28/03/2016

Os períodos da História dos Maias

Era Pré-Clássica: 2000 a.C. a 250 d.C.

O período Pré-Clássico (ou Formativo) na história da civilização Maia abrange o surgimento de algumas sociedades mais complexas que se subdivide, por sua vez, em três grandes subperíodos:

  1. Inicial (2000 a 1000 a.C.)
  2. Médio (1000 a 400 a.C)
  3. Recente (400 a. C. - 250 d.C)
A primeira grande civilização, a Olmeca, viveu o seu apogeu durante o segundo subperíodo, ao longo dos estuários pantanosos da costa do golfo do México. Considerada geralmente como a «cultura-mãe» da Mesoamérica, os conceitos e os estílos artisticos da Civilização Olmeca estenderam-se muito além do seu território-berço, tendo exercido grande influência nas sociedades Maia emergentes. Foi entre os Zapotecas, cuja civilização nasceu nas montanhas da região Oaxaca, que os retratos históricos se associaram pela primeira vez à escrita hiroglífica, por volta de 600 a.C. Já no terceiro subperíodo, desenvolveram-se os escritos por diversas zonas da Mesoamérica, sobretudo entre os sucessores dos Olmecas, os Epi-Olmecas e os Maias.
Foi por esta altura, que as sociedades distintas de Miraflores e Izapa nasceram, respetivamente, nas zonas montanhosas do Sul da região Maia e nos sopés costeiros. As estelas pictóricas descobertas na própria Izapa são notáveis por incluirem as primeiras cenas identificáveis da mitologia Maia. Ainda no ano 500 a.C., os Maias oriundos das florestas das terras baixas fundaram as suas primeiras cidades de grandes dimensões, erguendo no seu centro plataformas-templos pintados de vermelho e ornados com estátuas de deuses feitas de estuque decorado. Nakbe incluíra-se entre as primeiras, mas nos últimos tempos havia sido sumplantada por El Mirador, a maior concentração de arquitetura monumental alguma vez construída pelos Maias. Por razões ainda pouco claras, esta cultura exuberante observou o seu declínio por volta do século I d.C e a maior parte das suas cidades acabou por ser abandonada.
As principais características da última subdivisão - o uso do calendário de Longo Curso, a par da gravação de inscrições hieroglíficas e retratos históricos - refletiam o aparecimento de uma nova ideologia política e de um ideal de dinastia reinante. No território Maia, estes aspectos surgiram, pela primeira vez, na zona sul, entre 37 e 162 d.C.,  em locais como Kaminaljuyu, El Baúl e Abaj Takalik, enquanto as dinastias de estilo Clássico se estabeleciam, por sua vez, em Tikal, na zona central, por volta de 100 d.C.
Ainda se desconhecem as razões pelas quais se deu o declínio prematuro no Sul, e por volta do ano de 250, o fulgor da cultura Maia iria transferir-se para as terras baixas.



Era Clássica: 250 - 909 d.C.

A Era Clássica divide-se em dois subperíodos:

  • Clássica Inicial (250 - 600 d.C)
  • Clássica Recente (600 - 909 d.C)

Seria apenas no decurso dos seis séculos seguintes -e, predominantemente, na zona central - que a civilização Maia iria atingir o seu maior esplendor. No entanto, os Maias nunca estiveram alheios aos desenvolvimentos registados no México Central, que por esta altura era dominado pela vasta metrópole de Teotihuácan, que albergava, no seu apogeu, mais de 125 000 habitantes. Poucas, senão mesmo nenhuma parte da Mesoamérica escapou ao seu poderio cultural, político e económico, e o seu invulgar e geométrico estilo artístico e arquitetónico pode hoje ser observado em todas as regiões Maias. Havia contactos diretos, durante o século IV d.C., quando Kaminaljuyu foi revitalizada sob a pesada influência Teotihuacán, e uma faixa das terras baixas acabou por submeter-se, ainda que por pouco tempo, ao dominío político daquela.
Foi no subperíodo Recente (distinguido quase exclusivamente  pelo estilo artístico) que a Civilização Maia atingiu o seu pico populacional, a sua maior complexidade social e o seu apogeu artístico e intelectual. No entanto, este sucesso não durou muito e, em 800, começaram a surgir fortes sinais de decadência: as dinastias começaram a entrar em colapso e os níveis populacionais sofreram um declínio acentuado. Esta era conturbada teve o seu epílogo na última data registada no calendário de Longo Curso, em 909 d.C. Mas a crise não se refletiu de imediato a norte, onde cidades como Chichen-Itzá e Uxmal ainda mostravam sinais de crescimento.
Tikal


Era Pós-Clássica: 909 -1697 d.C.

Esta Era divide-se em dois subperíodos:
  • Pós-Clássico Primitivo (909-1200)
  • Pós-Clássico Recente (1200-1697)
No início do primeiro subperíodo as populações  Maias concentravam-se em grande número nas zonas norte e sul, enquanto os antigos territórios do Centro tinham uma baixa população. Chichen-Itzá continuava a ser um poder regional no norte, evidenciando, agora, estreitas ligações aos novos senhores do México Central, os Toltecas. A arquitetura hibrida Maia-Mexicana de Chichen reflete a sua faceta cosmopolita, enquanto as fontes históricas falam de uma vasta influência política. Já o segundo subperíodo testemunhou o declínio de Chichen-Itzá e, por último, a sua substituição por Mayapan. Esta ainda reinou sobre, pelo menos, alguns dos antigos dominios de Chichen, até que disturbios internos levaram ao seu abandono, por colta de 1441. Na zona sul, na última fase do Período Clássico, houvera grandes movimentos populacionais, com a chegada de gente do Ociedente que criou uma série de pequenos Estados. O mais poderoso destes foi o de Quiche, embora tenha sido tomado em 1475 pelos seus antigos súbditos, os Cakchiquel.
O período Pós-Clássico terminou no México com a queda do famoso Império Asteca às mãos dos invasores espanhóis e dos seus aliados locais, em 1521. Mas a resistência Maia mostrou grande tenacidade e só a muito custo é que os espanhóis conseguiram subjugar as comunidades do sul, em 1527, e os seus irmãos do norte, em 1546.
Os reinos Maias das florestas isoladas da América Central foram ainda mais resistente, só sendo conquistados em 1697.



Curiosidade
Atualmente ainda subistem mais de sete milhões de maias nas suas regiões originais, mantendo viva grande parte da sua cultura. Os idiomas maias (vinte) também é utilizado por grande parte desta população.







Fontes
Crónicas dos Reis e Rainhas Maias, Simon Martin e Nikolai Grube, Editora Verbo, 2004
http://hypescience.com/21479-10-incriveis-fatos-sobre-a-civilizacao-maia/
Imagens: Google

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...