22/03/2016

Australophitecus africanus

O Australophitecus africanus cujo nome "Australophitecus" tem origem no latim australis "do sul" e no grego pithecus "macaco" e africanus é relativo ao local onde foi encontrado. Tratou-se de um primata  anatomicamente semelhante ao Australipithecus afarensis, embora com uma dimensão corporal ligeiramente superior. Este Australopithecus apresenta uma combinação de características tipo humanas com outras simiescas. Comparativamente ao Aust. afarensis, o Aust. africanus tinha um crânio mais redondo, que alojava um cérebro maior, talvez entre os 420 e os 450 cc (estas dimensões são ligeiramente superiores às dos chimpanzés, apesar da massa corporal semelhante, mas não suficientemente evolucionadas para permitirem o desenvolvimento da fala), e dentes mais pequenos. Mas apresentava igualmente traços mais primitivos que incluíam os braços relativamente longos e um rosto fortemente projetado debaixo de uma caixa craniana com uma mandíbula pronunciada. Tal como no Aust. afarensis, a pélvis, o fémur (parte superior da perna), e os ossos dos pés do Aust. africanus indicam que era bípede, mas os ombros e ossos das mãos indicam que também trepavam às árvores.
Apesar dos dentes e dos maxilares serem bastante maiores que os dos humanos, esta espécie encontra-se morfologicamente mais próxima dos humanos do que dos macacos.
Viveram na África do Sul há aproximadamente 3,3 a 2,1 milhões de anos atrás, durante o  Pleistoceno, nas florestas e savanas abertas da África.

A Criança de Taung, descoberta em 1924, foi a causa do estabelecimento do facto que haviam fósseis dos Australophitecus africanus (que significa macaco austral africano). 
Crânio da Criança de Taung
primeiros humanos na África. Após o Prof. Raymond Dart ter descrito a espécie nomeou-o de
Dart pensou que o crânio pertenceria ao "elo perdido" da evolução entre macacos e o homem, devido ao forame magno (buraco na base do crânio onde a medula espinhal conecta com o cérebro, o que é visto nos humanos e noutros hominídeos biédes), assim como devido ao pequeno volume do crânio, mas com uma dentição relativamente próxima dos humanos e a possibilidade de marcha erecta.

Por esta descoberta se ter dado no princípio da época das descobertas, esta revelação foi muito criticada pelos cientistas da época, entre os quais Sir Arthur Keith, que defendia que se tratava do crânio de um pequeno gorila, pois não acreditava que o "berço da humanidade" pudesse ter sido em África. Esta crença devia-se em parte aos fósseis de um crânio e mandíbula encontrados em Inglaterra, chamado o Homem de Piltdown, que tinha um cérebro grande como um humano, mas uma mandíbula de dentes mais primitivos, idênticos aos de um macaco. Este fóssil serviu para alimentar a crença dos cientistas de que a grande mudança entre humanos seria observada primeiramente a nível cerebral; assim como a ideia de que esta mudança ter-se-ia dado na Europa, o que ia de encontro às visões eurocêntricas da evolução humana, partilhada por muitos cientistas. Com o tempo, o fóssil de Piltdown foi desmascarado e verificou tratar-se  apenas do crânio de um humano e uma mandíbula de um orangotango com os dentes limados, mas durante a primeira  parte do século XX o Homem de Piltdown foi considerado o melhor exemplo de um membro do elo que ligava macacos e humanos.
As novas descobertas da década de 1930, efectuadas por Robert Broom em Swarkrans, confirmaram as conclusões de Dart, mas ainda assim levou mais de vinte anos até que a generalidade da comunidade científica aceitasse o Australophitecus como membro da família humana, o que só aconteceu depois de 1950 aquando da descoberta de novos fósseis (outros crânios e partes de crânios) nas cavernas calcárias em Sterfontein, Taung e Makapansgat, todos na África do Sul.

