08/03/2016

Angola


País situado na costa ocidental de África, com o território limitado a norte e a nordeste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste pelo oceano Atlântico. Também inclui o enclave de Cabinda, através do qual faz fronteira com a República do Congo a norte.

Desde o século XV que o território angolano teve a presença portuguesa, tendo sido uma antiga colónia de Portugal até ao ano de 1975. O primeiro europeu à costa angolana foi o explorador português Diogo Cão.

O nome "Angola" é uma derivação portuguesa do termo bantu N'gola, título dos reis do Reino do Ngongo existente na altura em que os portugueses se estavam a estabelecer em Luanda, no século XVI.


A capital e maior cidade do país é Luanda.
Angola é o segundo maior produtor de petróleo e exportador de diamantes da África Subsariana.
A economia do país tem tido um crescimento substancial, no entanto o índice de corrupção é um dos mais elevados do mundo, e o seu desenvolvimento humano é muito baixo.
No ano de 2000 foi assinado um acordo de paz com a FCLC, uma frente de guerrilha que luta pela secessão de Cabinda e que ainda se encontra ativa. É da região de Cabinda que sai cerca de 65% do petróleo angolano.


História

Os habitantes originais do território atual de Angola foram caçadores-colectores Khoisan, dispersos e pouco numerosos. A expansão dos povos Bantu, chegados do Norte a partir do segundo milénio, forçou os Khoisan (quando não eram absorvidos) a recuar para o sul, onde existem ainda hoje grupos residuais, em Angola, na Namíbia e no Botswana.

Os bantu eram agricultores e caçadores. A sua expansão, a partir da África Centro-Ocidental, deu-se em pequenos grupos que se relocalizaram de acordo com as circunstâncias político-económicas e ecológicas. Entre os séculos XIV e XVII, foram estabelecidos uma série de reinos, sendo o principal o Reino do Congo o qual abrangeu o qual abrangeu o Noroeste da Angola de hoje e uma faixa adjacente da atual República Democrárica do Congo, da República do Congo e do Gabão; a sua capital situava-se em M'Banza Kongo e o seu 

apogeu deu-se durante os séculos XIII e XIV. Outro reino importante foi o Reino do Ndongo, cobrindo, na altura, o sul e sudeste do Reino do Congo. No nordeste da Angola atual, mas com o seu centro no sul da atual República Democrática do Congo, constitui-se, sem contacto com os reinos atrás referidos, o Reino da Lunda. 

Em 1482 chegou ao foz do rio Congo uma frota portuguesa, comandada pelo navegador Diogo Cão que de imediato estabeleceu relações com o Reino do Congo. Este foi o primeiro contacto de europeus com habitantes do território hoje abrangido por Angola, contacto este que viria a ser determinante para o futuro deste território e das suas populações.

  • Presença colonial no litoral, secs. XVI a XIX
A partir do fim  do século XV, Portugal seguiu na região uma dupla estratégia. Por um lado, marcou continuamente presença no Reino do Congo, por intermédio de (sempre poucos, mas influentes) padres cultos (portugueses e italianos) que promoveram uma lenta cristianização e introduziram elementos da cultura europeia. Por outro , estabeleceu em 1575 uma feitoria em Luanda, num ponto de fácil acesso ao mar e à proximidade dos reinos do Congo e do Ndongo. Gradualmente, tomaram o controle, através de uma série de tratados e guerras, de uma faixa que se estendia de Luanda em direção do Reino do Ndongo. Este território, de uma dimensão ainda bastante limitada, passou mais tarde a ser designado de Angola. Por intermédio dos Reinos do Congo, do Ndongo e da Matamba, Luanda desenvolveu um tráfico de escravos com destino a Portugal, ao Brasil e à América Central que passou a constituir a sua base económica.
Os holandeses ocuparam Angola entre 1641 e 1648, procurando estabelecer alianças com os estados africanos da região. Em 1648, Portugal retomou Luanda e iniciou um processo de conquista militar dos Estados do Congo e Ndongo que terminou com a vitória dos portugueses em 1671, redundando num controle sobre aqueles reinos.

