Europa Ocidental. 
Desta forma, o Paleolítico ficou dividido em três fases:

  • Paleolítico Inferior
  • Paleolítico Médio
  • Paleolítico Superior

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Paleolítico Inferior

Este período vai desde o final da glaciação de Gunz até ao interglaciar Riss-Würm, isto é, de cerca de 1.000.000 a 150.000 anos a.C. Esta altura foi marcada por um clima frio, com intervalos de períodos quentes.
É a esta etapa que estão associados os primeiros utensílios associados ao homem - calhaus rolados grosseiramente talhados numa ou em ambas as faces, a que se deu o nome de cultura dos seixos ou olduvaiense.
Estes utensílios, com uma excelente representação nos locais de Olduvai, no Quénia, em Aïn-Hanech, na Argélia, em Sidi-Aderramán, em Marrocos, entre outras jazidas, não se encontram na Europa, pelo menos de uma forma clara. Desta forma, as primeiras indústrias  do Paleolítico Inferior europeu correspondem a bifaces ou machados de mão, peças talhadas em ambas as faces, representadas pelo abbevillense (anteriormente designado de chelense) e pelo acheulense, e por uma indústria de leascas  representads pelo clactonense e pelo tayacense. As jazidas com estas indústrias encontram-se localizadas  no norte e no sul de França (Micoque, Cagny), em Inglaterra (Clacton-on-Sea), em espanha (Torralba, terrazas del Manzanares), entre outros. A maior parte das jazidas destes período encontram-se estabelecidas ao ar live, em depósitos fluviais, mesetas e, posteriormente, em grutas.

Paleolítico Médio

Esta etapa tem início no final da glaciação de Riss até ao período glaciário de Würm. Compreende um período que chega aproximadamente até 40.000 a.C.  As duas indústrias mais representativas são o musteriense e o levalloisense, embora esta última se deva considerar como uma técnica de talha. Sob o nome geral de musteriense agrupa-se na realidade um complexo de indústrias (musteriense de tradição acheulense, tipo La Quina-La Ferrassie, Musteriense típico, etc.). Os utensílios mais representativos são as pontas e os raspadores, aos quais se devem juntar os denticulados. As jazidas destas indústrias são, entre outras: Le Moustière, La Ferrassie, La Micoque (França); Spy (Bélgica); El Castillo, Terrazas del Manzanares, Abric Romaní (Espanha). Encontram-se também no sul de Inglaterra, na Rússia, na Crimeia, etc.
Durante os períodos frios, o homem refugiou-se em grutas, enquanto nas fases mais quentes, fazia-o em cabanas sobre os terraços fluviais. Deste período conhecem-se inumações, que parecem indicar a prática de rituais.


Paleolítico Superior

Uma fixação aproximada deste período vai desde o final do período anterior, (glaciação de Würm) até cerca de 9.000 a.C., sendo o seu protagonista um novo tipo de humano: o homem de cro-magnon.
Esta fase da pré-história do homem caracteriza-se pelo desenvolvimento das estruturas do habitat e dos utensílios de osso, o aperfeiçoamento do trabalho do sílex e o aparecimento das primeiras amostras de arte. As facies culturais mais características são: o perigordense, o aurinhacense, com
rapadores carenados, folhas cuidadosamente retocadas num ou dois bordos e o aumento dos utensílios ósseos com pontas de base fendida, punções, etc. Na indústria seguinte, a solutrense, destaca-se a utilização da técnica de pressão no trabalho do sílex, dando lugar a pontas ligeiras em forma de folha de louro e de salgueiro que, pelo seu tamanho, fazem supor a sua fixação num cabo ou estarem destinadas ao disparo de um arco. Embora os homens da cultura seguinte, a magdalenense, mantivessem utensílios líticos, as peças mais representativas são as executadas em chifre ou osso, como a azagaias e os arpões com uma ou duas filas de dentes.
As grutas continuaram a ser o seu habitat, embora em algumas zonas onde o clima o permitia se estabelecessem nas margens dos rios. Construíram também cabanas, parcialmente cavadas no solo, tendo sido localizada uma lareira central nalgumas delas.
São conhecidos um grande número desta fase, alguns individuais outros coletivos, muitas vezes no mesmo local de habitação, onde o cadáver aparece acompanhado de um utensílio ósseo e lítico, para além de adornos corporais. Dois enterros interessantes são os de Grimaldi onde o esqueleto aparecia com vários bastões magdalenenses nas costas e o de Kostienki, cuja sepultura foi encontrada no interior de uma cabana, próxima da lareira, e o cadáver havia sido sentado e rodeado de ossos de mamute.


