30/03/2016

O destino nas estrelas


Os seres humanos sempre se interessaram por saber o que o futuro lhes reservava. Há pelo menos 50.000 anos atrás, o povo Cro-Magnon, que fazia entalhes em ossos para marcar as estações, pode ter tentado decifrar o que via no céu nocturno. Alguns dos historiadores da astrologia sugerem que os habitantes da antiga Suméria terão inventado a astrologia por volta de 3.000 a.C, enquanto estudavam os céus. Outros acreditam que a astrologia nasceu de um misterioso sistema destinado à compreensão do Universo que foi comunicado aos seres humanos por poderes mais elevados.
A astrologia terá tido início com o estudo dos presságios, ou omina. Na Babilónia, muito antes de 2.000 a.C., os adivinhos interpretavam os eclipses da Lua como sinais de infortúnio para o rei ou para o Estado. O texto de presságio mais antigo que chegou até à atualidade alerta o rei para olhar para sul e observar o eclipse, que aparentemente prediria  a destruição de Ur em 2.400 a.C. Por volta de 700 a.C., havia uma rede de observadores de tais presságios espalhada por todo o Império Assírio. Esses homens interpretavam os fenómenos naturais como provas dos movimentos das principais divindades - Sin (a Lua), Shamash (o Sol), Adad (o tempo) e Ishtar (o planeta Vénus).
Os adivinhos da Babilónia terão sido, provavelmente, os primeiros a observar os presságios relacionados com o nascimento, mas é aos antigos gregos que habitualmente se atribui a invenção da astrologia nata, ou helenístca, precursora do moderno sistema ocidental.. Na Grécia antiga, os horoscópos pessoais eram determinados pelas posições das estrelas, planetas, Sol e Lua no momento do nascimento - a palavra «horóscopo» deriva do grego «eu olho para a hora». Platão e Aristóteles, filósofos gregos do século IV a.C., associavam o Universo ao individuo, baseando-se no princípio de «tal como no alto, assim é em baixo», considerando a Terra o Centro do Universo. Com base nas suas teorias, o circulo dentro do qual o Sol parecia deslocar-se à volta da Terra estava dividido em 12 sectores, ou casas, cada um dos quais representado por um signo do zodíaco. Cada casa estava associada a um planeta e a um elemento. Acreditava-se que os planetas, de caracteristicas muito diversas, exerciam graus variáveis de influência sobre o recém-nascido, consoante a sua localização em cada casa no momento do nascimento.

A astrologia natal desenvolveu-se na Grécia e no Egipto sob o domínio grego, existindo horóscopos inscritos em túmulos egipcios desse período. Alexandre, o Grande, levou consigo a astrologia na sua rota conquistadora.
Os Romanos, incluindo alguns dos seus imperadores, dependiam muito dos textos e práticas de astrologia que prediziam os acontecimentos políticos. Na própria Roma, havia astrólogos profissionais a trabalharem nas ruas da cidade. Se os clientes não sabiam exactamente a data e hora do seu nascimento, o astrólogo atirava um pau ao acaso sobre um plano do zodíaco, e o ponto onde ele caísse tornava-se o ascendente, ou signo do cliente.

Astrologia chinesa
Na antiga China, também se praticava uma forma de astrologia. Por volta de 2.000 a.C., os Chineses consideravam os seus imperadores sumos sacerdotes dos céus. Os sectores do palácio do imperador estavam relacionados com os principais pontos cardeais e com certos dias-chave, como o mais longo e o mais curto. No início de cada estação, a familia imperial mudava-se para o sector apropriado do edificio. As formas primitivas de astrologia foram mais tarde suplantadas por uma única baseada numa cosmologia chinesa, fases da Lua, divisões do equador e secções traçadas à volta do Globo. Tal como a astrologia helénica, tinha por base o conceito de um circulo dividido em sectores, mas, em vez de serem designados pelos nomes de planetas, os signos recebiam o nome de seres vivos, como o rato e o tigre.
Quando os imperadores romanos proibiram a adivinhação nos séculos IV e V da era cristã, a astrologia já não podia ser praticada. Com a difusão do cristianismo, as atitudes em relação à astrologia mudaram. Contudo, a astrologia natal prosperou por todo o resto do mundo, desenvolvendo características locais e adaptando-se a diversas preferencias religiosas e sociais. Foi fortemente implantada na Índia e no Irão, estendeu-se a Bizâncio e influenciou o Islão. Isoladas das influencias ocidentais, as civilizaçoes maia e asteca da América do Sul desenvolveram os seus próprios sistemas, surpreendentemente semelhantes, tal como fizeram os Japoneses.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...