Entretanto, Portugal tinha começado a estender a sua presença no litoral em direção ao sul. Em 1657 estabeleceu uma povoação perto da atual cidade de Porto Aboim, transferida em 1617 para a atual Benguela que se tornou numa segunda feitoria, independente da de Luanda. Benguela assumiu aos poucos o controle sobre um pequeno território a norte e a leste, e iniciou por sua vez um tráfego de escravos, com a ajuda de intermediários africanos radicados no Planalto Central da atual Angola.
  • Penetração colonial do interior, sec. XVIII e XIX
Embora tenha, desde o início da sua presença em Luanda e Benguela, havido ocasionais incursões dos portugueses para lá dos pequenos territórios sob o seu controle, os esforços sérios de penetração tiveram apenas no início do século XIX, com um abrandamento neste mesmo século, mas com um recomeço mais vigoroso nas últimas décadas do século. Estes avanços eram em parte militares, visando o estabelecimento de um domínio duradouro sobre determinadas regiões, e tiveram geralmente que vencer pelas armas, uma resistência maior ou menor das respetivas populações. Noutros casos tratou-se, no entanto, apenas de criar postos avançados destinados a facilitar a extensão de redes comerciais. Foram desenvolvidas formas particulares de penetração no sul, a partir de Moçamedes (hoje Namibe). No século XIX  deu-se a implantação das primeiras missões católicas além dos perímetros controlados por Luanda e Benguela. No momento em que se realizou em 1884/85 a Conferência de Berlim, destinada a acertar a distribuição de África entre as potências coloniais, Portugal pode portanto fazer valer uma presença secular em dois pontos do litoral, e uma presença mais recente (administrativa/militar, comercial, missionária) numa série de pontos do interior, mas estava muito longe de uma "ocupação" efetiva do território hoje abrangido por Angola.
  • Ocupação sistemática do território, sec. XIX e XX
Perante a ameaça das outras potências coloniais, de se apropriarem de partes do território reclamado por Portugal, este país iniciou finalmente, na sequência da Conferência de Berlim, um esforço que visava a ocupação de todo o território da atual Angola. Dados os seus recursos limitados, os progressos neste sentido foram, no entanto, lentos: ainda em 1906, apenas 5 a 6%  dos territórios podiam, com alguma razão, ser considerados "efetivamente ocupados". Só depois do advento da República em Portugal, em 1910, a expansão do Estado colonial avançou de forma mais consequente. Em meados dos anos de 1920 estava alcançado um domínio integral do território, muito embora houvesse ainda em 1941 um breve surto de "resistência primária", da parte da etnia Vakuval. Embora lento, este esforço de ocupação não deixou, porém, de provocar novas dinâmicas sociais.
  • Dominação colonial e luta anti-colonial, 1926 a 1974
Alcançada a desejada "ocupação efetiva" Portugal concentrou-se em Angola na consolidação do Estado colonial. Esta meta foi atingida com alguma eficácia. A administração colocada baseou o funcionamento da economia em dois pilares: o de uma emigração portuguesa que, em poucas décadas, fez subir a população europeia para mais de 100.000 europeus, com uma forte componente empresarial, e o de uma população africana sem direito à sua cidadania, na sua maioria (com exceção dos povos agro-pastorais do sul). Remetida para uma pequena agricultura orientada para os produtos exigidos pelo colonizador (café, milho, sisal), pagando impostos e taxas de várias ordens, e muitas vezes obrigada, por circunstâncias económicas e/ou pressão administrativa, a aceitar trabalhos assalariados geralmente mal pagos.
Nos anos de 1950 começou a articular-se uma resistência multifacetada contra a dominação colonial, impulsionada pela descolonização que se havia iniciado no continente africano, depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Logo depois do início do conflito armado em 1961, uma "ala liberal" no seio da política portuguesa impôs uma reorientação incisiva da política colonial. Revogando já em 1962 o Estatuto  do Indigenato e outras disposições discriminatórias, Portugal concedeu direitos de cidadão a todos os habitantes de Angola que de "colónia" passou a "província" e mais tarde a "Estado de Angola". Ao mesmo tempo expandiu enormemente o sistema de ensino, dando assim à população negra possibilidades inteiramente novas de mobilidade social - pela escolarização e a seguir por empregos na função pública e na economia privada. O objetivo era o de ganhar as "mentes e corações" das populações angolanas para o modelo de uma Angola multi-racial que continuasse a fazer parte de Portugal, ou ficar estritamente ligado à Metrópole.

Esta opção foi, no entanto, rejeitada pelos três movimentos de Libertação (Movimento Popular de Libertação de Angola - MPLA; Frente Nacional de Libertação de Angola - FNLA; UniãoNacional para a Independência Total de Angola - UNITA) que continuaram a sua luta.
No entanto, começaram a registar-se mais retrocessos do que progressos, e nos primeiros anos de 1970 as hipóteses de conseguir a independência pelas armas tornaram-se muito fracas. A situação alterou-se quando em Abril de 1974 se deu em Portugal a Revolução dos Cravos, um golpe militar que pôs fim à ditadura em Portugal. Os novos detentores do poder proclamaram de imediato a sua intenção de permitir sem demora acesso das colónias portuguesas à independência.
Processo de descolonização (1974-1975)
perspectiva da independência provocada pela Revolução dos Cravos e a cessação imediata dos combates por parte das forças militares portuguesas em Angola, levou a uma acirrada luta pelo poder entre os três movimentos e os seus aliados.
O conflito armado levou à saída da maior parte dos cerca de 350.000 portugueses que na altura estavam radicados em Angola. Estes constituíam a maior parte dos quadros do território, o que levou a que a administração pública, a indústria, a agricultura e o comércio entrassem em colapso. Por outro lado os Ovimbundu que tinham sido recrutados pela administração colonial para trabalhar nas plantações de café e tabaco e nas minas de diamante do norte, também decidiram voltar às suas terras de origem no planalto central. A outrora próspera economia angolana caiu assim em decadência.
A 11 de Novembro de 1975 foi proclamada a independência de Angola.
  • Angola Independente (desde 1975)
Com a independência de Angola, começaram dois processos que se condicionaram mutuamente:
  1. O MPLA (que em 1977 adoptou o marxismo-leninismo como doutrina) estabeleceu um regime político e económico inspirado pelo modelo então em vigor nos países do "bloco socialista", portanto monopartidário e baseado numa economia estatal de planificação central. Enquanto a componente política deste regime chegou a funcionar dentro dos moldes postulados, a economia foi fortemente prejudicada pelos conflitos armados. 
  2. Logo após a declaração da independência começou a Guerra Civil Angolana entre os três movimentos, uma vez que a FNLA e, sobretudo, a UNITA não se conformaram nem com a sua derrota militar nem com a sua exclusão do sistema político. Esta guerra durou até 2002 e terminou com a morte, em combate, do líder histórico da UNITA, Jonas Savimbi. Assumindo raramente o caráceter de uma guerra "regular", consistiu essencialmente numa guerra de guerrilha que nos anos de 1990 envolveu praticamente o país todo. Fez milhares de mortos e feridos e a destruição de vulto em aldeia, cidades e infraestruturas. Uma parte considerável da população rural, principalmente a do Planalto Central e de algumas regiões do Leste, fugiu para as cidades ou para outras regiões, inclusive países vizinhos.
No fim dos anos de 1990, o MPLA decidiu abandonar a doutrina marxista-leninista e mudar o regime para um sistema de democracia multipartidária e uma economia de mercado. A UNITA e a FNLA aceitaram participar no novo regime e concorreram às primeiras eleições realizadas em Angola, em 1992, nas quais o MPLA saiu como vencedor. Não aceitando os resultados destas eleições, a UNITA retomou de imediato a guerra, mas participou ao mesmo tempo no sistema político.
Logo a seguir à morte de Jonas Savimbi, a UNITA abandonou as armas, sendo os seus militares desmobilizados ou integrados nas Forças Armadas Angolanas. Tal como a FNLA, passou a concentrar-se na participação, como partido, no parlamento e outras instâncias políticas. Na situação de paz, depois de quatro décadas de conflito armado, começou a reconstrução do país e, graças a um notável crescimento da economia, um desenvolvimento globalmente bastante acentuado, mas por enquanto com fortes disparidades regionais e desigualdades sociais. A paz está também a favorecer a consolidação de uma identidade social abrangente, "nacional", que começou a formar-se gradualmente a partir dos anos 1950.
Politicamente, continua a haver um forte predomínio do MPLA, que obteve claras maiorias parlamentares nas eleições realizadas em 1992, 2008 e 2012, garantindo a permanência nas funções de Presidente do Estado, desde 1979, do presidente do partido, José Eduardo dos Santos. Enquanto a FNLA desapareceu praticamente de cena, a UNITA consolidou, nas eleições de 2012, a sua posição como principal partido da oposição.