Paleolítico - Arte e Crenças


Apesar de se ter conhecimento daquela que é designada "arte mobiliar", a descoberta da gruta de Altamira em 1879, por Marcelino da Sautuola, foi o factor que veio a revelar um novo e sugestivo aspecto do homem do Paleolítico Superior - o das suas manifestações artísticas. O tema principal é o animal, que aparece junto de uma série de representações abstratas e simbólicas, que não se conhece o significado.
Dispersão geográfica - Este tipo de arte agrupa-se principalmente em duas zonas: no sudeste francês, do Languedoc à Dordonhae na zona cantábrica. No entanto, existem manifestações artísticas em pontos muito diversos da Península Ibérica (Levante, Andaluzia, Extremadura). Encontram-se também em Portugal, Itália, Sicília, Europa Central e Oriental.
Quando se considera a produção artística do Paleolítico Superior, há que fazer a diferenciação entre dois tipos:

04/04/2016

Mistérios da Doutrina Secreta

No seu livro Doutrina Secreta Helena Blavatsky expõe os fundamentos da Doutrina Esotérica das Religiões antigas, remontando a sua origem ao surgimento do homem na Terra, segundo a mesma, quando os deuses dirigiam os homens e em «cuja fonte beberam os Instrutores da Humanidade a essência do conhecimento humano».
Blavatsky tenta esclarecer de que se trata a filosofia esotérica. Segundo a autora, esta filosofia tenta reconciliar todas as religiões ao provar a sua origem comum. A filosofia esotérica prova a existência (e necessidade) de um Princípio Absoluto na Natureza. Não nega a Deidade, embora rejeite os deuses criados pelos homens à sua própria imagem. Blavatsky cita trechos secretos do dan ou janna ou dhyana, a reforma do homem pela meditação, e a metafísica de Gautama; as verdades ocultas, as coisas visíveis e invisíveis, o mistério do Ser fora da esfera terrestre, que Buda reservava apenas para os seus discípulos ou Arhats.

A doutrina de Buda é a dos Iniciados brâmanes, conservada em santuários secretos.
O Livro de Dzyan,  está escrito em folhas de palma, e tratadas por um processo que as impermeabilizou às ações da água e fogo, não se conhecendo a sua antiguidade. A Doutrina Secreta baseia-se neste livro e nas explicações dadas por sábios orientais, a quem a autora designou de Mestres.
Os membros de diversas escolas esotéricas cujo centro se encontra além dos Himalaias, e cujas ramificações encontram-se na China, no Japão, na Índia e Tibete, assim como na América do Sul, formam entre si um conjunto que totaliza as obras sagradas e filosóficas que se escreveram nas diversas línguas e caracteres, desde o começo da arte da escrita, que vão desde os hieróglifos até aos alfabetos de Cadmo e Devanagari. 