A morfologia desta espécie é idêntica à do Australophitecus afarensis, em que ambos possuem corpos pequenos comparativamente a outros hominídeos posteriores, apresentam as estruturas pélvicas e adaptações nas pernas e pés que os caracterizam como bípedes, possuem uma bacia ampla, joelho dobrado abaixo do corpo e falanges curvas; no entanto, as duas espécies mostram diferenças importantes no crânio, onde o cérebro do A. africanus é levemente maior do que o do A. afarensis. As diferenças também são visíveis a nível dos dentes, com os pré-molares maiores no africanus e os incisivos e caninos maiores no afarensis - características que partilha com os membros do género Paranthopus. A face do africanus era menos prognática, a base do crânio mais angulada no centro; possuíam um osso frontal (da testa) alto, a parte traseira do crânio era maior e mais arredondada, traços estes que tornam o A. africanus mais semelhantes ao género Homo, o que torna o A. africanus uma espécie difícil de posicionar na linhagem dos hominídeos.
Estas características sugerem que o A. africanus pode ter evoluído a partir do A. afarensis ou de algum outro hominídeo semelhante ainda desconhecido; porém o A. africanus é antigo o suficiente para ser o antepassado de diversos hominídeos, sendo que a sua situação se complica devido ao nível de variação observada entre os indivíduos da mesma espécie, assim como a variação no tamanho do molar e na estrutura facial, o que indica que poderiam ser reclassificados como duas espécies diferentes ou apenas tendo um grande dimorfismo sexual. 
No entanto, muitos cientistas consideram que ou esta espécie ou o Aust. afarensis da África do Leste será um candidato viável à posição de ancestral do género Homo.
Os machos tinham uma média de 138 cm e 41 kg e as fêmeas 115 cm e 30 kg.

Questões que se colocam quanto ao Australophitecus africanus:

  • O Australophitecus africanus é atualmente o humano primitivo mais antigo que se conhece do sul de África. De onde veio? Era um descendente do Australophitecus afarensis da África Oriental?
  • É o Aust. africanus parte da linhagem que levou à nossa própria espécie, Homo sapiens?
  • Em 1994, o cientista Ron Clarke encontrou quatro ossos do pé esquerdo de humanos primitivos em Sterkfonteir, um local  da África do Sul, de onde vieram a maior parte dos fósseis do Aus.africanus. Nomeou estes fósseis de "Pé Pequeno". Constatou-se que se tratava de um esqueleto parcial de um  hominídeo com 3,3 milhões de anos, sendo que a maioria está incorporado nos sedimentos de uma caverna.Quando este fóssil estiver completo irá lançar luz sobre várias questões acerca desta espécie (se for designada como sendo um indivíduo Aust. africanus): Quão grande era? Como se parecia  o seu esqueleto pós-craniano? Como se compara com outro esqueleto parcial, o STS14, de um Aust. africanus?

Não foram encontradas ferramentas de pedra nos mesmos sedimentos onde se encontravam os restos do Aust. africanus, no entanto, por um longo período de tempo os investigadores acreditaram que o Aust. africanus havia sido um caçador. Raimond Darte criou o termo "cultura osteodontokeratica" (osteo = osso; donto = dente; keratica = chifre) nas décadas de 1940 e 1950, por terem sido encontrados restos desta espécie juntamente com ossos partidos de animais. Dart assumiu que estes ossos partidos destes animais, dentes e chifres, teriam sido usados como armas; no entanto nas décadas de 1970 e 1980, outros cientistas começaram a reconhecer que predadores como leões, leopardos e hienas eram os verdadeiros responsáveis por deixarem estes ossos fraturados e estes predadores incluíram na sua dieta o Australophitecus africanus.
A dieta do Aust. africanus era semelhante à dos chimpanzés atuais, consistindo em frutas, plantas, nozes, sementes, raízes, insectos e ovos.



Os Australopithecus africanus e afarensis são conhecidos como Australopithecus gráceis, devido à sua relativamente débil estrutura, em especial o crânio e os dentes. Apesar desta classificação generalista, este género continua a ser globalmente mais robusta que o Homem atual.





Fontes:
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/australopithecus-africanus
http://www.avph.com.br/australopithecusafricanus.htm
http://www.infopedia.pt/$australopithecus-africanus

Imagens: Google


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