Geografia

 Angola situa-se na costa atlântica do sul da África Ocidental, entre a Namíbia e o Congo. Também faz fronteira com a República Democrática do Congo e a Zâmbia, a oriente. O país está dividido entre uma faixa costeira árida, que se estende desde a Namíbia chegando praticamente até Luanda, um planalto interior húmido, uma savana seca no interior sul e sudeste, e floresta tropical no norte e em Cabinda. O rio Zambeze e vários afluentes do rio Congo têm as suas nascentes em Angola. A faixa costeira é temperada pela corrente fria de Benguela. Existe uma estação de chuvas curta, de Fevereiro a Abril. Os Verões são quentes e secos, os Invernos são temperados. As terras altas do interior têm um clima suave com uma estação de chuvas que vai de Novembro a Abril, à qual se segue uma estação seca, mais fria, de Maio a Outubro. As altitudes variam bastante, encontrando-se as zonas mais interiores entre os 1.000 3 os 2.000 metros. 
As regiões do norte e de Cabinda têm chuvas ao longo de quase todo o ano. A maioria dos rios de Angola nasce no planalto de Bié, os principais são: o Kwanza, o Cuango, o Cuando, o Cubango e o Cuneve.

Clima

Angola, apesar de se localizar numa zona tropical, tem um clima que não é caracterizado para essa região, devido à confluência de três factores:
  • A corrente de Benguela, fria, ao longo da parte sul da Costa;
  • O relevo no interior;
  • Influencia do deserto de Namíbe, a sudeste.
Consequentemente, o clima em Angola é caracterizado por duas estações: a das chuvas, de Outubro a Abril e a seca, conhecida por Cacimbo, de Maio a Agosto, mais seca e com temperaturas mais baixas. Por outro lado, enquanto a orla costeira apresenta índices elevados de pluviosidade, que vão decrescento de Norte para Sul e dos 800 mm para os 50 mm, com temperaturas médias anuais acima dos 23º, a zona do interior pode ser dividida em três partes:
  • Norte - com grande pluviosidade e temperaturas altas;
  • Planalto Central - tem uma estação seca e temperaturas médias na ordem dos 19ºC;
  • Sul - apresenta amplitudes térmicas bastante acentuadas, devido à proximidade do Deserto do Kalahari e à influência de massas de ar tropical.

Demografia

População

Em 2012 estimou-se a população de Angola, como tendo 18.056.072 habitantes. Composta por:
  • 37% de ovimbundos (língua umbundu)
  • 25% de ambundos (língua kimbundu)
  • 13% de bakongos
  • 32% outros grupos étnicos (côkwes, ovambos, mbundas,xindongas)
  • 2% mestiços (europeus com africanos)
  • 1,4% chineses
  • 1% europeus
As etnias ambundu e ovimbundu formam, combinadas, a maioria da população (62%). Estima-se que a população do país ultrapassará os 47 milhões de habitantes em 2060.

O último censo oficial foi realizado em 1970 e mostrou que a população total era de 5,6 milhões de habitantes. O próximo censo  será realizado em 2014.
Estima-se que Angola tenha recebido mais de doze mil refugiados e cerca de três mil requerentes de asilo até ao final de 2007, cerca de onze mil desses refugiados eram originários da República do Congo (RDC) que chegaram em 1970.
Desde 2003 que mais de 400 mil habitantes congolenses foram expulsos de Angola. Antes da independência, em 1975, Angola tinha cerca de 350 mil portugueses. Atualmente, em 2013, são cerca de 200 mil portugueses registados no consulado, e em número crescente devido à crise económica. A população chinesa é composta por 258.920 trabalhadores, na sua maioria residentes temporários.
A taxa de fecundidade total do país é de 5,54 filhos por mulher (estimativa de 2012), a 11ª maior do mundo.