Desde a destruição na Biblioteca de Alexandria de todas as obras que pudessem conduzir o profano à descoberta final e compreensão de alguns dos Mistérios da ciência oculta, que estes ensinamentos foram procurados com diligência por membros, em esforços combinados, de Fraternidades ocultas. Uma vez encontradas estas obras, foram destruídas, com exceção de três exemplares de cada uma, que foram ciosamente guardados em locais secretos. Na Índia, os últimos desses manuscritos foram guardados num local secreto durante o reinado do Imperador Akbar, o qual não conseguiu, nem através do suborno, nem através de ameaças, que os brâmanes lhe fornecessem o texto original dos Vedas. Diz-se que os livros sagrados desta espécie, cujos textos não se encontravam suficientemente velados pelo simbolismo e que continham referências diretas aos antigos mistérios, foram copiados em carácter criptológico e depois destruídos até ao último exemplar.
Segundo Helena Blavatsky a Doutrina Secreta foi a religião universalmente difundida no mundo antigo e pré-histórico, como provam os autênticos anais da sua história, os documentos existentes em todos os países e que se conservam nas bibliotecas secretas das Fraternidades ocultas.
Factos que ainda conservam a tradição desta religião:
  1. Milhares de fragmentos antigos, salvos da destruição da Biblioteca de Alexandria;
  2. As obras sânscritas desaparecidas da Índia durante o reinado de Akbar;
  3. A tradição universal na China e no Japão, de que os verdadeiros textos antigos, e comentários que os tornam decifráveis (há milhares de volumes), encontrando-se fora ds mãos profanas;
  4. a desaparição da vasta literatura sagrada da Babilónia;
  5. a tradição na Índia de que os verdadeiros comentários dos vedas, ainda que invisíveis para os profanos, estão à disposição dos Iniciados em locais secretos para os demais.
Todos os fundadores de Religiões foram os transmissores, não Mestres originais, mas autores de novas formas e interpretações da ciência sagrada, chamada Gupta Vidya. cada nação recebeu, por sua vez, algumas das verdades debaixo do véu de um simbolismo próprio, o qual, com o tempo, veio a desenvolver um culto mais ou menos filosófico.

03/04/2016

Shambala - paraíso oculto

Os lamas do Tibete e da Mongólia falam de Shambala desde tempos imemoriais, da morada da sabedoria antiga, o ponto de contacto entre o céu e a terra, mas o local não se encontra assinalado em qualquer mapa.
Os investigadores modernos encontram-se divididos acerca da veracidade por detrás deste paraíso terrestre. Alguns vêem-no apenas como um local puramente mítico, enquanto outros pensam que corresponde a um dos antigos reinos historicamente documentados da Ásia Central. Tudo quanto se saber acerca da sua localização faz parte da mitologia tibetana, que apelida Shambala de «lugar nórdico da quietude», o que sugere que se encontra algures a norte do Tibete. Esta visão tem uma contrapartida na tradição indiana, que refere um local chamado Kalpa - a norte dos Himalaias - habitado por seres humanos perfeitos.
Segundo as lendas, Shambala seria o território recôndito onde Buda foi iniciado nos ensinamentos do Kalacakra, ou Roda do Tempo, que englobam astronomia, astrologia e vários outros conceitos cósmicos. Esse lugar situar-se-ia num vale cercado por enormes montanhas cobertas de neve. Um lago ou um leito de um lago seco dificultam o acesso, e a entrada só é possívelpor uma esreita passagem ou gruta. Os lamas são inflexíveis: os viajantes não podem ir a Shambala só porque lhes apetece, têm de sentir um chamamento.
A localização mais provável  do reino místico - se de facto existir - é a vasta extensão da China Ocidental conhecida atualmente como Xinjiang. Aqui, entre as cadeias de Kunlun Shan, Tian Shan e Altai, localizam-se várias bacias hidrográficas que há 3.000 anos serviram de base a florescentes civilizações cosmopolitas. Alguns investigadores sugeriram que a ideia de Shambala  pode ter-se desenvolvido a partir do conceito tradicional de que as montanhas do Altai eram o  local de habitação dos xamãs.
Segundo a tradição, as pessoas de Shambala podiam curar-se a si próprias de todas as doenças, ler os pensamentos dos outros, prever o futuro distante e viver cem anos. Suponha-se que o seu rei era detentor de uma tecnologia extraordinariamente avançada. Não só conseguia ver a uma distância considerável através de um espelho de vidro, como também estudaria a vida noutros planetas através de claraboias munidas de lentes especiais. Os seus «cavalos de pedra com o poder do vento» fazem lembrar os modernos aviões.
e acordo com a profecia tibetana, Shambala terá trinta e dois reis, cada um deles governando durante cem anos. O primeiro reinou durante a vida de Buda, no século VI a.C. Espera-se que o último esmague as forças do mal com um grande exército e inaugure uma época aurea em todo o Mundo. Só então serão revelados os grandes mistérios de Shambala.



