31/03/2016

Os profetas hebreus


A ideia generalizada de um profeta é a de alguém que prediz o futuro, no entanto os profetas bíblicos tinham uma característica especial - proclamavam verdades acerca de questões contemporâneas de cariz político, social e moral. Pregavam a virtude, sem nunca hesitar em anunciar calamidades caso a vontade de Deus fosse contrariada. As profecias do Antigo Testamento não deverão ser confundidas com adivinhação, prática geralmente desaprovada pelos Israelitas. Os profetas dos hebreus faziam a ponte entre Deus e os homens, anunciando e ensinando a vontade de Deus, e interpretando as Suas mensagens.
Para este povo, a profecia era o principal meio de educação espiritual. Os primeiros profetas hebreus foram os Naba'im, patriotas que incitavam os Israelitas a combater os seus inimigos pagãos. Foram os precursores dos profetas escritores, que podiam ser tanto gente do campo, como Amós, como estadistas aristocratas, como Isaías. As suas obras, datando do início da profecia escrita (c. 800-300 a.C.), representam um quarto do Antigo Testamento. Surgiram igualmente grupos conhecidos por »os filhos dos profetas» em várias cidades de Israel e Judá. Estas comunidades parecem ter tido objectivos teológicos, monásticos e de estudo - os seus membros recolheram e contaram das histórias dos profetas, até que chegou a altura de as passar a escrito.
Para  induzir acontecimentos fantásticos, os profetas utilizavam símbolos de autoridade, como o bastão ou o manto (como por exemplo quando Elias usou o seu manto para separar as águas do rio Jordão). Outros recorriam a técnicas pessoais - o trovador de Eliseu tocou até o fazer entrar em transe. 

A profecia viu a sua importância a diminuir após a conquista de Judá pela Babilónia, em 587 a.C., tendo Ezequiel sido um dos últimos grandes profetas.
Os profetas tinham quatro maneiras de predizer o futuro:

  1. Através de um conhecimento genuíno de acontecimentos futuros. Quando os Sírios cercaram Samaria, Eliseu prometeu que em determinado dia haveria alimentos para os esfomeados da cidade. Quando um homem troçou do profeta, este respondeu: «Verás com os teus próprios olhos, mas não comerás desse alimento.» Nessa mesma noite, Os Sírios entraram em pânico e fugiram, abandonando as suas provisões. Enquanto lutavam para se apoderarem dos alimentos dos Sírios, os Samaritanos espezinharam até à morte aquele que havia roçado do profeta.
  2. Outra forma, era quando os profetas profetizavam o desfecho de eventos contemporâneos. Jeremias, por exemplo, tentou avisar Sedecias, de Judá, de que confiar na ajuda dos Egípcios contra os Babilónios teria consequências desastrosas. Os conselhos do profeta não tiveram boa recepção, e ele acabou por ser preso por incitar à subversão. Jeremias viria a assistir à destruição de Judá, o que ele tentara evitar.
  3. Por vezes, os profetas viam o futuro distante, sobretudo a vinda do Dia do senhor. Nesse dia, anunciaram vários profetas, incluíndo Isaías, Deus julgaria as nações e criaria uma era áurea messiânica. A Terra ficaria «cheia do conhecimento da glória do Senhor, assim como as águas cobrem o mar.» E quando daniel sonhou com quatro grandes bestas que se erguiam de um mar revolto e com um tribunal divino em sessões de julgamento, isso simbilizava uma vitória temporária de um blasfemo, mas a vitória final seria de Deus e dos santos.
  4. Finalmente, a quarta forma de profecia, era quando o profeta proclamava uma verdade da qual não estava totalmente consciente. Exemplo disso é quando Isaías profetizou que «uma donzela conceberia.» Poderia estar a referir-se à sua própria mulher, mas, indirectamente, profetizou o nascimento de Cristo. O nome na criança - Emanuel, ou «Deus connosco» - também apontava a futura mensagem cristã. O capítulo 53 do Livro de Isaías é uma descrição muito fiel dos sofrimentos de Jesus, embora o profeta não tivesse «antevisto» especificamente Cristo. 
A importância dos profetas hebreus era enorme, e outros povos recorriam aos serviços destes, como por exemplo os faraóes egipcios, sendo que o profeta José interpretou várias vezes os sonhos do reinante.
Já os falsos profetas eram penalizados com a pena de morte.

Os principais profetas foram Adão, Abraão e Moisés, compartilhados tanto por hebreus quanto por cristãos. Podiam ser divididos em dois tipos:
  • Os Profetas Maiores - Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel
  • Os Profetas Menores - Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
Ainda existem aqueles que não se encontram relacionados a nenhuma obra, como são o aso de Elias e Eliseu.




Fontes
Viagem ao Desconhecido, Selecções do reader's Digest
http://www.infoescola.com/religiao/profetas/


1 comentário:

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...