Idiomas


O português á a língua oficial de Angola. De entre os idiomas africanos falados no país, alguns têm o estatuto de línguas oficiais. Esses idiomas, assim como outros, são falados pelas respetivas etnias.
A língua nacional com mais falantes em Angola é o umbundu, falado pelos Ovímbundu na região centro-sul de Angola e em muitos meios urbanos. É a língua materna de cerca de um terço dos angolanos.
o kimbundu (ou quimbundu) é a segunda língua nacional mais falada - por cerca de uma quarta parte da população, os Ambundos, que vivem na zona centro-norte, no eixo Luanda-Malanje e no Kwanza Sul. É uma língua com grande relevância por ser a língua da capital e do antigo Reino de Ndongo. Foi esta língua que deu muitos vocábulos à língua portuguesa e vice-versa.
O kikongo (ou quicongo) falado no norte, (Ulge e Zaire) tem diversos dialetos. Era a língua do antigo Reino do Kongo, e com a migração pós-colonial dos Bakingo para o sul, ganhou na atualidade uma presença significativa também em Luanda. Em Cabinda ainda se fala o fiote ou ibínda.
O chocué (ou tchokwe) é a língua do leste, por excelência. Tem-se sobreposto a outras da zona leste e é, sem dúvida, a que teve maior expansão pelo território da atual Angola, desde a Lunda do Norte ao Cuando-Cubango.
Kwanyama (Cuanhama ou oxikwanyama), nhaneca (ou nyaneca) e principalmente o umbundo são outras línguas de origem bantu, faladas em Angola.
No sul de Angola, ainda são faladas outras línguas do grupo khoisan, por pequenos grupos de san, também chamados de bosquímanos.
Embora as línguas nacionais sejam as línguas maternas da maioria da população, o português é a primeira língua de 30% da população angolana - proporção que se apresenta muito superior na capital -, enquanto 60% dos angolanos afirmam usá-la como primeira ou segunda língua.


Religião

Em Angola existem atualmente cerca de 100 religiões organizadas em igrejas ou de forma análoga. Não existem dados fiáveis quanto ao número dos crentes, mas a maioria dos angolanos adere a uma religião cristã ou inspirada pelo cristianismo. Cerca de metade está ligada à Igreja Católica, cerca da quarta parte a uma das igrejas protestantes, introduzidas durante o período colonial: as baptistas, enraizadas principalmente entre os bakongo, as metodistas, concentradas na área dos ambundu, e as congregacionais, implantadas entre os ovímbundu, para além de comunidades mais reduzidas de protestantes reformados e luteranos. A estes há que acrescentar os adventistas, os neo-apostólicos e um grande número de igrejas pentecostais, algumas das quais com forte nfluência brasileira. Finalmente, há que mencionar duas igrejas do tipo sincrético, os kinbanguistas com origem no Congo-Kinshasa, e os tocoistas que se constituíram em Angola, ambas com comunidades de dimensões bastante limitadas.
Os praticantes de religiões tradicionais africanas constituem uma pequena minoria, de carácter residual, mas entre os cristãos encontram-se com alguma frequência crenças e costumes herdados daquelas religiões. 
 Há apenas 1 a 2% de muçulmanos, quase todos emigrados de outros países, cuja diversidade não permite que constituam uma comunidade, apesar de serem todos sunitas.

 Uma parte crescente da população urbana não tem ou não pratica qualquer religião, o que se deve menos à influência do Marxismo-Leninismo, oficialmente professado na primeira fase pós-colonial, e mais à tendência internacional no sentido de uma secularização. Em contrapartida, a experiência com a Guerra Civil Angolana e com a pobreza acentuada levaram muitas pessoas a uma maior intensidade de sua fé e práticas religiosas, ou então a uma adesão a igrejas novas onde o fervor religioso é maior.
A Igreja Católica, as igrejas Protestantes tradicionais e algumas das igrejas Pentecostais têm obras sociais de alguma importância, destinadas a colmatar deficiências quer da sociedade, quer do Estado. Quer a Igreja Católica quanto a Igreja Protestante, muitas vezes pronunciam-se acerca de problemas de ordem política.

Governo e política

O regime político vigente em Angola é o presidencialismo, em que o Presidente da República é chefe do Governo e tem poderes legislativos. O ramo executivo do governo é composto pelo presidente, pelo vice-presidente e pelo Conselho de Ministros.
Os governantes das províncias são nomeados pelo presidente e executam as suas diretivas. A Lei Costituicional de 1992 estabelece as linhas gerais da estrutura do governo e enquadra os direitos e deveres dos cidadãos. O sistema legal baseia-se no poruguês e na lei do costume, mas é fraco e fragmentado. 
A guerra civil de 27 anos causou grandes danos às instituições políticas e sociais do país. As Nações Unidas estimam em 1,8 milhões de pessoas atualmente deslocadas, enquanto que o número mais aceite entre as pessoas afetadas pela guerra seja de quatro milhões. As condições de vida em todo o país e especialmente em Luanda (que tem uma população de cerca de 4 milhões) espelham o colapso das infra-estruturas administrativas, assim como muitas das instituições sociais.
A grave situação do país inviabiliza um apoio governamental efetivo a muitas instituições sociais. Há hospitais sem medicamentos ou equipamentos básicos, há escolas que não têm livros e é frequente os funcionários públicos não terem à sua disposição aquilo que necessitam para executarem o seu trabalho.
A 5 e 6 de Setembro foram realizadas eleições legislativas, as primeiras eleições desde 1992. As eleições decorreram sem sobressaltos e foram consideradas válidas pela comunidade internacional, não sem antes diversas ONG e observadores internacionais terem denunciado algumas irregularidades.
Foi aprovada uma nova Constituição em Janeiro de 2010 e as primeiras Eleições Gerais deram-se a 31 de Agosto de 2012.

Subdivisões
A divisão administrativa de Angola é composta por dezoito províncias. A divisão administrativa do território mais pequena é o bairro da cidade, enquanto que nos meios rurais é a povoação.

Provincias:
1. Bengo    7 .Kwanza-Sul13.Lunda-Sul
2. Benguela8. Cunene14.Malanje
3. Bié9. Huambo15.Moxico
4. Cabinda10.Huíla16.Namibe
5. Kuando-Kubando11.Luanda17.Uíge
6. Kwanza_Norte12.Lunda-Norte18.Zaire
As províncias estão divididas em munícipios, que por sua vez se dividem em comunas.