Fonte
Viagem ao Desconhecido das Selecções do reader's Digest


02/04/2016

Kenyanthropus platyops

Sabe-se muito pouco acerca do Kenyanthropus platyops. Tratava-se de uma espécie de rosto achatado, com um cérebro pequeno e bípede, que viveu há cerca de 3,5 milhões de anos atrás, no Quénia. O Kenyanthropus habitou a África ao mesmo tempo que a espécie de Lucy, o Australopithecus afarensis, e pode representar um ramo mais próximo dos humanos modernos que Lucy na árvore evolucionaria. Antes da descoberta do único crânio conhecido em 1999, o fóssil mais recente caracterizado por uma face achatada, o que implica uma mudança significativa na estrutura do crânio, remontava há cerca de 2 milhões de anos atrás.

Ao trabalhar na região oeste do Lago Turkana, na região de Lomekwi no norte do Quénia, em 1998 e 1999, Justus Erus, um assistente de investigação da equipa conduzida pela cientistas Meave Leaky, encontrou o crânio e outros restos fósseis de um hominídeo, cujos sedimentos vulcânicos onde os fósseis foram encontrados, foram datados entre 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás, durante o Plioceno, que apresentava uma mistura de características ainda não vistas noutros fósseis de humanos primitivos. Ao notar a combinação de traços pouco comuns, Leaky e a sua equipa nomearam um novo género e espécie, Kenyanthropus Platyops, que significa «homem de rosto plano do Quénia».

A espécie é apenas conhecida através  do crânio KNM-WT40000 encontrava-se separado em duas
partes, com a caixa craniana separada da face, em condições pouco favoráveis, pois o crânio apresentava-se esmagado e distorcido,  e de uma maxila parcial (maxilar superior e a maior parte da face), incluindo dentes. Já os outros fósseis encontrados em Lomekwi não foram atribuídos oficialmente ao Kenyanthropus platyops. O volume cerebral era de cerca de 350 cm cúbicos.
Os cientistas propuseram a definição do género Kenyanthropus, pois o crânio encontrado mostra uma mistura equilibrada de traços do Australopithecus afarensis e do Homo rudolfensis.
A densidade do esmalte dentário é semelhante ao do Australopithecus afarensis, apesar de mais grosso do que nos macacos atuais, no entanto mais fino que o do Paranthropus robustus; os tamanhos dos cérebros entre o Kenyanthropus e o Australopithecus afarensis também são muito semelhantes; os molares superiores, primeiro e segundo são mais pequenos do que em qualquer espécie do que em qualquer espécie do género Australopithecus, sendo as suas dimensões semelhantes às do Ardipithecus ramidus; o orifício auditivo externo dos Kenyanthropus platyops também eram menores do que os do Aust. afarensis, com dimensões semelhantes aos do Australopithecus anamensis, ao Ard. ramidus e aos chimpanzés. A morfologia facial do KNM-WT40000, os ossos da maxila, a bochecha, os locais de fixação do músculo masseter (músculo que fecha a boca) encontram-se posicionados muito mais para a frente do rosto do que no Aust. afarensis ou em qualquer outra espécie dos géneros Australopithecus e Ardipithecus; a parte do maxilar abaixo do nariz é igualmente diferente da espécie de Lucy e das outras anteriores, sendo plana de um lado para o outro e de cima para baixo. 
A face achatada do crânio é considerado o holotipo da espécie em questão, com os ossos das bochechas elevados, os pequenos dentes densamente esmaltados, que são traços encontrados em fósseis humanos posteriores como o Homo rudolfensis ou mesmo o Homo habilis, mas no entanto a distorção do KNM-WT40000 leva a que alguns paleoantropólogos acreditem que, na realidade, o crânio pertence a um individuo Australopithecus afarensis.
Uma vez que o fóssil KNM-WT40000 é o único individuo Kenyanthropus conhecido, isto faz com que seja difícil conhecer as características desta espécie.

