04/03/2016

Paranthropus aethiopicus

Esta espécie é um dos exemplos que poderão representar a problemática na classificação e identificação da evolução paralela, quando várias espécies independentes desenvolvem traços semelhantes, neste caso no registo fóssil hominídeo.
O Paranthropus aethiopicus continua, em grande parte, a ser um mistério para os paleoantropólagos, parte porque foram descobertos muitos poucos fósseis desta espécie.
A Caveira Negra (escurecida devido a minérios de manganésio) descoberta em 1985 por Alan Walker e Richard Leakey, com 2,5 milhões de anos, no Lago Turkana, no Quénia,  África Oriental, ajudou a definir esta espécie como o primeiro australopitecinio robusto conhecido.
O Par. aethiopicus apresenta uma face muito projectada, dentes bastante largos, uma maxila forte e uma crista sagital muito desenvolvida no topo do crânio, indicando músculos de mastigação bastante fortes, com ênfase nos músculos que ligavam a parte de trás da crista, criando forças de mastigação fortes sobre os dentes da frente.


Estima-se que tenham vivido entre 2,7 a 2,3 milhões de anos atrás, durante o Plioceno, na atual Etiópia e Quénia.
A espécie de Paranthopus aethiopicus foi proposta pela primeira vez em 1967 por uma equipa de paleontólogos franceses para descrever uma mandíbula  parcial (Omo 18) no sul da Etiópia, a oeste do rio Omo, sem dentes que se pensava diferir o suficiente das mandíbulas das primeiras espécies de hominídeos conhecidas na altura. No entanto esta nomeação de uma nova espécie foi descartada - muitos
paleoantropólagos achavam que era prematuro nomear uma nova espécie com base numa única mandíbula incompleta. Mas quando em 1985, Alan Walker e Richard Leakey descobriram a famosa Caveira Negra no oeste do Lago Turkana, no Quénia, a classificação reemergiu. Com a sua mistura de traços traços mais primitivos e derivados, o KNM-WT 17000 (Caveira Negra) validou, aos olhos de muitos cientistas, o reconhecimento de uma nova espécie de australopicineo "robusto" que datava de há pelo menos 2,5 milhões de anos, da África ocidental. Este crânio possui um volume de 410 cm cúbicos, o cérebro de menores dimensões já descoberto num hominídeo adulto. O crânio também apresenta a linha sagital mais definida que se conhece, a face mais prognática e molares extremamente grandes.
Foram encontrados outros fósseis relativos ao P. aethiopicus na bacia do rio Omo, na Etiópia e em Laetoli, na Tanzânia. Entre estes estão partes de crânio, esqueleto, uma maxila e vários dentes.

Não existem bases suficientes para fazer uma estimativa da altura e peso do P. aethiopicus. Um úmero (osso da parte superior do braço) massivo do Turkana ocidental e um cúbito (um dos ossos inferiores do braço) longo, de Omo, podem ser indicativos de um corpo largo.

Pouco se sabe acerca desta espécie, sendo várias as questões que se colocam sobre ela:

  1. Em que tipo de ambiente preferia o Paranthropus aethiopicus viver?
  2. É de facto a espécie mais próxima do Australopithecus afarensis, com o qual partilha muitas características, ou serão os outros australopicineos "robustos", como o P. boisei, que muitos cientistas pensam ser um descendente direto do P. aethiopicus?
  3. Quais seriam as dimensões desta espécie?
  4. Terá mostrado um forte dimorfismo sexual, como a maior parte dos australopitecineos desta época?

Muitas das características do crânio são semelhantes ao Australopithecus afarensis, e o P. aethiopicus pode ser um descendente deste. É, muito provavelmente, o ancestral da outra espécie de australopicineo "robusto" encontrada na África oriental, o Paranthropus boisei.


Na década de 1990, Randall Skelton da Universidade de Montana e Henry McHenry da Universidade da Califórnia chegaram a uma conclusão diferente relativamente às semelhanças ente o Homo e o Paranthropus. Estes sugeriram (PDF) que na realidade as duas linhagens herdaram as suas características partilhadas a partir de um ancestral comum, talvez a partir de uma espécie como o Australopithecus africanus da África do Sul. Segundo a sua opinião, o P. aethiopicus era demasiado primitivo para ser o ancestral do Homo. E de facto, o par argumentou que uma evolução paralela, e não uma ancestralidade comum, explicava todas as semelhanças que se encontram na Caveira Negra, e os P. boisei e  P. robustus - todas as três espécies devem ter tido dietas alimentares idênticas e, logo, desenvolveram uma força de mastigação semelhante. Neste cenário, o Paranthropus aethiopicus seria um desdobramento inicial da linhagem Australopithecus que não deixou nenhum descendente e deveria ser designada de Australopithecus aethiopicus.





Fontes:
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/paranthropus-aethiopicus
http://www.avph.com.br/paranthropusaethiopicus.htm
http://www.smithsonianmag.com/science-nature/what-was-the-black-skull-32900408/?no-ist


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