Economia

A economia de Angola caracterizava-se, até à década de 1970, por ser predominantemente agrícola, sendo o café a sua principal cultura. Seguiam-se-lhe a cana-de-açucar, o sisal, o milho, o óleo de coco e o amendoim. Entre as culturas comerciais, destacavam-se o algodão, o tabaco e a borracha. A produção de batata, arroz, cacau e banana era relativamente importante. Os maiores rebanhos eram os de gado bovino, caprino e suíno.
Angola é ria em minerais, especialmente diamantes, petróleo e minério de ferro; possui também jazidas de cobre, manganês, fosfato, sal, mica, chumbo, estanho, ouro, prata e platina. As minas de diamante estão localizadas perto de Dundo, no distrito de Luanda. Foram descobertas em 1966 importantes jazidas de petróleo, que fez com que se acompanhasse um considerável desenvolvimento económico inerente a esta actividade. Em 1975 localizaram-se depósitos de urânico perto da fronteira com a Namíbia.
As principais industrias do território são as de beneficiamento de oleaginosas, cereais, carnes, algodão e tabaco. Merece destaque, também, a produção de açucar, cerveja, cimento e madeira, além da de refinação de petróleo, de pneus, fertilizantes, vidro e aço. 
O sistema ferroviário de Angola é composto por cinco linhas que ligam o litoral ao interior. A mais importante é a linha de ferro de Benguela, que faz a ligação com as linhas de Catanga, na fronteira com o Zaire. A rede rodoviária, na sua maioria, é constituída por estradas de segunda classe, que ligam as principais cidades. Os portos mais movimentados são os de Luanda, Lobito, Benguela, Namíbe e Cabinda. O aeroporto de Luanda é o centro de linhas aéreas que põem o país em contacto com outras cidades africanas, europeias e americanas.
Um problema estrutural sério da economia angolana é a desigualdade muito acentuada entre as diferentes regiões do país, em parte por causa da guerra civil. O dado mais eloquente é a concentração de cerca de um terço da atividade económica ocorrer na zona de Luanda e na província contígua do Bengo, enquanto em várias áreas do interior se verificam processos de regressão.


Uma característica cada vez mais saliente da economia angolana é a de uma parte substancial dos investimentos privados, tornados possíveis graças a uma acumulação exorbitante na mão de uma pequena franja da sociedade, ser canalizada para fora do país, sendo que Portugal é o alvo principal destes investimentos, que se verificam na banca, energia, telecomunicações e comunicação social, mas também na vinicultura e fruticultura, em imóveis assim como em empreendimentos turísticos.
Os benefícios do crescimento económico em Angola chegam de forma bastante desigual para a população. É visível o rápido enriquecimento de um segmento social ligado ao poder político, administrativo e militar. Encontra-se em formação nas cidades um leque de "classes médias" (mais de 50% da população angolana encontra-se concentrada nas cidades).
No país, grande parte da população vive em condições de pobreza relativa, com grandes diferenças entre as cidades entre as cidades e o campo: um inquérito realizado em 2008 pelo Instituto Nacional de Estatística indica que 37% da população angolana vive abaixo da linha da pobreza, especialmente nos meios rurais (o índice de pobreza é de 58,3%, enquanto o do meio urbano é de 19%). Nas grandes cidades, grande parte das famílias, além dos classificados como pobres, está remetida para estratégias de sobrevivência. Nas áreas urbanas, também as desigualdades sociais são mais evidentes, especialmente em Luanda.
No Relatório de Desenvolvimento Humano de 2013, Angola encontra-se na lista do Índice de Desenvolvimento Baixo, no 148º lugar.
Excerto do Relatório de Março de 2008, da Unicef.
«Muitos anos de guerra civil em Angola deixaram as infra‐estruturas locais e nacionais em 
ruínas.  O  Governo  de  Angola (GdA)  está  empenhado  na reconstrução  pós‐conflito  e  no 
desenvolvimento,  criando  infra‐estruturas  para  prestação  de  serviços  básicos  e 
desenvolvendo as competências dos angolanos para contribuírem mais eficazmente para a 
reconstrução nacional. Embora o país seja dotado de abundantes recursos naturais, 68% dos 
angolanos vivem actualmente abaixo do limiar da pobreza, com 26% vivendo em pobreza 
extrema, sobrevivendo com menos de USD 1 por dia»

Infraestruturas

Saúde
O gasto com saúde em Angola, foi de 4,6% do BIP em 2009.
Uma pesquisa de 2007 concluiu que ter uma quantidade pequena ou deficiente de niacina ( também conhecida como vitamina B3, vitamina PP ou ácido nicotínico) era comum em Angola. A Saúde de Angola é classificada entre as piores do mundo. 
Angola está localizada na zona endémica da febre amarela. A incidência de cólera também é elevada. Apenas uma pequena fracção da população recebe atenção médica, a qual ainda é rudimentar.
A partir de 2004 estimou-se em 7,7 médicos por cada 100.000 habitantes. Em 2012 a expectativa de vida foi estimada em 54,58 anos. Neste mesmo ano, estimou-se a mortalidade infantil como de 84 em cada 1000 nascimentos, a 8ª mais elevada do mundo, enquanto que a taxa de mortalidade se situava em 450 óbidos em cada 100.000 nascidos vivos, para o ano de 2010. A taxa de incidência de VIH/SIDA na população adulta, em 2009 era de 2% e em 2012 haviam 200.000 pessoas infectadas com o retrovírus.
Em 2000, 38% da população tinha acesso a água potável e 44% tinha saneamento adequado.