Pouco se sabe acerca desta espécie, subsistindo ainda muitas questões:
  1. Quais seriam as dimensões do Kenyanthopus platyops? haveria uma grande diferença de tamanho entre os machos e fêmeas (dimorfismo sexual)?
  2. Encontra-se o Ken. Platyops mais próximo do homem moderno que os Aust. afarensis?
  3. Representará realmente o fóssil  KNM-WT40000 um novo género e uma nova espécie, ou são as características faciais o resultado de uma distorção causada por um processo de deposição?
  4. Qual seria o género do KNM-WT40000? os seus pequenos dentes são semelhantes aos de uma fêmea, mas as linhas temporal do crânio mostram uns músculos de mastigação mais largos, semelhantes aos de muitos dos machos de humanos primitivos.
  5. O KNM-WT 40000 é parecido com o KNM-ER 1470, outro crânio com um rosto achatado geralmente atribuído ao Homo rudolfensis. Será o Kenyanthropus platyops o ancestral do Homo rudolfensis?
Apesar de o Kenyanthropus platyops ter vivido ao mesmo tempo que o Australopithecus afarensis, os molares do primeiro são mais pequenos, o que sugere que as duas espécies tinham dietas muito diferentes e logo, não entrariam em competição pelos mesmos tipos de alimentos, embora ambos fossem, provavelmente, grandes consumidores de plantas.


Antes da descoberta do Kenyanthropus só se tinha encontrado uma única espécie humana primitiva, o Australopithecus afarensis, na África Oriental, no período de 4 a 3 milhões de anos atrás. A existência do Kenyanthropus reflete a diversidade das espécies humanas primitivas que viviam ao mesmo tempo.
Muitos cientistas pensam que o Australopithecus afarensis é o ancestral das espécies Homo e, consequentemente, dos humanos modernos, mas alguns cientistas sentem agora que o rosto achatado do Kenyanthropus platyops e arcadas supraorbitais menos pronunciadas, parecem estar mais próximas do Homo.



Fontes
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/kenyanthropus-platyops
http://www.avph.com.br/kenyanthropusplatyops.htm

Imagens: http://www.kenyanthropus.com/




01/04/2016

Os testemunhos do clima - Pequena Idade do Gelo

Os investigadores do clima desejariam ter arquivado os registos seculares do tempo. Mas apenas se guardam registos sistemáticos  pormenorizados desde há algumas décadas e apenas para algumas partes do globo. Trata-se de um período temporal demasiado curto para se discernir nestes registos alguma tendência. Para investigar a tendência do clima na Terra e fazer as previsões do clima no futuro, os cientistas tentam extrapolar os dados antigos através de um autêntico trabalho de detetives. Todos os restos de dados antigos sobre o clima do passado são reunidos pelos cientistas. estas estranhas pistas são testemunhos do clima na Antiguidade. São usados, em primeiro lugar, não para a previsão, mas para a história do clima.
Um exemplo da construção da história do clima é a forma como os arqueólogos modernos interpretam o cemitério nórdico perto do cabo Farewell. outro tipo de pistas são os lagos sedimentados de Bryson, próximo da Muralha dos Mortos.
A história do clima pode também ser uma ocupação mais animadora. Os críticos de arte acreditam, por exemplo, que no século XVII os mestres holandeses Rembradt van Rijn, Frans Hals e Jan Vermeer teriam utilizado uma certa liberdade artítica para pintar as famosas paisagens holandesas de Inverno, canais gelados cheios de patinadores. Mas Huug van den Dool, do Instituto de Meteorologia Real da Holanda, em De Bilt, estudou os antigos registos dos canais. Estes foram construídos no início do século XVII para ligar as maiores cidades da Holanda; desde 1633 que se guardam registos de viagens em lanchas. Parece que nessa altura, durante muitos Invernos, os canais estiveram congelados e intransitáveis de facto, às vezes por períodos que iam até aos três meses. Houve dezassete Invernos extremamente frios no século XVII. Os grandes pintores não mentiram.