Educação
Uma das prioridades que se deu logo após à independência do país, foi a de expandir o ensino e de lhe incutir um novo espírito. Assim, mobilizaram-se não apenas os recursos humanos e materiais existentes em Angola, mas concluiu-se também um acordo com Cuba em que se previa uma forte colaboração deste país no sentido da educação (também se previa uma colaboração no sector da saúde). Esta colaboração teve resultados notáveis que durou quinze anos, possibilitou avanços significativos em termos não apenas de cobertura de território, mas também de um aperfeiçoamento da qualidade dos professores e do seu ensino.
Apesar destes avanços, a situação continua até hoje pouco satisfatória. Enquanto que na lei o ensino em Angola é compulsório e gratuito até aos oito anos de idade, o governo reporta que uma percentagem significativa de crianças não está matriculada na escola por causa da falta de estabelecimentos escolares e de professores. Os estudantes são normalmente responsáveis pelo pagamento das despesas adicionais com a escola, incluindo livros e alimentação.
A disparidade entre as matriculas efetuadas pelos jovens das áreas rurais e os das áreas urbanas ainda é bastante significativa. A taxa de alfabetização em 2010 era de 70,1%.
O ensino superior tem apresentado um forte crescimento. A Universidade de Agostinho Neto, pública, herdeira da embrionária "Universidade de Luanda" dos tempos coloniais, chegou a ter cerca de 40 faculdades espalhadas por todo o país; em 2009 foi desmembrada, continuando a existir como tal apenas em Luanda e na Província do Bengo, enquanto se constituíram, a partir das faculdades existentes, seis universidades autónomas, cada uma vocacionada para cobrir determinadas províncias, inclusive pelo sistema dos pólos noutras cidades.

Cultura

Arte
A arte da  máscara azul de Angola, como a maioria da arte africana, as máscaras de madeira e as esculturas não são criações meramente estéticas. Elas têm um papel importante nos rituais culturais, representando a  vida e a morte, a passagem da infância à vida adulta, a celebração de uma nova colheita e o começo da estação da caça. Os artesãos angolanos trabalham madeira,bronze e marfim, nas máscaras ou nas esculturas. Cada grupo étnico-linguístico em Angola tem os seus próprios traços artísticos originais. Talvez a parte mais famosa da arte angolana seja o "Pensador de Cokwe", uma obra-prima da harmonia e simetria da linha. O Lunda-Cokwe na parte nordeste de Angola também é conhecido pelas artes plásticas superiores. Outras partes da assinatura de arte angolana incluem:
  • a máscara fêmea Mwnaa-Pwo desgastada pelos dançarinos masculinos nos rituais de puberdade.
  • máscaras poli-cromáticas de Kalelwa usadas durante as cerimónias de circuncisão.
  • máscaras de Cikungu e de Cihongo que conjuga as imagens da mitologia de Lunda-Cokwe. Duas figuras principais deste panteão são a princesa Lweji e o príncipe da civilização Tschibinda-Ilunga.
  • a arte em cerâmica preta de Moxico do centro/leste de Angola

 Antes dos anos 80, todo o marketing dos artesãos estava sob o controle de Artiang, um braço do ministro da cultura. Entretanto uma vez que este monopólio comercial sobre a produção da arte foi removido, a arte em Angola floresceu. Enquanto as máscaras e as estátuas de madeira da África cresceram na popularidade no oeste, a indústria do artesanato em Angola procurou atender a demanda por arte africana. As máscaras e as bugigangas estilizadas, que são criadas para capturar o olho de um turista, são conhecidas geralmente como "a arte aeroporto”. São partes produzidas em série, ao gosto do turista médio, mas faltam todas as ligações reais com as tendências culturais mais profundas dos povos. Um dos maiores mercados de artesanato em Angola é o mercado de Futungo, ao sul de Luanda. É o centro principal do comércio de artesanato para turistas e expatriados. O mercado só está aberto aos domingos. A maioria dos comerciantes do artesanato são Kikongo, embora os artesãos provenham de diferentes muitos grupos étno-linguísticos. Futungo tem também a vantagem adicional de estar localizada perto das praias  ao sul de Luanda, onde muitos dos residentes de Luanda gastam os fins de semana apreciando o sol e a areia da baía de Mussulo. Embora a maioria dos artigos encontrados no mercado de Futungo sejam "da variedade da arte aeroporto", pode-se encontrar um tesouro ocasional da arte, como na pintura de Alberto, um coletor africano sério da arte.

As grandes transformações políticas e sociais no Zaire, no começo dos anos 90, resultaram num aumento do contrabando e da pilhagem de tesouros da arte dos museus do país. Algumas destas artes encontram o seu caminho em Angola e são vendidas frequentemente a preços muito elevados. Mesmo que não se queira comprar uma lembrança africana, um passeio ao mercado de Futungo pode ser uma aventura. Os comerciantes arranjam frequentemente músicos com instrumentos tradicionais, tais como os marimbas e os kissanges, xingufos (chifres grandes do antílope) e cilindros para dar a sensação de um festival da vila. Os homens vestem-se  como guerreiros, com peles lembrando as do antílope e puma, os colares dos escudos e os cocalhos nos tornozelos, adicionam um ar de festividade tradicional ao mercado.

Dança
A dança angolana diverge em vários géneros, significados, formas e contextos, equilibrando a vertente recreativa com a condição de veículo de comunicação religiosa, curativa, ritualística e mesmo de intervenção social. Não se restringe ao âmbito tradicional e popular, manifesta-se igualmente através de uma linguagem académica e contemporânea. A presença constante da dança no quotidiano, é produto de um contexto cultural apelativo para a interiorização das estruturas rítmicas desde cedo. Iniciando-se pelo estreito contacto da criança com os movimentos da mãe (às costas da qual é transportada), esta ligação é fortalecida através da participação dos jovens nas diferentes celebrações sociais (os jovens são os que mais se envolvem), onde a dança se revela determinante enquanto factor de integração e preservação da identidade e do sentido comunitário.
Após vários séculos de colonização portuguesa, Angola acabou por também sofrer misturas com outras culturas atualmente presentes no Brasil, Moçambique e Cabo Verde. Devido a estas influências, Angola destaca-se nos dias de hoje pelos meis diversos estilos musicais, tendo como principais o Semba, o Kuduro e a Kizomba.

Festas
Algumas das festas típicas de Angola são:
Festas do Mar
Estas festas tradicionais designadas por Festas do Mar, têm lugar na cidade do Namibe. Estas festas provêm de tradições antigas de carácter cultural, recreativo e desportivo. Geralmente realizam-se na época do Verão e é habitual terem exposições de produtos relacionados com a agricultura, pescas, construção civil, petróleos e agro-pecuária.
Carnaval
O desfile principal realiza-se na avenida da marginal de Luanda. Vários corsos carnavalescos, corsos alegóricos desfilam numa das principais avenidas de Luanda e de Benguela.
Festas da Nossa Senhora de Muxima
O santuário de Muxima está localizado no Munícipio da Kissama, Província do Bengo e durante todo o ano recebe milhares de fiéis. É uma festa muito popular que se realiza todos os anos e que inevitavelmente atrai inúmeros turistas, pelas suas características religiosas.

Literatura
A literatura de Angola nasceu antes da independência do país em 1975, mas o projecto de uma ficçã que conferisse ao homem africano o estatuto soberano surge por volta de 950, gerando o movimento Novos Intelectuais de Angola; no entanto a euforia deste projecto, presente nos primeiros anos de independência,  desvaneceu-se após o fracasso da experiencia socialista e de guerras civis devastadoras.
A literatura angolana oferece, com frequência, muito realismo dramático com as suas imagens de preconceito, de dor causada por castigos corporais, do sofrimento pela morte dos entes queridos, da exclusão social...

Cinema
O início da produção cinematográfica em Angola tem como base a atracção pelo "exotismo" das paisagens, povos, costumes e culturas locais, bem como o registo do crescimento e desenvolvimento do império colonial em África.
O filme O Caminho de Ferro de Benguela, realizado por Artur Pereira em 1913, é o primeiro registo datado de cinema em Angola. Até ao final dosanos 1940, a Agência Geral das Colónias e as "missões cinegráficas a Angola", produzem uma série de documentários – Exposição Provincial, Agrícola, Pecuária e Industrial (1923); ChipinicaSoba do DiloloPreparação do CaféRiquezas do AmboimAngola Económica (1929) – e a primeira longa-metragem de ficçãoO Feitiço do Império (1940), de António Lopes Ribeiro.
Durante as décadas de 1950 e 1960, merecem registo documentários como Ensino em Angola (1950) de Ricardo MalheiroAngola em Marcha (1952) de Felipe de SolmsA Terra e os Povos(1954) de António Sousa, a série Actualidades de Angola (1957-1961) de João Silva, e O Romance do Luachimo (1968) de Baptista Rosa. Entre outras entidades responsáveis pelo acervo fílmico sobre o território, estão o Serviço Cartográfico do Exército, o Centro de Informação e Turismo de Angola (CITA), a Telecine-Moro e a Cinangola Filmes.
O documentário Angola, na Guerra e no Progresso (1971), do tenente Quirino Simões, foi o primeiro filme português em formato 70mm. É no período da guerra colonial que se regista o maior número de produções de ficção, com destaque para A Voz do Sangue (1965) de Augusto FragaCapitão Singrid (1967) de Jean LeducUm Italiano em Angola (1968) de Ettore ScolaEsplendor Selvagem (1972) de António SousaMalteses, Burgueses e às Vezes… (1973) de Artur Semedo ou Enquanto há Guerra há Esperança (1974) de Alberto Sordi.
Em simultâneo, desde finais dos anos 1960, os registos sobre a guerrilha anticolonial efectuados pelo Departamento de Informação e Propaganda do MPLA e os filmes Monangambê (1971), eSambizanga (1972), de Sarah Maldoror, inspirados em obras de Luandino Vieira, antecipam um cinema de intervenção que se vem a consolidar com a independência do país.
Com a formação intensiva de quadros na cooperativa de cinema Promocine e na Televisão Popular de Angola (TPA), o cinema começa por registar um país novo, acompanhando a mobilização popular, a condição laboral dos trabalhadores e as actividades político-militares em filmes como Sou Angolano, Trabalho com Força (1975) e Uma Festa para Viver (1976) de Ruy Duarte,Resistência Popular em Benguela (1976) de António Ole, A Luta Continua (1976) de Asdrubal Rebelo, as "Actualidades" de Sousa e Costa e os registos da equipa "Angola - Ano Zero", formada pelos irmãos Victor, Francisco e Carlos Henriques, de grande importância para o início de uma cinematografia angolana.
Dentro das estruturas estatais são criados o Instituto Angolano de Cinema (IAC) e o Laboratório Nacional de Cinema (LNC) que, em conjunto com a TPA eram os organismos responsáveis pela produção cinematográfica. Desta altura são os filmes Pamberi ne Zimbabwe (1981) de Carlos HenriquesConceição Tchiambula (1982) de António OleNelisita (1982) de Rui Duarte e Memória de um dia (1982) de Orlando Fortunato. Por motivos socio-económicos, que se reflectem na degradação das infra-estruturas e na desmotivação de realizadores e técnicos assiste-se, nos anos seguintes, a uma diminuição considerável da produção fílmica até à sua quase total paralisação. Para além do filme Levanta, voa e vamos (1986) de Asdrubal Rebelo há a registar a co-produção com Cuba, Caravana (1990) de Rogélio Paris e a primeira co-produção luso-angolana, O Miradouro da Lua (1992) de Jorge António.
Numa remodelação do aparelho estatal angolano em 1999, o LNC e o IAC são extintos e as suas funções integradas no Instituto Nacional das Indústrias Culturais.
Em 2002 o estado angolano disponibiliza uma verba para a reabilitação do cinema. São incentivados os projectos de uma nova geração de realizadores – Maria João GangaMariano BartolomeuZézé Gamboa. Em 2003 é criado o Instituto Angolano de Cinema, Audiovisuais e Multimédia (IACAM) e traçado um plano para a recuperação, restauro e conservação do acervo fílmico de Angola.