O frio que se verificou nesse século é confirmado por outro tipo de testemunhos. Nos últimos 500 anos os produtores de vinho franceses têm escrito livros pormenorizados descrevendo a qualidade das suas colheitas. A estação de desenvolvimento da vinha estende-se desde o início da Primavera até ao começo do Outono. Se estiver calor e houver sol, as uvas amadurecerão depressa, mas se estiver frio e enevoado a colheita será tardia e pobre. Estas realidades são de extrema importancia tanto na climatologia quanto na gastronomia. O famoso historiador francês do clima, emmanuel Leroy Ladurie, passou anos a visitar as caves dos produtores vinícolas para obter dados para os seus velhos livros de registos. Ladurie verificou que os anos de 1617 a 1650 foram invulgarmente frios, tal como aconteceu na Holanda.
A partir destes e de outros factores é possível concluir que uma longa e irregular vaga de frio assolou durante algumas décadas grande parte do território europeu no século XVII. Este período ficou conhecido como Pequena Idade do Gelo, a qual também causou transtornos na América do Norte, onde se encontrou um registo de Invernos muito frios nos anéis de árvores antigas e também nos livros históricos (por exemplo, durante a guerra da revolução, em que se faziam rolar os canhões de ferro fundido pelos gelos da long Island Sound). Pode também ter sido o longo e lento estabelecimento da Pequena Idade do Gelo que impossibilitou a vida aos colonos nórdicos. Não são conhecidas as razões para esta vaga de frio, mas sabe-se que coincidiu com um período especial da vida do Sol, durante a qual os astrónomos detetaram uma escassez anormal de manchas solares. Dado que o aquecimento da atmosfera provém, em última análise, dos raios solares, alguns cientistas admitiram a existência de uma relação entre o século do gelo e o facto de o Sol praticamente não apresentar manchas. De acordo com algumas estimativas, há uma probabilidade de 10 a 30 por cento de que venha a ocorrer uma outra Pequena Idade do Gelo no próximo século.