Notas

«Geração da Mensagem

A Geração da Mensagem (1950-53) da literatura angolana de expressão portuguesa, formou-se na continuidade do movimento dos Novos Intelectuais de Angola, cujo lema - "Vamos Descobrir Angola!" - operaria uma revolução decisiva na sociedade colonial dos fins da década de 40. Mensagem apresenta-se, assim, como o órgão catalisador de um punhado de jovens angolanos dispostos a assumirem uma atitude de combate frontal ao sistema sociocultural vigente na época. Foi, sem dúvida, o mais forte contributo para a verdadeira busca de uma cultura, de uma literatura autêntica, social e, sobretudo, participada.
Segundo os próprios mentores desta Geração, Mensagem pretendia ser o marco iniciador de uma cultura nova, de Angola e por Angola; fundamentalmente angolana. Cultura essa que se desejava que fosse forte, verdadeira, pujante e humana. Por esses motivos, Mensagem proclamava, bem alto, o slogan cultural e político de "redescobrir" Angola.
Se se pretender encontrar as motivações literárias que deram origem a esta fortíssima e marcante geração, será essencial dizer que terá sido o Modernismo brasileiro, um dos movimentos literários estrangeiros que mais incentivou estes jovens (juntamente com outros movimentos literários e culturais europeus vigentes na época) e que os fez avançar com a vontade de produzirem uma literatura capaz de traduzir exatamente as necessidades, sentimentos, inquietudes, problemas e ansiedades da terra angolana. O intuito principal desta Geração era, sem margem para dúvida, dar vida ao eco das novas ideias, vindas da Europa e da América do Sul, e de fazer passar uma tomada de consciência da iminente necessidade coletiva de agir. Quando na revista Mensagem aparece um convite explicito ao povo angolano para que se construísse uma "língua angolana", a Geração - reivindicativa como era - passa a constitui-se uma gritante força que impulsionará a cultura do país a afirmar-se num quadro social e humano plenamente definido. Desta forma, Mensagem deve ser classificada como uma revista literária de conteúdo declaradamente político.
Numa época em que o estatuto da voz pertencia em exclusivo aos "não naturais" de Angola, foi significativo que os "filhos do país" tivessem assumido tal decisão, assumindo a fala que, embora pertencesse à mesma linguagem codificada do dominador (a língua portuguesa), era uma "fala outra", porque era germinada no terreno oposto - Mensagem nasce nos musseques de Luanda, local onde vivia a maioria do povo colonizado, e daí "parte" para as mãos dos intelectuais. Esta "fala outra" deveria corresponder a uma nova escrita que teria que combater, sem tréguas, uma literatura colonial falseadora das realidades e do sentir das gentes africanas. A nova poesia de Angola teria de encarar um ritmo-emoção característico do homem africano; ritmo-emoção esse que lhe era transmitido pela própria natureza em que ele se integrava e com quem vivia em contato direto e em plena comunhão. A poesia angolana tornava-se, pois, social, gritando a dor, a nostalgia, mas reinvidicando com coragem a transformação das relações sociais e políticas. Assim, esta nova poesia de Angola devia denunciar sem medo, esmagar as covardias, as imposturas e as mentiras.
Mensagem acontece entre 1950 e 1953. Estes limites cronológicos correspondem, respetivamente, à formação do "Movimento dos Novos Intelectuais de Angola", em Luanda, e à publicação do Primeiro Caderno de Poesia Negra de Expressão Portuguesa, em Lisboa. Na sua primeira fase, Mensagem caracterizava-se por uma poesia essencialmente vocacionista - havia que evocar o passado (o momento de autenticidade da vida angolana, recuperar e relembrar valores e costumes tradicionais já esquecidos, enfim, as verdadeiras raízes do homem africano) para sobre ele erigir, erguer a tão pretendida angolanidade, o verdadeiro cariz angolano. É uma fase verdadeiramente viradad para o tema da terra, da mãe-terra - o local priveligiado para reavivar o encontro com as próprias raízes. Moldando-se nesta forte temática da terra, a poesia desta primeira fase da Mensagem começava, assim, a cumprir a sua função social. Para que esta função fosse entendida pelo alvo pretendido - o povo angolano na sua generalidade - a escrita é baseada num ritmo de evidente cariz popular: era fundamental que a mensagem fosse plenamente captada pelo povo a quem se dirigia e que circulasse pelos meios mais tradicionais, onde estes textos eram muitas vezes recitados.
A segunda fase poética de Mensagem é marcada pelo alerta contra a apatia generalizada, imposta por um sistema secular, e pela denúncia aberta contra esse sistema colonial que, pela sua força e poder restritivo, negava, até então, uma possibilidade de futuro àquele povo angolano. Desta forma, poder-se-á dizer que esta segunda fase de Mensagem é uma fase de função puramente social, pois pretendia-se, concretamente, cumprir o objetivo de angolanizar e devolver a africanidade àquele povo, isto é, reencontrar o quase já esquecido "estilo africano de vida".
Esta poesia foi, até determinado momento da sua evolução, o veículo de protesto popular, da contestação à ocupação portuguesa, dela resultando um verdadeiro movimento revolucionário de base e formação popular: o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola).
Mensagem foi o primeiro movimento cultural consciente que surgiu em Angola nos últimos 50 anos e assumiu uma grande responsabilidade perante a História de Angola.
Mensagem teve apenas dois números, uma vez que foi logo proibida e vetada pelo Governo-Geral que, dentro da mentalidade e linha fascista vigente da época, aniquilava qualquer forma autónoma de cultura.
Esta revista - e respetiva geração que nela se apoiava - desapareceu por razões em tudo alheias à vontade destas, dos seus colaboradores e do seu público.»





Bibliografia
http://www.indexmundi.com/Map/?t=0&v=69&r=af&l=pt
http://pt.wikipedia.org/wiki/Angola
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_de_Angola
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinema_em_Angola
http://www.suapesquisa.com/paises/angola/

Imagens: Google

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