Mas antes da espécie humana, apenas havia o testemunho da própria terra e de algumas impressões da vida primitiva no planeta. Até ao momento, os climatologistas têm encontrado alguns testemunhos importantes do género.
Na ilha norte da Nova Zelândia encontram-se bastantes cavernas de pedra calcária. Os geólogos, ao explorarem estas cavernas encontraram registos notáveis na pedra calcária. As estalactites, pendentes rochosos suspensos do tecto das cavernas, e as estalagmites, pequenas colunas que crescem a partir do chão, foram erigidas gota a gota pela água da chuva.Durante um longo tempo a água infiltra-se através dos tectos de pedra calcária da caverna pingando das estalactites, evaporando-se depois. Cada gota deixa um pequeníssimo resíduo de pedra calcária na extremidade inferior das estalactites, e na extremidade superior das estalagmites que estão por debaixo delas. Essas colunas de pedra crescem formando padrões tão bem proporcionados como os anéis de uma árvore ou os aluviões de um lago.
A água da chuva provém originalmente do mar; certas particularidades da composição da água dos mares são levemente alteradas ao longo do tempo. Por exemplo, a razão entre as quantidades de isótopos O18 e O19 varia de maneira tal que os especialistas conseguem inferir daí algo sobre o clima na altura da formaçao das estalagmites e das estalactites. Essa razão entre os isótopos é conservada na pedra calcária das cavernas, e a ordem da sua variação é preservada nas camadas ordenadas das colunas que ornamentam a caverna. Fazendo uma secção transversal de uma estalagmite e procedendo à análise dos isótopos nas camadas de pedra, é possível determinar aproximadamente a história do clima fora da caverna.
As estalagmites da Nova Zelândia sugeriram ao geólogo Chris Hendy que as temperaturas nesta zona do hemisfério sul teriam sido muito baixas no século XVII. A força dos dados é extraordinária, uma vez que a Europa e a Nova Zelândia encontram-se praticamente em lados opostos da Terra e os tipos de testemunho que levaram à mesma conclusão são muito diferentes. A descoberta de Hendy aumentou a curiosidade sobre a causa da Pequena Idade do gelo, dado que sugere que, se a vaga de frio não foi universal, foi bastante generalizada. 
Hendy procedeu à secção transversal de uma das mais antigas estalactites que descobriu numa caverna do litoral oeste da ilha norte. «Quando cortámos», disse ele, «verificámos que ela possuía um registo dos últimos 100.000 anos, 25.000 dos quais comprimidos nos últimos três centímetros. A estalactite estava ainda a crescer; as gots de água ainda estavam a cair dela; portanto, o registo estende-se diretamente até aos dias de hoje. este facto deu-nos uma excelente possibilidade de averiguar as grandes variações climáticas em toda a Nova Zelândia - e, na realidade, mesmo em todo o mundo.»
Estas longas histórias da natureza, sucessões de registos da história do clima, relatam acontecimentos que fazem a Pequena Idade do Gelo parecer um período ameno.


Imagens:
1) Paisagem de Inverno de Rembradt
2) Paisagem de Inverno com patinadores de Gelo, Hendrick Avercamp, c. 1608
3) Caverna de formação cárstica da Nova Zelândia (Maori Leap Cave, Kaikoura).


Fonte
Planeta Terra, Jonathan Weiner, editora Gradiva




Burquina Faso



Burquina Faso é um país no interior ocidental de África, com cerca de 274.200 Km2. Está rodeado por seis países: Mali, no norte; Níger a este; Benim a sudeste; Togo e Gana a sul e Costa do Marfim a Sudoeste. A capital de Burquina é Ouagadougou e em 2010 a população estava estimada em 15,75 Milhões de habitantes.
Anteriormente chamada República do Alto Volta, o país foi renomeado para "Burquina Faso" a 4 de Agosto de 1984 pelo então Presidente Thomas Sankara, usando uma palavra de uma das duas maiores línguas do país, mòoré e Dioula. Burquina pode ser traduzido do Mòoré como "homens de integridade", e Faso significa "pátria" em Dioula. Assim, Burquina Faso" pode ser traduzina como "Terra de gente integra". Os residentes de Burquina são conhecidos como burkinabè. O francês é a língua oficial do governo e usado no comércio.
Entre 14.000 e 5.000 a.C, a região a noroeste hoje pertencente a Burquina Faso era povoada por caçadores recolectores. Os primeiros assentamentos agrícolas apareceram entre 3.600 a 2.600 a.C.  O que é actualmente Burquina Faso era um território essencialmente composto por reinos Mossi. Em 1896 a França estabeleceu um protectorado sobre os reinos deste território.
Após ter obtido a independência de França em 1960, o país sofreu muitas mudanças de governo. Hoje em dia é um República Semi-Presidencial. Burquina é membro da União Africana, da Comunidade dos Estados do Sahel-Saara, da Francofonia, da Organização de Cooperação Islâmica e Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...